Sensações desagradáveis, semelhantes às da cistite, podem retornar continuamente - mesmo quando os resultados do exame parecem absolutamente normais. Mas é importante entender: sintomas recorrentes e cistite bacteriana real com recidivas não são a mesma coisa.
As diretrizes clínicas atuais afirmam claramente que para fazer um diagnóstico de infecção recorrente do trato urinário, é necessária uma cultura bacteriológica. Normalmente estamos falando de dois ou mais episódios confirmados em seis meses ou três ou mais em doze meses - e cada vez é desejável registrar o crescimento do patógeno precisamente no contexto das queixas. As diretrizes urológicas europeias de 2025 insistem que o diagnóstico seja feito com base nos resultados da cultura, enquanto as diretrizes americanas enfatizam que é inaceitável prescrever antibióticos “a olho nu”, sem confirmação laboratorial.
O que poderia estar por trás das reclamações típicas durante testes “limpos”? Existem muitas opções. Às vezes, é uma questão de erros banais - uma porção de urina coletada incorretamente, uma análise no contexto de um antibiótico já iniciado ou uma contagem de bactérias muito baixa para o método padrão. Mas muitas vezes a razão é completamente diferente: infecções genitais, uretrite, inflamação vaginal, alterações atróficas na mucosa devido à deficiência de estrogênio, hiperatividade do detrusor, cistite intersticial ou dor miofascial pélvica crônica. Há evidências de que em algumas mulheres com quadro clínico característico e cultura de rotina negativa, métodos laboratoriais mais sutis ainda detectam uma infecção – porém, isso não elimina a necessidade de compreender a verdadeira causa.
O que fazer na prática? Faça uma cultura de urina estritamente antes de iniciar os antibióticos e justamente quando houver queixas. Certifique-se de discutir o rastreamento de infecções sexualmente transmissíveis com seu médico, fazer um exame ginecológico e descobrir se há uma conexão com atividade sexual, alterações hormonais ou método contraceptivo. Tomar antibióticos após um curso sem uma infecção comprovada é uma má ideia. Mesmo assim, se as recaídas forem confirmadas, as diretrizes oferecem toda uma gama de medidas preventivas: correção de hábitos comportamentais, estrogênios locais para alterações pós-menopáusicas, hipurato de metenamina e, em alguns casos, profilaxia antibiótica de longo prazo. Quanto aos cranberries e à D-manose, a base de evidências ainda permanece escassa e ambígua.
Quando precisar consultar um médico sem demora: febre, dores na região lombar ou nas laterais, sangue na urina, gravidez, sexo masculino, condições com sistema imunológico enfraquecido, dores intensas e persistência dos sintomas por mais de dois a três dias.