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Sépsis (septicemia)

A sépsis não é uma doença à parte, mas uma complicação: é a forma como o organismo reage a uma infeção quando a resposta de defesa foge ao controlo e começa a…

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Esta página fornece informação geral e não substitui a consulta de um médico. Se os sintomas forem graves, persistentes ou estiverem a agravar-se, procure aconselhamento médico com urgência.

A sépsis não é uma doença à parte, mas uma complicação: é a forma como o organismo reage a uma infeção quando a resposta de defesa foge ao controlo e começa a danificar os próprios tecidos e órgãos. Pode começar a partir de qualquer coisa — de uma pneumonia, de uma infeção urinária, de uma gripe, de um arranhão que infetou, de um dente, de uma ferida cirúrgica. Não deixa tempo para pensar e as primeiras horas decidem tudo, por isso os sinais que obrigam a chamar de imediato uma ambulância abrem esta página.

Num adulto, chame a ambulância de imediato perante qualquer um destes sinais

  • confusão, fala arrastada ou sem sentido, a pessoa não sabe onde está, está invulgarmente sonolenta ou custa a acordar;
  • falta de ar intensa ou respiração muito rápida, sensação de não conseguir puxar o ar, dificuldade em falar em frases inteiras;
  • arrepios violentos ou dores musculares muito fortes, como numa gripe pesada mas mais bruscas;
  • ausência de urina durante cerca de meio dia: nenhuma vez ao longo do dia ou muito menos do que é habitual;
  • pele manchada, marmoreada, pálida, acinzentada ou azulada, com lábios e língua roxos; na pele morena ou negra vê-se melhor nas palmas, nas plantas, nos lábios, na língua e no interior das pálpebras;
  • a sensação de estar a morrer ou de que se passa algo muito grave — nessa sensação é preciso acreditar;
  • uma erupção que não empalidece ao pressionar-se um copo de vidro contra ela;
  • dor intensa ou inchaço à volta de uma ferida, de um corte, de uma mordedura ou de uma sutura cirúrgica.

A ambulância chama-se pelo número único europeu 112, que funciona em Portugal, Espanha, Itália, Polónia e Ucrânia; no seu país pode ainda existir outro número de emergência, e convém sabê-lo de antemão. Não conduza: com uma sépsis pode perder-se a consciência pelo caminho.

Numa criança, a mesma urgência, mas com outros sinais

  • respiração muito rápida, gemido ao expirar, retração da pele entre as costelas e por baixo delas, adejo nasal;
  • convulsões;
  • uma erupção que não empalidece ao pressionar-se um copo contra ela, tal como na infeção meningocócica;
  • prostração: a criança está mole, não responde como habitualmente, não há maneira de a acordar ou não fixa o olhar;
  • mãos e pés invulgarmente frios com o corpo quente, pele manchada ou acinzentada;
  • no lactente, recusa alimentar, vómitos repetidos, um choro fraco e invulgarmente agudo, fontanela saliente ou tensa, fralda seca durante cerca de meio dia.

Não espere que se juntem vários sinais: basta um. E o facto de a criança ter sido observada há pouco não tranquiliza — a sépsis instala-se em horas, e uma criança que ao fim da tarde «só tinha febre» pode estar grave durante a noite. Se lhe parecer que está pior do que em qualquer doença anterior, procure ajuda outra vez.

Diga em voz alta a palavra «sépsis»

Soa estranho, mas resulta. Ao ligar para a ambulância ou ao chegar à urgência, diga-o sem rodeios: «Penso que isto pode ser uma sépsis», e explique porquê: havia uma infeção e agora há confusão, falta de ar, arrepios, ausência de urina. Essa frase tira a pessoa da fila da febre e coloca-a noutro percurso: a sépsis é procurada segundo um protocolo próprio, e mencioná-la acelera de forma nítida a observação, as análises e o início do tratamento.

Diga também se a pessoa pertence a um grupo de maior risco: cirurgia recente, quimioterapia, baço removido, diabetes, parto ou interrupção da gravidez nas últimas seis semanas. Leve consigo a lista dos medicamentos que toma.

Se depois da avaliação a mandaram para casa e o estado piora, volte ou chame outra vez a ambulância. Uma primeira avaliação não anula a segunda, e aqui insistir é o correto.

Porque é que a sépsis passa tantas vezes despercebida

A grande armadilha é parecer-se com uma infeção vulgar: febre, prostração, dores no corpo. Não há um sinal único que permita reconhecê-la. Mas há algumas coisas que vale a pena saber antes.

Pode não haver febre nenhuma. Na sépsis a temperatura pode estar alta, mas também pode estar normal ou baixa, com a pessoa fria ao toque. Num doente grave, uma temperatura baixa preocupa mais do que uma alta, e não menos.

Numa pessoa idosa, o único sinal é muitas vezes a confusão. De repente deixa de reconhecer o ambiente, atrapalha-se nas palavras, fica sonolenta ou, pelo contrário, agitada, deixa de se levantar. A família atribui isso à idade ou a que «a demência piorou», e por trás está uma infeção urinária ou uma pneumonia já transformada em sépsis. Uma mudança brusca de comportamento em horas ou num dia é um sintoma, não um traço de carácter.

A sépsis não se contagia. Contagiosa pode ser a infeção que lhe deu origem, mas a sépsis em si não passa de pessoa para pessoa. E o nome antigo «septicemia» engana: o essencial não é os micróbios terem chegado ao sangue, mas a forma como o organismo lhes respondeu.

A sépsis é mais difícil de reconhecer em lactentes e crianças pequenas, em pessoas com demência, em pessoas com deficiência intelectual e, em geral, em quem não consegue contar o que sente. Aí orienta-se pelo comportamento: deixou de comer, deixou de responder, não é a mesma pessoa.

Quem tem mais risco

A sépsis pode surgir em qualquer pessoa com qualquer infeção, incluindo jovens e saudáveis. Mas há quem seja atingido com mais frequência:

  • os lactentes no primeiro ano de vida, sobretudo os prematuros;
  • as pessoas idosas, em especial as frágeis e com pouca mobilidade;
  • quem tem diabetes ou doenças crónicas do rim, do fígado ou do pulmão;
  • quem tem as defesas diminuídas: em quimioterapia, sob medicamentos que travam o sistema imunitário, depois de um transplante, a viver com VIH;
  • quem não tem baço ou tem um baço que não funciona, incluindo as pessoas com anemia falciforme;
  • quem foi operado há pouco tempo ou tem cateteres, drenos ou acessos venosos;
  • as mulheres durante a gravidez e nas primeiras semanas após o parto, um aborto espontâneo ou uma interrupção da gravidez;
  • quem tem queimaduras extensas ou feridas grandes e quem consome drogas injetáveis.

Se estiver nesta lista, ou alguém próximo estiver, procure ajuda mais cedo e refira o risco logo de início. A sépsis não se evita por completo, mas é possível reduzir a probabilidade das infeções de que nasce: manter as vacinas em dia, incluindo a da gripe todos os anos e a do pneumococo em quem tem indicação, com os prazos definidos pelo calendário nacional; lavar, tratar e vigiar as feridas; tomar os antibióticos prescritos tal como foram indicados e até ao fim; lavar as mãos e não adiar a ida ao médico se uma infeção não passa ou volta.

O que se faz no hospital

A sépsis trata-se apenas no hospital e o tratamento começa antes de estarem prontas todas as análises, porque esperar pela confirmação sai demasiado caro. Nas primeiras horas costuma colher-se sangue para hemoculturas e para análises que mostram como funcionam os órgãos, procura-se o foco da infeção, administram-se soros por via endovenosa, oxigénio e um antibiótico de largo espetro na veia, e vigia-se a quantidade de urina. O antibiótico procura-se dar o mais cedo possível: perante a suspeita de sépsis conta-se por horas e, se a tensão descer, por minutos.

Depois, o tratamento depende da resposta. Quando as culturas o permitem, o antibiótico é substituído por outro dirigido ao micróbio encontrado. Se a infeção estiver num foco que se possa retirar — um abcesso, uma vesícula inflamada, um cateter infetado —, esse foco é aberto, drenado ou removido, e sem isso os medicamentos muitas vezes não chegam.

Se a tensão não se mantiver, fala-se de choque sético: são então precisos os cuidados intensivos, medicamentos que sustentam a tensão e, por vezes, ventilação mecânica e diálise temporária. O internamento pode durar de alguns dias a várias semanas.

Depois da alta: a recuperação é mais lenta do que se espera

A maioria das pessoas recupera por completo, mas o processo leva habitualmente meses, o que surpreende tanto os doentes como as famílias. Ao conjunto das sequelas chama-se síndrome pós-sépsis, e inclui:

  • cansaço intenso e fraqueza muscular, falta de ar com esforços normais;
  • sono mau, pesadelos, recordações intrusivas do hospital;
  • dificuldades de memória, de atenção e em encontrar as palavras;
  • humor em baixo, ansiedade, irritabilidade e por vezes perturbação de stress pós-traumático;
  • falta de apetite, perda de peso, queda de cabelo, unhas quebradiças;
  • infeções mais frequentes nos primeiros meses.

O que ajuda: retomar a atividade aos poucos, sem competir com a pessoa que se era antes; comer pouco e muitas vezes; combinar um horário mais leve no trabalho; proteger o sono; e não guardar para si a ansiedade e o desânimo, mas falar deles com o médico, porque fazem parte das sequelas tanto como a fraqueza nas pernas. Vale ainda lembrar que, durante algum tempo depois de uma sépsis, o risco de novas infeções graves é maior, pelo que aos primeiros sinais de uma infeção nova é melhor recorrer ao médico mais cedo do que o habitual.

Consulta em linha

A sépsis em si não se trata em linha: perante a suspeita são precisas ambulância e hospital, e nenhuma consulta à distância substitui isso. Mas o médico da Oladoctor tem muito a oferecer à volta do tema. Pode ajudar a perceber se chegou a altura de chamar a ambulância quando arrasta uma infeção, sua ou de um familiar, e o estado se altera; a compreender por que razão uma infeção não passa com o antibiótico e o que fazer a seguir; a rever como tratar uma ferida ou uma sutura e que alterações nela são preocupantes; e a esclarecer que vacinas fazem sentido para quem pertence a um grupo de risco. E, à parte, acompanhar a recuperação depois da alta: analisar a nota de alta, planear o regresso ao trabalho e à atividade, e falar da insónia, da ansiedade e do cansaço. Se pelo relato o médico vir que é necessária ajuda urgente, dirá isso de imediato e antes de mais nada.

Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.

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