Nesta página
- Como costuma manifestar-se
- O que conta não é a lista de sintomas mas o seu calendário
- Porque é que isto acontece
- O que se parece com a síndrome pré-menstrual sem o ser
- O que ajuda no dia a dia
- Analgésicos e suplementos
- Quando procurar o médico e o que ele pode propor
- Quando já não é síndrome pré-menstrual mas perturbação disfórica pré-menstrual
- Consulta em linha
Medicamentos habitualmente prescritos para Síndrome pré-menstrual (SPM)
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: COMPRIMIDO, 20 mgSubstância ativa: citalopramFabricante: Laboratorios Alter S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: CÁPSULA, 400 mgSubstância ativa: ibuprofenFabricante: Aurovitas Spain, S.A.U.Requer receita médicaForma farmacêutica: SOLUÇÃO/SUSPENSÃO ORAL, 100 mg ibuprofeno/5 mlSubstância ativa: ibuprofenFabricante: Laboratorios Cinfa S.A.Requer receita médica
A síndrome pré-menstrual é o conjunto de mudanças físicas e do estado de espírito que surgem na última semana ou duas do ciclo e desaparecem com a menstruação ou nos seus primeiros dias. É assim que vive a maioria das pessoas que menstruam e, por si só, isso não é uma doença. Fala-se de síndrome pré-menstrual quando esses dias deixam de ser apenas incómodos: os planos caem, as relações sofrem, o trabalho fica adiado. É aí que pedir ajuda faz mais sentido do que aguentar mais alguns anos.
Como costuma manifestar-se
Estão descritas mais de cem manifestações e cada pessoa tem o seu conjunto — constante de mês para mês, mas diferente do da pessoa ao lado. As mais frequentes são:
- oscilações do humor, irritabilidade, explosões de raiva, vontade de chorar;
- ansiedade, humor em baixo, a sensação de que tudo foge das mãos;
- cansaço, dificuldade em adormecer ou, pelo contrário, muito sono;
- distração, dificuldade em manter a atenção numa só coisa;
- inchaço abdominal, dor surda no baixo ventre e na zona lombar;
- tensão e dor nas mamas;
- dor de cabeça e, em algumas pessoas, crises de enxaqueca;
- desejo de doce ou de salgado, apetite alterado;
- retenção de líquidos e sensação de ter engordado, que passa em poucos dias;
- borbulhas na pele e cabelo mais oleoso;
- menos interesse por sexo ou, mais raramente, mais.
As mamas merecem uma nota à parte. A dor cíclica e a sensação de nódulos são comuns e mudam com a fase do ciclo. Já um nódulo firme que continua lá depois da menstruação nada tem que ver com a síndrome pré-menstrual e deve ser observado pelo médico.
O que conta não é a lista de sintomas mas o seu calendário
Nenhum dos sintomas acima pertence apenas à síndrome pré-menstrual. O que a distingue é o momento em que aparece. As queixas surgem na segunda metade do ciclo, atingem o máximo nos últimos dias antes da menstruação, acalmam no primeiro dia de sangramento e desaparecem por completo durante uma semana ou dez dias. Essa semana limpa é a parte mais importante do quadro. Se ela não existe e se está mal de forma mais ou menos igual o mês inteiro, trata-se de outra coisa que apenas piora antes da menstruação.
Por isso a única forma fiável de esclarecer é fazer um diário. Não de memória, mas dia a dia: dois ou três ciclos completos, assinalando com uma escala simples as três ou quatro queixas que mais pesam e os dias de menstruação. Meia hora de trabalho no total dá o que nenhuma análise ao sangue consegue dar, e chega-se à consulta com a resposta à primeira pergunta do médico.
As análises hormonais não são necessárias para o diagnóstico e habitualmente não mostram nada: os valores no sangue são normais. Pedem-se não para confirmar a síndrome pré-menstrual, mas para excluir outras causas.
Porque é que isto acontece
A síndrome pré-menstrual não se deve a um excesso nem a uma falta de hormonas, mas à sensibilidade individual do cérebro às suas oscilações normais. Depois da ovulação muda o nível de progesterona, e os seus derivados atuam sobre os mesmos circuitos cerebrais que regulam a ansiedade, o sono e o humor, e também sobre a transmissão da serotonina. Nalgumas pessoas esse reajuste passa despercebido; noutras desencadeia uma tempestade.
A confirmação indireta é simples: a síndrome pré-menstrual só existe onde há ovulação. Não aparece antes da puberdade, na gravidez, depois da menopausa, nem nos ciclos em que não houve ovulação. É nisso que assenta um dos tratamentos: suprimi-la temporariamente.
O que agrava dias já difíceis: dormir pouco, o stress prolongado, a falta de atividade física, o tabaco e o excesso de álcool e de cafeína. Não são a causa, mas são justamente o mais fácil de mudar.
O que se parece com a síndrome pré-menstrual sem o ser
Distinguir importa, porque o tratamento é outro. O diário de dois ciclos costuma resolver a dúvida.
- Depressão e perturbação de ansiedade. Pioram muitas vezes antes da menstruação e são tomadas por síndrome pré-menstrual. A diferença está na semana limpa: na depressão não existe, o humor em baixo mantém-se também na primeira metade do ciclo.
- Hipotiroidismo. Provoca cansaço, sensação de frio, aumento de peso, pele seca e desânimo, tudo isso sem ligação ao ciclo. Verifica-se com uma análise ao sangue.
- Anemia por falta de ferro. Companheira frequente das menstruações abundantes: fraqueza, falta de ar ao esforço, queda de cabelo. O seu cansaço vai aumentando até ao fim do ciclo, o que se confunde com facilidade.
- Endometriose e adenomiose. Aqui a chave é a dor. Na síndrome pré-menstrual acalma quando a menstruação começa; na endometriose são precisamente esses os piores dias, e junta-se muitas vezes dor nas relações sexuais e ao evacuar.
- Perimenopausa. A partir dos quarenta e cinco anos os ciclos tornam-se irregulares, os sintomas perdem a ligação à fase e surgem afrontamentos e suores noturnos.
- Enxaqueca. Nalgumas pessoas as crises estão ligadas à queda de estrogénio antes da menstruação. É uma condição própria, com tratamento próprio, que não se esgota num analgésico tomado quando dói.
O que ajuda no dia a dia
É por aqui que se começa, e a muitas pessoas basta. O efeito não se vê num só ciclo, por isso avalie ao fim de cerca de três meses, com o mesmo diário à mão.
Movimento. A atividade física aeróbica regular é a medida não farmacológica com melhores provas. Não funciona o esforço isolado, mas o hábito: meia hora de caminhada rápida, natação ou bicicleta, várias vezes por semana. Nota-se sobretudo na irritabilidade e no desânimo.
Sono. Dormir pouco agrava tudo ao mesmo tempo. Ajuda menos o número total de horas do que uma hora de levantar constante — fins de semana incluídos e precisamente nos dias em que custa mais.
Alimentação. As variações bruscas do açúcar no sangue agravam a irritabilidade e os desejos, por isso é melhor comer pouco e com frequência, sem saltar refeições. Convém moderar o sal nos dias de maior retenção de líquidos.
Cafeína, álcool, nicotina. O café aumenta a ansiedade e a insónia; o álcool estraga o sono e no dia seguinte puxa o humor para baixo. Fumar associa-se a uma síndrome pré-menstrual mais intensa, mais um argumento para deixar.
Lidar com o stress. Os exercícios de respiração, o ioga e as práticas de atenção plena ajudam parte das pessoas. E um conselho prático: marque para esses dias menos conversas difíceis e menos decisões. Não é render-se, é distribuir bem as forças.
Analgésicos e suplementos
Para as cólicas do baixo ventre, a dor lombar e a dor de cabeça servem os anti-inflamatórios não esteroides, como o ibuprofeno e semelhantes. Resultam melhor se tomados no início da dor e não quando já é insuportável. As advertências são as habituais: irritam a mucosa do estômago, retêm líquidos e não são indicados havendo úlcera, doença renal grave ou asma que alguma vez tenha agravado com um analgésico. Não se tomam em ciclos longos. Se não forem opção, resta o paracetamol, embora seja mais fraco nas cólicas.
Com os suplementos o panorama é mais modesto do que a publicidade promete. Os dados mais consistentes são os do cálcio, que suaviza um pouco as queixas físicas e também as do humor, sobretudo se houver poucos laticínios na alimentação. Para o magnésio, o óleo de onagra e o extrato de agnocasto as provas são mais fracas e contraditórias. A vitamina B6 ajuda por vezes, mas é justamente com ela que é preciso prudência: em doses altas e por períodos longos danifica os nervos periféricos e provoca dormência persistente nas mãos e nos pés. Não se deve ultrapassar a dose indicada na embalagem, e convém dizer ao médico o que se toma, porque os suplementos interagem com os medicamentos.
Quando procurar o médico e o que ele pode propor
O motivo para ir é simples: as queixas afetam a sua vida, ou as medidas caseiras não resultaram ao fim de vários ciclos. Não é preciso aguentar durante anos, existe tratamento.
O que costuma ser proposto. Os contracetivos hormonais combinados retiram a ovulação e com ela as oscilações que geram os sintomas; funcionam melhor em esquema contínuo, sem a pausa habitual, porque é na pausa que as queixas regressam. Os antidepressivos do grupo dos inibidores seletivos da recaptação da serotonina agem aqui de forma diferente do que na depressão: o efeito nota-se em poucos dias, pelo que às vezes são prescritos apenas para a segunda metade do ciclo, e ajudam sobretudo nos sintomas do humor. A terapia cognitivo-comportamental obtém resultados comparáveis aos dos medicamentos e não tem efeitos secundários, mas exige tempo e regularidade.
Se nada disto resultar, o médico de família encaminhará para a ginecologia ou para a saúde mental. Nos casos graves recorre-se a fármacos que desligam temporariamente o funcionamento dos ovários, sempre acompanhados de um tratamento que devolve as hormonas, porque de outro modo os ossos sofrem. É já uma decisão para situações muito restritas e sempre depois de tudo o resto ter sido tentado.
Quando já não é síndrome pré-menstrual mas perturbação disfórica pré-menstrual
Numa pequena parte das pessoas esses dias decorrem de forma incomparavelmente mais pesada. Isso é reconhecido como uma condição própria, a perturbação disfórica pré-menstrual. A palavra disfórica é aqui a chave: não se trata de mau humor, mas de sofrimento psíquico marcado.
Caracterizam-na um humor profundamente em baixo e sensação de desesperança, ansiedade intensa e tensão interior, uma irritabilidade incontrolável que destrói relações, a perda completa de interesse pelo habitual e a sensação de ter perdido o controlo de si. Tudo isto, tal como na síndrome pré-menstrual, está ligado à segunda metade do ciclo e afrouxa quando a menstruação começa, mas nesses dias a pessoa não dá conta do trabalho nem da família. Trata-se com os mesmos meios da síndrome pré-menstrual grave, só que com esta não convém adiar a consulta.
Chame uma ambulância (em Espanha, Itália, Portugal, Polónia e Ucrânia, o 112) ou dirija-se ao serviço de urgência se surgirem ideias de suicídio ou de se magoar. Não conduza: peça que a levem ou peça ajuda. Leve consigo os medicamentos que está a tomar. Isto não é algo para aguentar até ao fim da semana.
Consulta em linha
A síndrome pré-menstrual esclarece-se quase por inteiro a conversar, e para o primeiro passo não costuma ser preciso um exame físico. Por isso a consulta em linha encaixa bem: o médico lerá consigo o diário de sintomas, verá se encaixam no ciclo e separará a síndrome pré-menstrual de uma depressão, de um problema da tiroide, de uma anemia ou de uma endometriose.
Prepare para a conversa o diário de pelo menos dois ciclos, as datas das últimas menstruações, a lista de medicamentos e suplementos que toma (contracetivos incluídos) e as análises recentes, se as tiver. Diga também o que já tentou e com que resultado: assim evita repetir o que não serviu.
No fim o médico indicará o que convém verificar, proporá um tratamento e explicará quando avaliar o seu efeito. Se for preciso uma observação, uma ecografia ou uma consulta presencial de ginecologia, também lho dirá.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Médicos online para Síndrome pré-menstrual (SPM)
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