Orf
Orf é uma infeção da pele que se apanha de ovelhas e cabras. Nos relatórios médicos aparece como ectima contagioso ou dermatite pustulosa contagiosa, e quem…
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Orf é uma infeção da pele que se apanha de ovelhas e cabras. Nos relatórios médicos aparece como ectima contagioso ou dermatite pustulosa contagiosa, e quem trabalha com gado chama-lhe simplesmente «a ferida dos cordeiros». O vírus provoca um único nódulo, quase sempre num dedo, na mão, no antebraço ou na cara; o nódulo cresce, verte líquido, cobre-se de crosta e em cerca de seis semanas desaparece sozinho. Em si mesmo não é perigoso, e a tarefa desta página é outra: não o confundir com uma lesão parecida que o é, e não deixar entrar bactérias na ferida.
De onde vem
O agente é um parapoxvírus que vive nos cordeiros e cabritos jovens. No animal produz crostas à volta do focinho e da boca, por vezes nas patas e nas tetas; ovelhas e cabras passam-no facilmente umas às outras, embora para elas a doença não costume ser grave. Um cordeiro com feridas nos lábios magoa a teta da mãe, e pelo rebanho a infeção corre depressa.
A pessoa infeta-se através da pele lesada: uma escoriação, um corte, uma pele arrancada junto à unha, um arranhão. Basta tocar no focinho do animal, na cama, num comedouro, numa faca, numa vedação ou na lã — o vírus resiste muito tempo nos objetos e nas crostas secas. Estão expostos todos os que lidam regularmente com estes animais: criadores, veterinários, tosquiadores, trabalhadores de matadouro, talhantes, e ainda quem dá o biberão a um cordeiro e as famílias que abatem uma ovelha em casa para uma festa.
Há um ponto que merece ser dito à parte: ovelhas e cabras são vacinadas contra o orf com uma vacina viva, e o animal vacinado há pouco elimina vírus durante algum tempo. Lidar de mãos nuas com um rebanho acabado de vacinar é tão arriscado como lidar com um doente.
De pessoa para pessoa o orf transmite-se raríssimas vezes. Ter passado pela infeção deixa uma proteção parcial: pode voltar a apanhar-se, mas normalmente de forma mais ligeira e mais rápida. Vacina para humanos não existe.
Que aspeto tem e como muda
Entre o contacto e as primeiras alterações passam três dias a uma semana. Habitualmente o nódulo é um só, por vezes dois ou três, tantos quantos os pontos por onde o vírus entrou. Depois percorre uma sequência bastante reconhecível, com um aspeto diferente em cada etapa:
- primeiro uma manchinha ou um alto firme de cor vermelho-azulada e, em pele morena ou escura, simplesmente mais escuro do que a pele à volta; faz alguma comichão ou dói ao pressionar;
- em uma ou duas semanas aumenta e ganha forma de alvo: centro escuro, um anel esbranquiçado à volta e um bordo vermelho por fora;
- depois a superfície amolece e o nódulo verte um líquido claro ou turvo;
- a seguir seca e cobre-se de uma crosta dura, por vezes de superfície áspera e verrucosa;
- por fim a crosta solta-se e a pele por baixo sara.
O tamanho habitual é de dois a três centímetros, por vezes até cinco. Todo o percurso demora cerca de seis semanas. Pode ficar uma manchinha plana ou uma cicatriz quase invisível. Os sintomas gerais não surgem em toda a gente: alguma febre, moleza, gânglios aumentados e sensíveis na face interna do cotovelo ou na axila do lado afetado.
O que mais se parece com isto
Esta é a parte mais importante da página. Uma ferida na mão de quem trabalha com gado nem sempre é orf, e alguns dos seus sósias exigem tratamento completamente diferente:
- carbúnculo cutâneo, a razão de ser desta lista. Também começa como um alto na mão ou na cara de quem lidou com ovelhas, cabras, peles ou lã. Distinguem-no três coisas: a úlcera é indolor, no centro forma-se uma crosta negra e seca e à volta espalha-se um inchaço amplo e mole, muitas vezes com febre e mal-estar. Trata-se com antibióticos que têm de começar cedo, por isso com essa combinação vai-se ao médico no próprio dia;
- nódulo dos ordenhadores — um gémeo quase igual ao orf, só que o vírus é outro e vem das vacas. Evolui da mesma forma e sara sozinho da mesma forma;
- panarício herpético — no dedo aparece um grupo de pequenas vesículas sobre base vermelha, com dor intensa e pulsátil, e tudo isto tende a voltar no mesmo sítio;
- tularemia — úlcera mais gânglios muito aumentados e dolorosos e febre; apanha-se de roedores, lebres ou picadas de insetos;
- infeção por micobactérias atípicas — um nódulo arrastado que dura meses; a história típica inclui um aquário ou a limpeza de peixe;
- panarício purulento vulgar e erisipela — aqui a dor cresce em horas e dias, a pele está quente e a vermelhidão alastra;
- queratoacantoma e carcinoma pavimentocelular da pele — um nódulo com um tampão córneo que aos dois ou três meses continua sem sarar. O orf não faz isso: é obrigado a ir-se embora.
O diagnóstico de orf é feito pelo médico a partir do aspeto da lesão e do relato do contacto com animais. Se o quadro for duvidoso ou o nódulo não passar, colhe-se uma amostra para o vírus ou um fragmento de tecido para exame.
O que fazer com a ferida
Não há medicamento que mate este vírus, e não é preciso: o organismo trata do assunto. A tarefa é não o atrapalhar e não deixar entrar bactérias.
- cubra o nódulo com um penso impermeável, mude-o quando ficar húmido e mantenha limpa e seca a pele à volta;
- não o abra nem o esprema: lá dentro não há pus, mas as bactérias entram assim com facilidade;
- lave as mãos depois de cada penso e não esfregue os olhos com essa mão — o vírus numa pálpebra provoca uma inflamação incómoda;
- tire os anéis do dedo afetado enquanto estiver inchado, para que não o apertem;
- para a dor serve um analgésico comum como o paracetamol. Tira a dor mas não trata a infeção, por isso o estado da ferida julga-se pelo aspeto e não por doer ou não.
Os antibióticos não atuam sobre o orf em si — só são necessários quando por cima se juntaram bactérias. Se às seis semanas o nódulo continuar lá ou seguir a crescer, o médico pode propor crioterapia, uma raspagem ou uma excisão pequena; são decisões que vêm depois do exame e por vezes de uma biópsia.
A quem corre pior
Em quem tem as defesas enfraquecidas — por VIH, durante a quimioterapia, com medicamentos que travam a imunidade depois de um transplante — o orf comporta-se de outro modo: os nódulos são vários, crescem até vários centímetros, não saram durante meses e precisam de tratamento por um especialista. Estas pessoas devem ir ao médico logo de início, sem esperar seis semanas.
Também há complicações em pessoas saudáveis, e conhecer os sinais serve mais do que conhecer os nomes:
- infeção bacteriana da ferida: a dor aumenta de repente, sai pus por baixo da crosta, a vermelhidão ultrapassa os limites do nódulo, sobe pelo braço uma linha vermelha e aparece febre. Em pele morena a vermelhidão vê-se pior: oriente-se pelo inchaço, pelo calor e pela dor;
- eritema multiforme: uma ou duas semanas depois do início surgem pelo corpo, sobretudo nas mãos, nos antebraços e nas pernas, manchas redondas em alvo — centro escuro, anel claro, bordo escuro. A erupção é simétrica e costuma passar sozinha; mas se ao mesmo tempo aparecerem feridas dolorosas na boca, nos lábios ou nos olhos, é preciso médico no próprio dia;
- erupção bolhosa: raramente, depois de um orf surge uma erupção com bolhas grandes e tensas sobre pele com comichão. É uma situação à parte, que exige observação e tratamento, e não a continuação da ferida.
Como não apanhar
- lide com ovelhas e cabras de luvas — de látex ou de nitrilo, se houver alergia ao látex; isto vale também para dar o biberão aos cordeiros;
- tape cortes, escoriações e peles arrancadas junto à unha com um penso impermeável antes de começar o trabalho, não depois;
- lave as mãos com água morna e sabão depois de qualquer contacto com os animais, com a cama e com os utensílios;
- lembre-se dos animais vacinados há pouco: eliminam vírus vivo e não se manuseiam de mãos nuas;
- vacine o rebanho e separe os cordeiros doentes dos saudáveis;
- limpe e desinfete com regularidade currais, comedouros, bebedouros e equipamento: o vírus vive muito tempo nas crostas secas e nos objetos;
- não deixe as crianças acariciar cordeiros com crostas no focinho — nas quintas pedagógicas é essa a origem habitual do contágio.
Quando ir ao médico
É preciso ver o médico no próprio dia se:
- a úlcera não dói, tem uma crosta negra ao centro e à volta um inchaço amplo, sobretudo se houver febre — é assim que se apresenta o carbúnculo cutâneo, que exige antibióticos de imediato;
- a dor piorou de repente, sai pus, a vermelhidão alastra, sobe uma linha vermelha pelo braço, os gânglios estão aumentados e dolorosos e há febre;
- o nódulo está na pálpebra ou junto ao bordo do olho;
- tem a imunidade enfraquecida, por doença ou por tratamento;
- há muitos nódulos, são grandes e dolorosos ou voltam vezes sem conta;
- passaram seis semanas e a ferida não sara ou continua a crescer.
Chamar a ambulância (em Espanha, Itália, Portugal, Polónia e Ucrânia, o 112) é necessário nos casos raros mas sérios: se surgirem arrepios com febre alta e confusão; se a vermelhidão e o inchaço avançarem à vista de olhos; se a pele por cima ficar arroxeada e a dor for muito maior do que o aspeto da ferida explica — é assim que começa uma infeção profunda dos tecidos moles. A ambulância é também necessária perante um inchaço súbito dos lábios, da língua ou da garganta com dificuldade em respirar.
Consulta em linha
O orf é precisamente o caso em que uma fotografia e um relato bastam normalmente para obter uma resposta clara. O médico olha para a ferida, pergunta pelo contacto com animais, pelos prazos e pela forma como o nódulo vai mudando, e diz o essencial: se isto parece um orf que basta tapar e esperar, ou outra coisa com que convém ser observado presencialmente e hoje. De passagem esclarece como fazer o penso, com que acalmar a dor, o que fazer quanto ao trabalho na exploração e como proteger o resto da família.
O que a consulta em linha não substitui: o exame, se a ferida não sarar passadas seis semanas ou estiver a crescer; a colheita para o vírus e a biópsia, quando o quadro não é claro; o atendimento presencial perante a suspeita de carbúnculo ou de uma infeção bacteriana que alastra.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Médicos online para Orf
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