Rotura do menisco (lesão da cartilagem do joelho)
O menisco rompe-se de duas maneiras muito diferentes. Numa pessoa jovem é preciso uma torção brusca com a perna em carga: o futebol, uma aterragem mal feita…
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Medicamentos habitualmente prescritos para Rotura do menisco (lesão da cartilagem do joelho)
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: SOLUÇÃO/SUSPENSÃO ORAL EFERVESCENTE, 200 mgSubstância ativa: ibuprofenFabricante: Viatris Healthcare LimitedNão requer receita médicaForma farmacêutica: SOLUÇÃO/SUSPENSÃO ORAL, 600 MGSubstância ativa: ibuprofenFabricante: Zambon S.A.U.Requer receita médicaForma farmacêutica: SOLUÇÃO/SUSPENSÃO ORAL, 400 mgSubstância ativa: ibuprofenFabricante: Zambon S.A.U.Requer receita médica
O menisco rompe-se de duas maneiras muito diferentes. Numa pessoa jovem é preciso uma torção brusca com a perna em carga: o futebol, uma aterragem mal feita, uma mudança de direção. A partir dos quarenta acontece antes o contrário, o joelho começa a estalar e a doer sem qualquer traumatismo que se consiga recordar. Saber em qual dos dois casos se encontra determina quase tudo o que vem a seguir: os exames necessários e se a cirurgia faz sentido.
O que é o menisco e porque se rompe
Entre o fémur e a tíbia estão duas almofadas de cartilagem com forma de meia-lua, o menisco interno e o externo. Distribuem o peso por toda a articulação, dão profundidade ao planalto plano da tíbia sob o côndilo arredondado do fémur e conferem estabilidade ao joelho quando este roda. Sem eles a carga concentrar-se-ia num único ponto.
A rotura recente surge quando o pé fica fixo no chão e o corpo gira: com o joelho fletido, o menisco fica preso entre os ossos e não tem tempo de se afastar. É assim que os meniscos se rompem no desporto e nas quedas.
O segundo cenário tem que ver com a idade. Com os anos a cartilagem perde água e torna-se quebradiça, pelo que a fissura nasce de um gesto vulgar: levantar-se de uma posição de cócoras, sair do carro, virar-se com um saco na mão. Muitas vezes a pessoa nem sequer liga a dor a um momento concreto. Alterações destas encontram-se também em quem não tem qualquer queixa, por isso ver uma fissura numa imagem não explica, por si só, a dor.
O menisco cicatriza mal e não em toda a parte. Os vasos chegam apenas ao bordo externo, junto à cápsula articular; a parte interna alimenta-se do líquido da articulação e não tem com que unir-se. Por isso uma rotura periférica tem hipótese de sarar sozinha ou depois de uma sutura, e uma rotura profunda não.
O que se sente no joelho
A dor costuma ser localizada e situa-se na interlinha articular, por dentro ou por fora, precisamente ao nível do espaço entre os ossos. Encontra-se com um dedo.
- inchaço que não aparece de imediato, mas ao longo de algumas horas ou no dia seguinte;
- estalidos, ruídos, a sensação de que algo rola ou fica preso lá dentro;
- o joelho falha por um instante num passo ou nas escadas;
- custa esticar a perna por completo, agachar-se ou ajoelhar-se;
- descer escadas é pior do que subi-las.
Na fissura por desgaste o quadro é mais discreto: dor surda e algum inchaço que surgem depois de uma caminhada longa ou de um trabalho feito de cócoras e cedem em dois dias.
Merece nota à parte o bloqueio articular: um retalho solto encrava entre os ossos, o joelho fica a meio da flexão e não estica de todo. Não é apenas dor intensa, é um obstáculo mecânico, e não admite esperar para ver, exige observação por ortopedia.
O que fazer nos primeiros dias
Nos primeiros dois ou três dias reduz-se a carga, mas a perna não se desliga por completo: um joelho imóvel perde músculo depressa e recupera pior depois. Caminhe o que conseguir sem que a dor aumente, com uma bengala se for preciso.
- frio através de um pano durante 15 a 20 minutos várias vezes ao dia, nunca gelo em contacto direto com a pele;
- ligadura elástica ou joelheira durante o dia, retirada para dormir;
- perna sobre uma almofada, acima do nível do coração, quando estiver deitado;
- paracetamol para a dor; um ciclo curto de anti-inflamatórios não esteroides também serve, desde que não tenha úlcera, doença renal nem contraindicação dada pelo seu médico.
Nesses primeiros dias convém não aquecer o joelho, evitar banhos quentes e sauna, não usar pomadas de efeito calor e não massajar a articulação: o calor e a fricção agravam o inchaço. Não tente endireitar à força um joelho bloqueado. Regresse à atividade física por etapas, usando o inchaço como referência: se depois da sessão o joelho volta a encher, exagerou.
Quando ir ao médico e quando ir à urgência
De imediato, chamando uma ambulância pelo número europeu único 112 ou indo à urgência sem conduzir:
- o joelho está deformado, ou a rótula ou a articulação estão visivelmente fora do sítio;
- houve um estalo no momento do traumatismo e é impossível apoiar a perna;
- a articulação encheu e ficou tensa na primeira hora após a lesão, o que costuma significar sangue e, portanto, um ligamento roto ou uma fratura;
- o pé ficou dormente, pálido ou frio, ou não se sentem os dedos;
- uma ferida que penetra na articulação;
- o joelho está quente, vermelho e muito doloroso, com arrepios ou febre. Uma infeção dentro da articulação destrói a cartilagem em poucos dias, e aqui conta-se por horas.
Nos dias seguintes, sem adiar por um mês, é preciso observação por ortopedia se o joelho bloqueou e não estica, se falha repetidamente ao andar ou se o inchaço volta depois de cada esforço.
Uma consulta marcada justifica-se quando a dor dura mais de duas ou três semanas apesar do repouso, impede dormir ou interfere com as tarefas do dia a dia, e também se de manhã o joelho fica rígido mais de meia hora.
Como se chega ao diagnóstico
Tudo começa pela conversa sobre o mecanismo: o que fazia a perna no momento da dor, se houve sensação de estalido, com que rapidez apareceu o inchaço. Depois o médico palpa a interlinha e executa manobras de rotação e flexão da perna: com o menisco lesado, elas reproduzem a dor conhecida ou um ressalto. Estas provas orientam o raciocínio, mas por si só não demonstram nada.
A radiografia não mostra o menisco, porque a cartilagem simplesmente não se vê nela. A imagem é pedida com outro fim: excluir uma fratura e avaliar o quanto o espaço articular está estreitado, ou seja, se não haverá artrose a explicar a dor melhor do que uma fissura.
A rotura confirma-se com ressonância magnética. Vê o próprio menisco, a forma e a localização da lesão e, de caminho, os ligamentos e o osso, que muitas vezes se lesionam no mesmo episódio. A ecografia não serve para este papel: deteta líquido e quistos, mas as roturas profundas escapam-lhe.
A artroscopia, olhar dentro da articulação com uma câmara, é ao mesmo tempo diagnóstico e tratamento, mas não se usa como primeiro passo. E uma ressalva importante: a partir dos quarenta encontram-se alterações dos meniscos na ressonância numa grande proporção de pessoas sem qualquer queixa. Trata-se a pessoa e os seus sintomas, não a imagem.
Como se trata
A maioria não precisa de cirurgia. Uma rotura recente sem bloqueio e quase qualquer fissura ligada à idade tratam-se com carga: um programa de exercícios para o quadricípite, os glúteos e o equilíbrio, orientado por um fisioterapeuta. Dura de seis a doze semanas e não é um esperar que passe, mas um trabalho ordenado com aumento progressivo da exigência.
Foi justamente nas fissuras por desgaste que a questão se estudou com mais cuidado: retirar por artroscopia parte do menisco em pessoas de meia-idade e idosas não trouxe vantagem face a um programa de exercício bem conduzido. Se o joelho não bloqueia, não há pressa para o bloco operatório.
A cirurgia é necessária quando existe um problema mecânico: joelho bloqueado, rotura ampla cujo retalho se desloca para dentro da articulação, perna que falha repetidamente, ou uma reabilitação feita a sério e sem resultado. As opções são duas. A sutura preserva o tecido e é preferível quando a rotura é recente e se situa na zona com irrigação sanguínea, embora obrigue a um regime prudente e longo. A remoção parcial da parte danificada alivia mais depressa, mas deixa menos tecido.
Nem comprimidos nem infiltrações fazem uma cartilagem rota voltar a unir-se. Os chamados condroprotetores não atuam sobre uma rotura, e uma infiltração de corticoide pode acalmar a inflamação, mas não resolve um obstáculo mecânico.
Recuperação e o que vem depois
Com tratamento sem cirurgia o joelho costuma acalmar num prazo de algumas semanas a três meses. Após uma remoção parcial anda-se quase de imediato e regressa-se ao desporto por volta das seis semanas. Após uma sutura o regime é mais rigoroso: limites à flexão e ao apoio, canadianas, ortótese, e atividade plena só ao fim de vários meses. Essa diferença de prazos é o preço do tecido preservado.
A longo prazo o que mais conta é quanto menisco resta: quanto menos foi retirado, menor o risco de artrose do joelho com os anos. Nesse risco pesa também o que depende de si, o peso corporal e a força dos músculos da coxa.
Depois de uma operação, há que contactar o médico sem demora perante febre, um inchaço articular quente e crescente, dor e inchaço da barriga da perna, ou falta de ar súbita e dor no peito.
Consulta em linha
A consulta à distância responde bem à primeira pergunta, que é a essencial: com o que está a lidar e para onde ir. A partir do mecanismo da lesão, da rapidez com que apareceu o inchaço e da presença de bloqueio ou de estalidos, o médico avalia se o quadro aponta para o menisco, se é preciso um exame de imagem e por que ordem. Grave um vídeo curto a fletir e a esticar o joelho e meça o perímetro das duas pernas no mesmo ponto: a diferença em centímetros fala tanto do inchaço como do músculo perdido.
A conversa é útil também mais tarde: perceber o relatório da ressonância, ponderar a cirurgia proposta, distinguir o que dá a sutura e o que dá a remoção, e organizar o plano de exercícios das semanas seguintes. Os limites são evidentes: através de um ecrã não se palpa a articulação nem se fazem as manobras, e a decisão cirúrgica toma-se depois de uma observação presencial.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.




