Problemas das unhas
As unhas guardam aquilo que se passa no organismo: crescem devagar e conservam durante meses a marca de uma doença, de uma carência ou de um medicamento.
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As unhas guardam aquilo que se passa no organismo: crescem devagar e conservam durante meses a marca de uma doença, de uma carência ou de um medicamento. Muitas alterações são inofensivas, outras apontam para uma doença da pele ou interna, e um pequeno número são sinais que não devem passar em claro. Este texto ajuda a perceber em que grupo se encaixa o que se está a ver.
Alterações da cor
- unhas brancas: manchas puntiformes por microtraumatismos, muito comuns e sem qualquer gravidade. Se toda a unha estiver esbranquiçada, pode haver doença do fígado ou albumina baixa no sangue;
- unhas amareladas: fungos, psoríase, tabaco, verniz escuro usado sem pausas; com espessamento e problemas respiratórios associados, a síndrome das unhas amarelas;
- unhas azuladas: falta de oxigénio, problemas de circulação, alguns medicamentos;
- metade branca e metade acastanhada: associa-se a doença dos rins;
- hemorragias em lasca: linhas finas avermelhadas sob a unha; quase sempre traumáticas, mas se forem múltiplas e houver febre é preciso excluir uma endocardite;
- hematoma subungueal: depois de uma pancada, uma mancha escura que cresce com a unha e se desloca em direção à ponta.
O sinal que não convém ignorar
Uma banda escura longitudinal numa única unha, sobretudo se alarga, muda de cor ou a pigmentação se estende à pele que rodeia a unha, tem de ser avaliada para excluir um melanoma da unha. É diagnosticado tarde com frequência, porque se atribui a uma pancada de que ninguém se lembra. O hematoma desloca-se para a ponta livre à medida que a unha cresce; uma banda pigmentada por melanócitos fica onde está.
Alterações da forma e da superfície
- sulcos transversais (linhas de Beau): traduzem uma paragem do crescimento provocada por uma doença, uma febre alta, uma cirurgia ou quimioterapia alguns meses antes;
- sulcos longitudinais: comuns com a idade e inofensivos;
- unhas em colher, côncavas: clássicas da falta de ferro;
- acropaquia, unhas em vidro de relógio com alargamento da ponta dos dedos: associa-se a doenças do pulmão, do coração ou do aparelho digestivo e merece ser estudada;
- depressões puntiformes, pequenas covinhas na superfície: típicas da psoríase e também do eczema e da alopécia areata;
- onicólise, a unha descola do leito: por traumatismo, psoríase, fungos, humidade excessiva, manicura agressiva ou medicamentos;
- unhas quebradiças e que se desfazem em camadas: por água, detergentes, acetona para tirar o verniz e, por vezes, carências.
Problemas da pele à volta
- paroníquia aguda: vermelhidão, dor e pus junto ao bordo da unha, a seguir a uma ferida ou ao corte da cutícula;
- paroníquia crónica: inchaço persistente sem pus, típico de quem trabalha com as mãos molhadas; perde-se a cutícula e a unha cresce ondulada;
- unha encravada;
- verrugas periungueais.
Quando recorrer ao médico
- existe uma banda escura numa só unha ou pigmentação na pele em redor;
- uma única unha muda de forma progressiva sem traumatismo prévio;
- surgem dor, inchaço, vermelhidão ou pus;
- a unha descola ou deforma-se;
- várias unhas estão espessadas e sem cor;
- há depressões puntiformes e lesões na pele: pode ser psoríase;
- as unhas ficaram nitidamente côncavas ou quebradiças;
- a ponta dos dedos alargou;
- aparece sangue sob a unha sem qualquer pancada;
- quem tem diabetes ou problemas de circulação nota qualquer mudança nas unhas.
Como se investiga
Observação com dermatoscópio, raspagem ou corte de unha para exame microscópico e cultura sempre que se suspeita de fungo — e convém confirmá-lo antes de meses de tratamento oral —, análises com hemograma, ferritina, função do fígado, dos rins e da tiroide conforme o caso, e biopsia da matriz ungueal perante uma banda pigmentada suspeita.
Cuidados com as unhas
- cortar a direito, sem arredondar os cantos nos pés;
- luvas para as tarefas com água e com produtos de limpeza;
- hidratar unhas e cutículas todos os dias;
- não cortar a cutícula: é a barreira que protege a matriz; basta empurrá-la com suavidade;
- evitar a acetona e limar sempre num só sentido;
- dar pausas entre aplicações de verniz de gel e evitar o desgaste agressivo da superfície;
- material de manicura próprio ou devidamente esterilizado;
- não usar as unhas como ferramenta;
- calçado com espaço suficiente para os dedos;
- secar bem as mãos e os pés.
Perguntas frequentes
As manchas brancas são falta de cálcio? Não. São quase sempre microtraumatismos da matriz da unha.
Quanto tempo demora a crescer uma unha? As das mãos, 4 a 6 meses; as dos pés, 9 a 12. É por isso que qualquer tratamento se avalia ao fim de meses.
Os suplementos servem? Só se houver uma carência. A biotina tem evidência limitada e ainda por cima interfere com algumas análises.
Uma unha arrancada volta a crescer? Sim, exceto se a matriz tiver ficado danificada.
O verniz de gel estraga as unhas? O produto em si nem tanto; o dano vem do desgaste prévio da superfície e de o retirar arrancando.
Consulta em linha
Na consulta em linha o médico avalia as fotografias das unhas, distingue uma alteração inofensiva de outra que exige estudo, presta atenção específica às bandas pigmentadas, indica se convém confirmar um fungo antes de o tratar e orienta sobre os cuidados que evitam a maioria destes problemas.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Revisto clinicamente por
Revisto a 7 de jul de 2026
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