Nesta página
- Quando já não é dor de dentes mas infeção a alastrar
- Cárie e pulpite: o que dói realmente
- «Passou sozinho» quase sempre significa que o nervo morreu
- Dente rachado, raízes expostas e sensibilidade
- O dente do siso e a inflamação em volta
- Dor depois de um tratamento dentário
- Como ajudar-se até à consulta e o que não fazer
- Consulta em linha
Medicamentos frequentemente prescritos para Dor de dentes
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de tomar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: COMPRIMIDO, 400 mgSubstância ativa: ibuprofenFabricante: Pharmaclan S.R.O.Não requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 650 mg paracetamolSubstância ativa: paracetamolFabricante: Laboratorios Cinfa S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO EFERVESCENTE, 500 mg paracetamolSubstância ativa: paracetamolFabricante: Upsa S.A.S.Não requer receita médica
A dor de dentes significa quase sempre a mesma coisa: no dente ou em volta dele há um processo que não vai parar sozinho. O analgésico não muda o processo, muda apenas a capacidade de o suportar, pelo que a única solução é chegar ao dentista e todo o resto serve só para aguentar até à consulta. O tema parece doméstico e é justamente por isso que tem um lado perigoso: a infeção de um dente pode sair dos seus limites e alastrar à face e ao pescoço, e aí já não é «espero pelo dentista», aí é uma ambulância. Começamos por isso, porque são os casos que mais se deixam passar.
Quando já não é dor de dentes mas infeção a alastrar
A infeção da raiz de um dente pode passar aos tecidos moles da face, do pavimento da boca e do pescoço. Às vezes desenvolve-se em horas, e o que a torna perigosa não é a dor mas o inchaço que comprime a via respiratória.
Chame uma ambulância ou vá imediatamente ao hospital se, com dor de dentes, surgir qualquer uma destas coisas:
- inchaço da face que cresce depressa;
- inchaço que fecha o olho, ou inchaço que sobe na direção do olho;
- inchaço debaixo da mandíbula, debaixo da língua ou no pescoço;
- dificuldade em abrir a boca, ou boca que não abre de todo;
- dificuldade em engolir, saliva a acumular-se, voz alterada;
- dificuldade em respirar;
- febre alta com arrepios;
- confusão, fraqueza acentuada, a sensação de estar a piorar de hora a hora.
Um pequeno inchaço da bochecha ao lado do dente que dói não é por si só um sinal de ambulância, mas também não é coisa com que se espere uma semana: um inchaço assim vê-se no mesmo dia. Torna-se preocupante quando cresce, quando sobe na direção do olho ou desce para o pescoço, e quando se lhe junta febre. E com um inchaço destes não aplique calor: o calor na bochecha acelera o alastramento.
Cárie e pulpite: o que dói realmente
A destruição do esmalte, por si só, não dói. A dor começa quando a lesão chega à camada que está sob o esmalte e depois à polpa, o feixe de vasos e nervos no interior do dente.
Pelo tipo de dor percebe-se aproximadamente em que ponto se está:
- um pico curto com o frio, o doce ou o ácido, que passa logo: a irritação é ainda superficial;
- uma dor que dura minutos depois de o estímulo ser retirado: a inflamação chegou perto do nervo;
- dor que aparece sozinha, sem qualquer motivo, em ondas, que irradia para a têmpora, o ouvido ou a mandíbula, piora deitado e de noite, e muitas vezes sem se conseguir saber qual é o dente: é o quadro da pulpite;
- o dente passou a doer ao morder, parece «mais alto» do que os outros, incomoda mesmo ao toque da língua e aparece mau sabor: a inflamação saiu para além da raiz.
A conclusão prática é simples: quanto mais avançado nesta lista, menos sentido tem esperar. Uma dor noturna que não deixa dormir e a dor ao morder são motivo para pedir consulta para o mesmo dia, e não «para quando der».
«Passou sozinho» quase sempre significa que o nervo morreu
É o erro mais caro do tema. Uma dor de dentes forte acalma ao cabo de alguns dias, a pessoa fica aliviada e não vai ao dentista. Mas o dente não sarou: o mais habitual é que a polpa tenha morrido e já não haja nada que possa doer. A infeção, essa, não foi a parte nenhuma: continua dentro do canal e avança lentamente para o ápice da raiz.
A partir daí as coisas seguem um de dois caminhos. Ou ao longo de semanas ou meses se forma junto à raiz um foco crónico que durante anos não dá sinal de si e é descoberto por acaso numa radiografia. Ou num certo momento reagudiza, e então num dia surgem o inchaço, a febre e exatamente o quadro com que esta página abriu. É assim que se chega à face inchada: não por se ter suportado a dor, mas porque a dor deixou a pessoa em paz.
Daqui a regra: se um dente doeu e depois deixou de doer, é preciso ir de qualquer maneira, e contando que houve dor. Uma dor que acalmou não anula a consulta, anula apenas a urgência.
Dente rachado, raízes expostas e sensibilidade
Não toda a dor de dentes começa com uma cárie.
- Fissura do dente. A dor aparece no momento de morder e sobretudo ao largar a pressão, enquanto em repouso o dente não incomoda. Muitas vezes é um dente já tratado antes ou com uma obturação grande. Uma fissura pode não se ver nem a olho nu nem na radiografia, e encontrá-la é tarefa do dentista.
- Obturação que caiu ou partiu. O fundo da cavidade fica aberto e o dente responde a tudo: ao ar, à água, à comida. Aqui é importante não arrastar o assunto: um dente aberto destrói-se depressa.
- Raízes expostas. Quando a gengiva retrai, a raiz fica a descoberto, e a raiz não tem esmalte. Daí aquela dor curta e aguda com o ar frio, a água fria e a escovagem. Habitualmente não sofre um só dente mas uma zona inteira.
- Esmalte desgastado. As bebidas ácidas, o hábito de escovar os dentes logo depois de algo ácido e o ranger dos dentes à noite tornam os dentes sensíveis sem um único buraco.
- Não é o dente. A dor nos dentes de cima de trás pode vir de uma sinusite, a dor à frente da orelha ao mastigar vem da articulação da mandíbula, e uma dor em queimadura só de um lado ao longo do trajeto de um nervo pertence a outra área da medicina. Se o dentista não encontra a causa nos dentes, a procura continua noutro lado e não acaba numa obturação «por precaução».
O dente do siso e a inflamação em volta
O dente do siso muitas vezes nasce só em parte: uma porção da coroa já está fora da gengiva e o resto continua coberto por um capuz de mucosa. Debaixo desse capuz acumulam-se restos de comida impossíveis de limpar com a escova, e começa a pericoronite.
Reconhece-se assim: a gengiva atrás do último dente está dolorosa e inchada, morder dói, o hálito é desagradável, às vezes custa abrir bem a boca e os gânglios debaixo da mandíbula podem aumentar e ficar dolorosos. Costuma vir por surtos: alguns dias de agudização, depois calma, depois outra vez.
Em casa pode aliviar-se com bochechos de água salgada tépida, não quente, ou com uma solução antissética, limpando bem essa zona com uma escova macia e tomando um analgésico. Mas o assunto resolve-se no dentista: o capuz é irrigado, o dente é avaliado numa radiografia e decide-se se se conserva ou se extrai. E se além disso custar abrir a boca, tiver aparecido febre ou o inchaço estiver a descer para o pescoço, isso já é a urgência do primeiro ponto, e aí não é tempo de bochechos.
Dor depois de um tratamento dentário
Algum incómodo depois de um tratamento é normal, e convém saber de antemão onde está o limite.
É esperado: sensibilidade ao frio e ao morder depois de uma obturação grande, uma dor surda nos primeiros dias após o tratamento dos canais, e dor do alvéolo com algum inchaço nos primeiros dois ou três dias depois de uma extração. Tudo isso deve ir diminuindo progressivamente.
Não é normal e obriga a voltar: uma dor que aumenta dia após dia em vez de ceder; uma dor aguda ao morder que aparece alguns dias depois de uma obturação, o que muitas vezes significa apenas que a obturação está a interferir no fecho e precisa de ser ajustada; uma dor forte e pulsátil ao terceiro ou quarto dia depois de uma extração, junto com mau odor e um alvéolo vazio; e qualquer inchaço com febre, em qualquer momento.
Como ajudar-se até à consulta e o que não fazer
Tudo isto são medidas para alguns dias de espera e não um tratamento.
- Analgésico: paracetamol ou um anti-inflamatório não esteroide se não estiver contraindicado no seu caso. Para a dor dentária o segundo grupo funciona habitualmente melhor. Confirme a dose e a compatibilidade com os seus medicamentos na farmácia ou com o médico e, se tiver problemas de estômago, de rins ou de coração, não escolha o fármaco sozinho.
- Bochechos com água salgada tépida depois das refeições: meia colher de chá de sal num copo, para cuspir e não para engolir. Às crianças não se dão bochechos, pelo risco de engolirem a solução.
- Comida mole à temperatura do corpo; não mastigar com o dente que dói.
- Escova macia. Escovar os dentes deve continuar, esse dente incluído, apenas com mais cuidado.
- Dormir com a cabeça um pouco elevada: completamente deitado a dor costuma ser pior.
- Não fumar e não beber álcool: ambos pioram a cicatrização.
E agora o que não se deve fazer. Não encoste um comprimido ao dente nem à gengiva — nem aspirina nem qualquer outro: o comprimido não atua localmente e provoca, isso sim, uma queimadura química da mucosa, que depois também tem de ser tratada. A crianças e adolescentes não se dá aspirina. Não aqueça a bochecha e não durma sobre um saco de água quente. Não tente abrir nem espremer um abcesso. E não se receite um antibiótico que tenha ficado em casa: o antibiótico não substitui o tratamento do dente. Pode travar uma agudização por algum tempo, mas a origem da infeção continua no dente e, sem drenagem, tratamento dos canais ou extração, tudo volta. E não conte que o gel dentário da farmácia resolva o problema: atenua a dor por minutos e no processo não influi.
Consulta em linha
Uma obturação não se faz através de um ecrã, mas há duas questões que se resolvem em linha, e ambas contam. A primeira é quão urgente isto é: o médico da Oladoctor avalia, pelo que lhe for contado e pelas fotografias, se se trata de uma dor com que se pode esperar pelo dentista ou de um inchaço que exige hospital hoje. A segunda é como aguentar sem prejuízo: que analgésico é adequado tendo em conta as doenças e a medicação de cada um, o que nesse caso não se deve fazer e a que estar atento para não deixar passar um agravamento. O médico explica também o que diz um relatório ou uma radiografia já realizada, ajuda a compreender uma dor que apareceu depois de um tratamento e indica quando vale a pena voltar ao dentista habitual e quando procurar outro profissional.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Médicos online para Dor de dentes
Discuta os seus sintomas e os próximos passos possíveis para Dor de dentes numa consulta médica online.














