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Medicamentos frequentemente prescritos para Flatulência (gases intestinais)
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de tomar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: COMPRIMIDO MASTIGÁVEL, 40 mg simeticonaSubstância ativa: siliconesFabricante: Uriach Consumer Healthcare S.L.Não requer receita médicaForma farmacêutica: CÁPSULA, 240 mgSubstância ativa: siliconesFabricante: Uriach Consumer Healthcare S.L.Não requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO MASTIGÁVEL, 120 mgSubstância ativa: siliconesFabricante: Laboratorios Normon S.A.Não requer receita médica
Toda a gente tem gás no intestino e tem-no sempre: não é uma avaria, é um subproduto normal da digestão. O assunto só começa a contar quando o gás é demasiado, quando distende a barriga até doer ou quando a pessoa deixa de perceber onde acaba o normal. Vale a pena esclarecê-lo por duas razões diferentes. A primeira é do dia a dia: quase sempre a explicação está no que se come e na forma como se come, e isso tem solução. A segunda pesa mais: de vez em quando o aumento de gases não é o problema em si, mas a ponta visível de outra doença, e nesse caso pôr-se a dieta significa perder tempo.
Quantos gases são normais
Uma pessoa saudável liberta gases cerca de dez a vinte vezes por dia e habitualmente nem dá por isso. A diferença entre pessoas é enorme e não existe um número que sirva de norma: a comparação útil não é com o vizinho, mas consigo próprio há uns meses. O que conta não é a contagem, é a mudança; se antes nunca foi tema e agora a barriga incha todas as tardes, isso já é um sinal.
Com o cheiro passa-se o mesmo. O cheiro intenso vem de compostos de enxofre que as bactérias fabricam a partir das proteínas: depois de carne, ovos, couves, cebola ou alho acentua-se em qualquer pessoa e, por si só, não significa nada. Convém ainda separar duas sensações que se confundem constantemente. O inchaço é a sensação de barriga tensa e cheia, e surge mesmo com uma quantidade de gás perfeitamente normal, quando o intestino ficou mais sensível à distensão. O excesso de gás propriamente dito é libertá-lo com uma frequência e uma abundância invulgares. Os mecanismos são diferentes e a abordagem também.
De onde vem o gás
As fontes são apenas duas, ambas banais.
- O ar que se engole. Parte volta em arroto, o resto segue caminho. Engolem mais ar quem come à pressa, quem fala enquanto come, quem bebe com palhinha, quem mastiga pastilha elástica, quem fuma e quem usa uma prótese dentária mal ajustada. As bebidas gaseificadas acrescentam dióxido de carbono diretamente.
- O trabalho das bactérias intestinais. Os hidratos de carbono que o intestino delgado não conseguiu desdobrar chegam ao cólon e ficam à disposição da flora, que os fermenta e produz hidrogénio, dióxido de carbono e, em algumas pessoas, metano. É um processo normal e útil: são essas mesmas fibras que alimentam a flora e mantêm as fezes moles. O gás é o efeito secundário.
É por isso que, nas pessoas saudáveis, os alimentos que mais gás produzem são justamente os saudáveis: leguminosas, couves, cebola, cereais integrais, legumes frescos. Passar de repente a comer «como deve ser» traz quase sempre um par de semanas de gases abundantes, e isso não é motivo para desistir: o intestino adapta-se se a fibra for aumentada aos poucos e houver água suficiente.
O que aumenta a produção de gás
- A velocidade a comer: quanto mais depressa, mais ar se engole e pior triturada chega a comida.
- Os adoçantes sorbitol, xilitol, manitol e maltitol, presentes em pastilhas elásticas, rebuçados sem açúcar, bebidas light e alguns medicamentos. Absorvem-se mal e chegam inteiros às bactérias.
- A frutose em quantidade: sumos, refrigerantes açucarados, mel, muita fruta seca de uma vez.
- Os lacticínios em quem tolera mal a lactose.
- A cerveja e os espumantes, que trazem gás e hidratos fermentáveis ao mesmo tempo.
- A obstipação: quanto mais tempo o conteúdo fica no cólon, mais fermenta.
- O sedentarismo. Caminhar acelera a passagem do gás; um dia deitado retém-no.
- Alguns medicamentos: laxantes, antifúngicos, estatinas, metformina, acarbose, preparados de ferro e anti-inflamatórios não esteroides.
Quando deixa de ser apenas gás
Há um conjunto de sinais perante os quais os gases deixam de ser assunto de conversa e passam a ser motivo para consultar o médico e investigar, em vez de procurar a dieta certa. Cada um deles basta por si:
- perda de peso não procurada;
- sangue nas fezes, vivo, escuro ou fezes pretas e alcatroadas. Não é preciso esperar três semanas para ter a certeza: deve consultar-se logo à primeira vez;
- uma alteração do trânsito intestinal habitual que se mantém mais de algumas semanas: fezes mais moles ou mais raras, forma diferente, sensação de evacuação incompleta;
- sintomas que acordam durante a noite: a dor ou a diarreia que retiram alguém do sono quase nunca são funcionais;
- queixas que começam depois dos quarenta, sem que antes houvesse nada de semelhante. Nessa idade, uma sintomatologia intestinal nova é razão para excluir algo grave, não para atribuir à idade;
- inchaço persistente numa mulher, quase todos os dias durante várias semanas, sobretudo com saciedade precoce e dor na parte baixa do abdómen: o cancro do ovário pode começar assim, e só isso já justifica observação;
- vómitos, febre, dor forte que não passa, abdómen distendido e ausência total de saída de gases;
- palidez, falta de ar e cansaço, que apontam para anemia;
- fezes claras, gordurosas e difíceis de escoar com a água;
- cancro do intestino, doença celíaca ou doença inflamatória intestinal em familiares próximos.
O que se esconde por trás de gases constantes
- Síndrome do intestino irritável. A causa mais frequente. Dor abdominal ligada à dejeção, com inchaço e alternância entre diarreia e obstipação, enquanto os exames não encontram nada. Não são «nervos» nem invenção: o intestino funciona mesmo de outra maneira e responde com dor à distensão. O diagnóstico faz-se depois de excluir o resto.
- Intolerância à lactose. Inchaço, ruídos, diarreia e gases uma ou duas horas depois do leite, com os fermentados e os queijos curados nitidamente melhor tolerados. Desenvolve-se sobretudo na idade adulta e pode surgir de repente após uma infeção intestinal.
- Doença celíaca. Intolerância ao glúten com lesão da mucosa do intestino delgado. Provoca inchaço, diarreia, perda de peso e anemia; em algumas pessoas apenas cansaço e hemoglobina baixa, sem queixas intestinais. Há aqui uma regra que convém guardar: as análises para a doença celíaca fazem-se enquanto a pessoa continua a comer glúten normalmente. Se o pão for retirado antes, dão negativas e o diagnóstico escapa durante anos.
- Sobrecrescimento bacteriano do intestino delgado. Surge após cirurgia intestinal, na diabetes e em doenças que abrandam a motilidade.
- Insuficiência do pâncreas. A comida não é desdobrada, as fezes tornam-se abundantes e gordurosas e o peso desce.
- Doença inflamatória intestinal — doença de Crohn e colite ulcerosa: diarreia com sangue ou muco, dor, febre, perda de peso.
- Giardíase e outras infeções intestinais, se tudo começou de forma brusca depois de uma viagem ou de água de origem duvidosa.
O que se pode experimentar sozinho
Não havendo sinais de alarme, é sensato começar pelo simples e dar a isso algumas semanas.
- Comer mais devagar e em porções menores, sem falar de boca cheia; pousar o telemóvel, porque a refeição à pressa é quase sempre uma refeição barulhenta.
- Deixar a pastilha elástica, os rebuçados, o tabaco e a palhinha.
- Mandar verificar ao dentista a prótese que ficou solta.
- Retirar as bebidas gaseificadas e os sumos muito açucarados, e ler os rótulos à procura de sorbitol e xilitol.
- Resolver a obstipação: mantém a fermentação, e ao corrigi-la desaparece muitas vezes metade das queixas.
- Mexer-se todos os dias; meia hora de caminhada chega, de preferência depois das refeições.
- Manter durante duas semanas um diário simples do que se comeu e do que aconteceu a seguir. Vale mais do que qualquer suposição e será muito útil ao médico.
Dietas, produtos de farmácia e medicamentos
As dietas de eliminação merecem parágrafo próprio, porque é nelas que se perde mais tempo. Os esquemas que retiram por etapas o leite, o glúten ou os hidratos fermentáveis funcionam de facto em algumas situações, mas são um procedimento clínico com início, prazo e uma fase obrigatória de reintrodução dos alimentos, e quem os indica é o médico ou o nutricionista. Riscar alimentos por conta própria durante meses produz três efeitos: a alimentação empobrece, a flora ressente-se e, sobretudo, apagam-se os sinais de uma doença que ainda não foi encontrada. Isto aplica-se em especial ao glúten, que não deve ser retirado antes do teste para a doença celíaca.
Na farmácia usam-se, para o inchaço, a simeticona e os preparados de enzimas digestivas e, na intolerância à lactose confirmada, a lactase antes das refeições com lacticínios. A algumas pessoas ajudam as cápsulas gastrorresistentes de óleo de hortelã-pimenta. O carvão ativado está pouco estudado neste contexto, não há benefício apreciável à espera e ainda interfere com a absorção de outros medicamentos. Nenhum destes produtos trata a causa: alivia o sintoma.
E um último ponto: se os gases aumentaram pouco depois de iniciar um medicamento novo, diga-o ao médico. A dose ou o fármaco podem ser mudados. Mas não interrompa por sua iniciativa um tratamento prescrito, muito menos antidiabéticos, estatinas ou antibióticos.
Consulta em linha
O tema parece menor exatamente até se descobrir o que estava por trás. À distância, o médico pode percorrer consigo o essencial: se isto se parece com uma reação normal à comida ou se no relato há algo que exige investigação — o peso, o sangue, os sintomas noturnos, o trânsito alterado, a idade de início. Indicará que análises fazem sentido em primeiro lugar e por que ordem, e avisará que o glúten não se retira antes do teste para a doença celíaca. Ajudará a ler o diário alimentar e a encontrar nele o que não tinha sido relacionado. Explicará o que esperar dos produtos de farmácia e o que não esperar, e o que fazer com um medicamento que parece ser a causa. E dirá quais os sinais perante os quais a conversa deve terminar e é preciso ser observado presencialmente.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Médicos online para Flatulência (gases intestinais)
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