Osteoartrite
A osteoartrite, habitualmente chamada artrose, é a doença articular mais frequente. Avança devagar: a cartilagem que reveste as extremidades dos ossos perde…
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Medicamentos habitualmente prescritos para Osteoartrite
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: COMPRIMIDO, 1 gSubstância ativa: paracetamolFabricante: Laboratorios Cinfa S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: SOLUÇÃO/SUSPENSÃO ORAL, 650 mgSubstância ativa: paracetamolFabricante: Kern Pharma S.L.Não requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 50 mgSubstância ativa: diclofenacFabricante: Novartis Farmaceutica S.A.Requer receita médica
A osteoartrite, habitualmente chamada artrose, é a doença articular mais frequente. Avança devagar: a cartilagem que reveste as extremidades dos ossos perde elasticidade e adelgaça, o osso por baixo remodela-se e nos bordos da articulação crescem saliências ósseas. O que se nota não é o processo, mas as suas consequências — dor depois do esforço, articulação rígida ao levantar, ranger, escadas que passaram a custar. A doença não desaparece, mas também não está condenada a piorar ano após ano: em muitas pessoas mantém-se estável durante muito tempo e por vezes a dor até alivia.
O que se passa realmente dentro da articulação
A osteoartrite costuma ser descrita como «desgaste», e essa imagem confunde. A articulação não se gasta como a peça de uma máquina: renova-se continuamente, e na osteoartrite essa renovação corre mal. A cartilagem perde água e desfia-se, o osso por baixo endurece, nos bordos surgem excrescências chamadas osteófitos e a membrana que reveste a articulação inflama de tempos a tempos e produz derrame. Daí as ondas: uma semana calma e outra difícil.
Seguem-se daqui duas coisas práticas. A primeira: a articulação precisa de movimento, porque a cartilagem alimenta-se graças à alternância entre carga e descarga e na imobilidade degrada-se mais depressa. A segunda: a radiografia e os sintomas coincidem mal. Há alterações marcadas na imagem em pessoas sem qualquer queixa e, ao contrário, dor intensa com um exame quase normal. Trata-se a pessoa, não a imagem.
Como se manifesta
A queixa principal é uma dor que surge ou aumenta ao carregar a articulação e cede com o repouso. Com os anos pode chegar a acordar durante a noite. A segunda é a rigidez: a articulação «prende» depois de dormir ou depois de muito tempo sentado e solta-se em poucos minutos. Um pormenor que interessa ao médico: na osteoartrite a rigidez matinal é curta, em regra inferior a meia hora.
O que mais se nota:
- ranger, estalidos ou atrito ao mover;
- a articulação alarga, fica mais dura ao toque e muda de forma;
- inchaço e calor depois do esforço, que passam em um ou dois dias;
- perda de amplitude: o joelho não estica por completo, o braço não chega às costas;
- os músculos à volta da articulação enfraquecem e perdem volume;
- o joelho falha de repente em piso plano.
Os locais mais habituais são os joelhos, as ancas, as mãos — a base do polegar e as pequenas articulações dos dedos, onde aparecem nódulos duros e indolores — e a coluna. Em regra estão envolvidas uma ou duas articulações, não todas ao mesmo tempo.
O que aumenta o risco
Não existe uma causa única: somam-se várias circunstâncias.
- a idade, porque a capacidade de reparação da cartilagem diminui com os anos;
- uma lesão articular anterior: rotura de menisco ou de ligamento, fratura que entra na articulação. Depois de algo assim a osteoartrite pode começar até aos trinta anos;
- o excesso de peso. Cada quilo multiplica-se sobre o joelho a cada passo, mas não é só mecânica: o tecido adiposo mantém uma inflamação de baixo grau, e por isso o peso influencia também as articulações das mãos;
- trabalho que carrega sempre as mesmas articulações: horas de joelhos, levantar pesos, vibração;
- músculos da coxa fracos, que deixam a carga cair diretamente sobre a articulação;
- história familiar, sobretudo na osteoartrite das mãos;
- ser mulher, com uma diferença que se torna evidente depois da menopausa;
- outra doença dessa mesma articulação: artrite reumatoide, gota, uma infeção antiga, displasia congénita da anca.
Se a osteoartrite começa cedo e sem uma lesão que a explique, vale a pena procurar a causa: uma displasia, uma perturbação do metabolismo do ferro, as sequelas de uma inflamação antiga.
Como se chega ao diagnóstico e o que é preciso excluir
Na maioria dos casos o diagnóstico não exige exames complicados. O médico de família apoia-se na idade, no carácter mecânico da dor, na brevidade da rigidez matinal e no exame: a forma da articulação, a amplitude dos movimentos, a dor à pressão ao longo da interlinha articular.
A radiografia confirma o quadro — redução do espaço articular, osteófitos, osso mais denso, quistos. Mas nem toda a gente precisa dela: pede-se quando o diagnóstico não é claro, quando se pondera uma operação ou quando as queixas fogem ao habitual. A ressonância magnética não é necessária numa osteoartrite típica.
Uma tarefa à parte é não confundi-la com outros problemas, que se tratam de maneira diferente:
- artrite reumatoide: rigidez matinal de mais de uma hora, pequenas articulações das mãos inchadas de forma simétrica, mal-estar geral;
- gota: a crise instala-se em horas, mais vezes na articulação do dedo grande do pé, com a pele vermelha e quente;
- artrite psoriática: lesões na pele ou alterações das unhas, um dedo inteiro inflamado;
- infeção da articulação, a mais perigosa desta lista; fala-se dela adiante;
- dor que não vem da articulação: tendinites, bursites, ou uma anca doente que refere a dor ao joelho.
As análises de sangue não mostram a osteoartrite: fazem-se precisamente para excluir o que ficou acima.
Quando não se pode esperar
É preciso procurar ajuda de imediato, incluindo chamar uma ambulância (o 112 é o número único de emergência em Portugal e noutros países europeus), se:
- em poucas horas a articulação ficar quente, muito vermelha e tão dolorosa que quase não se consegue mexer, e surgir febre: é assim que se apresenta uma infeção articular, tratada com urgência e no hospital;
- a dor tiver começado logo a seguir a um traumatismo, a perna não aguentar o peso ou a articulação tiver bloqueado;
- a articulação tiver mudado de forma de modo visível depois de uma queda.
Convém ser observado nos dias seguintes, sem esperar por uma consulta distante, se a dor articular vier acompanhada de febre sem causa clara, suores noturnos ou perda de peso, se surgirem dormência ou fraqueza num braço ou numa perna, ou se a dor habitual mudar bruscamente de carácter.
Movimento, peso e apoio
Esta é a base do tratamento, não um acréscimo aos comprimidos. O exercício não gasta a articulação: descarrega-a, porque um músculo mais forte assume parte do trabalho. São precisos dois tipos de trabalho, o de força dos músculos à volta da articulação afetada e o de resistência geral: caminhar, bicicleta, piscina. Nas primeiras semanas a dor pode aumentar um pouco, o que é esperado. A referência é simples: se no dia seguinte tudo voltou ao nível habitual, a carga está bem escolhida. O plano deve ser preparado com um fisioterapeuta, porque começar de repente ou escolher exercícios errados faz mal.
Em segundo lugar vem o peso. Na osteoartrite do joelho, perder cerca de um décimo do peso reduz a dor de forma apreciável, tanto mais quanto mais a pessoa se mexer ao mesmo tempo.
O que ajuda no dia a dia:
- calçado com sola amortecedora e contraforte firme;
- uma bengala, levada na mão do lado são para descarregar o lado doente;
- uma joelheira ou ortótese durante esforços prolongados;
- calor para a rigidez e frio para o inchaço que se segue ao esforço;
- adaptar a casa: cadeira alta, barra de apoio na casa de banho, cabos engrossados nos utensílios de cozinha se as mãos estiverem afetadas;
- alternar esforço e descanso em vez de «aguentar e acabar o serviço».
Medicamentos e infiltrações
Os medicamentos aliviam a dor, mas não travam a doença.
- Os geles e cremes com anti-inflamatórios não esteroides são um bom ponto de partida para o joelho e as mãos: pouco passa para o sangue e o estômago sofre menos.
- O paracetamol não serve a toda a gente e alivia menos do que se pensa. Usa-se em ciclos curtos e sem ultrapassar a dose do folheto informativo.
- Os anti-inflamatórios não esteroides em comprimidos são mais eficazes, mas exigem cautelas. Tomam-se na dose mínima eficaz e durante o menor tempo possível, quase sempre com um protetor gástrico. Não servem havendo úlcera, podem desencadear uma crise em algumas pessoas com asma, sobem a tensão e sobrecarregam os rins, e depois de um enfarte ou de um acidente vascular cerebral, ou havendo angina de peito e insuficiência cardíaca, prescrevem-se com muita prudência. Avise sempre o médico se tomar anticoagulantes ou aspirina em dose baixa: a associação aumenta claramente o risco de hemorragia digestiva.
- O creme de capsaicina é uma alternativa quando os anti-inflamatórios tópicos não resultaram. Demora a fazer efeito e o ardor ligeiro dos primeiros dias é normal.
- A infiltração de um corticoide na articulação acalma um agravamento intenso durante algumas semanas. Serve para chegar a um compromisso importante ou para conseguir iniciar o exercício, mas não deve repetir-se com frequência.
- Com o que não vale a pena contar: os opioides não se usam de forma continuada na osteoartrite, porque dão pouco benefício enquanto a sonolência, a obstipação e a dependência são reais; a condroitina e a glucosamina não mostraram um efeito convincente.
Quando se fala de cirurgia
A operação é ponderada quando a dor não deixa dormir e limita a vida normal e o movimento, o peso e os fármacos já deram o que tinham a dar. Não faz sentido chegar ao limite: quanto mais fracos estiverem os músculos e pior for a mobilidade à data da cirurgia, mais difícil será a recuperação.
Na maioria das vezes trata-se de uma prótese da anca ou do joelho: as superfícies gastas são substituídas por uma articulação artificial. A dor desaparece na grande maioria dos operados e uma prótese atual dura muitos anos, mas voltar à vida normal leva meses e exige reabilitação. Menos vezes recorre-se a outras técnicas: a osteotomia, que corta o osso para redistribuir a carga no joelho de uma pessoa ainda jovem, ou a fixação da articulação em posição definitiva, quando tirar a dor conta mais do que manter o movimento. Já a «lavagem» artroscópica do joelho com artrose não resulta e não se faz.
Consulta em linha
A osteoartrite é um bom motivo para começar à distância. Na consulta em linha o médico percorre como é a dor e quando aparece, avalia se o quadro encaixa numa osteoartrite ou se é preciso excluir outra coisa, e explica que exames fazem mesmo falta e quais são dispensáveis.
Vale a pena preparar: quando tudo começou, que articulações incomodam, o que piora e o que alivia a dor, quanto dura a rigidez matinal, a lista dos seus medicamentos e das outras doenças, os relatórios de radiografias e análises anteriores. Um vídeo curto que mostre como se levanta de uma cadeira e dá alguns passos é muito útil.
O médico ajuda a montar um plano de exercício realista, ajusta o tratamento da dor às suas contraindicações e diz quando é altura de ver um ortopedista. Se pela descrição o quadro for preocupante — articulação quente e inchada com febre, traumatismo recente, dormência —, será encaminhado para observação presencial no próprio dia.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
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