Nesta página
- Como perceber que o que dói ao bebé é o ouvido
- O que dói mesmo lá dentro
- Sinais com que não se pode esperar pela manhã
- Quando o ouvido está são e mesmo assim dói
- O que fazer em casa nos primeiros dias
- O que não se deve fazer ao ouvido
- São precisos antibióticos?
- Quando ir ao médico mesmo não sendo urgente
- Consulta em linha
Medicamentos frequentemente prescritos para Dor de ouvido
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de tomar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: CÁPSULA, 600 mgSubstância ativa: ibuprofenFabricante: Hc Clover Productos Y Servicios S.L.Requer receita médicaForma farmacêutica: SOLUÇÃO/SUSPENSÃO ORAL, 100 mg / 5 mlSubstância ativa: ibuprofenFabricante: Laboratorio Aldo Union S.L.Requer receita médicaForma farmacêutica: SOLUÇÃO/SUSPENSÃO ORAL, 400 mgSubstância ativa: ibuprofenFabricante: Zambon S.A.U.Não requer receita médica
A dor de ouvido é um dos motivos mais frequentes para uns pais passarem a noite acordados. É injusto, mas tem explicação: na criança pequena o canal que liga o ouvido ao nariz é curto e quase horizontal, pelo que qualquer constipação chega com facilidade ao ouvido médio, e deitada a pressão lá dentro sobe, razão pela qual a dor aperta de noite. No adulto a história é outra: o ouvido dói-lhe menos vezes e, muito mais frequentemente, o ouvido está de facto são e o que dói é outro sítio. Os dois cenários são tratados a seguir em separado.
Como perceber que o que dói ao bebé é o ouvido
Uma criança que ainda não fala não se queixa do ouvido. Vale a pena suspeitar quando vários sinais coincidem:
- puxa, esfrega ou aperta a orelha e rola a cabeça na almofada;
- chora assim que a deitam e acalma ao colo, na vertical;
- dorme mal precisamente de noite, e de dia parece quase a mesma;
- recusa a mama, o biberão ou a comida: mamar e engolir aumentam a dor;
- está irritável, prostrada, não responde a sons baixos;
- tem febre, muitas vezes ao segundo ou terceiro dia de nariz a pingar;
- sai-lhe alguma coisa do ouvido: líquido claro, turvo ou com sangue.
Este último caso, por estranho que pareça, costuma vir com alívio: a dor cessa de repente. Em regra significa que o tímpano rompeu e o pus saiu; a pressão caiu, por isso deixou de doer. Em si não é uma catástrofe e o tímpano fecha habitualmente ao fim de duas semanas, mas a criança tem de ser observada e, a partir desse momento, não se deita nem se verte nada dentro do ouvido.
Vale a pena saber ainda que puxar devagar o pavilhão da orelha é um teste caseiro simples. Se com isso a dor dispara, trata-se antes de uma inflamação do canal externo; na otite média essa manobra costuma ser indolor.
O que dói mesmo lá dentro
- Otite média. O quadro clássico depois de uma constipação: o canal incha, a cavidade atrás do tímpano deixa de ventilar, junta-se líquido e a pressão sobe. A dor é profunda, de tensão, pior deitado, muitas vezes com febre e audição abafada. Dura em geral dois ou três dias e passa.
- Otite externa. Inflamação da pele do canal, o chamado ouvido de nadador. Aparece depois da piscina, do mar, do mergulho, de mexer no ouvido ou de usar auriculares de encaixe. A dor é superficial, a orelha dói ao toque e ao mastigar, pode haver uma secreção escassa e a entrada do canal parece estreitada. Nadar e molhar o ouvido ficam de fora.
- Variações de pressão. Avião, elevador rápido, mergulho: o canal não consegue igualar a pressão a tempo e o tímpano é puxado para dentro. A dor é aguda mas curta; ajudam engolir, bocejar e chupar, e nos bebés a mama ou o biberão à descolagem e à aterragem.
- Líquido atrás do tímpano sem inflamação. Depois de uma otite pode ficar durante semanas um líquido espesso no ouvido médio. Quase não dói, mas a audição fica abafada: a criança manda repetir, sobe o volume e parece distraída. É a chamada otite média com efusão, e tem de ser vigiada, porque a fala ressente-se dela.
- Cerume e corpos estranhos. Um tampão de cerume compacto dá sensação de ouvido tapado e uma dor surda; objetos pequenos e insetos dão uma dor aguda. Nem um nem outros se tiram em casa.
Sinais com que não se pode esperar pela manhã
De imediato, ligando 112 ou indo ao hospital:
- a criança está prostrada e sonolenta, custa a acordar, não o reconhece ou, pelo contrário, grita sem parar numa só nota;
- a febre vem com uma erupção que não empalidece ao pressionar com o fundo de um copo;
- o pescoço não dobra, a luz incomoda os olhos, há vómitos repetidos ou convulsões;
- a cara ficou torta de um lado, um olho não fecha, o canto da boca caiu;
- tonturas fortes com vómitos, a criança desequilibra-se para um lado, os olhos tremem;
- uma pancada na cabeça ou na orelha seguida de dor, sangue pelo ouvido ou perda de audição.
No próprio dia, sem deixar para amanhã:
- vermelhidão e inchaço atrás da orelha, com a orelha empurrada para a frente e descolada. É o sinal principal da mastoidite, a infeção do osso atrás do ouvido e complicação da otite média. A pele atrás do pavilhão está dorida, lisa e brilhante, e a criança tem febre alta. Trata-se no hospital;
- um bebé com menos de seis meses com dor de ouvido ou com febre sem causa aparente;
- febre alta e mantida, criança que recusa beber e molha menos fraldas;
- dor forte que o analgésico não alivia;
- pus ou sangue a sair do ouvido;
- dor de ouvido em quem tem diabetes, faz tratamento que baixa as defesas ou fez quimioterapia: nestas pessoas a otite externa pode aprofundar-se e chegar ao osso;
- audição perdida de repente num ouvido, mesmo sem dor: a surdez súbita responde tanto melhor quanto mais cedo se começar.
Quando o ouvido está são e mesmo assim dói
Nos adultos isto representa metade dos casos. O ouvido partilha os nervos com os dentes, a garganta, a articulação do maxilar e o pescoço, de modo que a dor nascida nesses sítios é sentida honestamente no ouvido: chama-se dor referida. Suspeitar dela é simples: o ouvido dói, mas não há constipação, a audição não mudou, não sai nada e a observação do ouvido não encontra nada. Procura-se então noutro lado:
- os dentes, sobretudo os molares inferiores e o dente do siso, com cárie ou abcesso da raiz. A dor lateja e agrava com o calor e à noite;
- a articulação do maxilar: estala ao abrir a boca, dói ao pressionar à frente da orelha, piora ao fim do dia e depois de mastigar, e é frequente em quem cerra os dentes a dormir;
- a garganta: amigdalite e, havendo dor forte de um só lado com boca que mal abre, voz anasalada e baba, um abcesso peritonsilar, que exige observação urgente;
- a coluna cervical e os músculos do pescoço;
- a nevralgia e a zona: dor a arder e, um ou dois dias depois, vesículas dentro e à volta do ouvido.
Há uma combinação que merece ser dita sem rodeios. Uma dor num só ouvido num adulto que dura mais de algumas semanas, com o nariz sossegado e o ouvido normal à observação — e por maioria de razão se desse mesmo lado a audição baixou ou o ouvido ficou tapado — é motivo para observar a rinofaringe e a laringe. Sobretudo em fumadores e grandes bebedores com mais de quarenta anos: neles o ouvido tapado de um lado pode ser a primeira manifestação de um tumor da rinofaringe que obstrui a saída do canal. A observação leva alguns minutos e não admite adiamentos.
O que fazer em casa nos primeiros dias
- Analgesia. Às crianças dão-se fármacos de duas classes, paracetamol e ibuprofeno, cada um conforme a idade e o peso e seguindo rigorosamente o folheto da apresentação concreta. A crianças e adolescentes não se dá aspirina. O analgésico na dor de ouvido não é um «por via das dúvidas», é o tratamento principal dos primeiros dias: permite à criança dormir e comer enquanto a inflamação se resolve sozinha.
- Calor seco sobre a orelha: um pano morno ou um saco de água quente por cima de um tecido, pouco tempo. A alguns sabe melhor o fresco. Guie-se pela criança.
- Cabeceira elevada e posição direita durante o dia: deitado dói mais.
- Líquidos em pequenas quantidades. Engolir ajuda a arejar o ouvido médio, e a desidratação agrava tudo.
- Lavagens nasais com soro se houver nariz entupido: nariz livre, canal livre.
- Manter o ouvido seco: no banho tapá-lo com um algodão untado em vaselina, e nada de piscina nem de mergulho.
O que não se deve fazer ao ouvido
- Não deitar nada se estiver a sair alguma coisa do ouvido, se tiver havido um traumatismo ou se não souber se o tímpano está íntegro. Com uma perfuração as gotas entram diretamente no ouvido médio, e algumas preparações nesse contacto podem lesar a audição de forma irreversível. As gotas auriculares são prescritas pelo médico depois de olhar para o tímpano, e esta regra não tem exceções.
- Óleo morno, sumo de cebola, alho, soluções alcoólicas e álcool bórico. Os remédios caseiros queimam a pele do canal e, com o tímpano roto, entram lá para dentro.
- Os cotonetes. Não limpam o ouvido: empurram o cerume mais para dentro e compactam-no num tampão, arranham a pele do canal — é assim que começa uma otite externa — e com um movimento desastrado ou um encontrão perfuram o tímpano sem dificuldade. No canal não se mete nada mais pequeno do que o próprio cotovelo, ganchos, fósforos e chaves incluídos.
- As velas auriculares. Não se demonstrou proveito algum, e há registo de queimaduras e de cera caída dentro do ouvido.
- Tentar lavar o ouvido ou desentupi-lo por conta própria, ou retirar um tampão ou um objeto encravado.
- Auriculares de encaixe e aparelho auditivo no ouvido doente enquanto durar a inflamação.
- Fumar ao pé da criança: o fumo passivo é causa demonstrada de otites de repetição e de líquido no ouvido médio.
São precisos antibióticos?
Na maioria das vezes não. Grande parte das otites médias é causada por vírus ou resolve-se sozinha em dois ou três dias, e o antibiótico não acelera a cura, embora produza efeitos indesejáveis. Por isso, numa otite não complicada de uma criança com mais de dois anos a conduta habitual é analgesia e vigilância, e a decisão sobre o antibiótico toma-se se em dois ou três dias não houve melhoria ou se piorou.
O antibiótico começa mais cedo e sem espera quando a criança é muito pequena, quando estão afetados os dois ouvidos, quando há supuração, quando a criança está muito doente ou tem outras doenças. Quem decide é o médico depois de olhar para o tímpano: por fora não há maneira de distinguir os casos. O ciclo iniciado leva-se até ao fim, mesmo que a dor tenha desaparecido ao segundo dia. Os antibióticos que sobraram de outra vez não se usam.
Quando ir ao médico mesmo não sendo urgente
- a dor dura mais de dois ou três dias, ou volta a subir depois de ter começado a ceder;
- a audição não regressou semanas depois da otite: a criança manda repetir, sobe o volume, parece dispersa nas aulas ou está atrasada na fala;
- as otites repetem-se várias vezes na mesma estação;
- o ouvido continua a supurar, sobretudo se já leva meses assim e a secreção cheira mal: uma supuração prolongada de um só ouvido estuda-se à parte, porque pode haver por trás uma destruição do osso;
- um adulto tem dor de ouvido sem constipação e sem alteração da audição: a causa procura-se fora do ouvido;
- apareceu um zumbido ou um apito constante no ouvido, ou tonturas;
- não tem a certeza de estar a dar conta do recado em casa.
Consulta em linha
À distância resolve-se mais do que parece, e sobretudo de noite, quando a escolha está entre sair agora e aguentar até de manhã. Pelo seu relato o médico determinará se isto se parece com uma otite média comum, com uma externa ou com algo que tem de ser visto já, e verificará à parte os sinais de mastoidite e de meningite. Dirá qual o analgésico e em que apresentação corresponde à criança pela idade e pelo peso, e como distribuir as tomas durante a noite. Explicará porque é que neste momento não se deita nada no ouvido. Para um adulto percorrerá a hipótese da dor referida — dentes, articulação do maxilar, garganta — e indicará a que especialista recorrer e se convém observar a rinofaringe. E nomeará os sinais perante os quais a consulta se interrompe para ir ao hospital.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Médicos online para Dor de ouvido
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