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Esta página fornece informação geral e não substitui a consulta de um médico. Se os sintomas forem graves, persistentes ou estiverem a agravar-se, procure aconselhamento médico com urgência.

O zumbido nos ouvidos é um som que a pessoa ouve sem que exista uma fonte exterior. Os médicos chamam-lhe acufeno ou tinnitus. Acontece a muitíssima gente: quase toda a gente já apanhou um apito nos ouvidos depois de um concerto barulhento, e numa parte das pessoas o som fica por muito tempo. Em si mesmo não é uma doença, mas um sintoma, mais ou menos como a dor. E há uma coisa a perceber logo de início: na maioria dos casos não está nada de perigoso por trás, mas existem alguns tipos de zumbido que não devem ser aturados e sim investigados. A diferença entre estas duas situações é o mais útil que se pode levar desta página.

Como soa

Cada um descreve-o à sua maneira: apito, zunido, assobio, chiado, ronco, sussurro, um som de água ou de vento e, por vezes, um ruído que lateja ao ritmo do coração. Pode estar num ouvido, nos dois, ou ser sentido «dentro da cabeça», sem um lugar definido. Nuns é constante, noutros vai e vem, noutros ainda muda ao longo do dia.

A intensidade do som e o quanto ele faz sofrer são coisas diferentes. Quem tem um apito quase inaudível pode passar noites sem dormir, e quem tem um ronco forte pode quase não se lembrar dele. Isso não depende de «força de vontade», mas de até que ponto o cérebro aprendeu a deixar esse som passar sem lhe dar atenção. É nisso que assenta quase toda a ajuda possível no acufeno.

E já agora o medo mais comum: o zumbido não significa que a pessoa esteja a enlouquecer nem é sinal de um tumor cerebral. O som existe mesmo — é produzido pelo sistema auditivo e não pela imaginação.

Que zumbido não pode ser desvalorizado

Esta é a parte que compensa ler até ao fim. Quase todas as descrições do acufeno se resumem a «é incomodativo, mas não é grave». Isso vale para um som estável nos dois ouvidos. Mas há sinais atrás dos quais estão outras causas, e convém olhá-los à parte:

  • zumbido só num ouvido, sobretudo se não passa há semanas e desse mesmo lado se ouve pior ou custa perceber a fala ao telefone;
  • zumbido que lateja ao ritmo do coração. Esse som é produzido pelo fluxo de sangue, e a causa é vascular ou tem que ver com a pressão dentro do crânio: encontra-se com exames;
  • zumbido acompanhado de perda de audição, mesmo pequena;
  • zumbido com tonturas, crises de rotação, desequilíbrio, sensação de ouvido tapado e sob pressão;
  • zumbido surgido depois de uma pancada na cabeça, depois de uma explosão forte ou depois de iniciar um medicamento novo;
  • zumbido com corrimento do ouvido, dor ou febre.

Há ainda outra razão para investigar um zumbido de um só lado: um tumor benigno do nervo auditivo. É raro, cresce devagar e, encontrado a tempo, controla-se bem; mas só se encontra em quem foi enviado para os exames.

Quando não se pode esperar

À parte e em destaque: a perda súbita de audição num ouvido. A pessoa acorda a ouvir nitidamente pior de um lado, ou não ouve de todo, muitas vezes com zumbido e sensação de ouvido tapado, e costuma concluir que «apanhou frio» ou que é «cera» e que espera até segunda-feira. Aqui não se pode esperar: é uma urgência, e o tratamento resulta tanto melhor quanto mais cedo começar. Conta-se em dias, não em semanas. Trata-se em geral com corticoides prescritos por um médico, e é preciso ser observado no próprio dia ou no dia seguinte, pelo otorrinolaringologista ou num serviço de urgência.

A ambulância pelo número único europeu 112 é necessária se, a par do zumbido e das tonturas, surgirem de repente desvio da face, fraqueza num braço ou numa perna, fala arrastada, visão dupla ou uma dor de cabeça violentíssima. Essa combinação pode ser um acidente vascular cerebral, e aí conta cada minuto.

De onde vem o zumbido comum

Na maioria das vezes o acufeno anda de mãos dadas com uma perda de audição, mesmo com uma perda de que a pessoa não deu conta. A lógica é mais ou menos esta: o ouvido deixa de transmitir parte das frequências, as áreas auditivas do cérebro recebem menos sinal e começam a «completá-lo» por sua conta — e é esse som caseiro que ouvimos. Daí a consequência principal: tudo o que prejudica a audição gera ruído.

  • A perda de audição da idade é a causa mais frequente.
  • O som alto: fábrica, obra, tiro, concertos, auscultadores. Depois de uma exposição pontual o apito costuma passar num dia ou dois, mas estes episódios acumulam-se.
  • Rolhão de cera ou infeção do ouvido externo ou médio: das poucas causas que se resolvem depressa e por completo.
  • Doença de Ménière: crises de vertigem com zumbido, ouvido tapado e audição que oscila.
  • Medicamentos: doses altas de ácido acetilsalicílico, alguns antibióticos aminoglicosídeos, diuréticos da ansa, vários fármacos de quimioterapia. O zumbido costuma diminuir depois da suspensão, mas quem decide é o médico e não o doente.
  • Problemas da articulação temporomandibular e tensão dos músculos do pescoço: nesse caso o som muda ao cerrar os dentes ou ao virar a cabeça.
  • Anemia, tiroide em excesso de função, tensão arterial alta.

O stress, a ansiedade e a insónia não provocam o zumbido, mas aumentam muito a sua perceção, e é fácil entrar num círculo: o zumbido não deixa dormir, a falta de sono torna-o mais forte e a ansiedade sobe-lhe ainda mais o volume. Quebrar esse círculo costuma importar mais do que encontrar «a causa».

O que acontece na consulta

A conversa começa com perguntas: num ouvido ou nos dois, estável ou pulsátil, desde quando, o que houve antes, que medicamentos toma, se há perda de audição e tonturas. Só pelas respostas o médico percebe para onde ir.

Depois observam-se os ouvidos, e por vezes tudo acaba com a lavagem de um rolhão de cera. O exame principal num zumbido persistente é a audiometria, a medição da audição frequência a frequência: mostra perdas de que a pessoa não suspeitava e determina em boa parte o passo seguinte. Perante um zumbido de um só lado, uma perda assimétrica ou um som pulsátil pedem-se exames adicionais, incluindo imagem, para ver o nervo auditivo e os vasos.

Convém apontar antes que medicamentos toma e recordar se houve na vida um período de ruído intenso no trabalho: são duas perguntas que aparecem quase sempre.

Porque é que em silêncio é pior

O acufeno nota-se tanto mais quanto mais calado está o ambiente. É por isso que se torna insuportável à noite, numa casa vazia e precisamente no momento em que a pessoa se deita e fica a sós consigo mesma. Daqui sai uma regra simples e eficaz: evitar o silêncio absoluto.

Chama-se a isto enriquecimento sonoro. Serve quase qualquer som de fundo discreto: uma ventoinha, chuva ou mar de uma aplicação, música instrumental calma, o rádio no mínimo. O som deve ficar um pouco abaixo do próprio zumbido — não se trata de o abafar, mas de dar à atenção outra coisa a que se agarrar. Existem também aparelhos mascaradores, mas pode começar-se com o que há em casa.

O sono é a outra metade da mesma tarefa. Horários regulares, quarto sem ecrãs, menos cafeína e álcool à noite, som de fundo durante a noite. A quem há semanas não dorme por causa do zumbido, a ajuda com o sono costuma dar mais do que qualquer ciclo «para a circulação».

No mesmo princípio assenta a terapia sonora de reabituação: um fundo discreto permanente mais a explicação de como funciona o acufeno, para que o cérebro deixe aos poucos de assinalar aquele som como importante. Exige tempo, mas não tem efeitos indesejáveis.

O que ajuda mesmo a viver com ele

A verdade convém dizê-la de frente: não existe comprimido que retire o zumbido dos ouvidos. Existem, sim, várias abordagens que mudam a vida de forma sensível, e não são sobre o som, mas sobre a relação com ele.

Aparelhos auditivos. Se há perda de audição, é o mais eficaz que se pode fazer. O aparelho devolve os sons em falta, o cérebro deixa de ter de os inventar e em muitas pessoas o zumbido passa para segundo plano. É frequente adiar o aparelho durante anos por se achar que «ainda se ouve bem», sem suspeitar de que se está a pagar isso em acufeno.

Terapia cognitivo-comportamental. Não é uma maneira de «resignar-se». Trabalha-se com os pensamentos e as reações que tornam o som insuportável: o medo de que seja para sempre, a verificação constante «agora está mais alto?», a fuga ao silêncio e aos sítios com gente. Os estudos apontam-na como o método mais fiável no acufeno que faz sofrer: não elimina o som, mas reduz muito o sofrimento. Faz-se presencialmente, em grupo ou através de programas e aplicações.

E agora aquilo que mais se vende. Os suplementos e os produtos «para a circulação» não têm provas de eficácia no acufeno — isso inclui o ginkgo biloba, os complexos de vitaminas e minerais «para a audição» e os soros «para melhorar a circulação cerebral». Não há medicamentos específicos contra o zumbido; os fármacos usam-se quando há algo a tratar: ansiedade, depressão, insónia, doença de Ménière. Se lhe prometerem tirar o zumbido com um ciclo de injeções, essa promessa não assenta em nada.

E uma coisa que consola e raramente se diz em voz alta: em muitas pessoas o acufeno esbate-se com o tempo ou deixa de ser notado, mesmo quando o som continua fisicamente igual.

Como cuidar da audição

Aqui há algo que se pode controlar, e é a única parte do tema em que a prevenção funciona com segurança. O ruído destrói as células ciliadas do ouvido interno, e essas não voltam a crescer: cada episódio forte fica depositado para sempre.

  • Num concerto, numa discoteca, numa carreira de tiro, a trabalhar com rebarbadora ou martelo pneumático: tampões. Os de espuma custam quase nada e reduzem sensivelmente o risco; os filtros para músicos atenuam de forma uniforme e não estragam o som.
  • Com auscultadores vale uma regra: se quem está ao lado ouve a sua música, ou se tem de levantar a voz para que o entendam, está alto. Nos transportes barulhentos não ajuda subir o volume, ajudam auscultadores com cancelamento de ruído, porque permitem ouvir mais baixo.
  • Dê pausas aos ouvidos. Depois de um dia barulhento, a audição precisa de algumas horas de calma.
  • O apito depois de um concerto não é um rasto inofensivo, é o sinal de que a dose foi a mais. Se durar mais de um dia, procure um médico.
  • Não meta cotonetes nos ouvidos: compactam a cera e ferem a pele do canal auditivo.

Consulta em linha

A consulta à distância resolve muito bem a pergunta central deste tema: que tipo de zumbido tem e com que urgência há que agir. O médico perguntará em pormenor pelo lado, pelo carácter e pela pulsatilidade do som, pela audição, pelas tonturas e pelos medicamentos, e dirá o que fazer: marcar com calma uma audiometria com o otorrinolaringologista, ser observado no próprio dia ou chamar uma ambulância. Em linha é ainda cómodo rever uma audiometria já feita, ponderar se faz sentido um aparelho auditivo, montar um plano para o sono e para o enriquecimento sonoro e reavaliar os medicamentos que possam ter afetado a audição. O que não se consegue por vídeo é olhar dentro do ouvido, medir a audição e lavar um rolhão de cera; perante uma perda súbita de audição ou um zumbido pulsátil ou de um só lado é preciso observação presencial, e não convém adiá-la.

Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.

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Pedro Soares Lopes

Medicina familiar3 anos de experiência

O Dr. Pedro Soares Lopes é médico e tem quatro anos de experiência, sobretudo em serviços de urgência e emergência. Trabalhou nos HUC, na ULSRA, no Hospital da Luz de Aveiro e na ARS Açores, onde avaliou uma grande variedade de situações médicas e cirúrgicas, desde casos simples a situações complexas que exigem uma avaliação cuidadosa.

A experiência em serviços de urgência permitiu-lhe acompanhar pacientes de diferentes idades, incluindo grávidas. Este percurso clínico abrangente ajuda-o a avaliar sintomas, a identificar quando poderá ser necessária uma investigação adicional e a explicar os passos seguintes.

O Dr. Soares Lopes tem também experiência em consultas ao domicílio e em consultas de medicina do viajante. Sabe que os problemas de saúde podem surgir quando uma pessoa está longe do seu médico habitual ou não sabe a que serviço recorrer. Além disso, trabalhou cerca de um ano na área da saúde ocupacional nos Países Baixos, o que acrescentou uma perspetiva internacional à sua prática clínica.

Numa consulta online, o Dr. Soares Lopes procura dar orientações claras e práticas, tendo em conta os sintomas e as circunstâncias de cada paciente. Se uma situação exigir um exame físico, uma avaliação urgente ou tratamento presencial, pode explicar porquê e orientar o paciente sobre onde procurar cuidados.

Os pacientes podem consultar o Dr. Soares Lopes através da Oladoctor para questões de saúde adequadas a uma consulta médica online.

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