Doença de Ménière
A doença de Ménière é uma perturbação rara do ouvido interno em que surgem crises de vertigem rotatória intensa acompanhadas de queda da audição e de um ruído…
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Medicamentos habitualmente prescritos para Doença de Ménière
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: SOLUÇÃO/SUSPENSÃO ORAL, 100 mg/mlSubstância ativa: paracetamolFabricante: Industria Quimica Y Farmaceutica Vir S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 1 gSubstância ativa: paracetamolFabricante: Towa Pharmaceutical S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO EFERVESCENTE, 1 g paracetamolSubstância ativa: paracetamolFabricante: Upsa S.A.S.Requer receita médica
A doença de Ménière é uma perturbação rara do ouvido interno em que surgem crises de vertigem rotatória intensa acompanhadas de queda da audição e de um ruído no ouvido. A crise chega de repente, dura entre meia hora e algumas horas e passa sozinha, e entre crises a pessoa pode sentir-se perfeitamente bem. Curá-la ainda não é possível, mas o seu curso pode ser muito suavizado e, sobretudo, importa distingui-la a tempo de quadros que se tratam de forma muito diferente.
O que se passa no ouvido interno
O ouvido interno é um labirinto ósseo dentro do qual está um saco membranoso cheio de um líquido, a endolinfa. Uma parte, a cóclea, trata da audição; a outra, o vestíbulo com os canais semicirculares, do equilíbrio. Ambas funcionam com o mesmo líquido, e por isso a doença atinge ao mesmo tempo a audição e o equilíbrio.
Na doença de Ménière acumula-se endolinfa a mais, a pressão dentro do labirinto sobe e as membranas distendem-se. Porque acontece não se sabe ao certo: discutem-se drenagem deficiente do líquido, predisposição hereditária, infeções víricas anteriores do ouvido, traumatismos da cabeça e processos autoimunes. Nalgumas pessoas acompanha-se de enxaqueca, e os mecanismos das duas coincidem em parte.
Quase sempre começa num só ouvido, embora com os anos, numa parte dos doentes, o outro venha a ser envolvido; por isso vigia-se também a audição do lado são.
Como é uma crise
Muitas pessoas conseguem notar avisos prévios: ao longo de minutos ou de algumas horas o ruído aumenta, o ouvido parece entupir e surge uma sensação de plenitude ou de pressão no seu interior. Essa margem deve ser aproveitada para chegar a um sítio seguro.
A crise instala-se depressa. Parece que o quarto se move e roda, ficar de pé e caminhar torna-se impossível e juntam-se muitas vezes náuseas, vómitos, suores frios e palpitações. A audição do lado afetado cai nesse momento e o ruído torna-se mais intenso. A duração típica vai de vinte minutos a algumas horas; uma crise mais curta do que vinte minutos, ou que se arrasta por dias, obriga a pensar noutra causa.
Depois a pessoa fica um ou dois dias exausta, insegura a andar e com muito sono. Nos primeiros anos a audição recupera quase por completo entre crises. As crises surgem de forma irregular: várias num mês e depois meio ano de sossego. Com os anos a vertigem costuma atenuar-se, mas em troca ficam uma perda auditiva estável, um ruído contínuo e alguma instabilidade, sobretudo na escuridão.
Quedas súbitas
Merece capítulo à parte uma manifestação rara das fases avançadas: uma queda repentina sem qualquer aviso. É como se empurrassem a pessoa, que se encontra logo no chão, sem perder a consciência e capaz de se levantar quase de imediato. Pode não haver vertigem antes.
O perigo não está no episódio em si, mas nas lesões: a queda acontece nas escadas, junto ao fogão, na rua. Se já sucedeu uma única vez, diga-o expressamente ao médico: muda a avaliação da doença, a conversa sobre a condução e a orientação do tratamento.
O que se pode parecer
A tontura é um motivo de consulta frequente e a doença de Ménière uma causa rara, pelo que a primeira tarefa é afastar outras hipóteses.
- Vertigem posicional benigna: crises de segundos, desencadeadas ao virar a cabeça ou ao deitar, sem afetar a audição; resolve-se com manobras próprias em uma ou duas consultas.
- Neurite vestibular e labirintite: um único episódio longo de vertigem, de vários dias, depois de uma constipação, e não crises repetidas.
- Enxaqueca vestibular: é o que mais vezes se confunde com Ménière. A vertigem vem com intolerância à luz e ao ruído, por vezes com dor de cabeça, e a audição mantém-se normal.
- Tumor do nervo auditivo: a perda auditiva de um lado e o ruído aumentam devagar, sem crises marcadas.
- Efeitos secundários de medicamentos, descida da tensão ao levantar, arritmias, perturbações de ansiedade.
Fazer o próprio diagnóstico a partir de descrições na internet é aqui especialmente inútil: os sintomas destes quadros sobrepõem-se, mas os tratamentos não.
Quando é preciso uma ambulância
Uma vertigem súbita e violenta acaba por vezes por não ser um problema do ouvido, mas uma alteração da circulação no tronco cerebral ou no cerebelo. Chame uma ambulância (nos países europeus o 112) se, a par da vertigem, surgirem:
- desvio da face, fraqueza ou adormecimento do braço e da perna de um lado;
- fala arrastada, dificuldade em encontrar as palavras, confusão;
- visão dupla, falta de uma parte do campo visual, desvio de um olho;
- dificuldade em engolir, engasgamento;
- uma dor de cabeça violentíssima instalada em segundos, ou dor no pescoço e na nuca;
- incapacidade total de ficar de pé ou sentado, com queda para um lado mesmo quando alguém segura a pessoa.
A ambulância serve também para vertigem depois de uma pancada na cabeça e para febre alta com dor de ouvido, supuração e rigidez da nuca. Conduzir até ao hospital nesse estado não é opção.
Existe ainda um degrau intermédio. Recorra ao médico no próprio dia se a audição de um ouvido caiu bruscamente em horas ou num dia: uma surdez súbita de um lado exige começar o tratamento o mais depressa possível, conta-se por dias e o tempo perdido não se recupera. No próprio dia também se os vómitos forem incoercíveis e não deixarem beber.
Sem urgência, mas sem adiar, vai-se ao médico às primeiras crises repetidas de vertigem com ruído e ouvido tapado.
Como se chega ao diagnóstico
O diagnóstico é clínico: constrói-se com o relato, o exame e o estudo da audição. Não existe análise que o confirme, pelo que uma descrição detalhada das crises — quanto duram, como começam, o que acontece à audição — vale mais do que qualquer aparelho. O médico observa os ouvidos, verifica o equilíbrio e os movimentos dos olhos, incluindo depois de rotações bruscas da cabeça: o padrão desses movimentos ajuda a separar uma lesão do ouvido de uma lesão cerebral.
O exame decisivo é a audiometria, a avaliação da audição em cabina insonorizada com auscultadores. Na doença de Ménière mostra perda nas frequências graves e médias do lado afetado, e esses valores mudam de consulta para consulta. É justamente essa flutuação, captada em audiogramas repetidos, o argumento principal a favor do diagnóstico, pelo que o exame se repete e, sempre que possível, se faz pouco depois de uma crise.
Verificam-se ainda a membrana timpânica e o aparelho vestibular, com prova calórica, registo em vídeo dos movimentos oculares e medição das respostas musculares ao som. A ressonância magnética não serve para ver a doença de Ménière, mas para excluir um tumor do nervo auditivo. As análises não fazem o diagnóstico e só se pedem quando se suspeita de outra causa concreta, por exemplo uma doença da tiroide.
O que fazer durante uma crise
O objetivo é atravessá-la em segurança. Aos primeiros avisos, interrompa o que está a fazer e sente-se ou deite-se onde não possa cair de uma altura nem ir parar à faixa de rodagem.
É mais cómodo ficar de lado ou de costas com a cabeça um pouco elevada, num quarto em penumbra e silencioso. Ajuda fixar o olhar num ponto imóvel e não virar a cabeça: o movimento acentua a sensação de rotação.
Se o médico já lhe prescreveu algo para as náuseas e a vertigem, tome-o de imediato, como ficou combinado. Esses medicamentos levam-se consigo, porque durante a crise já não há maneira de os ir buscar. Prescrevem-se em ciclos curtos, apenas enquanto dura o episódio: tomados de forma contínua impedem o cérebro de se adaptar e agravam a instabilidade entre crises.
Depois levante-se devagar e não conduza até ao dia seguinte, mesmo que pareça que tudo passou.
Tratamento entre as crises
O objetivo do tratamento é tornar as crises mais raras e mais leves e preservar a audição. Começa-se pelo mais simples e seguro.
Primeiro nível: os hábitos. Restrição moderada de sal, beber de forma repartida ao longo do dia, refeições regulares, horário de sono estável. Muita gente nota ligação entre as crises e o sono curto, uma refeição saltada, o café forte, o álcool e o stress; um diário com a data de cada crise e o que aconteceu na véspera ajuda a identificar os fatores desencadeantes próprios. Convém deixar de fumar.
Segundo nível: medicação de fundo. Prescrevem-se habitualmente fármacos que melhoram o fluxo de sangue no ouvido interno e diuréticos suaves que reduzem o volume de líquido no labirinto. O médico ajusta-os caso a caso; as provas da sua utilidade não são uniformes, pelo que o efeito se julga pelo diário de crises e não pela impressão do momento.
Terceiro nível: intervenções através do tímpano, quando as crises continuam frequentes. Introduz-se no ouvido um corticoide e, se não bastar, um antibiótico do grupo dos aminoglicosídeos que desliga de forma dirigida a parte vestibular do ouvido doente. Esta segunda via retira as crises com fiabilidade, mas pode agravar a audição, e isso combina-se antes.
Quarto nível: a cirurgia, com descompressão do saco endolinfático, secção do nervo vestibular ou, em último recurso, remoção do labirinto quando a audição desse ouvido já se perdeu; recorre-se a ela poucas vezes. À parte dos medicamentos existe a reabilitação vestibular, um conjunto de exercícios para olhos, cabeça e equilíbrio. Não evita as crises, mas ajuda o cérebro a adaptar-se e retira a instabilidade dos intervalos.
Audição, ruído no ouvido e ânimo
A audição do lado doente acaba por estabilizar num nível mais baixo, e isso pode e deve ser trabalhado. O aparelho auditivo adapta-se quando a perda deixou de oscilar. Perante perda profunda num só ouvido existem sistemas que levam o som para o lado são e, em casos selecionados, pondera-se um implante coclear.
O ruído no ouvido incomoda muitas vezes mais do que a própria surdez. Retirá-lo por completo não é possível, mas é possível deixar de estar à escuta dele: ajudam sons de fundo, geradores de ruído, um aparelho auditivo bem regulado e a psicoterapia.
Sobre o ânimo não há que calar. Crises imprevisíveis levam a pessoa a deixar de viajar, de sair e de trabalhar, e atrás vêm a ansiedade e o desânimo, que por si só agravam a vertigem. Se a vida se estreitou de forma evidente, diga-o na consulta: essa ajuda faz parte do tratamento tanto como os comprimidos.
A vida de todos os dias
Fale da condução em separado com o médico de família. Enquanto as crises forem súbitas e frequentes, não deve pôr-se ao volante; na maioria dos países o condutor é obrigado a comunicar uma situação destas ao organismo que emite as cartas, e as regras variam de país para país, pelo que convém verificar as suas.
Reveja as atividades em que uma vertigem repentina é perigosa: nadar sozinho ou longe da margem, escadotes e alturas, trabalho com máquinas ou com calor, andar de bicicleta no trânsito. Em casa ajudam coisas simples: tapete antiderrapante na casa de banho, uma barra de apoio, uma luz de presença no corredor, nenhum fio solto no chão.
Tenha sempre consigo os medicamentos prescritos. Avise familiares e colegas de que durante uma crise não é preciso levá-lo a lado nenhum: é preciso ajudá-lo a sentar-se, afastar o que for perigoso e ficar por perto. Se o trabalho envolve alturas ou transportes, combine com o médico que limitações são necessárias nas fases piores.
Consulta em linha
A consulta em linha presta-se bem a rever o que já se sabe: descrever a natureza e a duração das crises, mostrar audiogramas e relatórios, perceber se o quadro cabe na doença de Ménière ou se parece mais com vertigem posicional ou enxaqueca, e que exames vale a pena fazer a seguir. Tenha à mão o diário de crises com datas e duração, todos os exames da audição e a lista de medicamentos que toma: alguns provocam tonturas por si mesmos.
Nas consultas de seguimento é cómodo avaliar se o tratamento está a resultar, discutir a tolerância aos fármacos e decidir se é altura de subir um nível. Tenha presentes os limites: os movimentos dos olhos e o equilíbrio só se avaliam bem presencialmente, e o exame da audição não tem substituto à distância.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Médicos online para Doença de Ménière
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