Síndrome de Tourette
A síndrome de Tourette é uma perturbação neurológica em que a pessoa apresenta vários tiques motores e pelo menos um tique vocal, mantidos durante mais de um…
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Medicamentos habitualmente prescritos para Síndrome de Tourette
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: COMPRIMIDO ORODISPERSÍVEL/LIOTAB, 20 mgSubstância ativa: aripiprazoleFabricante: Laboratorios Alter S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: SOLUÇÃO/SUSPENSÃO ORAL, 1 mg/mlSubstância ativa: risperidoneFabricante: Farmalider S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 10 mgSubstância ativa: aripiprazoleFabricante: Kern Pharma S.L.Requer receita médica
A síndrome de Tourette é uma perturbação neurológica em que a pessoa apresenta vários tiques motores e pelo menos um tique vocal, mantidos durante mais de um ano. Costuma começar entre os 5 e os 7 anos de idade, atinge o auge na adolescência e, na maioria das pessoas, atenua-se na vida adulta. Não é uma questão de feitio nem o resultado da educação: os tiques nascem do funcionamento particular das áreas cerebrais que controlam o movimento, e a pessoa não consegue simplesmente "controlar-se".
O que são os tiques
- motores simples: piscar os olhos, levantar as sobrancelhas, sacudir a cabeça, encolher os ombros, fazer caretas;
- motores complexos: sequências de movimentos, como saltar, tocar em objetos ou repetir gestos alheios;
- vocais simples: pigarrear, grunhir, fungar, assobiar, produzir ruídos guturais;
- vocais complexos: palavras e frases, repetição do que se ouve ou das próprias palavras.
Há um traço essencial que convém que as pessoas próximas compreendam: o tique costuma ser precedido de uma sensação interna crescente de tensão — uma comichão, uma pressão, uma necessidade de mexer. O tique alivia. Por isso a pessoa consegue conter um tique durante algum tempo, mas não sai de graça: a tensão acumula-se e depois os tiques saem com mais força. A criança que "esteve quieta a aula toda" muitas vezes rebenta em tiques assim que sai da sala, e isso não é má educação, é a consequência de se ter contido.
Como evolui
- os tiques vêm em ondas: intensificam-se e atenuam-se sozinhos e mudam de forma;
- aumentam com o nervosismo, o cansaço, a excitação e a doença, e por vezes também com uma alegria intensa;
- diminuem quando a pessoa está concentrada em algo que lhe interessa;
- durante o sono costumam reduzir-se, embora possam persistir;
- o pico situa-se entre os 10 e os 14 anos; depois disso a maioria melhora;
- cerca de um terço dos adultos deixa de ter tiques, outro terço tem-nos ligeiros e o terço restante mantém-nos.
Sobre a coprolalia
Dizer palavrões é o traço mais conhecido, mas o mais raro: aparece em menos de 10 % das pessoas com síndrome de Tourette. Esse estereótipo vindo do cinema faz muito estrago: há quem não peça ajuda porque "o seu caso não é assim", e quem está à volta não reconhece as manifestações reais.
Perturbações associadas
Esta é uma parte importante: na maioria das pessoas são as perturbações associadas, e não os tiques, que mais pesam no dia a dia.
- perturbação de hiperatividade e défice de atenção;
- perturbação obsessivo-compulsiva;
- perturbações de ansiedade;
- dificuldades de aprendizagem, em especial com a escrita;
- alterações do sono;
- explosões de raiva e dificuldades de autorregulação;
- sensibilidade aumentada a ruídos, luzes e texturas.
Quando consultar o médico
- os tiques duram há mais de um ano;
- interferem na escola, no trabalho ou nas relações;
- os tiques doem ou provocam lesões: sacudidelas bruscas do pescoço, pancadas em si próprio;
- a criança é gozada ou é alvo de perseguição dos colegas por causa dos tiques;
- surgiram pensamentos obsessivos e rituais;
- há dificuldades de atenção e de aprendizagem;
- o humor baixou ou apareceu ansiedade;
- os tiques surgiram de forma brusca na idade adulta: é atípico e exige avaliação neurológica;
- a par dos tiques há fraqueza, alterações da coordenação ou mudanças na visão.
Como se diagnostica
Não existem exames específicos: o diagnóstico é clínico, feito pela descrição e pela observação. O médico pergunta pela idade de início, pelo tipo de tiques, pela sua duração e pela existência da sensação que antecede o tique, e avalia as perturbações associadas. Os exames — ressonância magnética, eletroencefalograma, análises — só se pedem quando o quadro é atípico, para excluir outras causas. É muito útil levar um vídeo dos tiques: na consulta costumam desaparecer.
Tratamento
Nem sempre se trata: se os tiques não incomodam, basta explicar o quadro e manter o seguimento. O tratamento começa quando os tiques interferem na vida.
- terapia comportamental: é o tratamento de primeira linha. Ensina-se a reconhecer a sensação que antecede o tique e a fazer no seu lugar um movimento incompatível; a eficácia é comparável à dos fármacos e sem efeitos adversos;
- terapia de aceitação e compromisso e trabalho de atenção plena: ajudam a reduzir a tensão associada aos tiques;
- medicação nos tiques marcados: fármacos que atuam sobre o sistema dopaminérgico, alguns anti-hipertensores em doses baixas e infiltrações de toxina botulínica em tiques localizados;
- tratamento das perturbações associadas: é muitas vezes o que traz mais alívio;
- estimulação cerebral profunda em formas muito graves no adulto, quando o resto não resultou;
- apoios na escola: poder sair da sala, tempo extra nos testes, explicação aos colegas.
O que ajuda no dia a dia
- não fazer comentários sobre os tiques nem pedir que pare: isso aumenta a tensão e intensifica-os;
- dormir o suficiente e manter rotinas previsíveis;
- reduzir o nível de stress onde for possível;
- atividade física;
- ocupações que absorvam: enquanto duram, os tiques diminuem;
- explicar a situação a professores e colegas: a transparência tira a maior parte da tensão;
- limitar a cafeína, se se notar relação;
- grupos de apoio, tanto para a criança como para os pais.
Perguntas frequentes
Passa? Na maioria das pessoas os tiques atenuam-se claramente à chegada da idade adulta.
É possível conter um tique? Durante algum tempo sim, mas à custa de uma tensão crescente. Exige esforço e cansa.
A culpa é da educação? Não. É uma perturbação neurológica com uma componente hereditária importante.
Afeta a inteligência? Não. As dificuldades de aprendizagem, quando existem, devem-se às perturbações associadas e não aos tiques.
São precisos medicamentos? Só se os tiques interferirem. A muitas pessoas basta-lhes a terapia comportamental e a compreensão de quem as rodeia.
Consulta em linha
Na consulta em linha o médico analisa o tipo e a evolução dos tiques a partir da descrição e dos vídeos, explica em que difere a verdadeira síndrome de Tourette da ideia que corre sobre ela, avalia as perturbações associadas — atenção, ansiedade, obsessões — e ajuda a decidir se é preciso tratamento agora e por onde começar.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Revisto clinicamente por
Revisto a 1 de ago de 2026
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