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Medicamentos habitualmente prescritos para Toxocaríase
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: COMPRIMIDO, 400 mgSubstância ativa: albendazoleFabricante: Glaxosmithkline S.A.Requer receita médica
A toxocaríase é a infeção de uma pessoa pelas larvas de vermes redondos que, na forma adulta, vivem no intestino de cães, gatos e raposas. Para o ser humano este parasita é um beco sem saída: nunca chega a verme adulto e não deixa descendência. A larva percorre os tecidos durante algum tempo e acaba por morrer. Quase sempre isso não deixa rasto, mas por vezes chega ao olho ou desencadeia uma inflamação prolongada nos órgãos internos, e aí trata-se já de uma doença que convém reconhecer e tratar.
Como as larvas chegam às pessoas
O animal infetado elimina nas fezes os ovos do parasita. Nesse momento os ovos ainda são inofensivos: para se tornarem infetantes precisam de amadurecer na terra durante várias semanas ou mais, consoante o calor e a humidade. Por isso ninguém se contagia a partir de fezes acabadas de deixar, ao passo que a terra do quintal, a areia do parque infantil, a horta e o pó da rua acumulam ovos durante anos, porque estes resistem tanto ao frio como à secura.
A partir daí o mecanismo é simples e pouco agradável: o ovo chega à boca. A partir de mãos por lavar depois da brincadeira, de uma cenoura arrancada diretamente da horta, de umas folhas verdes passadas por água à pressa. Com menos frequência, de fígado ou carne mal cozinhados de animais em cujos tecidos as larvas ficaram alojadas.
A toxocaríase não passa de pessoa para pessoa em circunstância nenhuma. É o receio mais comum de quem pede consulta: se uma criança adoece, não representa perigo para o resto da família, nem em casa, nem através dos talheres, nem no infantário. Cada um infeta-se por si, e sempre a partir da terra ou da areia. Também não se apanha do cão que se acabou de fazer festas: no pelo dele os ovos ainda não amadureceram.
Porque adoecem sobretudo as crianças
As crianças em idade pré-escolar e nos primeiros anos de escola têm com a terra e a areia uma relação bem mais próxima do que os adultos: escavam, constroem, levam os dedos à boca e às vezes provam mesmo a areia. Um grupo de risco à parte são as crianças com o hábito de comer coisas que não são alimento, como terra ou giz. Os adultos infetam-se menos e quase sempre através da horta ou do hábito de comer um legume por lavar.
Vale a pena separar duas ideias que se confundem: «há um cão em casa» não é o mesmo que «a criança vai apanhar». Um animal bem cuidado, desparasitado com regularidade e cujas fezes se recolhem, quase não acrescenta risco. Muito mais perigosa é uma caixa de areia abandonada do bairro, por onde há anos passam gatos de rua.
Quase sempre o organismo resolve sozinho
A grande maioria dos encontros com este parasita passa despercebida. A larva atravessa a parede do intestino, viaja no sangue, fica retida no fígado, nos pulmões ou nos músculos, é rodeada por uma cápsula inflamatória e ali morre. A pessoa nunca chega a saber, ou atribui a uma constipação dois dias de mal-estar.
Por vezes o único rasto é um achado laboratorial: um número elevado de eosinófilos encontrado por acaso em análises pedidas por outro motivo. Por si só esse achado não é um diagnóstico nem motivo de alarme, mas explica porque é que o médico começa de repente a perguntar pelo cão, pela caixa de areia e pela horta.
As formas realmente importantes da doença são duas, e o seu aspeto é completamente diferente.
Forma ocular: quando a criança começa a ver pior
É uma forma rara, mas a mais ingrata, porque a visão perdida recupera mal. A larva chega ao olho e à sua volta desenvolve-se uma inflamação que danifica a retina.
Quase sempre é atingido um só olho, e é aí que está a maior dificuldade. Um adulto repara que, tapando o olho são, com o outro vê turvo, como através de uma película, ou que surgiu uma mancha escura no campo visual. Uma criança não repara em nada: o outro olho funciona, a imagem forma-se, não há queixas. Os pais dão por isso mais tarde e por um motivo completamente diferente.
Motivos para levar a criança ao oftalmologista sem demora:
- um olho começou a desviar-se, o que antes não acontecia, sobretudo ao fim do dia ou com cansaço;
- a criança semicerra os olhos, aproxima-se muito do ecrã, inclina a cabeça para o lado;
- com certas luzes a pupila devolve um reflexo esbranquiçado em vez de avermelhado;
- queixas de dor, vermelhidão, moscas volantes ou clarões;
- diminuição da visão num olho detetada numa consulta de rotina.
Um estrabismo que aparece de repente numa criança que até aí olhava a direito obriga sempre a observar o fundo do olho, e não a esperar que «passe com a idade». As causas possíveis são muitas e a toxocaríase é apenas uma delas, mas esta causa em concreto é uma corrida contra o tempo: quanto mais cedo se apaga a inflamação, mais retina se consegue salvar.
Forma visceral: febre, tosse, queixas abdominais
Aqui as larvas são numerosas e distribuem-se pelos órgãos internos. O quadro constrói-se devagar, ao longo de semanas, e por isso raramente parece uma doença aguda.
- febre, muitas vezes baixa, que se prolonga e não tem outra explicação;
- tosse seca, pieira, episódios parecidos com asma;
- dor ou peso abdominal, fígado aumentado e, com menos frequência, baço;
- erupção com comichão e episódios de urticária;
- apatia, falta de apetite, uma criança que deixa de ganhar peso;
- gânglios aumentados, dores musculares e articulares.
Nenhum destes sinais aponta sozinho para o parasita: uma dezena de outras situações começa da mesma maneira. O valor está na combinação: febre arrastada e tosse numa criança que brinca na areia, a par de eosinófilos altos nas análises, já formam um quadro que justifica testar esta hipótese concreta.
Como se chega ao diagnóstico
Procurar ovos do parasita nas fezes não faz sentido: no intestino humano não há vermes adultos e, portanto, não há nada para eliminar. A análise às fezes nada acrescenta aqui, apesar de ser o exame que por hábito mais se pede.
O diagnóstico constrói-se de outra forma. A base são análises ao sangue para anticorpos contra Toxocara, em conjunto com um hemograma onde se olham os eosinófilos e com as análises bioquímicas. O contexto também conta: cão em casa, horta, o hábito da criança de levar as mãos à boca. Havendo suspeita de envolvimento de órgãos faz-se uma ecografia abdominal e, em caso de queixas respiratórias, uma radiografia ou uma TAC do tórax. A forma ocular é confirmada pelo oftalmologista ao observar o fundo do olho, e aí as análises ao sangue podem sair negativas: no olho há uma única larva e a resposta imunitária é fraca.
Há ainda algo que convém saber: anticorpos positivos numa pessoa sem queixas são um achado muito frequente, sobretudo onde há muitos cães e o clima é quente. Registam um encontro com o parasita algures no passado, não uma doença atual, e por si só não exigem tratamento.
Como se trata
Se não há sinais de doença não há nada para tratar, mesmo com anticorpos positivos. As larvas que ficaram num beco sem saída morrem por si.
Na forma visceral prescreve-se um ciclo de antiparasitários; a escolha do medicamento e a duração dependem dos órgãos envolvidos. Por vezes juntam-se corticosteroides, porque a morte simultânea de muitas larvas aviva por si a inflamação e é preciso travá-la.
A forma ocular é seguida pelo oftalmologista, e aí a prioridade não é matar o parasita mas salvar a retina, com tratamento anti-inflamatório local ou geral. Nalguns casos é necessária cirurgia: remover tratos no corpo vítreo ou resolver um descolamento da retina. Tomar por iniciativa própria «qualquer coisa para os vermes» nessa situação não é apenas inútil: custa semanas.
O que reduz mesmo o risco
Nenhum destes pontos parece medicina a sério, mas em conjunto funcionam melhor do que qualquer medicamento.
- Desparasitar com regularidade o cão e o gato, segundo o esquema indicado pelo veterinário. Os cachorros e os gatinhos precisam disso com mais frequência do que os animais adultos: são eles que eliminam mais ovos.
- Lavar as mãos ao regressar da rua, da caixa de areia ou da horta e depois de mexer no animal, e sempre antes de comer.
- Tapar a caixa de areia quando não está a ser usada. Uma tampa ou uma lona resolvem de uma vez os gatos e boa parte do problema.
- Recolher logo as fezes do cão e não deixar que os animais as façam onde as crianças brincam.
- Lavar legumes, ervas e frutos, sobretudo os da própria horta. «É da minha horta, para quê lavar» é a via de contágio mais comum nos adultos.
- Explicar às crianças pequenas que terra e areia não se comem, e vigiar aquelas a quem ainda não se pode explicar.
- Usar luvas para trabalhar no jardim e não comer com as mãos por lavar no campo.
- Cozinhar bem a carne e as vísceras.
Consulta em linha
A consulta em linha serve bem para aquilo que costuma trazer as pessoas até aqui: o que significam anticorpos anti-Toxocara positivos numas análises pedidas «por precaução», se é preciso fazer alguma coisa perante eosinófilos elevados, se convém estudar toda a família quando adoece uma criança. O médico reúne o contexto, dos animais em casa à horta, da caixa de areia aos hábitos da criança, diz que exames fazem sentido e quais foram pedidos sem motivo, e explica o que fazer com os resultados que já existem. Se o quadro apontar para envolvimento de órgãos, será orientado sobre que especialista procurar e com que urgência. Uma perda súbita de visão ou um estrabismo acabado de surgir numa criança não se resolvem em linha: exigem observação presencial pelo oftalmologista nos dias seguintes.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Médicos online para Toxocaríase
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