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Medicamentos habitualmente prescritos para Acalasia
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: Film‑coated tablet, 20 mgSubstância ativa: lercanidipineFabricante: Aristo Pharma Iberia S.L.Requer receita médicaForma farmacêutica: CÁPSULA DE LIBERTAÇÃO MODIFICADA, 120 mgSubstância ativa: diltiazemFabricante: Alfasigma Espana S.L.Requer receita médicaForma farmacêutica: INJETÁVEL, 0,5 mg/mLSubstância ativa: clevidipineFabricante: Chiesi España S.A.U.Requer receita médica
A acalasia é uma perturbação do esófago em que o anel muscular situado na passagem para o estômago deixa de abrir na altura certa, enquanto o próprio esófago perde a capacidade de empurrar os alimentos para baixo. O que é engolido fica retido acima do estreitamento e mais cedo ou mais tarde volta a subir. É rara, cerca de um caso novo por cada 100 000 pessoas em cada ano, e progride devagar: entre as primeiras dificuldades em engolir e o diagnóstico passam vários anos.
O que deixa de funcionar no esófago
O esófago não é um tubo passivo, mas uma bomba muscular: depois de cada deglutição percorre-o uma onda de contrações e o anel inferior, o esfíncter esofágico inferior, relaxa no momento exato para deixar passar os alimentos.
Na acalasia morrem as células nervosas da parede do esófago responsáveis pela ordem de relaxar. O anel permanece fechado e a onda não chega a formar-se: os alimentos descem apenas pelo próprio peso. Com o tempo o esófago dilata-se, retém cada vez mais conteúdo e esvazia-se cada vez pior.
Como se faz sentir
O sinal principal é a dificuldade em fazer descer os alimentos. Há um pormenor importante: na acalasia custa da mesma maneira um alimento sólido e um copo de água. Quando o que fecha a passagem é um tumor ou uma cicatriz, primeiro deixam de passar os sólidos e os líquidos ainda descem algum tempo.
A isto juntam-se:
- regurgitação de comida não digerida e sem sabor ácido, por vezes uma ou duas horas depois da refeição;
- tosse noturna, almofada molhada, sensação de engasgamento durante o sono;
- dor opressiva ou em queimadura atrás do esterno, fácil de confundir com azia ou com um problema do coração;
- sensação de nó que alivia ao levantar, andar, endireitar as costas ou beber água morna;
- perda de peso lenta sem qualquer dieta.
Muitas pessoas adaptam-se durante anos sem dar por isso: comem muito devagar, acompanham cada garfada com um gole, evitam comer na presença de outros. Essa adaptação suaviza o quadro e adia a ida ao médico.
Quando não se pode esperar por uma consulta marcada
É preciso procurar ajuda de imediato se:
- não passa nada: nem comida, nem água, nem a própria saliva;
- surge uma dor forte no peito logo a seguir a um vómito ou a um exame endoscópico, sobretudo com falta de ar e uma crepitação sob a pele do pescoço: é assim que se manifesta uma rotura da parede do esófago;
- depois de um episódio noturno de regurgitação aparecem febre, tosse com expetoração e dificuldade em respirar, porque o conteúdo pode ter passado para as vias respiratórias;
- houve vómito com sangue ou as fezes ficaram pretas;
- o peso desce depressa, vários quilos em um ou dois meses.
Situação à parte: a dificuldade em engolir começou depois dos 55 anos, tudo se desenvolveu em poucos meses e o peso baixou muito. Nesse caso o médico tem de excluir primeiro um tumor na passagem do esófago para o estômago, que dá o mesmo quadro: chama-se pseudoacalasia. É por isso que a endoscopia se faz a toda a gente, mesmo quando o diagnóstico parece óbvio.
Porque é que os nervos deixam de responder
Ainda não é possível apontar uma causa exata. A maior parte dos dados aponta para um processo autoimune: o sistema imunitário destrói por engano os plexos nervosos do esófago, e em algumas pessoas encontram-se os anticorpos correspondentes. Como possível desencadeante considera-se uma infeção viral anterior.
As formas hereditárias são raras. Nas crianças a acalasia surge por vezes dentro de um síndrome congénito que junta insuficiência das glândulas suprarrenais e ausência de lágrimas.
Há uma causa a ter presente depois de uma viagem ou mudança de país: na América Latina o mesmo quadro é provocado pela doença de Chagas, uma infeção parasitária que destrói justamente esses plexos nervosos. Quem viveu ou passou temporadas longas lá deve dizê-lo, porque a investigação será outra.
O que não provoca acalasia é o stress, comer à pressa ou a comida picante. Essas explicações apenas adiam os exames.
O que mostram os exames
- Manometria de alta resolução: mede a pressão ao longo de todo o esófago. É o exame de referência: confirma o diagnóstico e separa a doença em tipos dos quais depende a escolha do tratamento.
- Endoscopia digestiva alta: permite observar a mucosa por dentro e excluir tumor, estreitamento cicatricial e inflamação.
- Estudo radiológico com bário: as imagens mostram o contraste parado em coluna e a descer num fio fino, com o estreitamento a tomar a forma característica de bico de ave. Uma segunda imagem minutos depois indica até que ponto o esófago se esvazia.
A tomografia computorizada acrescenta-se se houver suspeita de tumor.
O que ajuda a recuperar a passagem
As células nervosas perdidas não voltam, por isso o tratamento persegue outro objetivo: afrouxar o anel fechado para que os alimentos cheguem ao estômago. A técnica é escolhida conforme o tipo encontrado na manometria, a idade e as outras doenças.
- Dilatação com balão: sob controlo endoscópico coloca-se um balão no esfíncter e insufla-se. São muitas vezes necessárias várias sessões e existe um pequeno risco de rotura da parede.
- Miotomia endoscópica por via oral: as fibras musculares são cortadas por dentro, sem incisões na pele.
- Miotomia laparoscópica: as mesmas fibras são cortadas por fora através de pequenas incisões abdominais, habitualmente com uma prega antirrefluxo feita no mesmo tempo cirúrgico.
- Injeção de toxina botulínica no esfíncter: o efeito dura meses, pelo que fica reservada a quem não pode enfrentar um procedimento por causa da idade ou de outras doenças.
- Medicamentos dos grupos dos nitratos e dos bloqueadores dos canais de cálcio: relaxam o anel pouco e por pouco tempo, servem como medida provisória enquanto se aguarda o tratamento definitivo.
Qualquer método que abra o esfíncter tem o seu reverso: o conteúdo do estômago ganha caminho de volta. A azia depois do tratamento é frequente e controla-se com medicamentos que reduzem a acidez e com vigilância regular.
Hábitos diários que facilitam as refeições
- Comer sentado e direito, em porções pequenas, a mastigar com atenção.
- Acompanhar com água morna: o frio costuma descer pior.
- Jantar três horas antes de deitar e elevar a cabeceira da cama: diminui o risco de regurgitação noturna e de passagem do conteúdo para as vias respiratórias.
- Pesar-se com regularidade: o peso é o indicador mais honesto de se está a comer o suficiente.
- Deixar o tabaco e as bebidas de alto teor alcoólico, que irritam uma mucosa já castigada pela retenção.
Não existe qualquer dieta que cure a acalasia. A vigilância continua a ser necessária mesmo depois de um procedimento bem sucedido, porque os sintomas às vezes regressam ao fim de anos. Um esófago alterado muito tempo aumenta ligeiramente o risco de cancro do esófago: a probabilidade é baixa, mas é mais um motivo para não perder o contacto com o médico.
Consulta em linha
O médico da Oladoctor pode avaliar se as queixas correspondem a uma acalasia ou a outra causa de dificuldade em engolir, explicar que exames são precisos em primeiro lugar e ajudar a ler relatórios de manometria e de endoscopia já realizados.
Prepare a conversa: quando começou a custar engolir, o que desce pior, sólidos ou líquidos, se há regurgitação durante a noite, quantos quilos perdeu e em quanto tempo, e que medicamentos toma.
A consulta à distância não substitui a endoscopia nem a manometria, mas evita exames dispersos e ajuda a chegar mais cedo ao especialista certo. Perante qualquer dos sinais indicados no capítulo das urgências, ligue para o 112 em vez de marcar uma consulta.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
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