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Esta página fornece informação geral e não substitui uma consulta médica. Se os sintomas forem graves, persistentes ou estiverem a agravar-se, procure aconselhamento médico o mais rapidamente possível.

A falta de ar é a sensação de que o ar não chega: a respiração fica rápida e superficial, é preciso apanhá-lo pela boca, parar a meio de uma frase ou a meio de um lanço de escadas. Uma pessoa saudável fica sem ar depois de correr e um minuto mais tarde respira normalmente — isso não é um sintoma. Passa a ser sintoma quando aparece num esforço que antes era suportado sem dificuldade, ou quando aparece em repouso. E o primeiro ponto a compreender é este: importa menos o quanto falta o ar e importa muito mais a rapidez com que tudo começou.

A falta de ar súbita é uma emergência

Se respirar se tornou difícil de repente — em minutos ou numa hora ou duas — e isso nunca tinha acontecido, chame uma ambulância: o número único europeu 112 ou o número local de emergência. Aqui contam os minutos. Não espere pela manhã, não fique a ver se «passa sozinho» e não conduza.

Ligue de imediato se, junto com a falta de ar, surgir algum destes sinais:

  • dor, pressão, ardor ou peso no peito, sobretudo se irradiar para o braço, as costas, o pescoço, a mandíbula ou por baixo da omoplata;
  • dor no peito que aumenta ao inspirar, acompanhada de batimento cardíaco acelerado;
  • lábios, face ou pontas dos dedos a ficarem azulados ou acinzentados — em peles morenas e escuras isto vê-se melhor nas palmas das mãos, sob as unhas e na mucosa da boca;
  • não consegue terminar uma frase e tem de inspirar a cada duas ou três palavras;
  • confusão, sonolência invulgar, sensação de que algo grave está para acontecer;
  • inchaço dos lábios, da língua ou da garganta, erupção na pele ou respiração sibilante depois de um medicamento, de uma picada ou de uma refeição;
  • a falta de ar começou logo depois de a pessoa se engasgar;
  • respiração borbulhante ou expetoração rosada e espumosa.

Enquanto a ambulância não chega, sente-se, abra a janela e desaperte a roupa apertada. Se tiver um inalador de alívio prescrito, utilize-o. Prepare a lista dos medicamentos que toma: o médico vai precisar dela no primeiro minuto.

O que está por trás de uma falta de ar súbita

Todas estas situações respondem muito melhor quanto mais cedo forem tratadas, e quase todas avançam mais depressa do que o tempo que a pessoa leva a decidir-se a telefonar.

  • Enfarte do miocárdio. A falta de ar pode ser a sua única manifestação, sem qualquer dor no peito. Esta forma é mais frequente nas mulheres, nas pessoas idosas e nas pessoas com diabetes, pelo que «o coração não me dói» não é motivo para ficar tranquilo.
  • Embolia pulmonar. Falta de ar súbita, dor no peito que se agrava ao inspirar, pulso rápido, às vezes sangue na expetoração ou um desmaio. O risco é maior depois de uma cirurgia, de uma fratura, de um gesso, de um voo ou de uma viagem longa, durante repouso prolongado na cama, na gravidez e no pós-parto, num doente oncológico, a tomar estrogénios e se já teve uma trombose. Uma perna inchada e dolorosa apenas de um lado é uma pista importante.
  • Pneumotórax. Dor brusca num só lado do tórax com falta de ar, muitas vezes em plena saúde em pessoas jovens, altas e magras, e também em quem já tem uma doença pulmonar.
  • Crise grave de asma, em que o inalador não ajuda ou alivia apenas alguns minutos.
  • Edema pulmonar por descompensação de insuficiência cardíaca: sufoco, impossibilidade de estar deitado, borbulhar no peito.
  • Anafilaxia — inchaço muito rápido, erupção na pele e queda da tensão arterial depois de um medicamento, de um alimento ou de uma picada.
  • Corpo estranho nas vias respiratórias, sobretudo em crianças pequenas e em pessoas idosas.
  • Pneumonia grave com febre alta, arrepios e respiração acelerada.

A falta de ar que cresce ao longo de semanas

A falta de ar lenta parece menos perigosa apenas porque há tempo de se habituar a ela: a pessoa deixa de carregar sacos, começa a andar mais devagar e atribui tudo à idade. Entretanto, por trás estão doenças que se tratam, e quanto mais cedo melhor.

  • Insuficiência cardíaca. Inchaço dos tornozelos e das pernas que aumenta ao fim do dia; impossibilidade de dormir sem duas ou três almofadas; acordar de noite sem ar uma ou duas horas depois de adormecer; aumento rápido de peso em poucos dias.
  • Doença pulmonar obstrutiva crónica. Muitos anos de tabaco, tosse matinal com expetoração, falta de ar primeiro nas subidas e depois também no plano. A falta de ar num fumador com mais de quarenta anos é uma indicação direta para fazer espirometria.
  • Anemia. Palidez, fraqueza, palpitações, zumbido nos ouvidos. Nas mulheres, uma causa frequente são as menstruações abundantes; nos homens e nas pessoas mais velhas há que procurar uma perda de sangue oculta do estômago ou do intestino.
  • Pequenas embolias repetidas. A falta de ar cresce de forma disfarçada e pode não existir nenhum episódio dramático isolado.
  • Cancro do pulmão. Tosse com mais de três semanas, sangue na expetoração, perda de peso, voz rouca, dor no tórax.
  • Doenças do tecido pulmonar — a fibrose e outras doenças intersticiais: tosse seca e falta de ar que se agravam ao longo de meses.
  • Líquido na pleura, doenças da tiroide, obesidade e fraqueza dos músculos respiratórios em doenças neurológicas.

Falta de ar na criança

As crianças aguentam muito tempo e depois cedem muito depressa, por isso o que conta aqui é como a criança respira e não o que ela diz sobre como se sente. Chame uma ambulância se a criança:

  • respira muito depressa, com gemido ou queixume ao expirar;
  • ao inspirar afunda os espaços entre as costelas, a covinha acima do esterno ou a barriga por baixo das costelas, e dilata as narinas;
  • tem lábios, face ou palmas das mãos a ficarem azulados ou acinzentados;
  • está apagada, mole, não reage como habitualmente, a cabeça pende e o olhar não fixa;
  • não consegue falar, comer nem beber por causa da falta de ar;
  • está confusa, invulgarmente agitada ou chora sem parar;
  • sendo bebé, faz pausas na respiração.

A falta de ar com sibilos e tosse de cão durante a noite, a falta de ar depois de a criança ter brincado com objetos pequenos e a falta de ar com febre alta são três situações que exigem avaliação no mesmo dia, mesmo que entre os episódios a criança tenha bom aspeto.

Quando se trata realmente de ansiedade ou de peso a mais

As crises de ansiedade dão de facto a sensação de que o ar não chega, e é uma sensação muito convincente. Mas tem o seu próprio desenho: a crise instala-se em minutos, traz formigueiro em volta da boca e nos dedos, tonturas, tremor e medo, dura alguns minutos e passa sem deixar nada; nos intervalos, a pessoa suporta o esforço como sempre. O peso a mais e a falta de forma física também são uma causa real, só que crescem ao longo de meses e anos, não de uma semana.

O problema é que as duas explicações são demasiado cómodas. São dadas muitas vezes antes de qualquer exame e, assim, um enfarte ou uma embolia numa pessoa com perturbação de ansiedade ou com peso elevado recebem a mesma etiqueta. A ordem correta é a inversa: primeiro excluem-se o coração e os pulmões, e só depois se fala de ansiedade. Se a falta de ar mudou — passou a surgir mais cedo do que antes, ou acordou-o de noite pela primeira vez —, precisa de explicação independentemente do diagnóstico que lhe deram no passado.

Na asma e na DPOC, o agravamento mede-se pelo inalador

O erro mais frequente nestas doenças é julgar-se pelas sensações. As sensações enganam: à falta de ar constante habitua-se e acaba por ser aceite como a sua normalidade. É muito mais fiável contar a quantidade de medicamento necessária.

Consulte o médico sem esperar pela consulta programada se:

  • usa o inalador de alívio mais vezes do que é habitual para si;
  • faz menos efeito ou o alívio dura pouco;
  • começou a acordar de noite com tosse, sibilos ou falta de ar;
  • tem de desistir de atividades normais — o trabalho, um passeio, as escadas;
  • a expetoração aumentou, mudou de cor ou apareceu febre.

Se o inalador deixou de fazer efeito por completo, isso já é uma chamada à ambulância e não uma marcação de consulta. Quem tenha um plano de ação escrito para as crises deve guardá-lo onde os familiares também o encontrem.

O que é importante contar ao médico

O estudo da falta de ar começa pelas circunstâncias em que apareceu, por isso convém ter as respostas preparadas: com que rapidez surgiu, com que esforço concreto aparece agora e com qual aparecia há seis meses, se depende da posição do corpo, o que a acompanha — tosse, inchaço, dor, febre, palpitações. Recorde à parte cirurgias, traumatismos, gessos, voos e viagens longas das últimas semanas, o tabaco e há quantos anos, as substâncias a que está exposto no trabalho, todos os medicamentos que toma e as doenças conhecidas do coração, dos pulmões, dos rins e da tiroide.

A partir daí o médico segue o que encontra. Habitualmente isso significa exame com auscultação dos pulmões e do coração, medição da saturação de oxigénio, eletrocardiograma, radiografia ou tomografia do tórax, análises de sangue, espirometria, ecocardiograma e, se houver suspeita de embolia, exames específicos dos vasos pulmonares. Ajuda muito levar um diário: quantos degraus ou metros faz antes de ter de parar. É a maneira mais simples de mostrar a evolução em números.

Consulta em linha

A consulta em linha é adequada quando a falta de ar vai crescendo aos poucos e é necessário decidir o passo seguinte: que exames fazer, que especialista procurar, o que significam as análises e as imagens que já tem, como lidar com os inaladores e com os medicamentos prescritos. O médico percorrerá a sua história, ajudará a separar a causa cardíaca da pulmonar e traçará um plano claro.

Se, pelo contrário, a falta de ar surgiu de repente e vem com dor no peito, lábios azulados ou confusão, nenhuma consulta em linha substitui a ambulância. Chame-a primeiro e fale com o médico depois.

Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.

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