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Medicamentos habitualmente prescritos para Síndrome do ovário poliquístico (SOP)
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: COMPRIMIDO, 0.10 MG / 0.02 MGSubstância ativa: levonorgestrel and ethinylestradiolFabricante: Laboratorios Effik S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 0,1 mg/0,02 mgSubstância ativa: levonorgestrel and ethinylestradiolFabricante: Kern Pharma S.L.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 0,1 mg/0,02 mgSubstância ativa: levonorgestrel and ethinylestradiolFabricante: Kern Pharma S.L.Requer receita médica
A SOP é a perturbação hormonal mais frequente nas mulheres em idade fértil. Nela os ovários libertam o óvulo raramente e de forma imprevisível, e o organismo produz mais hormonas masculinas do que é habitual. Daí o ciclo alterado, os pelos indesejados, o acne e as dificuldades em conceber. O nome engana: não há quisto nenhum nos ovários, mas sim uma multidão de folículos pequenos e imaturos, cada um com um óvulo que nunca chegou a amadurecer. A SOP não se cura de forma definitiva, mas consegue gerir-se em quase tudo, incluindo a gravidez.
Três traços, dos quais bastam dois
O diagnóstico faz-se quando coincidem pelo menos duas das três condições seguintes e foram excluídas outras causas do mesmo quadro.
- Menstruações raras ou ausentes. É o sinal exterior de que a ovulação não ocorre em todos os ciclos, ou não ocorre de todo. Ciclos com mais de mês e meio, ou menos de oito a nove menstruações por ano, já justificam investigação.
- Excesso de hormonas masculinas. Nota-se na análise de sangue ou na própria mulher: pelos onde habitualmente não os há — sobre o lábio, no queixo, à volta dos mamilos, na linha média do abdómen, nas costas; acne persistente que não passa no fim da adolescência; perda de densidade do cabelo na risca e nas entradas.
- Imagem de ovários poliquísticos na ecografia: muitos folículos pequenos e volume ovárico aumentado. O número considerado limite depende da resolução do aparelho, pelo que o relatório deve ser interpretado com o médico e não por uma linha isolada.
Desta regra decorrem duas consequências que muitas vezes se esquecem. A primeira: a ecografia não é obrigatória, porque se um ciclo alterado se juntar a sinais de excesso de androgénios o diagnóstico já está feito. A segunda: a imagem ecográfica isolada, sem alteração do ciclo e sem sinais androgénicos, não é um diagnóstico, já que esses ovários também aparecem em mulheres inteiramente saudáveis.
Porque falha a ovulação
A SOP não tem uma causa única, mas o mecanismo é conhecido o suficiente para se perceber onde se pode atuar.
O elo central é a falta de sensibilidade dos tecidos à insulina. Para empurrar a glicose para dentro das células, o pâncreas liberta cada vez mais insulina, e esse excesso obriga os ovários a produzir testosterona a mais. A testosterona, por sua vez, impede o folículo de amadurecer e de libertar o óvulo: fica a meio caminho, permanece no ovário como uma pequena vesícula, e vesículas dessas acumulam-se muitas.
A partir daí fecha-se um círculo. A insulina baixa também no sangue a proteína que liga a testosterona e a mantém inativa, pelo que a hormona livre aumenta mesmo com o valor total inalterado. Ao mesmo tempo desregula-se o ritmo dos sinais da hipófise: liberta-se uma quantidade desproporcionada de hormona luteinizante, que estimula ainda mais o ovário.
O excesso de peso agrava tudo isto, porque o tecido adiposo mantém por si só a resistência à insulina. Mas a SOP também surge com peso perfeitamente normal, e explicar tudo pelos quilos a mais é incorreto. A hereditariedade pesa: se a mãe ou uma irmã têm as mesmas queixas, a probabilidade sobe. Não se encontrou um gene da SOP, mas sim a soma de muitas influências fracas.
Que exames são precisos e quando
As análises têm dois objetivos: confirmar o excesso de androgénios e excluir outras doenças com o mesmo aspeto.
- Análises hormonais: testosterona total e a proteína que a transporta, hormonas da tiroide, prolactina e 17-hidroxiprogesterona. É preferível colher de manhã e na primeira fase do ciclo; se não houver menstruações serve qualquer dia, mas convém dizê-lo ao médico.
- Ecografia pélvica, por indicação e não de forma automática. Nas raparigas, nos primeiros anos depois da primeira menstruação, a ecografia não se usa para o diagnóstico: ovários imaturos parecem poliquísticos sem qualquer doença, e os ciclos irregulares nessa fase são normais.
- Metabolismo: glicemia em jejum em mg/dL ou prova de sobrecarga com glicose, valor da glicemia média de três meses, colesterol e frações, tensão arterial e perímetro da cintura.
Há uma ressalva importante. Uma testosterona normal na análise não afasta o diagnóstico: se a mulher tiver um crescimento de pelos de padrão masculino claramente excessivo, isso basta como sinal mesmo quando os valores do relatório estão dentro do normal. E o inverso também é verdade: tomar contracetivos combinados baixa o resultado, pelo que o médico costuma pedir uma pausa antes da colheita.
Que mais dá o mesmo quadro
A SOP é um diagnóstico de exclusão. Antes de se fixar nele, o médico afasta situações que se tratam de maneira completamente diferente:
- doenças da tiroide — ciclo alterado, aumento de peso, queda de cabelo, cansaço;
- prolactina elevada, incluindo por tumor da hipófise — menstruações que param, por vezes secreção pelo mamilo e dores de cabeça;
- forma não clássica da hiperplasia congénita da suprarrenal — por fora quase indistinguível da SOP, separa-se pela 17-hidroxiprogesterona, e isso muda tanto o tratamento como a conversa sobre planear uma gravidez;
- síndrome de Cushing — estrias arroxeadas, cara arredondada, fraqueza dos músculos das coxas, nódoas negras ao mínimo toque, tensão alta;
- insuficiência ovárica prematura — afrontamentos, secura, hormona folículo-estimulante elevada;
- amenorreia hipotalâmica funcional — o ciclo desaparece perante restrições alimentares severas, muita carga de treino ou stress intenso; aqui os androgénios não estão altos, e o tratamento passa por recuperar a alimentação e reduzir a carga, não por dar hormonas.
À parte fica uma causa rara mas perigosa. Se o excesso de pelos apareceu de repente e vai aumentando ao longo de meses, e com ele a voz se torna mais grave, a massa muscular cresce, o clitóris aumenta e o cabelo rareia em padrão masculino, não se trata de SOP. É assim que se comporta um tumor hormonalmente ativo do ovário ou da suprarrenal, e a investigação não pode ser adiada. Na SOP os sinais progridem devagar, ao longo de anos, e costumam começar ainda na adolescência.
O que muda o curso para além dos medicamentos
Não é o conselho genérico de levar uma vida saudável, mas o mais eficaz que existe na SOP, porque atua sobre a causa e não sobre um sintoma isolado.
Havendo excesso de peso, perder entre cinco e dez por cento devolve a muitas mulheres a ovulação e a menstruação, reduz o crescimento dos pelos e melhora os valores de glicose. É pouco: com oitenta quilos falamos de quatro a oito. Não é preciso perseguir um número ideal, o que conta é o resultado manter-se.
- Uma alimentação com menos açúcar e menos produtos de farinha refinada, e com mais legumes, leguminosas, cereais integrais, peixe e óleos vegetais. Não existem proibições rígidas nem uma dieta própria da SOP.
- Atividade física regular, de resistência e de força: o músculo capta glicose do sangue sem precisar de insulina, o que torna o trabalho de força especialmente valioso aqui.
- Dormir o suficiente, porque dormir pouco piora por si só a sensibilidade à insulina.
- Deixar de fumar, já que o tabaco acresce a um risco vascular que já está aumentado.
- Remoção dos pelos pelo método que lhe convier; num hirsutismo persistente o laser dá um resultado mais duradouro do que a lâmina ou a cera.
Se a perda de peso não acontece, não é um beco sem saída: parte da melhoria vem da atividade física regular por si só, mesmo sem alteração na balança.
Medicamentos e o que esperar deles
Os fármacos escolhem-se conforme o objetivo e não contra a SOP em abstrato: uma mulher trata o acne, outra precisa de recuperar o ciclo, uma terceira planeia uma gravidez.
- Contracetivos hormonais combinados: a base quando não se procura gravidez. Regularizam o ciclo, protegem o endométrio, baixam a testosterona livre e com o tempo reduzem o acne e os pelos. Nos pelos o efeito não se nota antes de meio ano.
- Progestativos em ciclos ou um sistema intrauterino com hormona: a alternativa quando os combinados não servem. O objetivo é o mesmo, não deixar o endométrio crescer durante anos sem descamar.
- Metformina: melhora a sensibilidade à insulina e ajuda o metabolismo, sobretudo se a glicose já está alterada. Não age de imediato nem substitui a alimentação e o movimento; as náuseas e as fezes moles atenuam-se subindo a dose aos poucos.
- Antiandrogénios: espironolactona, acetato de ciproterona, indicados quando os pelos são marcados e os contracetivos sozinhos não chegam. São perigosos para um feto do sexo masculino, pelo que se usam sempre com contraceção fiável. A flutamida, que antes figurava nesta lista, hoje quase não se emprega devido à grave toxicidade hepática.
- Tratamentos tópicos: creme que trava o crescimento dos pelos da face (as primeiras mudanças ao fim de mês e meio; não remove o pelo), solução de minoxidil para a perda de densidade capilar e os tratamentos habituais do acne. Não se usam na gravidez nem quando se está a tentar engravidar.
Nenhum destes tratamentos cura a SOP: seguram a situação enquanto são tomados. Ao suspendê-los o quadro anterior costuma regressar, e isso não significa que o tratamento estivesse errado.
Gravidez: quando se procura e quando não
A SOP é uma das causas mais frequentes de dificuldade em conceber e, ao mesmo tempo, uma das que melhor respondem ao tratamento. A maioria das mulheres com este diagnóstico engravida, muitas sem qualquer estimulação.
Quando a gravidez é planeada, começa-se pelo peso e pelo metabolismo e depois recorre-se a fármacos que provocam a maturação e a saída do óvulo: a primeira escolha hoje é o letrozol, a segunda o clomifeno, por vezes acrescenta-se metformina. Se os comprimidos não resultarem, passa-se a gonadotrofinas injetáveis com controlo ecográfico e depois à fertilização in vitro. A opção cirúrgica é o drilling ovárico por laparoscopia, cauterização pontual do tecido que produz androgénios, hoje pouco usada.
A estimulação tem um risco próprio: a síndrome de hiperestimulação ovárica. Procure atendimento urgente se depois da estimulação ou da punção surgirem dor e distensão abdominal intensas, vómitos incoercíveis, aumento rápido de peso em poucos dias, redução brusca da quantidade de urina ou falta de ar. A outra característica da estimulação é a gravidez múltipla, que decorre com mais dificuldade.
A gravidez com SOP exige vigilância atenta: são mais prováveis a tensão alta e a pré-eclâmpsia, a diabetes gestacional, o aborto e o parto pré-termo, pelo que o rastreio da diabetes é feito mais cedo do que o habitual.
E o reverso, o que mais se esquece: ovular raramente não é o mesmo que ser infértil. O óvulo pode sair num momento totalmente imprevisível, por isso, se a gravidez não está nos planos, a contraceção é tão necessária como para qualquer outra mulher.
O que vale a pena vigiar ao longo dos anos
A SOP não é só o ciclo e a pele. Aumenta a probabilidade de várias situações que evoluem devagar e ao início não se manifestam, mas que respondem bem a uma atuação precoce.
- O endométrio. Se não houver menstruações durante anos, a mucosa do útero engrossa sem descamar, e com o tempo isso eleva o risco de transformação maligna. Daqui a regra: deve haver hemorragia pelo menos de poucos em poucos meses, espontânea ou provocada com medicação. Consulte ginecologia se passarem mais de três ou quatro meses sem menstruação, se esta se tornar muito abundante ou prolongada, se houver perdas entre ciclos ou após as relações e sempre perante qualquer hemorragia depois da menopausa.
- Diabetes tipo 2. A glicose é controlada periodicamente, com a frequência definida pelo médico conforme a idade, o peso e os resultados anteriores.
- Tensão e colesterol. Medem-se não por incomodarem, mas por se manterem silenciosos até ao fim.
- Respiração durante o sono. Ressonar com pausas, acordar sem descanso e sonolência diurna justificam investigar apneia do sono, mais frequente na SOP.
- Humor e relação com a comida. A ansiedade, o humor deprimido e as perturbações do comportamento alimentar são bastante mais frequentes na SOP do que na média. Não é feitio nem consequência do aspeto: faz parte do quadro, e vale a pena falar disso com o médico com frontalidade.
Com os anos os ciclos regularizam-se em muitas mulheres e os pelos tornam-se menos evidentes, mas os riscos metabólicos não desaparecem sozinhos, pelo que a vigilância continua a fazer sentido depois da menopausa.
Consulta em linha
A consulta em linha serve para a maioria das perguntas sobre SOP: aqui raramente é preciso observar e quase sempre é preciso interpretar. Na consulta é possível analisar as análises e o relatório da ecografia e perceber o que significam; traçar um plano de investigação se o ciclo se alterou e a causa não é clara; discutir que contraceção se adequa ao seu caso e em que prazos atua; definir os passos antes de tentar engravidar; resolver efeitos indesejáveis de um tratamento já prescrito; e obter uma resposta clara sobre o que tem fundamento em tudo o que se lê acerca de alimentação e SOP.
A ida presencial é necessária para a ecografia e a observação; e perante sinais de hiperestimulação ovárica ou uma hemorragia abundante o que é preciso é atendimento urgente e não uma mensagem.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Médicos online para Síndrome do ovário poliquístico (SOP)
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