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Medicamentos habitualmente prescritos para Clamídia
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: CÁPSULA DE LIBERTAÇÃO MODIFICADA, 40 mgSubstância ativa: doxycyclineFabricante: Laboratorios Galderma S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: SOLUÇÃO/SUSPENSÃO ORAL, 500 mgSubstância ativa: azithromycinFabricante: Pfizer S.L.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 500 mgSubstância ativa: azithromycinFabricante: Teva Pharma S.L.U.Requer receita médica
A clamídia é a infeção sexualmente transmissível mais frequente e, ao mesmo tempo, a mais silenciosa. A maioria das pessoas infetadas não tem corrimento, nem dor, nem o mais pequeno sinal de que alguma coisa se passa, e isso pode durar anos. Costuma descobrir-se por acaso: nas análises antes de uma gravidez, depois do telefonema de um antigo parceiro ou já quando surgiu uma complicação. A bactéria em si desaparece sem deixar rasto com um ciclo curto de antibiótico. O dano não é causado por ela, mas pelos meses que passa no organismo sem que ninguém dê por isso.
Porque passa tantas vezes despercebida
A clamídia vive dentro das células da mucosa e quase não provoca uma reação evidente. Nas mulheres não há qualquer sinal em cerca de três em cada quatro infetadas; nos homens, em metade. Quando aparecem, surgem uma a três semanas depois do contacto, por vezes só ao fim de meses, e são tão discretos que se atribuem a uma cistite, a um atrito ou a um jantar que caiu mal.
A segunda armadilha é que a ausência de queixas nada diz sobre o que acontece a seguir. A infeção não passa sozinha: sobe em silêncio pelo aparelho genital e danifica as trompas ou o epidídimo sem dar qualquer sinal. Durante todo esse tempo a pessoa sente-se saudável e continua a infetar os parceiros. Por isso, a única forma de detetar a clamídia a tempo é fazer o teste e não esperar pelos sintomas.
O que se pode notar
Os sinais não dependem do sexo, mas do local onde a bactéria se fixou.
Colo do útero e uretra na mulher:
- o corrimento vaginal mudou: mais abundante, mais fluido, com um cheiro diferente do habitual;
- perdas de sangue depois das relações ou a meio do ciclo;
- ardor e dor ao urinar, com a urocultura a sair limpa;
- peso no baixo-ventre, sobretudo durante as relações.
Uretra no homem:
- secreção transparente ou ligeiramente turva pela uretra, mais visível de manhã;
- ardor no canal ao urinar e comichão no orifício;
- dor surda ou inchaço de um testículo.
A bactéria instala-se com a mesma facilidade em qualquer sítio onde cheguem o esperma e as secreções vaginais. O reto responde com dor, vontade constante de evacuar, muco e sangue; a garganta cala-se quase sempre e só raramente dói; a conjuntiva fica vermelha, lacrimeja e amanhece colada, e uma conjuntivite de um só olho que não desaparece, num adulto, é motivo para pensar em infeções sexualmente transmissíveis.
Uma nota à parte sobre a dor no testículo. Se surgir de repente, forte e violenta, não se pode esperar nem uma hora: é assim que se manifesta a torção do testículo, que exige cirurgia nas primeiras horas. Já não é clamídia, mas é fácil confundir.
Quem deve fazer o teste mesmo sentindo-se bem
- houve relações sem preservativo com um parceiro novo ou houve mudança de parceiro;
- o parceiro recebeu o diagnóstico ou simplesmente pede que se faça o teste;
- está a planear uma gravidez ou já está grávida;
- é jovem e tem vida sexual ativa: nos primeiros anos é quando mais se deteta a infeção, por isso uma vez por ano, sem precisar de qualquer motivo;
- houve vários parceiros no último ano ou o parceiro tem outros;
- está prevista uma interrupção da gravidez, a colocação de um dispositivo intrauterino ou um estudo de infertilidade;
- homens que têm sexo com homens: com regularidade, e com zaragatoas colhidas não só da uretra, mas também do reto e da garganta.
Como se faz o diagnóstico
O teste procura o ADN da bactéria e a amostra depende do local: na mulher, uma zaragatoa vaginal que a própria pode colher; no homem, o primeiro jato de urina, recolhido pelo menos uma hora depois da micção anterior. Havendo contacto anal ou oral acrescentam-se uma zaragatoa retal e outra da faringe: a análise de urina não as cobre, e é aí que a infeção escapa mais vezes.
A análise de anticorpos no sangue não serve para o diagnóstico, ainda que continue a ser pedida. Os anticorpos apenas indicam que houve um encontro com a clamídia em algum momento e não distinguem uma infeção ativa de outra terminada há anos.
O teste tem uma janela cega: logo a seguir ao contacto as bactérias ainda são poucas. Se o motivo for concreto, o mais sensato é fazê-lo cerca de duas semanas depois e repeti-lo se o resultado for negativo mas a preocupação se mantiver. Na mesma ocasião propõem-se análises para gonorreia, sífilis, VIH e hepatites: estas infeções andam muitas vezes juntas e é mais prático fazer tudo numa só ida do que voltar.
Tratamento e o que deve fazer o parceiro
Trata-se com antibiótico e o ciclo dura habitualmente cerca de uma semana. A toma única num só comprimido, durante muitos anos o padrão, é hoje menos usada: resulta pior quando a infeção está no reto. A classe do medicamento é escolhida pelo médico, porque os esquemas mudam na gravidez e no envolvimento retal. O ciclo tem de ser terminado, mesmo que ao segundo dia já não reste qualquer queixa.
As relações terão de ficar adiadas: até ao fim do tratamento e mais uma semana, caso contrário os parceiros passam a devolver a infeção um ao outro.
Os parceiros são tratados em conjunto. Devem ser estudadas e tratadas todas as pessoas com quem houve contacto nos últimos seis meses e, se não as houve, o último parceiro. O tratamento é prescrito mesmo com um teste negativo: muitas vezes ainda não teve tempo de positivar, e um parceiro por tratar é a causa mais frequente de tudo recomeçar um mês depois.
O teste de controlo não é preciso a toda a gente. Faz-se na gravidez, no envolvimento retal e quando há dúvidas de que o ciclo tenha sido completado, e nunca antes de algumas semanas após o tratamento, senão apanha os restos de bactérias já mortas. Repetir o teste ao fim de cerca de três meses, esse sim, faz sentido para quase todos: não verifica o tratamento, mas se a infeção voltou.
O que acontece se não for tratada
Na mulher a infeção sobe até ao útero, às trompas e aos ovários. Surge a doença inflamatória pélvica, por vezes com dor e febre, mas muitas vezes quase sem queixas. Depois ficam aderências nas trompas e com elas chegam três coisas: gravidez ectópica, infertilidade de causa tubária e dor pélvica crónica. O risco cresce a cada episódio. Menos vezes, a inflamação atinge a cápsula do fígado e provoca dor por baixo das costelas direitas, tratada durante anos como um problema da vesícula.
No homem quem mais sofre é o epidídimo: incha, dói e a pele do escroto fica vermelha. Responde bem ao tratamento, desde que não se deixe arrastar.
Por vezes, algumas semanas depois da infeção, desencadeia-se uma artrite reativa: inflamam-se as articulações, mais frequentemente o joelho ou o tornozelo, e juntam-se ardor nos olhos e ardor uretral. Resolve-se ao fim de meses, mas exige tratamento próprio.
A clamídia tem ainda uma variante agressiva, o linfogranuloma venéreo. Durante muito tempo via-se apenas nos trópicos, mas nas duas últimas décadas há surtos também na Europa, sobretudo entre homens que têm sexo com homens. Provoca uma inflamação grave do reto, com dor, sangue, pus e vontade constante de evacuar, ou aumenta muito os gânglios da virilha, até supurarem. Vale a pena conhecê-lo por um motivo: este quadro é confundido com a doença de Crohn e tratado durante anos com o que não é, quando bastaria um antibiótico vulgar, apenas durante o triplo do tempo.
Clamídia e gravidez
A infeção não tratada aumenta o risco de parto prematuro e de baixo peso à nascença e, no parto, passa ao bebé. No recém-nascido manifesta-se como uma conjuntivite purulenta na primeira ou segunda semana de vida, ou como uma tosse arrastada sem febre ao segundo ou terceiro mês: a pneumonia por clamídia do lactente. Ambas se tratam com antibióticos, mas é bem melhor não chegar a esse ponto.
Por isso a análise faz parte da avaliação antes da gravidez e da vigilância durante a gestação, e perante um resultado positivo o tratamento é iniciado de imediato, com um medicamento seguro para aquela fase. Nas grávidas o teste de controlo é obrigatório, cerca de um mês depois de terminado o ciclo.
O que reduz o risco
- o preservativo nas relações vaginais e anais: não protege a cem por cento, mas reduz o risco várias vezes;
- uma barreira no sexo oral: preservativo ou quadrado de látex;
- brinquedos sexuais de uso individual, ou lavados e com um preservativo novo antes de passarem a outra pessoa;
- uma análise por ano e a cada novo parceiro, e não apenas quando alguma coisa começa a doer;
- um ciclo de tratamento cumprido até ao fim, o próprio e o do parceiro.
O que não se deve fazer: duches vaginais depois das relações. Não protegem da infeção, alteram a flora normal da vagina e, se alguma coisa fazem, aumentam o risco. Os contracetivos hormonais e o dispositivo intrauterino também não protegem de nada neste campo: servem para evitar a gravidez, não as infeções.
Consulta em linha
À distância resolve-se bem o mais frequente: que teste é realmente necessário, de que local deve ser colhida a amostra e quantos dias depois do contacto faz sentido fazê-lo, que é onde se perde mais tempo. O médico interpreta um resultado já disponível, explica o que deve fazer o parceiro e durante quanto tempo se deve evitar as relações, e diz quando um teste de controlo é útil e quando só vai baralhar. Também é razoável discutir a distância os sintomas que persistem depois de uma infeção já tratada. Já a dor súbita no testículo, a dor forte no baixo-ventre com febre ou a dor pélvica durante a gravidez não se avaliam assim: nesses casos é preciso observação presencial no próprio dia.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
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