Reação à tinta para o cabelo
Milhões de pessoas pintam o cabelo durante anos sem o menor contratempo. Numa parte delas, porém, a tinta acaba por provocar uma reação: desde uma comichão…
Nesta página
Medicamentos habitualmente prescritos para Reação à tinta para o cabelo
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: COMPRIMIDO, 10 mgSubstância ativa: cetirizineFabricante: Teva Pharma S.L.U.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 10 mg de cetirizina cloridratoSubstância ativa: cetirizineFabricante: Sandoz Farmaceutica S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, Comprimidos revestidosSubstância ativa: cetirizineFabricante: Laboratorios Alter S.A.Requer receita médica
Milhões de pessoas pintam o cabelo durante anos sem o menor contratempo. Numa parte delas, porém, a tinta acaba por provocar uma reação: desde uma comichão ligeira no couro cabeludo até um inchaço da cara que impede de abrir os olhos e, raramente, até um quadro que exige uma ambulância. O que separa um desfecho do outro costuma ser uma só coisa: se a pessoa reparou nos primeiros sinais fracos e parou, ou se continuou a pintar-se porque «fazia alguma comichão, mas passou». A seguir fica o que na tinta cria o problema, em que difere uma irritação de uma alergia e como agir quando a reação já começou.
O que provoca realmente a reação
O principal responsável é a parafenilenodiamina, que na embalagem aparece como PPD ou p-Phenylenediamine. É um corante de oxidação: entra no cabelo quase incolor e escurece já lá dentro, e por isso a cor aguenta até a raiz crescer. Ainda não existe tinta permanente que consiga o mesmo sem substâncias desta família.
Há três coisas que vale a pena saber.
- Quanto mais escuro o tom, mais corante leva. O preto azeviche e o castanho escuro são os que mais surgem nas histórias de reações graves; os tons claros e os descolorantes, os que menos.
- A PPD não anda sozinha. Nas formulações encontram-se parentes seus, como o tolueno-2,5-diamina, por vezes apresentado como a alternativa suave, além de resorcinol e aminofenóis. Quem é alérgico à PPD pode reagir a estes da mesma maneira, porque o sistema imunitário reconhece uma molécula parecida.
- Além do corante, irritam a pele o peróxido de hidrogénio e o amoníaco. Não causam alergia, mas ardem, secam e deixam microfissuras, e através de pele danificada o corante entra com muito mais facilidade.
A quantidade de PPD permitida nas tintas de uso doméstico está limitada por lei e, cumpridas as instruções, estes produtos são razoavelmente seguros para a maioria. O problema não está na tinta, mas no facto de a alergia ser uma característica de cada pessoa e poder surgir em qualquer aplicação, na primeira como na centésima.
Irritação e alergia não são a mesma coisa
Confundem-se constantemente, e o que há a fazer depois é totalmente diferente.
A irritação começa durante a aplicação ou logo a seguir: o couro cabeludo arde e pica e fica vermelho exatamente onde esteve o produto. Tudo acalma num ou dois dias depois de enxaguar. Atinge sobretudo quem coçou a cabeça antes de se pintar, quem aplica a cor em cabelo acabado de lavar ou quem deixa a mistura a atuar mais tempo do que o indicado.
A dermatite alérgica de contacto comporta-se de outra maneira, e é aí que está a armadilha. Aparece com atraso, em regra ao fim de umas quarenta e oito horas, por vezes mais tarde, e nessa altura a pessoa já não liga o que sente à tinta. Reconhece-se por:
- comichão e vermelhidão não só debaixo do cabelo, mas também na linha de implantação, nas têmporas, atrás das orelhas, no pescoço e nas pálpebras;
- inchaço das pálpebras e da cara, por vezes muito notório;
- vesículas, exsudação e crostas e, mais tarde, descamação e fissuras;
- uma sensação de pele repuxada e a arder que não cede durante vários dias.
A alergia não desaparece por se pintar com menos frequência. Cada nova aplicação encontra um sistema imunitário já preparado contra o corante, e a reação costuma ser pior do que a anterior. Por isso uma comichão ligeira depois da pintura não deve ser atribuída ao acaso: é um aviso, não uma insignificância.
À parte fica a reação de tipo imediato: pápulas semelhantes às da urtiga e inchaço dos lábios e das pálpebras nos primeiros minutos. É menos frequente, mas é justamente essa que se torna perigosa.
Sinais que obrigam a chamar uma ambulância
Uma reação alérgica grave instala-se em minutos e não admite espera. Chame uma ambulância (na Europa, o número único 112) se durante a aplicação ou pouco depois surgir pelo menos um destes sinais:
- dificuldade em respirar, respiração com pieira, sensação de que a garganta se fecha;
- voz rouca, alterada ou ausente, dificuldade em engolir, impressão de ter a boca inchada;
- inchaço dos lábios, da língua, das pálpebras ou da cara;
- erupção como de urtiga espalhada pelo corpo, pele pálida, fria e suada;
- fraqueza súbita, tonturas, vista a escurecer, desmaio;
- dor abdominal repentina e vómitos a acompanhar a erupção e o inchaço.
Enquanto o socorro não chega, enxagúe a tinta com água fresca, se for possível fazê-lo sem deixar de vigiar a pessoa. Havendo um autoinjetor de adrenalina, administra-se de imediato e não à espera de que piore: numa reação grave, demorar é mais perigoso do que uma dose a mais. Deita-se a pessoa e levantam-se-lhe as pernas, mas se deitada respirar pior, deixa-se sentada. Depois da injeção não deve levantar-se de repente. Mesmo quando melhora, é preciso ir ao hospital, porque a reação pode regressar algumas horas mais tarde.
O teste antes de pintar
Os fabricantes pedem um teste cerca de quarenta e oito horas antes de cada aplicação, e a exigência faz sentido mesmo com a marca do costume. Mistura-se uma pequena quantidade de produto conforme as instruções, aplica-se em pele limpa e seca atrás da orelha ou na prega do cotovelo, deixa-se secar e não se mexe. Olhar ao fim de dez minutos não chega: o local deve ser revisto no dia seguinte e às quarenta e oito horas, porque a alergia dá a cara tarde. Qualquer vermelhidão, comichão, vesícula ou ardor nesse ponto significa que o produto não pode ser usado.
Os limites do teste também importam. Não garante nada: um resultado tranquilo reduz o risco sem o eliminar. Se já houve uma reação à tinta no passado, repeti-lo em casa não serve de nada, porque só se consegue reproduzir a reação noutro sítio. Nesse caso vale a pena chegar ao dermatologista e fazer verdadeiros testes epicutâneos: cola-se nas costas uma série de substâncias e faz-se a leitura duas vezes, às quarenta e oito e às noventa e seis horas. Sai-se de lá com a lista do que evitar, e não se limita às tintas.
As tatuagens de henna preta, um atalho para a alergia grave
A henna verdadeira deixa um desenho alaranjado, demora a aplicar e desaparece em poucos dias. O que nas zonas turísticas se oferece como «henna preta» é outra coisa: junta-se PPD à pasta, por vezes em concentrações impensáveis numa tinta de cabelo. O desenho fica preto carvão numa hora e dura mais tempo.
O preço pode ser duplo. Sobre o desenho desenvolve-se muitas vezes uma inflamação que segue exatamente o seu contorno e deixa manchas ou cicatrizes finas que permanecem meses. E, o que é mais importante, essa dose de corante é capaz de tornar uma pessoa alérgica à PPD para toda a vida: a partir daí, logo a primeira pintura vulgar pode desencadear uma reação que antes nem se adivinhava. Os casos mais lamentáveis são os das crianças, que são quem mais recebe estes desenhos.
Se a reação já começou
O primeiro passo é enxaguar os restos de tinta com água fresca e um champô suave, sem esfregar a pele com esponja nem com a toalha. Depois:
- um creme hidratante sem perfume sobre a pele afetada várias vezes ao dia, que alivia a sensação de repuxamento e acelera a cicatrização;
- compressas frescas sobre as pálpebras se a cara estiver inchada;
- os corticosteroides tópicos ajudam quando a inflamação é intensa, mas na cara e nas pálpebras só se aplicam por indicação médica e em ciclos curtos;
- os anti-histamínicos reduzem a comichão e as lesões do corpo; o médico de família ou o farmacêutico ajudam a escolhê-los;
- não coce o couro cabeludo nem tente corrigir a situação pintando-se com outro tom: qualquer nova aplicação agora só agravaria a reação.
É preciso recorrer ao médico no próprio dia se o inchaço da cara estiver a aumentar, se estiver envolvida uma área extensa de pele, se sair pus de debaixo das crostas, se surgir mau cheiro ou se subir a febre, porque nessa altura já se juntou uma infeção. Uma dermatite grave exige por vezes um ciclo curto de corticoides por via oral, e essa decisão cabe ao médico.
Com que pintar o cabelo se a PPD estiver fora de questão
Um substituto totalmente inócuo não existe, mas há opções, e são tanto mais amplas quanto melhor se ler o rótulo.
- As descolorações e os louros conseguem-se sem corantes de oxidação, embora o peróxido continue a irritar a pele.
- Os champôs com cor, as máscaras tonalizantes e as tintas semipermanentes podem não ter PPD, mas não deixam de a ter por definição: a lista de ingredientes tem de ser lida, procurando nela também as substâncias aparentadas.
- A henna natural e o índigo servem a muita gente, só que também as matérias vegetais dão alergia e, com o nome de henna, vendem-se com frequência misturas com aditivos.
- As madeixas e as técnicas em que o produto não toca no couro cabeludo reduzem o contacto, mas com uma alergia já instalada não chegam: bastam os vapores ou um toque acidental.
Falta um pormenor de que raramente se avisa. Substâncias de estrutura próxima da PPD aparecem em corantes têxteis, na borracha preta, nalguns anestésicos locais e nas sulfamidas. Se a alergia à PPD estiver confirmada, diga-o ao médico e ao dentista, porque por vezes influencia a escolha do medicamento. E avise sempre no cabeleireiro: as mãos dos próprios cabeleireiros sofrem com as tintas mais do que as dos clientes, e para eles as luvas não são uma formalidade.
Consulta em linha
À distância resolve-se bem justamente a situação em que as pessoas se perdem: a vermelhidão não apareceu logo, a comichão vai e vem e não se percebe se aquilo é irritação residual ou o começo de uma alergia. A partir do relato e de algumas fotografias, o médico avalia o que está a acontecer, indica com que acalmar a comichão e o inchaço, se é preciso um corticoide local e se vale a pena pedir testes epicutâneos. Na mesma ocasião pode rever-se a composição da sua tinta e decidir com que pintar o cabelo daqui em diante. Os sinais graves da lista anterior não se avaliam através de um ecrã: com esses chama-se logo uma ambulância.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Médicos online para Reação à tinta para o cabelo
Discuta os seus sintomas e os próximos passos possíveis para Reação à tinta para o cabelo com um médico online.














