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Medicamentos habitualmente prescritos para Sarcoidose
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: INJETÁVEL, 22,5 mg injetável 0,9 mlSubstância ativa: methotrexateFabricante: Nordic Group B.V.Requer receita médicaForma farmacêutica: INJETÁVEL, 12,5 mg (25 mg/ml)Substância ativa: methotrexateFabricante: Nordic Group B.V.Requer receita médicaForma farmacêutica: INJETÁVEL, 7,5 mg/0,15 mlSubstância ativa: methotrexateFabricante: Accord Healthcare S.L.U.Requer receita médica
Na sarcoidose o sistema imunitário começa a reunir nos tecidos aglomerados densos de células, chamados granulomas. Não é um tumor nem uma infeção: a sarcoidose não se apanha de ninguém nem se transmite a ninguém. Os granulomas podem surgir em quase qualquer órgão, mas as localizações mais frequentes de longe são os pulmões e os gânglios linfáticos dentro do tórax. Porque é que o sistema imunitário se comporta assim não se sabe ao certo; admite-se que, numa pessoa com determinada predisposição hereditária, o processo seja desencadeado por algo que se respira ou por uma infeção já ultrapassada. A primeira coisa a saber é esta: na maioria das pessoas a sarcoidose resolve-se sozinha, e é justamente por isso que não se trata toda a gente.
Como a sarcoidose se manifesta
As queixas dependem de onde se instalaram os granulomas, pelo que o quadro varia muito. Com alguma frequência a doença não dá qualquer sinal e descobre-se por acaso numa radiografia do tórax feita antes de uma operação ou por motivos de trabalho, na qual se veem os gânglios aumentados nos hilos pulmonares.
Os pulmões estão envolvidos em cerca de nove pessoas em cada dez. Nesse caso surgem:
- tosse seca que se arrasta durante semanas e não cede aos remédios habituais;
- falta de ar, primeiro apenas com esforço e depois com esforços cada vez menores;
- sensação de aperto ou dor surda no peito, com menos frequência.
São igualmente típicas as queixas gerais: febrícula prolongada, suores noturnos, perda de peso e sobretudo um cansaço acentuado que o repouso não resolve e que atrapalha o trabalho. Esse cansaço é muitas vezes atribuído a outra coisa qualquer, quando na sarcoidose é uma das queixas mais frequentes e mais desgastantes.
A pele é atingida em muitas pessoas: aparecem nódulos e placas firmes, de cor castanho-avermelhada ou arroxeada, com frequência sobre cicatrizes antigas e tatuagens, que de repente ficam salientes. Uma forma à parte e muito característica é o eritema nodoso: nódulos vermelhos, quentes e dolorosos nas pernas. Observam-se ainda nariz constantemente entupido, gânglios aumentados e dolorosos no pescoço e nas axilas, dores nas articulações e nos ossos, boca seca e inchaço das glândulas salivares.
Um início ruidoso costuma ser boa notícia
A sarcoidose comporta-se de duas maneiras distintas, e distingui-las importa, porque o prognóstico não é o mesmo.
A forma aguda chega de repente e com estrondo: febre, eritema nodoso nas pernas, tornozelos inchados e dolorosos e gânglios aumentados no tórax na radiografia. Esta combinação chama-se síndrome de Löfgren. Assusta bastante, mas é na verdade a variante mais favorável: na grande maioria dos casos tudo se resolve em alguns meses e não regressa.
A forma crónica faz o contrário: avança em silêncio, durante meses, sem um início vistoso. Aqui podem acumular-se tantos granulomas num órgão que este deixa de funcionar como deve, e com o tempo o local da inflamação é substituído por tecido cicatricial. É esta forma que exige vigilância e, muitas vezes, tratamento.
Como se chega ao diagnóstico
Não existe uma análise única que responda sim ou não. O diagnóstico constrói-se por partes e, em paralelo, o médico tem de excluir aquilo que dá um quadro parecido: sobretudo tuberculose, infeções por fungos, linfoma e doenças pulmonares profissionais provocadas por poeiras.
Costumam fazer-se:
- radiografia do tórax e, se necessário, tomografia computorizada: mostram os gânglios aumentados nos hilos e as alterações do próprio tecido pulmonar;
- provas de função respiratória, com espirometria e medição de quão bem o oxigénio passa do pulmão para o sangue. As mesmas provas repetem-se depois para acompanhar a evolução;
- análises de sangue: hemograma, função do fígado e dos rins e, obrigatoriamente, o valor do cálcio;
- biópsia, ou seja, um pequeno fragmento de tecido de um gânglio, do pulmão ou da pele, para ver os granulomas ao microscópio. Aos gânglios dentro do tórax chega-se com um broncoscópio pelas vias respiratórias, muitas vezes guiado por uma sonda de ecografia na sua ponta;
- eletrocardiograma e observação oftalmológica, pedidos a quase toda a gente mesmo sem queixas, porque o envolvimento do coração e dos olhos pode ficar silencioso durante muito tempo.
Porque não se tratam todos
Quem recebe um diagnóstico sério e sai da consulta sem um único comprimido costuma assustar-se e pensar que foi despachado. Não é isso que se passa, e a explicação é simples.
A sarcoidose regride espontaneamente com muita frequência: segundo várias estimativas, em metade ou mais das pessoas ao longo dos primeiros dois ou três anos, e na síndrome de Löfgren quase sempre. O tratamento, por seu lado, assenta sobretudo em corticoides, que não são inofensivos: aumento de peso, subida do açúcar e da tensão arterial, enfraquecimento dos ossos, oscilações de humor, maior facilidade para infeções. Dá-los a toda a gente significaria prejudicar muitos em benefício de poucos.
Por isso, nas formas ligeiras ou sem sintomas, a conduta chama-se vigilância ativa, e é mesmo uma conduta, não um deixar andar. Será chamado com regularidade para observação, exames de imagem, provas respiratórias e análises, e assim que o quadro começar a piorar o tratamento será iniciado. A ideia é dar ao organismo a hipótese de resolver o problema por si sem pagar por isso em efeitos adversos.
O tratamento começa quando a doença ameaça o funcionamento de um órgão: a falta de ar progride e os valores respiratórios pioram, estão envolvidos o coração, os olhos ou o sistema nervoso, o cálcio sobe, sofrem os rins ou o fígado, ou o mal-estar é tal que impede uma vida normal.
O que altera a urgência
Há algumas situações que não devem esperar pela consulta marcada. Vale a pena conhecê-las de antemão precisamente porque a muitas pessoas não é prescrito qualquer tratamento e ficam sozinhas com a sua vigilância.
Os olhos. A sarcoidose atinge com frequência a úvea. Dor no olho, vermelhidão, incómodo com a luz, visão turva ou diminuição da visão, moscas volantes: são motivo para chegar ao oftalmologista nas horas seguintes ou no prazo de um dia, e não «quando houver tempo». Uma inflamação no interior do olho sem tratamento pode danificar a visão de forma irreversível, ao passo que tratada a tempo responde bem.
O coração. Os granulomas no músculo cardíaco perturbam a condução do impulso e o ritmo. Os sinais de alarme são desmaios e sensações de desmaio iminente, batimentos irregulares percetíveis, episódios de coração acelerado, falta de ar que agrava sem explicação e inchaço das pernas. É facílimo atribuir tudo isto ao cansaço da própria doença, e esse é o erro mais perigoso desta página: a sarcoidose cardíaca pode levar à paragem do coração. Perante um desmaio ou palpitações fortes chame uma ambulância (em Portugal o número único europeu é o 112); perante sintomas mais ligeiros, insista para que o coração seja estudado sem adiar.
O sistema nervoso. Fraqueza ou adormecimento de um braço ou de uma perna, boca ao lado, visão dupla, perda de audição, dor de cabeça teimosa, sede invulgar com urina muito abundante, convulsões: tudo isto exige avaliação urgente.
Cálcio, vitamina D e rins
Quase ninguém avisa disto, e é preciso saber. Os granulomas da sarcoidose produzem por si próprios a forma ativa da vitamina D, e o organismo passa a absorver dos alimentos mais cálcio do que precisa. O cálcio no sangue sobe, o excesso é eliminado pelos rins, aí formam-se cálculos e, se a situação se mantiver, a própria função renal fica comprometida.
O cálcio alto suspeita-se por sinais pouco específicos mas reconhecíveis em conjunto: muita sede, urina abundante, náuseas, prisão de ventre, fraqueza muscular, apatia e confusão mental, dor lombar ou uma cólica renal. Se surgirem, é preciso doseá-lo no sangue nos dias seguintes; havendo fraqueza marcada e confusão, de imediato.
Daqui decorre uma consequência prática importante: na sarcoidose não se deve tomar por iniciativa própria vitamina D nem suplementos de cálcio, ainda que «sejam recomendados a toda a gente para os ossos» e se vendam sem receita. Aqui podem não ajudar, mas prejudicar. A situação é delicada porque os corticoides enfraquecem o osso e a proteção óssea é de facto necessária, mas quem a escolhe é o médico e sempre com controlo do cálcio no sangue e na urina. Pela mesma razão é prudente não exagerar na exposição solar e falar com o médico sobre a quantidade habitual de laticínios, se o cálcio já estava elevado.
Se o tratamento acabar por ser prescrito
A base são os corticoides em comprimidos. Habitualmente parte-se de uma dose mais alta durante algumas semanas e depois reduz-se aos poucos até à mínima de manutenção, que se toma durante meses e não raro um ano ou mais. Aqui não há atalhos: o medicamento apaga a inflamação mas não anula a doença, pelo que um ciclo curto acaba quase sempre com o regresso dos sintomas.
Os corticoides não se suspendem de repente. Com a toma prolongada, as suprarrenais reduzem a produção da sua própria hormona, e uma paragem súbita pode desembocar num quadro grave, além de reativar a doença. A dose baixa-se apenas segundo o esquema que o médico deu, mesmo que se sinta ótimo. Se os comprimidos acabaram ou falhou vários dias, contacte o médico em vez de decidir sozinho.
Quando os corticoides não chegam ou a dose necessária é demasiado alta para se manter, acrescentam-se fármacos que reduzem a atividade do sistema imunitário e, nos casos graves, medicamentos biológicos. Se apenas a pele estiver envolvida, por vezes bastam as preparações de aplicação local.
Em paralelo há medidas que ajudam mesmo: deixar de fumar, manter atividade física regular e ajustada às forças de cada um — contra o cansaço da sarcoidose resulta melhor do que o repouso —, vigiar o peso e a tensão arterial durante a corticoterapia, fazer as vacinas recomendadas e não faltar às consultas de controlo, incluindo a observação anual dos olhos.
Consulta em linha
A sarcoidose é uma doença em que se acumulam muitíssimas dúvidas entre consultas. O que significam as palavras do relatório, porque é que com um diagnóstico destes não foi receitado nada, quanto tempo vai durar este cansaço, se pode trabalhar e fazer desporto, o que fazer com os efeitos adversos dos corticoides e quando baixar a dose: tudo isso se esclarece comodamente sem deslocações.
Na consulta da Oladoctor o médico analisa consigo os exames de imagem e as análises, explica o que exatamente está a ser vigiado no seu caso e com que critérios será decidido o tratamento, ajuda a organizar a lista do que deve controlar em casa e indica quais dos seus sintomas exigem recurso urgente e quais podem esperar tranquilamente pela consulta marcada. Vale a pena falar à parte dos suplementos e de qualquer medicamento novo: na sarcoidose isso não é um pormenor.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
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