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Os oxiúros são vermes brancos e minúsculos que vivem no intestino. São a infeção por vermes mais comum nas nossas latitudes e, quase sempre, quem os traz para casa é uma criança vinda da creche ou da escola. Não provocam nada de grave e habitualmente não deixam sequelas, mas têm um hábito incómodo: voltam com facilidade. Por isso o tratamento está montado de uma forma que à primeira vista surpreende — o comprimido é tomado por toda a família, e não uma só vez.
Como perceber que são eles
O sinal principal é a comichão à volta do ânus, que piora ao fim da tarde e à noite. A fêmea sai para depositar os ovos nas pregas da pele, e fá-lo quando a pessoa está a dormir e aquecida debaixo dos cobertores. Daí vem tudo o resto.
- A criança dorme agitada, revira-se, acorda e fica irritável durante o dia sem motivo aparente.
- A pele à volta do ânus está arranhada, vermelha e por vezes com pequenas fissuras.
- Por vezes volta a urinar na cama uma criança que já há muito tinha deixado de o fazer.
- Menos vezes: falta de apetite, dor de barriga sem local definido, ranger de dentes durante o sono.
Os vermes podem ser vistos, e essa é a forma mais fiável de tirar a dúvida. Parecem fios brancos curtos, com até um centímetro, e mexem-se ligeiramente. Deve olhar-se duas ou três horas depois de a criança adormecer, com uma lanterna, afastando as nádegas. Também aparecem por vezes na roupa da cama ou nas fezes.
Se não se viu nada mas a suspeita permanece, o médico proporá um exame simples: de manhã, antes da higiene e antes de ir à casa de banho, encosta-se durante dois segundos uma fita adesiva à pele à volta do ânus e leva-se ao laboratório. Às vezes a colheita repete-se em três manhãs seguidas, porque os ovos não são postos todas as noites. As análises comuns às fezes à procura de ovos não servem aqui: os ovos ficam na pele e não saem com as fezes, por isso um resultado negativo não exclui nada.
De onde vêm e porque voltam
O círculo fecha-se pelas mãos. À noite a fêmea põe os ovos à volta do ânus, a pele fica com comichão, a pessoa coça-se a dormir e os ovos acabam debaixo das unhas. Dali passam para tudo o que se toca: roupa, toalhas, maçanetas, brinquedos, loiça, comida. Basta depois levar algo à boca e começa tudo de novo. Uma criança consegue reinfetar-se sozinha durante semanas, mesmo sem mais ninguém por perto.
Dois factos explicam quase tudo o que se faz no tratamento. O primeiro: os ovos aguentam cerca de duas semanas no ambiente e voam com o pó, pelo que uma limpeza isolada não resolve o problema. O segundo: se há ovos em casa, têm-nos todos os que ali vivem — só que alguns não sentem comichão, andam como portadores e depois voltam a contagiar os restantes.
Isto não é sinal de falta de higiene. Os oxiúros vivem lindamente em casas impecáveis e em crianças lavadas duas vezes por dia. E mais: o cão ou o gato não têm nada a ver com o assunto, porque os oxiúros passam apenas de pessoa para pessoa e o animal não precisa de tratamento.
O tratamento: toda a família e duas vezes
Os medicamentos atuam de forma simples e fiável. São anti-helmínticos, habitualmente mebendazol, albendazol ou pamoato de pirantel, em comprimido mastigável ou em suspensão. Muitos vendem-se sem receita, mas escolher o fármaco e calcular a dose pelo peso cabe ao farmacêutico ou ao médico. Há duas regras sem as quais o tratamento falha quase sempre.
Tratam-se todos os que vivem na casa, no mesmo dia. Todos os adultos e todas as crianças, incluindo quem não tem queixa nenhuma. Tratar só quem se coça não serve de nada: os outros transportam ovos e devolvem a infeção numa semana. Se a criança dorme em casa dos avós ou passa os fins de semana numa segunda família, ali é preciso fazer o mesmo.
A toma repete-se ao fim de duas semanas. Esta segunda regra é a que mais falha. O medicamento mata os vermes adultos, mas não atua sobre os ovos. Os ovos já engolidos chegam tranquilamente a larvas e tornam-se vermes adultos precisamente no final da segunda semana. A segunda toma, outra vez para toda a família, fecha esse segundo ciclo.
Vale a pena falar à parte com o médico se for preciso tratar uma grávida, uma mulher a amamentar ou uma criança com menos de dois anos. Nesses casos decide-se individualmente: por vezes adia-se o medicamento e reforça-se durante algumas semanas a higiene, que bem cumprida chega por si só.
O que fazer em casa nestas duas semanas
Aqui a higiene rende tanto como o comprimido, porque quebra a cadeia que transporta os ovos. O essencial é fazer a parte pesada no dia da toma do medicamento e manter durante duas semanas algumas coisas simples.
- No dia do tratamento, lave em água quente a roupa da cama, os pijamas, as toalhas e a roupa interior de todos. Também os peluches com que a criança dorme.
- Não sacuda a roupa antes de a lavar. Assim os ovos espalham-se pelo quarto. Dobre-a com cuidado e leve-a diretamente para a máquina.
- Lave-se e lave a criança todas as manhãs: durante a noite acumula-se na pele a maior parte dos ovos, e o duche da manhã leva-os antes que passem para as mãos.
- Mude a roupa interior todas as manhãs. Para dormir, use roupa interior justa: dificulta o coçar durante o sono.
- Corte as unhas rentes a toda a gente e vigie que as crianças não as roam nem chuchem nos dedos. Lave as mãos com sabão e escovinha antes das refeições e depois da casa de banho.
- Todos os dias limpe o pó com um pano húmido e passe o aspirador, sobretudo nos quartos; lave com água quente a sanita, as torneiras e os puxadores.
- Uma toalha para cada um: retire as de uso comum durante estas semanas.
Não é preciso faltar à creche, à escola ou ao trabalho: os oxiúros não são motivo para ficar em casa. Vale apenas a pena avisar a educadora se houver mais crianças do grupo com as mesmas queixas.
Nas meninas: comichão e corrimento
Sobre isto não se costuma escrever, e é pena. Nas meninas os oxiúros passam muitas vezes do ânus para a frente, para a vulva e a vagina. Surgem comichão e ardor na zona genital, vermelhidão, um corrimento escasso e por vezes desconforto ou vontade frequente de urinar.
Um quadro destes confunde-se facilmente com outra coisa qualquer, e começam a fazer-se exames à criança: zaragatoas, análises à urina, ciclos de antifúngicos e de antibióticos que não mudam nada. E bastaria lembrar-se da comichão noturna à volta do ânus e fazer o teste da fita adesiva. Perante uma vulvovaginite persistente, tratada uma e outra vez sem resultado, é obrigatório excluir os oxiúros.
Quando é preciso um médico
Normalmente resolve-se em casa. Mas há situações que exigem observação.
- Dor de barriga com febre e vómitos, sobretudo se a dor se deslocou para a parte inferior direita do abdómen: é o quadro de uma apendicite e tem de ser esclarecido com urgência, no próprio dia. Não o atribua aos vermes.
- A comichão não passou depois de tratar corretamente toda a família e de repetir a toma. Então o mais provável é não serem oxiúros: dão comichão semelhante o eczema, a dermatite de contacto por toalhitas e sabões, uma infeção por fungos, uma fissura anal, as hemorroidas e várias doenças de pele da zona. É preciso outro diagnóstico, não um terceiro comprimido.
- Veem-se nas fezes vermes de outro tipo: compridos, redondos ou segmentos achatados. Esses já não são oxiúros e o tratamento é outro.
- A pele à volta do ânus está muito arranhada, húmida, com crostas ou borbulhas com pus: juntou-se uma infeção bacteriana.
- Perda de peso, sangue nas fezes, febre prolongada: estes sinais nada têm a ver com os oxiúros e obrigam a procurar a causa.
Consulta em linha
O tema é simples, e é justamente por isso que se falha tanto nos pormenores — e por causa dos pormenores tudo se repete em círculo. Na consulta à distância o médico ajuda a avaliar, pela descrição e por uma fotografia, se o quadro parece uma oxiuríase, explica como fazer bem o teste da fita adesiva e quando o levar ao laboratório, e escolhe o fármaco tendo em conta a idade e o peso de cada membro da família.
A segunda razão para consultar são a gravidez, a amamentação e as crianças com menos de dois anos: aí a decisão toma-se à parte e é melhor falar antes. E a terceira: se depois de tratar honestamente toda a família e repetir a toma a comichão continuar, a consulta à distância serve para percorrer com calma as outras causas em vez de andar às voltas com mais uma caixa de comprimidos.
Já perante uma dor de barriga com febre e vómitos não há consulta nenhuma para esperar: é preciso observação presencial no próprio dia.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
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