Distúrbio temporomandibular (DTM)
A articulação temporomandibular liga o maxilar inferior ao crânio mesmo à frente do pavilhão da orelha: ponha ali os dedos e abra a boca, e vai sentir a…
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Medicamentos habitualmente prescritos para Distúrbio temporomandibular (DTM)
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: CÁPSULA, 400 mgSubstância ativa: ibuprofenFabricante: Kern Pharma S.L.Não requer receita médicaForma farmacêutica: SOLUÇÃO/SUSPENSÃO ORAL, 40 mg ibuprofeno/mlSubstância ativa: ibuprofenFabricante: Viatris Healthcare LimitedNão requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 400 mgSubstância ativa: ibuprofenFabricante: Mabo Farma S.A.Não requer receita médica
A articulação temporomandibular liga o maxilar inferior ao crânio mesmo à frente do pavilhão da orelha: ponha ali os dedos e abra a boca, e vai sentir a cabeça da articulação deslizar para a frente. Trabalha mais do que qualquer outra articulação do corpo. Quando a própria articulação, o disco que tem no interior ou os músculos mastigadores em redor deixam de dar conta, surgem dor junto ao ouvido, estalidos e a sensação de que a mandíbula anda por sua conta. A este quadro chama-se distúrbio, ou disfunção, temporomandibular. É muito frequente, raramente é perigoso e na maioria das pessoas resolve-se com medidas simples — mas a dor na mandíbula tem algumas causas mais sérias, e essas também é preciso conhecer.
Como se manifesta
O conjunto de queixas é bastante reconhecível:
- dor surda à frente do ouvido, na bochecha, na têmpora e por vezes no próprio ouvido, quase sempre de um lado, embora possa ser dos dois;
- estalidos, cliques ou ruído de atrito ao abrir e fechar a boca;
- dificuldade em abrir muito a boca: uma sandes grande não entra, a ida ao dentista torna-se penosa;
- a mandíbula «prende» de vez em quando e é preciso movê-la para o lado para a libertar;
- dor de cabeça nas têmporas, sensação de ouvido tapado ou zumbido, tonturas;
- músculos mastigadores cansados e tensos ao acordar, e a impressão de que os dentes já não encaixam como dantes.
A dor costuma agravar-se a mastigar, a falar muito tempo, a bocejar e nas fases de maior tensão. Muitos vão primeiro ao otorrino, convencidos de que o problema está no ouvido, porque a dor irradia para lá de forma muito convincente. Convém saber também que estalidos sem dor existem em imensas pessoas saudáveis e não precisam de tratamento nenhum.
De onde vem
Raramente atua uma só causa: em geral somam-se várias.
- Apertar e ranger os dentes. De dia, sob tensão, ao volante, à frente de um ecrã; de noite, a dormir, algo de que a pessoa não dá conta enquanto alguém de casa não lho disser ou o dentista não vir os dentes gastos. Os músculos mastigadores trabalham a noite inteira e de manhã a mandíbula dói.
- Stresse e falta de sono. Não é «da cabeça»: a tensão passa literalmente para os músculos da face e do pescoço, e dormir mal baixa a tolerância à dor.
- Sobrecarga por hábitos. Horas de pastilha elástica, roer as unhas e as canetas, arrancar alimentos duros com os dentes da frente, apoiar o queixo na mão.
- Deslocamento do disco articular. A almofada de cartilagem no interior escorrega e volta ao sítio, e daí o estalido; quando deixa de voltar, a boca abre pior.
- Alterações da articulação com a idade e artrite, incluindo as de origem inflamatória.
- Traumatismos: uma pancada na mandíbula ou no queixo, um tratamento dentário demorado com a boca muito aberta, a entubação durante uma anestesia.
- A forma da mordida, fator menos determinante do que se costuma pensar: imensa gente com mordida irregular nunca tem dores.
O primeiro passo: dar descanso à mandíbula
A lógica do tratamento é simples: reduzir a carga sobre a articulação e os músculos e dar tempo a que a inflamação acalme. Na maioria das pessoas resulta.
- Comida mole. Durante duas ou três semanas retire tudo o que exija mastigação longa e forte: carne rija, tostas, frutos secos, maçãs e cenouras cruas, rebuçados pegajosos, cacetes. Corte os alimentos pequenos e mastigue dos dois lados.
- Não abrir muito a boca. Bocejar amparando o queixo com a mão, evitar dentadas grandes, fazer pausas ao cantar ou ao falar muito tempo.
- Nada de pastilha, unhas ou canetas. É a sobrecarga mais frequente e a mais subestimada.
- Os dentes devem estar afastados. Em repouso, lábios juntos, dentes sem se tocarem e língua apoiada no palato. Verifique isto várias vezes ao dia: a maioria de quem tem este problema mantém a mandíbula apertada quase todo o dia sem reparar.
- Calor. Um pano húmido quente ou um saco de água quente através de tecido, à frente do ouvido durante quinze a vinte minutos, relaxa os músculos. Se a articulação estiver inchada e doer de forma aguda, nos primeiros dias resulta melhor o frio: gelo envolvido numa toalha durante uns quinze minutos.
- Automassagem. Amasse suavemente com os dedos, em pequenos círculos e durante alguns minutos, o músculo da bochecha e o da têmpora.
- Analgésicos. Paracetamol ou um anti-inflamatório não esteroide, em ciclo curto. Havendo problemas de estômago, rins ou coração, ou outros medicamentos em curso, convém confirmar a escolha com o médico ou na farmácia.
Exercícios, apertar os dentes de noite e stresse
Quando a dor aguda acalma, ao repouso junta-se o movimento: uma mandíbula parada também começa a doer. Os exercícios fazem-se várias vezes ao dia, devagar, até sentir uma tensão ligeira e nunca a forçar a dor. Por exemplo: apoiar a ponta da língua no palato, atrás dos dentes de cima, e abrir e fechar a boca lentamente, vigiando que a mandíbula desça a direito, sem desviar para o lado; ou resistir levemente com um dedo à abertura, mantendo o esforço alguns segundos. O programa é melhor ser ajustado por um fisioterapeuta que trabalhe esta zona.
O apertar noturno trata-se à parte. Os sinais: mandíbula dorida e cansada ao acordar, dor de cabeça logo de manhã, dentes gastos ou sensíveis, marcas dos dentes nos bordos da língua, queixas de quem dorme ao lado por causa do ranger. Ajuda tudo o que melhore o sono: hora fixa para deitar, deixar o café a partir da tarde, o ecrã longe da cama, um serão calmo. O álcool à noite só agrava o ranger. O dentista pode fazer uma goteira, uma placa fina feita à medida para usar de noite: não ensina a deixar de apertar, mas assume a carga, protege os dentes e muitas vezes tira a dor matinal. A goteira faz-se a partir de um molde; as pré-fabricadas de venda livre assentam pior e por vezes pioram o quadro.
O stresse não é aqui um pormenor lateral, é parte ativa do tratamento. Exercícios de respiração, atividade física regular, técnicas de relaxamento e, se a ansiedade se arrasta, uma conversa com o psicólogo baixam a tensão muscular tanto como os comprimidos. E se o apertar começou depois de um medicamento novo, diga-o ao médico: alguns fármacos provocam-no.
Dor na mandíbula que pode não ser da articulação
Antes de tratar a mandíbula convém ter a certeza de que o problema está mesmo ali. Há duas situações em que esta dor significa outra coisa por completo.
Numa pessoa com mais de cinquenta anos, a dor na mandíbula ao mastigar pode ser uma arterite temporal, ou seja, uma arterite de células gigantes. Reconhece-se pelo padrão: a dor aparece ao fim de algumas dezenas de segundos a mastigar, obriga a interromper a refeição e, depois da pausa, é possível continuar. Ao lado há em geral uma dor de cabeça nova na têmpora, couro cabeludo dorido ao pentear, fraqueza e perda de peso. É uma urgência: sem tratamento leva a uma perda de visão súbita e irreversível, por isso é preciso recorrer ao médico com urgência e, perante qualquer alteração da visão, de imediato. Pode ler mais na nossa página sobre a arterite de células gigantes.
A dor na mandíbula pode vir do coração. A angina de peito e o enfarte irradiam com frequência para o maxilar inferior, os dentes, o pescoço e o braço esquerdo, e numa parte das pessoas — sobretudo mulheres, idosos e pessoas com diabetes — pode não haver dor no peito nenhuma. Deve alertar a dor que surge com o esforço e passa em repouso, bem como qualquer dor na mandíbula acompanhada de falta de ar, suores frios, náuseas, sensação de desmaio ou aperto no peito. Nessa situação chame imediatamente uma ambulância: em Espanha, Itália, Portugal, Polónia e Ucrânia funciona o número europeu único 112. Não é altura de averiguar se é ou não a articulação.
Um dente, um inchaço e uma mandíbula bloqueada
Mais duas situações muitas vezes confundidas com um problema da articulação.
Infeção dentária. Se há um dente doloroso que reage ao calor e à percussão, a gengiva ou a bochecha estão inchadas e surgiu febre, isto não é DTM, é uma infeção, e exige dentista no próprio dia. Sinal de alarme à parte: quando o inchaço cresce depressa, alastra ao pescoço ou por baixo da língua e se torna difícil abrir a boca, engolir ou respirar. Aí é preciso ambulância, porque essa infeção é perigosa.
Luxação da mandíbula. Se depois de um bocejo largo ou de um grito a boca ficou aberta e não há maneira de a fechar, a mandíbula está luxada. Não tente recolocá-la nem deixe que um familiar o faça: é preciso um médico, a redução é feita com uma manobra própria e, se necessário, com analgesia e relaxamento muscular. Quanto mais tempo a articulação ficar fora do sítio, mais difícil é reduzi-la. Um «prender» breve que se solta com um pequeno movimento lateral é outra coisa e faz parte do quadro habitual do DTM.
E mais um motivo para consultar sem pressa, mas sem falhar: dor de um só lado que cresce teimosamente durante semanas, dormência do queixo ou do lábio, um nódulo na zona da mandíbula ou do pescoço, perda de peso inexplicada. São sinais pouco frequentes mas sérios, e não se tratam com uma goteira.
O que o médico pode propor
Se ao fim de algumas semanas de medidas por conta própria nada mudou, entram os profissionais, em geral o dentista ou o médico de família. Observam a articulação e os músculos, avaliam como a boca abre, verificam os dentes e excluem aquilo que ficou descrito acima. Com um quadro típico nem sempre são precisos exames de imagem: pedem-se quando se suspeita de artrite, traumatismo ou de algo menos comum.
Daí em diante recorre-se a:
- uma goteira feita à medida e a correção do que estraga o sono;
- um ciclo com o fisioterapeuta: exercícios, técnicas manuais sobre os músculos e por vezes aparelhos;
- analgesia mais eficaz num ciclo curto, fármacos que soltam o espasmo muscular e, na dor crónica, medicamentos que atuam na sua transmissão;
- apoio psicológico, se a dor vem de longe e a ansiedade a alimenta claramente;
- infiltrações na articulação ou nos músculos sobrecarregados, feitas por um especialista maxilofacial.
A cirurgia é o último recurso. Só se discute raramente e apenas quando existe um problema mecânico claro dentro da articulação e tudo o resto já foi tentado. Há outra coisa a saber: os tratamentos irreversíveis «para corrigir a mordida» — desgastar os dentes, pôr coroas ou aparelho só para curar a dor mandibular — hoje não são recomendados, porque o benefício não está demonstrado e os dentes já não voltam ao estado anterior.
O lado animador é que muito poucos lá chegam. A grande maioria das pessoas com distúrbio temporomandibular melhora com tratamento conservador, ainda que por vezes mais devagar do que se gostaria: a dor pode acalmar e voltar ao longo de vários meses, e isso é uma evolução normal, não a prova de que o tratamento não resulta.
Consulta em linha
A consulta à distância por dor na mandíbula serve sobretudo para separar depressa um distúrbio temporomandibular comum daquilo que se faz passar por ele. O médico pergunta como se comporta a dor, se está ligada à mastigação e ao esforço, o que se passa com o ouvido, os dentes, a visão e o estado geral, e diz se é caso para tratar em casa ou se é preciso uma ida urgente. Depois a conversa torna-se prática: como reorganizar a alimentação nas próximas semanas, que exercícios fazer, o que fazer quanto ao apertar noturno e a que dentista recorrer para a goteira, que analgésico lhe convém. À distância também é cómodo acompanhar: ao fim de duas ou três semanas vê-se se as medidas estão a resultar e, se não, decide-se em conjunto a quem recorrer a seguir.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Médicos online para Distúrbio temporomandibular (DTM)
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