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Medicamentos habitualmente prescritos para Vertigem
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: LÍQUIDO RETAL, 10 mg de diazepamSubstância ativa: diazepamFabricante: Faes Farma S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 8 mgSubstância ativa: betahistineFabricante: Laboratorio Stada S.L.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 24 mgSubstância ativa: betahistineFabricante: Laboratorios Normon S.A.Requer receita médica
Esta página não trata das tonturas em geral. A vertigem é a sensação de que a pessoa, ou a sala à sua volta, está a rodar, a inclinar-se ou a deslizar para o lado. O mundo parece mesmo mover-se enquanto se está parado. É um sintoma com identidade própria e com o seu próprio grupo de causas, e a maior parte delas não está na cabeça, mas no ouvido interno, onde fica o órgão do equilíbrio. A boa notícia é que a causa mais frequente de vertigem se resolve com uma manobra na consulta, em uma ou duas sessões. A má é que um quadro de aspeto muito parecido revela-se por vezes um acidente vascular cerebral do cerebelo. Por isso o essencial desta página é isto: perceber que tipo de tontura tem e quanto dura a crise.
Vertigem ou sensação de desmaio: por onde começa o médico
A primeira pergunta na consulta não é «quando começou», mas «descreva por palavras suas o que sente exatamente». Da resposta depende tudo o resto, porque debaixo da palavra «tonturas» as pessoas descrevem quatro estados diferentes.
- Rotação, cambalhota, inclinação: puxa-o para um lado, o teto desliza. Isto é a vertigem, e aponta para o órgão do equilíbrio no ouvido interno ou para as zonas do cérebro ligadas a ele.
- Sensação de desmaio iminente: a vista escurece, ouve-se um zumbido, sai suor, a impressão de que se vai cair. Aqui a questão costuma estar na tensão arterial, no ritmo do coração, na desidratação ou nos medicamentos, e não no ouvido.
- Instabilidade: a cabeça está lúcida, mas ao andar oscila-se como no convés de um barco. Acontece com os nervos das pernas afetados, na doença de Parkinson, depois de um acidente vascular cerebral e em pessoas idosas que veem mal.
- Uma sensação vaga de flutuar, com ansiedade e sensação de irrealidade, muitas vezes nas lojas e no meio de gente. Também é um sintoma verdadeiro, mas trata-se de maneira completamente diferente.
Tente descrever a sensação em vez de usar «tonturas» como rótulo. A frase «quando me viro na cama para o lado direito, o quarto anda à roda uns vinte segundos» vale mais para o diagnóstico do que qualquer exame de imagem.
Quanto dura a crise é a maior pista
A segunda pergunta mais útil é a duração e as circunstâncias. Com essas duas, as causas separam-se bastante bem.
- Segundos, até meio minuto, provocados por mexer a cabeça: virar-se na cama, deitar-se, sentar-se, deitar a cabeça para trás em direção a uma prateleira alta. Entre crises está tudo bem. É a vertigem posicional benigna, a causa mais frequente de todas.
- De minutos a uma hora, por episódios, muitas vezes com dor de cabeça, incómodo com a luz e o ruído, e por vezes sem dor nenhuma. É a enxaqueca vestibular; estas pessoas costumam ter história de enxaqueca ou de enjoo nas viagens.
- De vinte minutos a várias horas, com náuseas e vómitos, ouvido tapado e com sensação de pressão de um lado, zumbido e perda de audição que ao início recupera entre crises. É o padrão da doença de Ménière.
- Um dia ou mais, de forma contínua, com náuseas intensas, instalando-se ao longo de horas, muitas vezes uma a duas semanas depois de uma constipação. É a neurite vestibular; se além disso baixar a audição do mesmo ouvido, fala-se de labirintite. O pior passa em poucos dias e uma instabilidade ligeira prolonga-se por semanas.
- Segundos ao levantar-se de deitado ou sentado, com a vista a escurecer. Isto normalmente não é vertigem, mas uma descida da tensão ao levantar, efeito secundário frequente dos anti-hipertensores, dos diuréticos e dos antidepressivos.
Há causas que não cabem nesta lista: certos medicamentos, um tampão de cera, um traumatismo craniano, uma perturbação de ansiedade. Por vezes a causa nunca chega a ser encontrada.
Vertigem posicional: aquela que uma manobra resolve
Merece um capítulo próprio, porque há imensas pessoas que passam anos com crises que uma única consulta podia travar. Dentro do ouvido existem cristais minúsculos que em condições normais ficam no seu lugar. Às vezes deslocam-se para um dos canais semicirculares e flutuam lá com o movimento da cabeça, a estimular os recetores do equilíbrio. O cérebro recebe o sinal de que a cabeça roda enquanto os olhos dizem que está tudo parado, e surge aquele remoinho de poucos segundos.
O diagnóstico não se faz com uma imagem, mas com uma prova de posição: o médico deita a pessoa de uma forma concreta, provoca a crise e observa o tremor dos olhos, cuja direção mostra que canal está envolvido. Segue-se a manobra de reposicionamento: uma sequência definida de rotações da cabeça e do tronco que faz rolar os cristais de volta ao sítio. Leva minutos, muitas vezes resulta à primeira e repete-se se for preciso.
Aprender estas manobras por vídeos não é boa ideia: são diferentes para cada canal e, escolhendo a errada, podem agravar-se os sintomas ou empurrar-se os cristais para outro lado. A ideia é chegar a quem as sabe executar, e não passar anos deitado sem se mexer, com medo de se virar de lado.
Quando a vertigem é um acidente vascular cerebral
Um acidente vascular cerebral do cerebelo ou do tronco cerebral pode parecer-se em tudo com uma neurite vestibular: a mesma rotação, os mesmos vómitos, a mesma palidez. A diferença está no que a acompanha, e esses sinais devem ser conhecidos.
Chame uma ambulância (112 é o número único de emergência na Europa) se a vertigem vier acompanhada de pelo menos um destes sinais:
- visão dupla, pálpebra descaída, uma zona cega no campo visual;
- fala arrastada, dificuldade em encontrar as palavras, engasgamento ao engolir;
- fraqueza ou dormência de um braço, de uma perna ou de meia cara;
- incapacidade de se manter de pé e de andar mesmo com apoio: na neurite vestibular a pessoa oscila muito, mas ainda consegue dar alguns passos;
- dor de cabeça violenta ou uma dor nova no pescoço, sobretudo depois de uma rotação brusca da cabeça ou de um traumatismo;
- perda súbita de audição num ouvido juntamente com um desequilíbrio marcado.
Deve alertar em especial uma vertigem intensa que aparece pela primeira vez em alguém com mais de sessenta anos, ou em quem tem tensão alta, diabetes, fibrilhação auricular ou história de tabagismo, ou já teve um acidente vascular cerebral. Nessa situação não se pode assumir uma neurite enquanto a causa vascular não estiver excluída. Não conduza sozinho até ao hospital.
O que fazer durante a crise
Nos minutos agudos ajudam as coisas simples: sentar-se ou deitar-se, fixar o olhar num ponto parado, baixar a luz, respirar com calma. Os movimentos bruscos da cabeça ficam para depois. Se houver náuseas, beba a pequenos golos para não desidratar.
Daí em diante, porém, há um erro muito repetido. Muita gente passa semanas deitada depois de uma crise forte, a proteger a cabeça de qualquer movimento. Não se deve fazer isso: o cérebro só aprende a lidar com os sinais errados do ouvido quando tem experiência de movimento. O repouso prolongado trava essa adaptação e a instabilidade arrasta-se por meses. Volte aos movimentos habituais tão depressa quanto o corpo permitir.
Enquanto as crises forem imprevisíveis, não conduza, não trabalhe em altura nem com máquinas em movimento e não nade sozinho. Pergunte ao médico quando poderá voltar a conduzir: as regras mudam de país para país. Em casa, retire aquilo em que se possa tropeçar, ponha um tapete no duche, deixe uma luz fraca no corredor à noite e use bengala se houver risco de queda.
O que ajuda mesmo e o que não ajuda
O tratamento depende da causa, e isto não é uma desculpa: causas diferentes respondem a coisas completamente diferentes.
- A vertigem posicional trata-se com a manobra de reposicionamento. Os comprimidos não a tiram.
- Na neurite vestibular usam-se nos primeiros dias, e por pouco tempo, fármacos que abafam a rotação e as náuseas: anti-histamínicos e antieméticos. Não se mantêm além disso, porque atrapalham a adaptação do cérebro. Por vezes prescreve-se um ciclo curto de corticoide. Os antibióticos não servem de nada numa neurite viral.
- A doença de Ménière aborda-se de outra forma: reduzir o sal, regularidade de horários e de sono, diuréticos e, se não chegar, procedimentos com o otorrinolaringologista.
- A enxaqueca vestibular trata-se como enxaqueca, não como doença do ouvido.
Duas coisas merecem ser ditas sem rodeios. A betaistina não é um remédio universal para as tonturas: usa-se sobretudo na doença de Ménière e mesmo aí a evidência é desigual; na vertigem posicional e na neurite não resolve o problema. E os medicamentos e os soros apresentados como «para melhorar a circulação cerebral» não têm base convincente na vertigem: em vez de ajuda real, custam semanas perdidas.
O que funciona em quase todas as causas do ouvido interno é a reabilitação vestibular: um programa à medida de exercícios de olhos, cabeça e equilíbrio, feito todos os dias, que reeduca o cérebro a processar os sinais. O efeito acumula-se ao longo de semanas, não aparece na primeira sessão.
O que acontece na consulta
A maior parte do trabalho é feita pela conversa. Prepare-se para dizer quanto dura a crise, o que a desencadeia, se há zumbido ou perda de audição, como foram os primeiros dias e que medicamentos toma. Tirar notas breves das crises durante uma semana é muito útil.
O exame inclui provas de posição, verificação dos movimentos dos olhos e uma rotação rápida da cabeça, avaliação da marcha e da estabilidade, observação dos ouvidos e medição da tensão deitado e de pé. Se houver queixas de audição, pede-se um exame audiométrico.
Os exames de imagem não são de rotina: reservam-se para os sinais que apontam ao cérebro e não ao ouvido. Vale a pena saber uma coisa: a tomografia computorizada vê mal o cerebelo e o tronco cerebral, e um resultado normal não exclui um acidente vascular cerebral nessa zona. Quando é essa a pergunta, é preciso ressonância magnética. O médico vai ainda rever os seus medicamentos: anti-hipertensores, diuréticos, comprimidos para dormir e calmantes, antidepressivos e alguns antibióticos provocam tonturas.
Consulta em linha
A vertigem é precisamente a situação em que o interrogatório rende mais do que o exame físico, por isso a consulta à distância é aqui verdadeiramente útil. O médico ajuda a arrumar as sensações por categorias, a distinguir a vertigem da sensação de desmaio, a sugerir uma causa a partir da duração e das circunstâncias das crises e a dizer a quem recorrer: ao neurologista, ao otorrinolaringologista, ou primeiro fazer análises e controlar a tensão. Pode também percorrer a lista dos seus medicamentos à procura dos que por si só provocam tonturas, explicar os exames já realizados e mostrar em que consiste a reabilitação vestibular.
O que não se faz à distância: a prova de posição e a manobra de reposicionamento têm de ser executadas com as mãos, pelo que perante a suspeita de vertigem posicional a consulta termina com um encaminhamento presencial. Com visão dupla, fala arrastada, fraqueza num membro, dor de cabeça violenta ou incapacidade de se manter de pé é preciso uma ambulância e não um chat.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
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