Nesta página
Medicamentos habitualmente prescritos para Úlcera gástrica e duodenal
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: CÁPSULA, 40 mgSubstância ativa: omeprazoleFabricante: Teva Pharma S.L.U.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 750 mgSubstância ativa: amoxicillinFabricante: Sandoz Farmaceutica S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: CÁPSULA, 40 mgSubstância ativa: omeprazoleFabricante: Towa Pharmaceutical S.A.Requer receita médica
Uma úlcera não é apenas um «estômago irritado», mas um verdadeiro defeito na sua parede: num ponto a mucosa está destruída até às camadas profundas. Soa grave, e é, mas a história acaba quase sempre bem: encontrada e retirada a causa, o defeito cicatriza em poucas semanas e não volta. O problema é que a causa costuma procurar-se onde não está. É hábito explicar a úlcera pelo trabalho stressante e pela comida picante, quando na realidade estão quase sempre por trás dela duas coisas: a bactéria Helicobacter pylori e os analgésicos do grupo dos anti-inflamatórios. Ambas se podem verificar e ambas se podem eliminar. Esta página trata igualmente da úlcera do duodeno, que é ainda mais frequente do que a gástrica e se comporta de forma muito parecida.
Como a úlcera se faz notar
O sinal principal é a dor na parte alta do abdómen, na boca do estômago. Costuma ser em ardor ou «roedora», dura de alguns minutos a várias horas e, ao contrário de muitas outras dores abdominais, tem um ritmo reconhecível.
- Na úlcera do duodeno a dor chega em jejum e à noite, acorda a pessoa de madrugada e acalma mal se coma ou se beba algo neutro.
- Na úlcera do estômago acontece o contrário: piora pouco depois de comer, e a pessoa começa a comer menos para não a provocar.
- Entre as crises há semanas ou meses tranquilos, ao fim dos quais tudo regressa, muitas vezes na mesma época do ano.
Além da dor surgem azia, arrotos, inchaço, enjoo e sensação de enfartamento com porções pequenas. É igualmente importante saber o contrário: a úlcera pode ser completamente muda. Isto aplica-se sobretudo às úlceras provocadas por analgésicos, que muitas vezes não dão qualquer aviso até à hemorragia, e sucede com mais frequência a pessoas idosas que tomam estes fármacos de forma contínua. Por isso a ausência de dor não prova que o estômago esteja bem.
De onde vem realmente a úlcera
A mucosa do estômago trabalha todos os dias dentro de ácido e defende-se com uma camada de muco, com bicarbonato e com uma renovação celular muito rápida. A úlcera aparece quando alguma coisa fura essa defesa.
Helicobacter pylori. A bactéria instala-se no muco que cobre a superfície do estômago, neutraliza o ácido à sua volta e mantém a inflamação durante anos. O contágio dá-se em regra na infância, dentro da família, através da loiça partilhada. Ser portador é muito comum e na maioria das pessoas não se traduz em nada, mas é o que está por trás da maior parte das úlceras duodenais e de muitas gástricas. A infeção encontra-se com uma análise simples e elimina-se com um ciclo de cerca de duas semanas, ao fim do qual a úlcera não só cicatriza como deixa de voltar.
Analgésicos anti-inflamatórios. São o ibuprofeno, o diclofenac, o naproxeno, o cetorolac e também a aspirina. Reduzem a produção das substâncias que sustentam a camada protetora de muco, e fazem-no em todo o organismo, pelo que um supositório, uma injeção ou uma saqueta «para a constipação» não são mais seguros do que um comprimido. O risco é maior com uso prolongado, nas pessoas idosas, quando se somam vários fármacos deste tipo e quando se juntam a corticoides ou a anticoagulantes. Veja bem o armário dos medicamentos: o analgésico esconde-se muitas vezes dentro de preparados combinados que ninguém encara como medicamento.
Completam o quadro o tabaco, que atrasa a cicatrização, e as bebidas destiladas. Já o stress e a comida picante não causam úlceras: podem acentuar sensações que já existem, mas não furam a parede do estômago. A conclusão prática é que um tratamento feito de férias e dieta leve não toca na causa.
Quando os comprimidos para a acidez não chegam
As queixas da úlcera e as de doenças gástricas mais sérias sobrepõem-se e não se distinguem pelas sensações. Por isso existe uma lista curta de sinais perante os quais não se pode ficar pelos fármacos que baixam a acidez: é preciso ver o estômago por dentro. Procure o médico nos dias seguintes se houver sequer um deles:
- dificuldade em engolir: a comida desce mal, fica presa, é preciso empurrá-la com líquido;
- vómito com sangue ou com material escuro parecido com borras de café, mesmo que só uma vez e já passado;
- fezes negras e alcatroadas;
- perda de peso que não se explica por dieta nem por exercício;
- vómitos persistentes ou repetidos;
- fraqueza crescente, palidez e falta de ar ao esforço: é a anemia de uma perda de sangue que passou despercebida;
- queixas de estômago que aparecem pela primeira vez em idade avançada.
Nenhum destes pontos significa que tenha forçosamente algo grave. Significam outra coisa: a questão resolve-se com uma endoscopia alta e não experimentando às cegas mais um medicamento.
As complicações e os seus sinais
As complicações não são frequentes, mas são elas que tornam a úlcera perigosa, e há que reconhecê-las desde os primeiros minutos.
A hemorragia é a mais comum. A úlcera corrói um vaso da parede e o sangue passa para o interior do estômago. Sinais: vómito de sangue vermelho vivo ou de conteúdo da cor das borras de café; fezes negras, pegajosas e de cheiro muito forte; fraqueza crescente, zumbido nos ouvidos, suores frios, coração acelerado, desmaio ao tentar levantar-se. Por vezes a perda é gota a gota durante semanas e a sua única manifestação é a anemia.
A perfuração é um buraco que atravessa a parede e deixa o conteúdo passar para a cavidade abdominal. Começa de repente: uma dor aguda, «em punhalada», que deixa a pessoa imóvel e com receio de se mexer, com o ventre duro como uma tábua e doloroso ao mais leve toque. É uma situação em que o tempo se conta em horas.
O estreitamento da saída do estômago instala-se devagar, por cicatrização e edema. A comida deixa de passar adiante: surgem vómitos teimosos, muitas vezes de alimentos da véspera, sensação de enfartamento, ruído de marulho no abdómen e emagrecimento rápido.
Perante qualquer destes sinais, chame uma ambulância. Não conduza nem tente chegar por meios próprios: peça que o levem ou chame uma ambulância; em Espanha, Itália, Portugal, Polónia e Ucrânia funciona para isso o número único europeu 112. Enquanto espera não coma nem beba, e leve consigo a lista dos seus medicamentos: dirá ao médico mais do que uma longa descrição.
Como se confirma o diagnóstico
A investigação começa pela procura do Helicobacter, porque desse resultado depende tudo o resto. Recorre-se ao teste respiratório com ureia, à pesquisa do antigénio da bactéria nas fezes ou a uma biopsia colhida durante a endoscopia. Os anticorpos no sangue servem mal para isto: continuam positivos muito depois de a infeção ter desaparecido.
Os testes exigem preparação, sob pena de o resultado sair falsamente negativo. Os fármacos que reduzem a acidez suspendem-se cerca de duas semanas antes, os antibióticos e o bismuto cerca de quatro; os prazos exatos são indicados pelo médico que pede o exame. Costuma juntar-se um hemograma para não escapar uma perda de sangue oculta, com o estudo do ferro.
A endoscopia não se faz a toda a gente. É proposta perante os sinais de alarme acima referidos, quando o tratamento falha, quando as crises se repetem e quando as queixas surgem pela primeira vez em idade avançada. O médico vê a úlcera com os próprios olhos, avalia o seu tamanho e o seu fundo, se for preciso trava ali mesmo uma hemorragia e colhe fragmentos de tecido. Na úlcera gástrica a biopsia é obrigatória: por fora, uma úlcera e um tumor podem ser indistinguíveis, e só o laboratório os separa. Pela mesma razão a úlcera do estômago é muitas vezes reavaliada depois do tratamento, para confirmar que cicatrizou por completo.
Como se trata e o que fazer com os analgésicos
O tratamento organiza-se em torno da causa encontrada e resulta bem: bem conduzido, cicatrizam quase todas as úlceras.
- Se aparecer o Helicobacter, faz-se a erradicação: dois ou três antibióticos em conjunto com um fármaco que suprime o ácido, durante cerca de duas semanas. O esquema é escolhido pelo médico tendo em conta as resistências locais da bactéria e os antibióticos que já tomou antes. Terminar o ciclo é essencial: deixá-lo a meio não elimina a infeção e ajuda-a a tornar-se resistente. Cerca de um mês depois do fim confirma-se se a bactéria desapareceu, e é por esse resultado que se avalia o êxito.
- Os inibidores da bomba de protões baixam a acidez e dão ao defeito a hipótese de cicatrizar. Tomam-se de algumas semanas a um par de meses, conforme o tamanho da úlcera e a sua causa.
- Os antiácidos e alginatos agem depressa e por pouco tempo; servem para um alívio pontual e não substituem o tratamento da causa.
Capítulo à parte são os analgésicos. Se a úlcera estiver ligada a eles, o fármaco é retirado sempre que possível ou trocado por outro com mecanismo diferente. Mas há uma ressalva importante: a aspirina indicada pelo cardiologista para proteger o coração e os vasos não se toma «para as dores», e suspendê-la por conta própria pode acabar num enfarte ou num acidente vascular cerebral. Essa decisão toma-se apenas com o médico: o mais comum é manter o fármaco e proteger o estômago com um supressor do ácido. O mesmo vale para o tratamento prolongado com anti-inflamatórios nas doenças articulares: revê-se, não se interrompe por iniciativa própria.
O que ajuda a cicatrizar e evita que volte
As dietas rígidas de comida passada não provaram a sua utilidade, e não é preciso viver de papas durante anos. Fazem sentido coisas mais simples: retirar aquilo que a si em concreto agrava a dor, comer em porções pequenas, terminar o jantar umas três horas antes de se deitar, cortar no café e no chá forte em jejum e deixar as bebidas destiladas pelo menos enquanto durar o tratamento. O hábito que mais pesa é o tabaco: atrasa a cicatrização e aumenta de forma evidente a probabilidade de a úlcera regressar.
Mantenha os analgésicos sob controlo: ao comprar uma caixa para as dores de cabeça, lembre-se de que é o mesmo medicamento por causa do qual tudo começou. E se depois do tratamento a dor voltar, isso é motivo para consultar o médico e não para retomar o fármaco sozinho: talvez a infeção não tenha desaparecido, ou a causa fosse outra.
Consulta em linha
A consulta à distância cobre boa parte do percurso quando as queixas são de tipo ulceroso. O médico pergunta pelo ritmo da dor e pela sua ligação às refeições, revê consigo o armário de medicamentos de casa e encontra lá os fármacos que podem ter desencadeado tudo, explica por onde começar — pela procura do Helicobacter ou logo pela endoscopia — e passa os pedidos. É útil também para decifrar relatórios já emitidos: descrições como «bulbite erosiva» ou «deformação cicatricial do bolbo» soam inquietantes e designam realidades de peso muito diferente. Em linha é cómodo conduzir igualmente o tratamento: verificar o esquema de erradicação, decidir o que fazer com os efeitos secundários dos antibióticos, combinar o teste de controlo ao fim de um mês e falar sobre como gerir os analgésicos de que precisa por outro motivo. A única coisa que não cabe neste formato é tentar deixar passar os sinais de alarme. O vómito com sangue, as fezes negras e a dor abdominal súbita e intensa não se discutem por mensagem, mas com uma ambulância.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Médicos online para Úlcera gástrica e duodenal
Discuta os seus sintomas e os próximos passos possíveis para Úlcera gástrica e duodenal com um médico online.














