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Medicamentos habitualmente prescritos para Taquicardia supraventricular (TSV)
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: COMPRIMIDO, 60 mgSubstância ativa: diltiazemFabricante: Esteve Pharmaceuticals S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: CÁPSULA DE LIBERTAÇÃO MODIFICADA, 180 mgSubstância ativa: diltiazemFabricante: Lacer S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO DE LIBERTAÇÃO MODIFICADA, 240 mg de cloridrato de diltiazemSubstância ativa: diltiazemFabricante: Lacer S.A.Requer receita médica
A taquicardia supraventricular, ou TSV, são episódios de batimento muito rápido que começam e terminam de repente, como se alguém carregasse num interruptor. Num instante estava tudo normal e, de súbito, o coração dispara a uma velocidade que nem o esforço nem o nervosismo explicam. É uma situação que assusta bastante, mas que quase nunca põe a vida em perigo. E, ao contrário de muitas doenças do coração, não se limita a ser controlável: na maioria dos casos pode ser eliminada por completo, algo que muita gente com TSV nunca chega a ouvir.
Como se reconhece um episódio
Um episódio de TSV reconhece-se não pela força do batimento, mas pelo feitio que tem.
- Início brusco e fim igualmente brusco. Entre «estou bem» e «o coração está aos saltos» passa um único batimento. Termina da mesma maneira: muitos descrevem um baque ou um vazio dentro do peito, ao fim do qual se instala logo a calma.
- Ritmo certo e muito rápido. O coração bate depressa, mas de forma regular, sem falhas nem pausas, como um metrónomo posto demasiado rápido. É isso que distingue a TSV da fibrilhação auricular, em que o ritmo é irregular e desconexo.
- Pulsação no pescoço. Muitas pessoas sentem um bater junto à garganta e por vezes vêem-se pulsar as veias do pescoço. É um sinal característico e vale a pena referi-lo ao médico.
- Fraqueza, falta de ar, tonturas ligeiras, ansiedade, sensação de que o ar não entra. É frequente a vontade de urinar logo a seguir ao episódio: faz parte do quadro e não é coincidência.
Habitualmente o episódio dura de alguns minutos a uma ou duas horas, raramente mais. Pode surgir uma vez de poucos em poucos anos ou várias vezes por semana, e não há maneira de o prever. O primeiro aparece muitas vezes em idade jovem, mas há quem estreie aos quarenta ou aos sessenta.
O que acontece no coração e o que favorece os episódios
O ritmo é ditado pelo sistema elétrico do próprio coração: o impulso nasce na aurícula e percorre um caminho bem definido até aos ventrículos. Na TSV existe, na parte alta do coração, uma zona a mais ou uma via de condução adicional pela qual o impulso pode andar às voltas. Basta que um batimento antecipado entre nesse circuito para que o estímulo comece a girar sozinho, impondo ao coração o seu próprio andamento acelerado. Quando o circuito se quebra, o episódio cessa de imediato. Daí a brusquidão nas duas pontas.
Não é um coração gasto nem a fatura de uma vida mal vivida. Esta particularidade das vias de condução costuma existir desde o nascimento; apenas não se tinha manifestado até agora. O coração em si é normalmente saudável e a ecografia não mostra alterações da sua estrutura.
Há circunstâncias que tornam os episódios mais frequentes: dormir pouco, café forte e bebidas energéticas, álcool, stress, desidratação, febre alta, tiroide hiperativa, estimulantes e alguns produtos para a constipação com efeito vasoconstritor. Há quem identifique sempre um desencadeante e quem nunca o encontre; ambas as situações são normais.
Manobras que podem interromper um episódio
Pode tentar-se interromper um episódio sem medicamentos. Estas manobras atuam através do nervo vago, que trava a condução do impulso no coração, e por isso chamam-se manobras vagais. Nem sempre resultam, mas vale a pena tentar.
- Fazer força com a respiração presa. Inspirar, suster o ar e fazer força, como para evacuar, durante uns quinze segundos, e depois descontrair. Resulta bastante melhor se logo a seguir a pessoa se deitar de costas e levantar as pernas.
- Soprar de boca fechada. Tapar o nariz, manter a boca fechada e tentar soprar com força: o ar não sai e a pressão dentro do peito sobe.
- Frio na cara. Lavar o rosto com água muito fria, encostar um saco de gelo envolvido numa toalha ou mergulhar a cara em água fria durante alguns segundos.
Duas condições, sem as quais estes conselhos servem de pouco. A primeira: as manobras devem ser ensinadas por um médico, que confirmará também que os seus episódios são daqueles que respondem e explicará quantas tentativas fazer e durante quanto tempo. A segunda: nunca massajar o próprio pescoço. A pressão sobre a artéria carótida é de facto utilizada, mas só por um médico e só onde há meios para agir se o ritmo abrandar demasiado; em idade avançada e com artérias endurecidas é perigosa. As manobras fazem-se sentado ou deitado, nunca ao volante, na banheira ou dentro de água. Se duas ou três tentativas falharem, não insista: é preciso ajuda.
Quando chamar a emergência
Um episódio curto que passou sozinho é motivo para marcar consulta com calma. Mas há situações em que não se pode esperar.
Chame a emergência (na Europa funciona o número único 112) se, com o coração acelerado, surgir:
- dor, pressão ou aperto no peito;
- falta de ar acentuada, incapacidade de falar em frases completas;
- desmaio ou sensação de desmaio iminente: vista a escurecer, tudo a andar à roda, pernas a ceder;
- palidez súbita, suores frios, confusão;
- um episódio que não cede: mais longo do que os seus habituais, ou para além de meia hora, com as manobras vagais já tentadas sem resultado.
Nesse estado não se conduz: nem para ir ao hospital sozinho, nem para transportar quem está com o episódio. Se um batimento destes aparecer pela primeira vez na vida e não se perceber o que se passa, chame igualmente: registar o ritmo enquanto ele está presente faz diferença.
Porque é decisivo registar o episódio no eletrocardiograma
Aqui está a dificuldade central de todo o tema: entre episódios, o eletrocardiograma costuma estar completamente normal. A pessoa chega à consulta dois dias depois, faz-se o traçado, sai limpo e a conversa acaba com um «não tem nada». Diagnóstico não há, porque o que é preciso apanhar não é o coração em repouso, mas o próprio episódio.
Por isso a investigação organiza-se à volta de um único objetivo: obter um registo do ritmo enquanto o coração dispara.
- um eletrocardiograma feito durante o episódio é o mais valioso que existe; se acontecer num sítio com apoio de saúde, peça o traçado nesse momento e não espere que passe;
- monitorização contínua de 24 horas ou de vários dias, quando os episódios são frequentes;
- registador de eventos, que se usa durante semanas e se liga quando o episódio começa: com crises raras é a única via;
- os traçados de dispositivos pessoais com função de eletrocardiograma não substituem uma avaliação completa, mas podem mostrar ao médico o feitio do ritmo;
- análises da tiroide e ecografia cardíaca, para perceber se há alguma causa associada.
Enquanto não houver diagnóstico, ajuda um diário curto: data, hora, duração, o que estava a fazer e como terminou. Esse apontamento diz ao médico mais do que parece.
O que o tratamento oferece
Se os episódios forem raros, curtos e bem tolerados, pode não ser preciso tratamento nenhum: basta saber interrompê-los e retirar os desencadeantes evidentes.
Quando atrapalham o dia a dia, entram os medicamentos. Alguns administram-se na veia, no hospital, para cortar um episódio prolongado: atuam em segundos e uma sensação desagradável e breve no peito é esperada. Outros tomam-se em comprimidos, de forma contínua ou pontual, para que os episódios sejam menos frequentes: em regra betabloqueantes ou bloqueadores dos canais de cálcio. Quem os escolhe é o médico, e não é uma formalidade: um fármaco útil numa arritmia pode ser perigoso noutra, pelo que tomar «alguma coisa para o coração» por conselho de um conhecido não é aceitável. Se nada interromper o episódio e o estado for exigente, no hospital recorre-se à cardioversão, um choque breve sob sedação que repõe o ritmo normal.
Merecem conversa à parte a condução, os esforços intensos e o planeamento de uma gravidez. Quase sempre não há limitações, ou são temporárias, mas a resposta depende de como se comportam os seus episódios.
Ablação: os episódios podem desaparecer de vez
Esta é a parte pela qual vale a pena chegar ao fim. Na TSV não existe apenas a forma de apagar os episódios, mas também a de eliminar aquilo que os provoca.
A ablação por cateter faz-se sem incisões: por uma veia da virilha levam-se cateteres finos até ao coração, localiza-se essa via de condução a mais e destrói-se de forma pontual com calor ou com frio. Costuma demorar algumas horas e a pessoa regressa a casa no próprio dia ou no seguinte. Na maioria das formas de TSV o procedimento resolve a causa em definitivo: os episódios não voltam e os comprimidos de manutenção deixam de fazer falta.
Como qualquer intervenção, tem riscos; são reduzidos e são explicados em pormenor de antemão, juntamente com o tipo concreto de TSV que lhe foi encontrado, do qual depende também a probabilidade de sucesso. O essencial é outro: se os episódios forem frequentes, longos ou simplesmente envenenarem os dias com a espera do próximo, faz todo o sentido ser a própria pessoa a levantar o tema da ablação, sem aguardar que lho proponham. Muita gente convive anos com as crises convencida de que não há alternativa, e há.
Consulta em linha
O episódio em curso não se resolve à distância: se for grave ou não ceder, é preciso a emergência. Já tudo o que rodeia o episódio funciona bem numa consulta remota. O médico vai reconstruir como exatamente começa e acaba o seu batimento acelerado: só por essa descrição percebe-se muitas vezes se se trata de TSV ou de outra coisa, e que exame pedir para apanhar o ritmo. Vai ajudar a planear esse registo: o que solicitar se o episódio o apanhar numa unidade de saúde e que tipo de monitorização propor ao cardiologista. Vai explicar e mostrar as manobras vagais, se forem adequadas ao seu caso. Vai reler traçados e relatórios já existentes e dizer o que significa a forma de TSV identificada. E vai falar de ablação: a quem é proposta, o que esperar dela e que perguntas levar à consulta presencial com o especialista em arritmias.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Médicos online para Taquicardia supraventricular (TSV)
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