Nesta página
- O que exatamente pode ter visto
- Porque «são hemorroidas» é uma conclusão perigosa
- O que dizem a cor do sangue e a forma como se mistura nas fezes
- Que outras causas existem
- Quando chamar uma ambulância e quando ser visto no próprio dia
- O que acontece na consulta
- Rastreio do intestino: para que serve se nada incomoda
- Consulta em linha
Medicamentos frequentemente prescritos para Sangramento pelo ânus
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de tomar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: SEMISSÓLIDO RETAL, 10 mg/gSubstância ativa: hydrocortisoneFabricante: Faes Farma S.A.Não requer receita médicaForma farmacêutica: SEMISSÓLIDO RETAL, 5 mg/g + 5 mg/gSubstância ativa: hydrocortisoneFabricante: Laboratorio Reig Jofre, S.A.Não requer receita médicaForma farmacêutica: SUPOSITÓRIO, 10 mg de bisacodiloSubstância ativa: bisacodylFabricante: Opella Healthcare Spain S.L.Não requer receita médica
Sangue no papel higiénico, faixas vermelhas nas fezes, água rosada na sanita, fezes pretas: são todas formas diferentes da mesma coisa, sangue que chega ao intestino ou que sai pelo ânus. A causa mais frequente é inofensiva — hemorroidas ou uma fissura — mas há aqui uma particularidade incómoda que convém saber já: pelo aspeto do sangue é impossível distinguir uma causa banal de uma grave, e «são só hemorroidas» é o motivo mais comum para o cancro do intestino ser descoberto tarde. Não há razão para assustar-se, nem para sossegar antes de tempo. Só há um caminho certo: ser observado por um médico e esclarecer o assunto.
O que exatamente pode ter visto
O sangramento pelo ânus apresenta-se de formas muito diferentes, e nem sempre se percebe que aquilo é sangue:
- vestígios vermelhos vivos no papel higiénico;
- faixas vermelhas ou gotas na superfície das fezes;
- água rosada ou vermelha na sanita;
- sangue misturado nas fezes, que ficam de um tom escuro ou bordô uniforme;
- muco com filamentos de sangue;
- fezes líquidas com sangue;
- fezes pretas, pegajosas, brilhantes e de cheiro intenso.
Antes de se preocupar, recorde o que comeu e o que anda a tomar. Beterraba, tomate, sumo de tomate, gelatinas vermelhas e bebidas com corantes tingem de vermelho as fezes e a urina. Suplementos de ferro, bismuto, carvão ativado, mirtilos e alcaçuz tornam-nas escuras ou pretas. Há, no entanto, uma diferença: as fezes pretas «de origem alimentar» têm aspeto e cheiro normais, enquanto as que contêm sangue vindo de cima são pegajosas, alcatroadas e com um fedor característico. Na dúvida, parta do princípio de que é sangue e seja observado: errar nesse sentido é o mais seguro.
Porque «são hemorroidas» é uma conclusão perigosa
As hemorroidas existem num número enorme de adultos e sangram mesmo. O problema é que a sua presença não exclui nada: hemorroidas e tumor convivem muito bem no mesmo intestino, e o sangue pode vir do segundo e não das primeiras. Também o médico que encontra hemorroidas na observação não pode ficar por aí se alguma coisa no quadro não bate certo.
A história típica é esta: uma pessoa de uns quarenta e cinco anos nota sangue, lembra-se de que «o pai também tinha hemorroidas», compra supositórios, o sangue desaparece por algum tempo, volta depois, e assim passa ano e meio. Entretanto, um tumor que se resolveria com uma operação simples teve tempo de crescer. É desse adiamento que resulta a maior parte dos diagnósticos tardios, e não das formas raras e agressivas.
Daí uma regra simples: sangue pelo ânus não é um diagnóstico, é um sintoma, e todo o primeiro episódio deve ser observado por um médico. Isso não quer dizer «tem cancro»: na esmagadora maioria dos casos não terá. Quer dizer que uma consulta custa vinte minutos e dá clareza durante anos. À parte: se já tem hemorroidas confirmadas mas o sangue mudou — ficou mais escuro, mais abundante, apareceu com outro padrão de dejeções —, isso é igualmente motivo para voltar a ser visto.
O que dizem a cor do sangue e a forma como se mistura nas fezes
Um diagnóstico exato não se tira destes sinais, mas eles indicam de onde vem o sangue e quão urgente é a situação.
- Sangue vermelho vivo no papel e à superfície das fezes, com dor e ardor ao evacuar. Costuma ser uma fissura anal ou hemorroidas. A fissura surge mais vezes depois de obstipação com fezes duras; a dor é aguda, como um corte, e permanece ainda algum tempo depois. As hemorroidas dão mais comichão, sensação de nódulo, desconforto, e nem sempre doem.
- Sangue misturado nas fezes. Significa que se juntou ao conteúdo intestinal mais acima e percorreu todo o caminho com ele. É mais preocupante do que o sangue vermelho vivo no papel e obriga a estudar o intestino.
- Sangue com muco, diarreia, dores e cólicas abdominais. É assim que se manifestam as doenças inflamatórias do intestino, a colite ulcerosa e a doença de Crohn. Começam muitas vezes em idade jovem, arrastam-se durante semanas e acompanham-se de vontade constante de evacuar, idas à casa de banho durante a noite, cansaço, por vezes febre e dores nas articulações.
- Fezes pretas e alcatroadas. É sangue que atravessou todo o intestino e se transformou pelo caminho: a origem está em cima, no estômago, no duodeno, no esófago. Por trás pode estar uma úlcera, uma inflamação e, com menos frequência, varizes esofágicas. É uma situação urgente independentemente de como se sinta.
- Sangue vermelho escuro abundante, com coágulos e sem dor. É o comportamento habitual dos divertículos do cólon e das alterações dos vasos da sua parede. O sangramento pode parar sozinho, mas o volume de sangue chega a ser considerável.
- Sangue depois de relação anal, com corrimento, feridas ou verrugas. Pode haver uma lesão ou uma infeção sexualmente transmissível; também nesse caso é preciso investigar.
Que outras causas existem
Além do já referido, sangram os pólipos intestinais, formações benignas da mucosa das quais uma parte degenera ao longo dos anos. É precisamente por isso que são removidos assim que se encontram: um pólipo retirado é um tumor evitado. Sangram também as infeções intestinais com diarreia com sangue, a mucosa lesada após radioterapia da pélvis, o prolapso do reto e a fístula anal.
Caso à parte são os medicamentos que reduzem a coagulação: anticoagulantes e antiagregantes, incluindo o ácido acetilsalicílico em dose baixa. É verdade que tornam o sangramento mais provável e mais visível, mas em regra não o criam do nada — põem à vista aquilo que já existia. Atribuir o sangue ao medicamento e ficar descansado não é aceitável: a investigação é igualmente necessária, e suspender por iniciativa própria um fármaco destes é perigoso. Primeiro o médico, depois a decisão.
Quando chamar uma ambulância e quando ser visto no próprio dia
Chame uma ambulância (em Espanha, Itália, Portugal, Polónia e Ucrânia funciona o número único 112) se:
- o sangramento é abundante e não para, a água da sanita fica vermelha, saem coágulos grandes;
- surgem fraqueza, tonturas, palidez, suores frios, palpitações, visão turva ou desmaio: são sinais de perda de sangue importante;
- vomita sangue ou material parecido com borra de café;
- o sangue vem acompanhado de dor abdominal intensa, barriga inchada e dolorosa ao toque, febre alta;
- as fezes são pretas e alcatroadas, mesmo que por agora se sinta bem.
Não conduza: peça a alguém que o leve ou chame uma ambulância. Leve consigo a lista dos medicamentos que toma, sobretudo se algum deles fluidificar o sangue.
Deve procurar o médico no próprio dia ou nos dias seguintes se:
- o sangue aparece pela primeira vez na vida e já não tem vinte anos: com a idade cresce a probabilidade de uma causa séria e baixa o limiar para investigar;
- o sangue nas fezes repete-se ou dura há mais de duas ou três semanas;
- o padrão intestinal habitual mudou e mantém-se assim há mais de algumas semanas: fezes mais moles, mais finas, mais frequentes ou, pelo contrário, uma obstipação teimosa;
- está a perder peso sem motivo aparente, cansa-se depressa, falta-lhe o ar com o esforço do costume: é assim que se manifesta a anemia por perda de sangue lenta e despercebida;
- há dor ou um nódulo palpável no abdómen, ou sensação de não esvaziar completamente;
- houve na família cancro do intestino, pólipos ou doença inflamatória intestinal;
- há sangue nas fezes de uma criança, em qualquer idade e em qualquer quantidade.
O que acontece na consulta
Começa por perguntas que causam algum embaraço, mas são exatamente elas que decidem o resto: que aspeto tem o sangue, quanto é, se vem com dor, como andam as dejeções, que medicamentos toma, o que houve na família. Vale a pena preparar as respostas antes e não as suavizar: o médico ouve isto várias vezes por dia.
Segue-se em geral a observação da região anal e o toque retal com um dedo enluvado. Demora menos de um minuto, incomoda mais no plano psicológico do que no físico e permite encontrar já na consulta uma fissura, hemorroidas e parte dos tumores do reto. Por vezes acrescenta-se uma anuscopia, uma observação rápida com um pequeno instrumento.
Das análises pedem-se sobretudo as de sangue, para ver a anemia e as reservas de ferro, e a pesquisa de sangue oculto nas fezes. O método principal é, porém, a colonoscopia: a visão do cólon por dentro, durante a qual não só se localiza a origem como se pode remover logo um pólipo ou colher um fragmento de tecido. Faz-se com analgesia ou sob sedação, e a parte mais pesada costuma ser a preparação da véspera e não o exame em si. Se houver suspeita de uma origem mais alta, prescreve-se uma endoscopia digestiva alta.
Rastreio do intestino: para que serve se nada incomoda
O cancro do intestino desenvolve-se devagar, ao longo de anos, quase sempre a partir de um pólipo, e nas fases iniciais não provoca sensação nenhuma. Detetado cedo, é curável na maioria das pessoas; detetado tarde, o tratamento é duro e nem sempre eficaz. O rastreio existe exatamente para esse intervalo: apanhar a alteração antes de haver queixas.
Em todos os países onde este sítio funciona existem programas de rastreio, organizados de forma semelhante: a partir de certa idade, é oferecida regularmente às pessoas sem sintomas a pesquisa de sangue oculto nas fezes e, se o resultado for positivo, uma colonoscopia. A idade de início e a periodicidade variam de país para país, por isso oriente-se pelo programa nacional e não por números encontrados na internet. Quem teve familiares diretos com cancro do intestino ou pólipos começa habitualmente mais cedo e repete com mais frequência.
Uma ressalva importante: o rastreio destina-se a pessoas sem sintomas. Se o sangue já existe, não espere pela próxima carta do programa, e um resultado negativo do teste feito em casa não anula nada. Procure o médico.
Consulta em linha
Em linha o médico ajuda a perceber com que urgência é preciso agir: analisa o aspeto do sangue e o que se passa com as dejeções, e pesa o risco pela idade, pela história familiar e pelos medicamentos em uso. Diz o que se pode fazer em casa perante uma fissura ou obstipação e o que não admite espera, explica que exame lhe será provavelmente pedido e como se prepara para ele. Analisa consigo as análises já feitas e o relatório da colonoscopia. E diz com franqueza quando basta vigiar e quando é preciso marcar consulta para hoje.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Médicos online para Sangramento pelo ânus
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