Obesidade
A obesidade não é uma questão estética nem falta de força de vontade. É um estado em que se acumulou tanta gordura corporal que ela passa a interferir no…
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Medicamentos habitualmente prescritos para Obesidade
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: COMPRIMIDO, 3 mgSubstância ativa: semaglutideFabricante: Novo Nordisk A/SRequer receita médicaForma farmacêutica: CÁPSULA, 60 mg/ cápsulaSubstância ativa: orlistatFabricante: Laboratorio Stada S.L.Não requer receita médicaForma farmacêutica: CÁPSULA, 120 mgSubstância ativa: orlistatFabricante: Cheplapharm Arzneimittel GmbhRequer receita médica
A obesidade não é uma questão estética nem falta de força de vontade. É um estado em que se acumulou tanta gordura corporal que ela passa a interferir no trabalho dos outros órgãos: sobe a tensão arterial, desregula o metabolismo do açúcar, sobrecarrega as articulações, atrapalha a respiração durante o sono e afeta o humor e a fertilidade. O benefício chega muito antes do «peso ideal»: nota-se já com os primeiros cinco por cento perdidos.
Quando o excesso de peso se chama obesidade
A medida mais simples é o índice de massa corporal: o peso em quilogramas a dividir pelo quadrado da altura em metros. Com 1,70 m e 90 kg dá cerca de 31.
- abaixo de 18,5: peso insuficiente;
- 18,5–24,9: peso saudável;
- 25–29,9: excesso de peso;
- 30–39,9: obesidade;
- 40 ou mais: obesidade grave.
Esta medida tem um ponto fraco: não distingue gordura de músculo. Numa pessoa muito musculada dá alta sem que haja gordura a mais; numa pessoa idosa que perdeu músculo dá baixa mesmo com gordura em excesso. Por isso, ao lado do índice, olha-se para a barriga. Meça a cintura a meio caminho entre a última costela e o bordo da bacia, respirando com calma e sem encolher o abdómen, e divida pela sua altura nas mesmas unidades. Uma razão de 0,5 ou mais significa que há gordura abdominal a mais, mesmo que o índice pareça aceitável. É precisamente essa gordura, e não a das ancas, que leva à diabetes e às doenças do coração.
Há uma correção conforme a origem: em pessoas do sul e do leste da Ásia, do Médio Oriente, de África e das Caraíbas as complicações começam com menos peso, pelo que nelas se considera excesso de peso a partir de um índice de 23 e obesidade a partir de 27,5. Nas crianças estes números não servem: o peso é avaliado pelo pediatra segundo as curvas de crescimento para a idade.
Porque é que o peso sobe
O mecanismo é um só: entra mais energia do que a que se gasta e o excedente fica guardado. Por trás dessa igualdade simples estão, porém, muitas coisas que dependem da pessoa apenas em parte.
- O meio. A comida calórica é mais barata e mais acessível do que qualquer outra, e o trabalho e o caminho até lá passam-se sentados.
- Calorias líquidas. Refrigerantes, sumos e bebidas alcoólicas quase não saciam, mas acrescentam com facilidade centenas de calorias por dia.
- Hereditariedade. Os genes influenciam o apetite e a rapidez com que chega a saciedade; tornam o emagrecimento mais difícil, não impossível.
- Sono e stress. Dormir pouco e viver em tensão aumentam a vontade de doce e de gordura. É fisiologia, não desleixo.
- Comer para lidar com as emoções. Se a ansiedade ou o desânimo acabam regularmente no frigorífico, só a dieta não resolve.
- Medicamentos. Fazem ganhar peso os corticoides, parte dos antiepiléticos, alguns antidepressivos e antipsicóticos e a insulina.
- Doenças. Hipotiroidismo, síndrome do ovário poliquístico, a rara síndrome de Cushing, síndromes genéticas ainda mais raras e lesões do hipotálamo.
À parte: ao deixar de fumar costuma ganhar-se alguns quilos. Não é motivo para voltar ao tabaco, cujo dano é incomparavelmente maior.
O que arrisca e por que sinais reconhecer
A obesidade não dói, e é aí que está a sua astúcia: as complicações ganham força em silêncio. Uma lista de doenças sem os sinais que as denunciam não serve de nada, por isso ficam os sinais.
- Diabetes tipo 2. Sede, urinar muito, sobretudo à noite, cansaço, comichão na pele, feridas que não fecham, visão a ficar turva.
- Tensão alta. Habitualmente não dá nada e só se descobre a medir: o medidor é mais honesto do que aquilo que se sente.
- Apneia do sono. Ressonar alto com pausas na respiração que os outros notam, acordar destroçado e com dor de cabeça, sonolência durante o dia que chega a adormecer ao volante.
- Fígado gordo. Quase sempre mudo; descobre-se nas análises e na ecografia, por vezes dá peso debaixo das costelas direitas.
- Coração e artérias. Falta de ar em esforços que antes eram fáceis, dor opressiva atrás do esterno, tornozelos inchados.
- Articulações e costas. Dor nos joelhos e nas ancas, rigidez de manhã, dor lombar.
- Digestão e hormonas. Azia, cálculos na vesícula; nas mulheres, ciclos irregulares e dificuldade em engravidar; nos homens, testosterona baixa.
Sobe também o risco de vários tumores: intestino, mama depois da menopausa, útero, rim e pâncreas.
Quando ir ao médico e o que ele vai verificar
O motivo para marcar consulta não é o número da balança, mas a vontade de perceber o que se passa. Não adie se o peso sobe depressa sem mudanças na alimentação, se o aumento vem acompanhado de pernas inchadas e falta de ar, se surgiram sede e idas noturnas à casa de banho, se adormece de dia contra a sua vontade ou se em casa lhe dizem que deixa de respirar a dormir.
A ambulância chama-se pelas complicações: dor opressiva no peito com mais de alguns minutos, falta de ar súbita e intensa em repouso, fraqueza súbita de um braço ou de uma perna, boca ao lado. Aí contam-se minutos; na maior parte dos países europeus o número de emergência é o 112.
Na consulta o médico pesa-o, mede a altura e a cintura e pergunta pelo modo de vida, pelos medicamentos que toma, por como o peso foi mudando ao longo da vida, pelo que já tentou e pela sua relação com a comida. Depois vêm as análises: glicemia em jejum ou hemoglobina glicada, perfil lipídico, enzimas do fígado, hormonas da tiroide. A tensão mede-se com uma braçadeira do tamanho certo: uma estreita num braço grosso dá valores falsamente altos.
Vale também o contrário: não é preciso procurar uma causa hormonal rara em toda a gente que tem dificuldade em emagrecer. Essas análises fazem sentido quando há outros sinais — estrias largas e arroxeadas, pele fina, fraqueza dos músculos das coxas, gordura concentrada no tronco com braços e pernas magros. É assim que se apresenta a síndrome de Cushing, contra a qual nenhuma dieta pode.
A comida: o que muda mesmo o peso
Só funciona aquilo que conseguir manter durante anos; os esquemas rígidos dão uma descida rápida e um regresso igualmente rápido. O ritmo de referência é de 0,5 a 1 kg por semana, e para isso come-se cerca de 500–600 calorias por dia a menos do que se gasta. O valor exato convém calculá-lo com o médico de família ou com um dietista.
- A base do prato: legumes e fruta, cereais integrais, leguminosas.
- Proteína em cada refeição: peixe, aves, ovos, queijo fresco. É o que sacia melhor e protege o músculo.
- Menos alimentos processados, bolos, comida rápida, bebidas açucaradas e álcool: um copo de vinho tem as calorias de uma fatia de pão.
- O sal limita-se à parte das calorias, porque faz subir a tensão.
- Atenção à dose: a mesma comida num prato mais pequeno são menos calorias.
O que não convém: jejuar dias inteiros, cortar grupos inteiros de alimentos e comprar «queima-gorduras». As dietas com menos de 800 calorias por dia existem, mas usam-se por indicação médica e sob vigilância: por conta própria custam músculo e trazem cálculos na vesícula.
Movimento
Emagrecer só com treino é difícil: o que se come acumula-se mais depressa do que o exercício queima. Já manter o resultado sem movimento é quase impossível, e a tensão, o açúcar e o humor melhoram antes mesmo de a balança se mexer.
A referência para adultos são 150–300 minutos por semana de atividade física moderada: marcha rápida, bicicleta, natação, dança. Moderada quer dizer que a respiração acelerou mas ainda consegue falar; metade do tempo pode ser trocada por atividade intensa. Duas vezes por semana acrescente exercícios de força, porque ao emagrecer perde-se também músculo.
É sensato começar com dez minutos e aumentar aos poucos; tarefa à parte é quebrar as horas sentado, levantando-se e andando pelo menos uma vez por hora. Se as articulações doem, se a falta de ar é grande ou se há doença do coração, fale do exercício com o médico: com joelhos maus valem a natação, a ginástica na água e a bicicleta estática.
Medicamentos e cirurgia
Ambos se ponderam quando a alimentação e o movimento não deram resultado, e sempre a par deles, nunca em vez deles.
O orlistate impede a absorção de parte da gordura da comida. Os efeitos são previsíveis — fezes oleosas, vontades urgentes, gases — e tanto mais fortes quanto mais gordura se comer.
Os fármacos baseados em hormonas do intestino — liraglutido, semaglutido, tirzepatido — atuam sobre o apetite: a saciedade chega mais cedo e dura mais. Injetam-se sob a pele e funcionam mesmo, mas têm reservas. As náuseas no início são comuns. Ao parar, o apetite volta e com ele muitas vezes o peso, por isso o tratamento planeia-se a longo prazo. Com vómitos ou diarreia intensos os contracetivos orais podem falhar e é preciso um método de reserva; durante o tratamento não se planeia uma gravidez. A escolha cabe ao médico: neste mercado circulam muitíssimas falsificações.
A cirurgia — redução do estômago ou bypass gástrico — discute-se na obesidade grave e também a partir de um índice de 35 se houver uma doença que beneficie da perda de peso: diabetes, apneia, artrose avançada. Dá o resultado mais duradouro, mas obriga a vitaminas para toda a vida e a seguimento regular. Antes de qualquer operação e de qualquer anestesia avise a equipa de que está a usar fármacos para emagrecer: atrasam o esvaziamento do estômago.
Como manter o resultado
O corpo resiste: quanto menos pesa, menos energia gasta, por isso ao fim de alguns meses a descida trava sozinha. Não é um fracasso. O que ajuda a segurar:
- um objetivo realista, 5–10 % do peso inicial, e não «trinta quilos até ao verão»;
- pesar-se sempre nas mesmas condições e anotar em poucas palavras o que se come;
- mais movimento justamente na fase de manutenção, perto de uma hora por dia;
- apoio da família, dos amigos ou de um grupo: sozinho custa mais;
- trabalho com um psicólogo se a comida lhe serve para lidar com emoções: a perturbação de ingestão compulsiva é um problema próprio e tem tratamento.
Mesmo 3–5 % do peso, mantidos durante anos, baixam de forma sensível a tensão, o açúcar e a carga sobre as articulações. Recuperar parte dos quilos acontece a quase toda a gente e significa uma coisa só: voltar ao plano, não abandoná-lo.
Consulta em linha com o médico
Na obesidade a consulta à distância encaixa melhor do que em muitos outros problemas: aqui chega-se com perguntas, não com dor aguda. O médico revê as análises, avalia os riscos, ajuda a montar um plano de alimentação e de atividade física adequado à sua vida, explica o que fazer com os medicamentos que por si só fazem ganhar peso e como estão as coisas com os fármacos para emagrecer. É cómodo também para ir prestando contas: falar de poucas em poucas semanas disciplina melhor do que as promessas feitas a si mesmo.
O que não substitui: a colheita de sangue, a medição da tensão, a ecografia e a avaliação antes de uma operação. Com falta de ar em repouso, dor no peito ou aumento rápido de peso com inchaço é precisa uma consulta presencial.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
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