Vitiligo
O vitiligo é uma doença em que surgem na pele zonas que perderam por completo a cor. As células que fabricam o pigmento, a melanina, deixam nesses pontos de…
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- Que aspeto tem e como se comporta
- Porque é que aparece
- O que significa para a pessoa
- O sol: aquilo de que há que tratar desde o primeiro dia
- A maquilhagem de camuflagem é uma escolha legítima
- O que o tratamento pode dar na realidade
- Quanto tempo demora e com o que contar
- O que se avalia além da pele e quando não convém adiar
- Consulta em linha
Medicamentos habitualmente prescritos para Vitiligo
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: EMULSÃO, 1 mg/mlSubstância ativa: tacrolimusFabricante: Galenicum Derma S.L.Requer receita médicaForma farmacêutica: CREME, 1 mg/gSubstância ativa: mometasoneFabricante: Organon Salud S.L.Requer receita médicaForma farmacêutica: SOLUÇÃO PARA USO TÓPICO, 1 mg/gSubstância ativa: mometasoneFabricante: Laboratorio Reig Jofre, S.A.Requer receita médica
O vitiligo é uma doença em que surgem na pele zonas que perderam por completo a cor. As células que fabricam o pigmento, a melanina, deixam nesses pontos de funcionar ou desaparecem, e a pele fica branco-leite. O vitiligo não se transmite, não dói e não põe a vida em risco: com ele pode fazer-se exatamente o mesmo que sem ele. Todo o seu peso está noutro plano — em como a pessoa se sente no meio dos outros e no facto de a pele sem pigmento se queimar ao sol quase de imediato. É destas duas coisas que vale a pena falar primeiro, e não de procurar «uma causa que é preciso eliminar».
Que aspeto tem e como se comporta
Costuma começar por uma única mancha pequena, um pouco mais clara do que a pele à volta. Aos poucos embranquece por completo, os limites tornam-se nítidos e por vezes fica um rebordo mais escuro. A pele dentro da mancha mantém-se normal ao toque: não descama, não engrossa, não dói e só de vez em quando comicha um pouco. Os pelos que crescem na zona branca também podem perder a cor com o tempo.
As manchas surgem sobretudo na cara — à volta dos olhos e da boca —, nas mãos e nos pulsos, nos cotovelos e nos joelhos, nos pés, nas axilas e nas virilhas, nos genitais e onde a pele roça na roupa ou se magoa com frequência. Não é acaso: em muitas pessoas as manchas novas nascem justamente onde houve um corte, uma queimadura, uma esfoladela forte ou uma queimadura solar. Essa reação chama-se fenómeno de Koebner e explica por que razão a pele com vitiligo precisa de cuidado e de proteção.
Distinguem-se duas formas principais. O vitiligo não segmentar é o da grande maioria: as manchas aparecem dos dois lados do corpo quase em espelho, e a evolução faz-se por ondas, com períodos calmos alternados com o surgimento de zonas novas. O vitiligo segmentar ocupa uma só área de um só lado, começa mais vezes na infância ou na adolescência, deixa de alastrar bastante cedo — em regra ao fim de um ano ou ano e meio — e depois mantém-se estável. A distinção é prática: da forma dependem tanto o prognóstico como a escolha do tratamento.
Não é possível prever quanta pele acabará por ser atingida. Nuns fica tudo por duas ou três manchas durante muitos anos; noutros as zonas juntam-se em superfícies extensas. Às vezes a cor volta em parte sozinha, mais nas áreas expostas ao sol e nas crianças.
Porque é que aparece
Na base do vitiligo não segmentar está um processo autoimune: o próprio sistema imunitário destrói por engano os melanócitos, as células que produzem o pigmento. Porque começa precisamente naquela pessoa e naquele momento não se pode dizer ao certo. Sabe-se que conta a predisposição hereditária: não é raro encontrar vitiligo ou outras doenças autoimunes entre os familiares. E sabe-se que o início coincide muitas vezes com alguma coisa — um stress intenso, uma doença, uma gravidez e um parto, uma queimadura solar forte, um traumatismo da pele, o contacto com certas substâncias químicas, entre elas algumas presentes na borracha e nas tintas para o cabelo. Na forma segmentar o mecanismo parece ser outro e liga-se às terminações nervosas da pele.
E convém dizer já o que não causa o vitiligo. Não vem de má alimentação, de «toxinas acumuladas», de um fungo, dos nervos no sentido corrente da palavra, de um sistema imunitário estragado por comprimidos nem da falta das vitaminas que se vendem «para as manchas brancas». O mais importante: o vitiligo não é contagioso em circunstância alguma — nem a apertar a mão, nem na piscina, nem na mesma cama, nem através dos talheres. É preciso dizê-lo com clareza, porque é justamente esse medo dos outros que mais fere quem tem vitiligo.
O que significa para a pessoa
Do ponto de vista médico o vitiligo é benigno, e os médicos por vezes dizem-no como se com isso a conversa ficasse encerrada. Na prática, muda a vida de forma sensível a muita gente. As manchas da cara e das mãos não se escondem, aparecem sem aviso, as pessoas olham e perguntam, e na escola as crianças são gozadas. Daí evitar-se a praia, o ginásio, as mangas curtas, as fotografias, conhecer gente nova. A ansiedade e o abatimento são frequentes no vitiligo, e são uma reação normal a uma alteração visível do aspeto, não uma fraqueza de carácter nem uma fixação.
Deste lado vale a pena falar com o médico tal como das manchas: é um motivo legítimo de ajuda. O apoio psicológico e, havendo ansiedade ou abatimento marcados, o trabalho com um psicoterapeuta ajudam de forma clara e não anulam nenhum outro tratamento. Para muitos conta encontrar uma comunidade de pessoas com a mesma experiência. E uma nota à parte sobre as crianças: à criança ajuda menos o tratamento do que a atitude serena dos adultos, palavras simples sobre o que lhe está a acontecer e uma conversa com a escola se começaram as chacotas.
O sol: aquilo de que há que tratar desde o primeiro dia
Esta é a parte mais prática de todo o texto e não tem que ver com estética. A melanina é a defesa natural da pele contra os raios ultravioleta, e nas manchas brancas não existe nenhuma. Essa pele queima-se em poucos minutos, e a queimadura solar não é só dolorosa: aumenta o risco de lesão da pele a longo prazo e ainda pode desencadear manchas novas pelo fenómeno de Koebner. Por isso a proteção solar no vitiligo é tratamento e não cosmética, e é precisa todo o ano, não apenas nas férias.
- Um produto de fator alto e de largo espetro em todas as zonas descobertas, reaplicado de duas em duas ou de três em três horas e depois do banho ou de transpirar.
- Manga comprida, chapéu de abas largas e sombra nas horas de maior calor protegem mais do que qualquer creme.
- Os solários não servem: não «igualam» a cor, só fazem mal.
- Não tente bronzear-se para que as manchas se notem menos — a pele à volta escurece, as zonas brancas ficam na mesma e o contraste só aumenta.
Isto tem um reverso: quem evita o sol de forma consistente arrisca-se a ficar com falta de vitamina D. Tem solução — o nível pode medir-se e, se for preciso, toma-se um suplemento na dose que o médico indicar. Abdicar da proteção da pele por causa da vitamina D não é a resposta.
A maquilhagem de camuflagem é uma escolha legítima
A camuflagem cosmética é por vezes vista como uma rendição ou como algo pouco sério. Não é. Poder sair de casa sem pensar para onde olham os outros pesa no bem-estar mais do que muitos medicamentos, e recorrer a ela é uma decisão sensata, não uma fraqueza. É igualmente legítimo não camuflar nada: é uma escolha pessoal e aqui não há resposta certa.
Funcionam várias opções. Os produtos de camuflagem próprios cobrem mais do que uma base comum, escolhem-se pelo tom de pele, duram muito e não temem a água. Os autobronzeadores com di-hidroxiacetona tingem a camada superficial da pele e aguentam alguns dias; a cor fica mais uniforme se se aplicar em camada fina e se repetir com regularidade. Para zonas pequenas servem as bases cobrentes habituais e os pós de longa duração. Acertar no tom à primeira é raro: convém contar com algumas tentativas, e pode pedir-se conselho ao dermatologista. A camuflagem aplica-se por cima do protetor solar e não em vez dele.
O que o tratamento pode dar na realidade
Aqui é preciso honestidade, porque as expetativas empoladas levam à desilusão e a abandonar o tratamento antes de ele poder resultar. O objetivo é devolver pigmento às zonas já embranquecidas e travar o aparecimento de novas. Resulta numa parte das pessoas e não em todas, e o resultado quase nunca é rápido.
- Tratamentos tópicos. As pomadas e cremes com corticoide usam-se em ciclos e sob vigilância, porque a longo prazo adelgaçam a pele. Para a cara, as pálpebras e as pregas escolhem-se em regra os inibidores da calcineurina, tacrolímus e pimecrolímus, que não adelgaçam a pele e por isso servem em zonas delicadas. Na Europa está também autorizado um creme com um inibidor das cinases Janus para o vitiligo não segmentar, incluindo em adolescentes; é o dermatologista que o prescreve.
- Fototerapia. A irradiação com ultravioleta B de banda estreita em consultório é o método principal nas formas extensas, muitas vezes combinada com tratamentos tópicos. As sessões fazem-se várias vezes por semana ao longo de muitos meses. As lâmpadas caseiras e os solários não a substituem e podem ser prejudiciais.
- Métodos cirúrgicos. O transplante dos próprios melanócitos ou de finas lâminas de pele pondera-se no vitiligo estável, que não alastra há cerca de um ano, e sobretudo na forma segmentar.
Quanto tempo demora e com o que contar
Os primeiros sinais de a cor voltar — pequenos pontos pigmentados à volta dos pelos dentro da mancha — não surgem antes de dois ou três meses, e o efeito só vale a pena julgar por volta dos seis. A cara, o pescoço e o tronco respondem bastante melhor do que as mãos, os pés, as pontas dos dedos e os lábios: onde há poucos folículos pilosos o pigmento não tem de onde regressar, e aí a recuperação completa da cor raramente se consegue. Mesmo um bom resultado é muitas vezes parcial e, ao parar o tratamento, as manchas por vezes voltam, pelo que é frequente ser precisa uma fase de manutenção. E um aviso: os suplementos «para o vitiligo» e os remédios de ervas comprados na internet não têm benefício demonstrado, e os cremes despigmentantes com hidroquinona usados por iniciativa própria podem estragar de forma irreversível a pele saudável.
O que se avalia além da pele e quando não convém adiar
O diagnóstico é feito pelo médico ao observar a pele e, se necessário, com uma lâmpada de Wood: à sua luz as zonas sem pigmento veem-se com mais nitidez, o que ajuda a separar o vitiligo de outras causas de manchas claras, como a pitiríase versicolor, as marcas deixadas por uma inflamação ou a pitiríase alba nas crianças. A biopsia é raramente precisa.
Há uma parte à parte e importante: o estudo para lá da pele. O vitiligo associa-se com frequência a doenças da tiroide, por isso a função tiroideia verifica-se com uma análise ao sangue e repete-se ao longo do tempo se houver queixas. Conforme o caso observam-se também outras coisas: a glicemia, o hemograma e a vitamina B12 se houver suspeita de carência, e sinais de outras doenças autoimunes. Não se faz «por precaução», mas porque estas doenças costumam andar juntas e várias delas ficam caladas durante muito tempo.
Procure o médico sem adiar se:
- as manchas alastram depressa — surgem novas ao longo de semanas e as antigas crescem de forma visível;
- aparecem queixas dos olhos: dor, vermelhidão, incómodo com a luz, visão pior ou turva;
- a audição muda — ouve menos, ou surgem ruídos ou zumbidos nos ouvidos;
- junto com as manchas aparece mais alguma coisa: cansaço intenso, perda de peso, sede e urinar muitas vezes, tonturas ao levantar-se, escurecimento da pele nas pregas e nas cicatrizes, tremor, palpitações ou friorento;
- uma mancha branca descama, faz comichão, está inflamada, muda de forma ou cria crosta — nesse caso pode tratar-se de algo bem diferente;
- as manchas surgiram numa criança: as crianças são observadas pelo médico e o tratamento escolhe-se de outra maneira do que no adulto.
Consulta em linha
Uma conversa à distância funciona aqui melhor do que em muitos outros temas, porque a pele pode ser mostrada. Boas fotografias com luz do dia, sem flash nem filtros e tiradas de vários ângulos, dão ao médico quase tudo o que é preciso para um primeiro juízo. Vale a pena fotografar as manchas e repetir as fotografias uns meses depois nas mesmas condições: assim vê-se se estão a crescer ou paradas, e é a única forma fiável de avaliar tanto a evolução como a resposta ao tratamento.
Na consulta esclarece-se se isto parece vitiligo ou outra causa de manchas claras, de que forma se trata, que análises fazem sentido, se é preciso referenciação ao dermatologista e para fototerapia, como usar bem os produtos indicados e o que esperar deles e em quanto tempo. É também a altura para falar da escolha do protetor solar e da camuflagem, das perguntas da criança e da escola, e da ansiedade ou do abatimento, se existirem. Os limites são evidentes: a observação com lâmpada de Wood, as análises e os procedimentos só são possíveis presencialmente, e a decisão sobre um tratamento com receita cabe ao dermatologista depois de observar. E perante um olho vermelho e doloroso ou uma quebra súbita da visão não há consulta nenhuma a esperar: isso trata-se de imediato.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Médicos online para Vitiligo
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