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Medicamentos habitualmente prescritos para Obstipação
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: SOLUÇÃO/SUSPENSÃO ORAL, 0,67 g de lactulose/mlSubstância ativa: lactuloseFabricante: Lainco S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 5 mg de bisacodiloSubstância ativa: bisacodylFabricante: Opella Healthcare Spain S.L.Não requer receita médicaForma farmacêutica: SUPOSITÓRIO, 10 mg de bisacodiloSubstância ativa: bisacodylFabricante: Opella Healthcare Spain S.L.Não requer receita médica
A obstipação, ou prisão de ventre, não é um diagnóstico de uma linha só, mas uma alteração no funcionamento habitual do intestino: vai-se à casa de banho com menos frequência, as fezes tornam-se duras e evacuar exige esforço. Cada pessoa tem o seu ritmo: há quem evacue duas vezes por dia e há quem o faça de três em três dias, e ambas as situações são normais. O que conta não é um número médio, mas o desvio em relação ao que era habitual em si. Quase toda a gente passa por isto em alguma altura e, na maioria dos casos, resolve-se com mudanças simples na alimentação e na rotina.
Quando se fala de obstipação
Fala-se de obstipação quando coincidem pelo menos alguns destes sinais:
- menos de três dejeções por semana, ou bastante menos do que era costume;
- fezes secas e duras, em bolinhas ou de volume invulgar;
- é preciso fazer força durante muito tempo, por vezes com dor;
- fica a sensação de não se ter esvaziado o intestino por completo.
Juntam-se com frequência inchaço, peso e dor surda no abdómen, falta de apetite e náuseas. Merecem um parágrafo à parte as pessoas idosas e as pessoas com demência: muitas vezes não o dizem por palavras. Vale a pena reparar na inquietação, na recusa da comida ou numa confusão maior do que o costume, porque por vezes é a única forma de sinalizarem dor ou desconforto.
Porque é que o intestino abranda
Nem sempre se encontra uma causa evidente. O mais frequente é uma soma de circunstâncias:
- pouca comida de origem vegetal: legumes, fruta, leguminosas, cereais integrais;
- poucos líquidos, sobretudo com calor ou com febre;
- dias sem movimento: trabalho sentado, repouso na cama, viagens longas;
- o hábito de aguentar e adiar a ida à casa de banho;
- uma mudança brusca de alimentação ou de horários: uma mudança de casa, as férias, os turnos da noite;
- efeito secundário de medicamentos: analgésicos opioides, ferro, alguns fármacos para a tensão, antidepressivos;
- stress, ansiedade ou humor em baixo.
A obstipação é mais comum na gravidez, depois do parto e a partir dos sessenta e cinco anos. Por vezes há outra doença por trás: tiroide pouco ativa, diabetes, cálcio alto no sangue, doença diverticular ou perturbações neurológicas. Raramente, mas a sério, um tumor do cólon. Por isso uma obstipação persistente que surge pela primeira vez num adulto não deve ser atribuída sem mais a «alguma coisa que comi».
O que convém mudar
Os primeiros passos são praticamente iguais para toda a gente e são seguros também na gravidez.
A comida. A fibra introduz-se aos poucos, ao longo de duas ou três semanas, caso contrário o inchaço só aumenta: legumes, fruta, farelo, aveia, linhaça. Ajudam os frutos ricos em sorbitol, como ameixas frescas e secas, damascos secos, peras e maçãs.
Os líquidos. A fibra só funciona acompanhada de água; sem ela torna as fezes ainda mais compactas. O álcool desidrata, por isso convém reduzi-lo.
O movimento. Uma caminhada diária a bom ritmo muda mais do que parece: o intestino responde à atividade física do corpo em geral.
A rotina da casa de banho. Ir mais ou menos à mesma hora, de preferência vinte a trinta minutos depois do pequeno-almoço, quando o intestino está mais ativo. Não aguentar quando surge a vontade. Não ter pressa, mas também não ficar sentado muito tempo com o telemóvel. A posição conta: um banco baixo debaixo dos pés, os joelhos acima das ancas e o tronco ligeiramente inclinado para a frente endireitam o reto e reduzem o esforço.
As primeiras melhorias costumam notar-se em poucos dias, embora por vezes o intestino demore um par de semanas a reajustar-se.
Os laxantes e as suas diferenças
Se a alimentação e a rotina não chegarem, faz sentido falar com o farmacêutico ou com o médico. «Laxante» não é um só produto, mas vários grupos com mecanismos diferentes.
- De volume (psílio, metilcelulose): retêm água e aumentam a massa das fezes. São suaves e servem para uso prolongado, mas exigem beber em abundância.
- Osmóticos (macrogol, lactulose): atraem água para o interior do intestino. Não agem de imediato, mas de forma previsível; o macrogol costuma ser a primeira escolha quando as fezes estão duras.
- Emolientes: facilitam a passagem e usam-se muitas vezes depois do parto ou de cirurgia ao períneo.
- Estimulantes (sene, bisacodilo): estimulam as contrações do intestino. Agem depressa, mas são justamente os que não convém tomar semanas seguidas.
- Supositórios e microclisteres: úteis quando as fezes já chegaram ao reto e ali ficaram retidas.
A maioria faz efeito no prazo de três dias. O tratamento deve ser curto e é melhor retirá-lo de forma gradual. A escolha adapta-se a cada situação, sobretudo na gravidez, nas crianças e em pessoas com doença renal ou cardíaca.
A quem custa mais
Gravidez e primeiras semanas depois do parto. As hormonas abrandam o intestino, o útero em crescimento comprime-o e os suplementos de ferro agravam o quadro. Começa-se pela comida e pelos líquidos; os medicamentos são escolhidos pelo médico, porque nem todos servem.
Idade avançada. Menos movimento, menos líquidos e mais medicamentos ao mesmo tempo. É aqui que surge com mais frequência o fecaloma: uma massa dura que fica encravada no reto. O sinal engana, porque o que se vê é diarreia, líquido que passa à volta da rolha. Essa falsa diarreia não deve ser tratada com antidiarreicos; é preciso que um profissional remova a massa.
Tratamento com analgésicos opioides. Aqui a obstipação é quase inevitável, por isso o laxante é prescrito desde o início, juntamente com o analgésico, e não quando o problema já se instalou.
Pessoas com demência ou com défice intelectual. A obstipação passa facilmente despercebida, e um registo simples das dejeções vale mais do que qualquer suposição.
Quando ver o médico e quando não esperar
Ligue de imediato para os serviços de emergência se a obstipação vier acompanhada de:
- dor abdominal intensa e a aumentar;
- vómitos e ausência total de saída de gases;
- abdómen subitamente inchado e duro.
Assim pode manifestar-se uma oclusão intestinal, que se trata no hospital.
Convém marcar consulta nos dias seguintes se:
- houver sangue nas fezes ou no papel, ou se as fezes ficarem pretas;
- estiver a perder peso sem o pretender;
- o ritmo intestinal habitual mudar de repente e não voltar ao normal durante várias semanas;
- a obstipação regressar vezes sem conta ou não responder às medidas caseiras;
- se mantiver um cansaço constante ou tiver sido detetada anemia;
- tiver começado depois de um medicamento novo: não o suspenda por sua conta, é o médico que ajusta a dose ou o substitui.
Consulta em linha
A obstipação é precisamente o tipo de motivo que se pode começar a resolver à distância. Ao médico não faz tanta falta observá-lo quanto conhecer os pormenores: desde quando, com que frequência, como são as fezes, que medicamentos toma, o que já experimentou, se há dor ou sangue. Em videoconsulta pode rever consigo a lista de fármacos, ajudar a organizar a alimentação e os horários e explicar que grupo de laxantes se adequa ao seu caso e durante quanto tempo.
A segunda tarefa de uma consulta à distância é separar a obstipação comum daquela que preocupa. Se o médico detetar sinais que exijam observação ou exames, dirá com clareza a que especialista recorrer e que análises pedir, em vez de o deixar à procura da resposta às cegas. Perante os sintomas descritos acima como urgentes não há que esperar por consulta nenhuma: ligue para a emergência.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
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