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Medicamentos habitualmente prescritos para Vasculite (angeíte)
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: SOLUÇÃO/SUSPENSÃO ORAL, 2 mg/mlSubstância ativa: methotrexateFabricante: Laboratorios Gebro Pharma S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: INJETÁVEL, 120 mg/mlSubstância ativa: infliximabFabricante: Celltrion Healthcare Hungary Kft.Requer receita médicaForma farmacêutica: INJETÁVEL, 15 mgSubstância ativa: methotrexateRequer receita médica
A vasculite não é uma única doença, mas um grupo de situações com um mecanismo comum: o sistema imunitário ataca por engano a parede dos próprios vasos sanguíneos. A parede inflama, incha e estreita, o sangue passa pior e por vezes o vaso rompe e o sangue sai para o tecido. O que acontece a seguir depende inteiramente de que vasos estão atingidos e do que eles alimentam. Há vasculites que ficam pela pele das pernas e resolvem sozinhas. E há outras que em poucos dias tiram a visão ou inutilizam um rim. Por isso, na vasculite, a rapidez com que se chega ao médico pesa no desfecho mais do que qualquer outra coisa.
O que inflama e porque sofrem os órgãos
Os médicos separam as vasculites pelo calibre do vaso atingido, e não é uma formalidade: é o calibre que decide que órgãos ficam em risco. A inflamação das artérias grandes, da aorta e dos seus ramos, piora a irrigação da cabeça e dos membros. As artérias médias alimentam o intestino, os rins e os troncos nervosos. Os vasos pequenos são os capilares da pele, as unidades filtrantes do rim, a parede dos alvéolos pulmonares e os ramos mais finos que chegam aos nervos; quando inflamam, os problemas aparecem em vários sítios ao mesmo tempo.
As formas com nome próprio são muitas e não vale a pena decorá-las. Útil é perceber que a mesma palavra cobre cenários muito diferentes, e é por isso que o médico vai insistir em perguntar pelos olhos, pela urina e pela respiração mesmo que se tenha ido lá por umas manchas nas pernas.
Na maioria dos casos a causa nunca é encontrada. Por vezes o gatilho é uma hepatite B ou C, com menos frequência outra infeção, um medicamento, uma doença autoimune já existente como a artrite reumatoide ou o lúpus e, raramente, um tumor. A vasculite não é contagiosa nem se herda de forma direta. As crianças têm as suas próprias formas: a púrpura de Schönlein-Henoch, com erupção nas pernas e dor abdominal, e a doença de Kawasaki, com febre alta que dura cinco dias ou mais.
A erupção que não desaparece sob o copo
O sinal mais reconhecível são pequenas hemorragias na pele. Aparecem como pontos e manchas vermelho-arroxeadas, do tamanho de uma cabeça de alfinete a uma ervilha, parecidas com nódoas negras em miniatura. Surgem normalmente de forma simétrica nas pernas e nos pés, por vezes nas nádegas, e muitas vezes ficam ligeiramente salientes, ao ponto de se sentirem com a ponta do dedo.
Distingui-las de uma erupção comum pode fazer-se em casa. Pressione a mancha com o dedo, ou encoste-lhe o fundo de um copo de vidro e olhe através: uma erupção comum empalidece sob pressão, uma hemorragia na pele não, porque o sangue já saiu do vaso para o tecido. Fotografe as lesões à luz do dia: até à consulta podem esbater-se, mas a fotografia fica. Na pele escura veem-se pior, por isso procure onde a pele é mais clara: as plantas dos pés, a face interna dos antebraços, a mucosa da boca.
A pele sabe fazer mais coisas: nódulos dolorosos por baixo da superfície, um desenho arroxeado em rede, úlceras nas pernas que não fecham, riscas escuras sob as unhas, escurecimento da ponta dos dedos. Este último significa que um vaso está tapado e exige atenção imediata. A vasculite limitada à pele pode de facto ser ligeira, mas a pele não diz se os rins estão envolvidos. Isso só as análises de urina mostram.
Sinais fáceis de atribuir ao cansaço
A inflamação dos vasos vem quase sempre acompanhada de sintomas gerais, e são eles que atrasam o diagnóstico. A febre mantém-se, umas vezes baixa, outras acima dos trinta e oito graus, sem foco de infeção evidente. À noite acorda-se com a camisola encharcada. O peso desce sem dieta, alguns quilos em dois meses. O cansaço é tal que as tarefas do dia têm de ser partidas aos bocados.
A isso juntam-se dores nas articulações e nos músculos, muitas vezes sem inchaço visível, e rigidez ao levantar. Nas pessoas com mais de cinquenta anos pode haver rigidez marcada dos ombros e das ancas de manhã.
A história típica soa assim: «uma gripe que não acaba», mês e meio ou dois de mal-estar, dois ciclos de antibiótico sem efeito, análises com velocidade de sedimentação e proteína C reativa altas e uma anemia sem origem encontrada. Isoladamente estes dados não provam nada, mas em conjunto com a erupção, a perda de peso e os suores noturnos significam que é altura de procurar uma inflamação sistémica em vez de prescrever um terceiro antibiótico.
Nervos, rins e pulmões
O envolvimento dos nervos denuncia-se por ser assimétrico. Não adormece nem enfraquece o corpo todo nem as duas pernas, mas um pé ou uma mão: o pé começa a bater no chão ao andar e a prender a ponta nos degraus, ou a mão não consegue ser esticada. Muitas vezes, uns dias antes da fraqueza, há dor em queimadura ou formigueiro no mesmo sítio.
Os rins são a parte mais silenciosa. Não doem e não se denunciam até tarde. Devem alarmar a urina cor de chá forte ou vermelho escuro, a espuma que persiste na sanita, as pálpebras inchadas de manhã e os tornozelos ao fim do dia, a tensão a subir em quem nunca a teve alta e a diminuição da quantidade de urina. Tudo isso chega tarde; umas análises de urina simples encontram sangue e proteínas muito antes, e é por isso que se fazem logo no início e depois se repetem.
Do lado respiratório e otorrinolaringológico preocupam uma sinusite arrastada que não responde ao tratamento habitual, crostas e hemorragias nasais repetidas, rouquidão, tosse, falta de ar crescente a subir escadas e sobretudo fios de sangue na expetoração. Os olhos avisam com vermelhidão, dor e visão turva.
Quando se conta por horas
Chame uma ambulância (112 é o número único de emergência na Europa) se surgir:
- perda ou turvação da visão, uma zona cega no campo visual ou visão dupla, mesmo que a visão se tenha ido por minutos e voltado;
- sangue ao tossir juntamente com falta de ar que piora;
- fraqueza ou dormência súbitas de um braço ou de uma perna, boca ao lado, dificuldade em falar;
- dor abdominal intensa, sobretudo depois de comer, com vómitos ou sangue nas fezes;
- urina vermelho escura ou queda brusca da quantidade de urina;
- manchas roxas que alastram depressa, com febre alta e confusão.
É preciso um médico no próprio dia, não na semana seguinte, se uma pessoa com mais de cinquenta anos passa a ter uma dor de cabeça nova nas têmporas, sente os músculos da mandíbula cansarem-se e doerem ao mastigar e o couro cabeludo dorido ao pentear-se. É o quadro da arterite de células gigantes, na qual a visão se perde num ou dois dias e não regressa. A mesma urgência vale para uma fraqueza nova num pé ou numa mão e para uma erupção que alastra à vista.
A vasculite não é uma doença em que faça sentido esperar uma consulta daqui a um mês. Aqui o tratamento salva o que ainda está intacto; não devolve o rim nem o olho já perdidos.
Como se confirma o diagnóstico
Não existe um exame único que responda sim ou não. O diagnóstico monta-se a partir de várias fontes.
- Sangue: velocidade de sedimentação e proteína C reativa como medida da inflamação, hemograma, creatinina para avaliar o rim e provas hepáticas.
- Urina: análise com estudo do sedimento. É o exame mais barato e mais informativo na vasculite, porque encontra sangue e proteínas muito antes de haver queixas.
- Anticorpos: os ANCA apoiam o diagnóstico num grupo de vasculites de pequenos vasos, mas nem um resultado negativo nem um positivo o decidem sozinhos. Ao mesmo tempo verificam-se as hepatites B e C, que podem ser a causa e mudam o tratamento.
- Imagem: ecografia das artérias temporais, tomografia do tórax e dos seios perinasais, angiografia quando há grandes vasos envolvidos.
- Biópsia de pele, rim ou artéria temporal: é a prova de maior peso. Quanto mais cedo melhor, porque algumas semanas de corticoide apagam a imagem no tecido.
Há uma exceção importante. Se a visão está ameaçada, o tratamento começa de imediato e a biópsia faz-se depois, já com a pessoa medicada. Com um olho em risco ninguém espera pela confirmação.
Tratamento: com que se apaga a inflamação
A base são os glucocorticoides, ou seja, os corticoides. Atuam depressa, nas formas graves a melhoria nota-se em poucos dias, e é exatamente essa a tarefa da primeira fase: apagar o incêndio.
Depois junta-se quase sempre um segundo fármaco que trava a resposta imunitária excessiva: um citostático ou um medicamento dirigido moderno. Não substitui o corticoide; existe para que a dose de corticoide possa descer sem que a doença volte. A escolha depende da forma de vasculite e dos órgãos atingidos; com rim ou pulmão gravemente comprometidos usam-se esquemas mais intensivos, incluindo a troca de plasma.
As formas ligeiras limitadas à pele por vezes só exigem vigilância e a remoção da causa: suspender o medicamento com que tudo começou, tratar a hepatite.
O tratamento decorre em duas fases: primeiro levar a doença à remissão, semanas a meses, depois uma fase de manutenção de um ano ou mais. As recaídas acontecem, e é precisamente por isso que a vigilância continua quando a pessoa já se sente bem. As doses são decididas pelo médico conforme a sua forma e as suas análises: o doente da cama ao lado pode ter uma vasculite completamente diferente.
Viver com estes medicamentos
Os fármacos que apagam a vasculite baixam também a defesa contra as infeções, e isso deve ser dito com clareza antes de começar. Com este tratamento uma infeção decorre abafada, muitas vezes sem febre alta. Por isso qualquer subida de temperatura, uma tosse nova, ardor a urinar ou uma ferida avermelhada são motivo para contactar o médico no mesmo dia e não para aguentar até segunda-feira. A vacinação contra a gripe e o pneumococo combina-se com o médico com antecedência; vacinas vivas não se administram durante este tratamento.
Parte das complicações previne-se de propósito. O médico pode prescrever um fármaco para prevenir a pneumonia por pneumocystis, proteção do osso — cálcio e vitamina D e, se necessário, medicamentos específicos — e proteção gástrica. Com a periodicidade que ele indicar controlam-se hemograma, creatinina, urina, glicemia e tensão arterial: os corticoides sobem o açúcar e a tensão, e isso deteta-se nas análises, não pela forma como a pessoa se sente.
Os corticoides não se largam de repente. Ao fim de algumas semanas de tratamento as glândulas suprarrenais trabalham a meio gás, e uma paragem súbita provoca uma queda importante da tensão e uma fraqueza profunda que pode pôr a vida em risco, ao mesmo tempo que a vasculite reacende. A dose só desce segundo o calendário dado pelo médico. Ande com um papel ou um cartão a dizer que toma corticoides: perante uma cirurgia, um traumatismo ou uma infeção grave a dose sobe temporariamente, não se suspende.
Mais uma coisa: a inflamação prolongada dos vasos aumenta por si só o risco de enfarte e de acidente vascular cerebral. Deixar de fumar e controlar a tensão e o colesterol não são conselhos genéricos aqui, são parte do tratamento.
Consulta em linha
Um médico por videochamada pode ver as fotografias da erupção e avaliar se empalidece sob pressão, juntar queixas dispersas — a febre, a perda de peso, o pé adormecido — num só quadro e dizer o quanto isto se parece com uma inflamação sistémica. Indicará que análises vale a pena ter feitas antes da consulta presencial, revê os resultados que já tenha, explica o que significam os ANCA no seu relatório e ajuda a perceber a que especialista recorrer e com que urgência. Se já estiver em tratamento, a consulta é o momento certo para rever o esquema de descida da dose, os efeitos secundários e que sintomas obrigam a contactar de imediato o médico assistente.
O que uma consulta à distância não substitui: o exame físico, a biópsia e a urgência. Perante uma perda de visão, sangue ao tossir com falta de ar, fraqueza súbita num membro ou uma queda brusca da quantidade de urina há que chamar uma ambulância e não abrir um chat.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Médicos online para Vasculite (angeíte)
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