Nesta página
Medicamentos habitualmente prescritos para Doença inflamatória intestinal
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: COMPRIMIDO, 500 mgSubstância ativa: mesalazineFabricante: Faes Farma S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 400 mgSubstância ativa: mesalazineFabricante: Tillotts Pharma Spain S.L.U.Requer receita médicaForma farmacêutica: SOLUÇÃO/SUSPENSÃO ORAL EM GOTAS, 13,3 mg de prednisolona estragelato/mlSubstância ativa: prednisoloneFabricante: Laboratorios Sonphar S.L.Requer receita médica
Por trás deste nome, habitualmente abreviado para DII, escondem-se duas doenças diferentes: a doença de Crohn e a colite ulcerosa. O que têm em comum é que o sistema imunitário, por razões que continuam mal esclarecidas, começa a inflamar o intestino da própria pessoa e fá-lo durante anos, com surtos que alternam com períodos calmos. Hoje a DII não se cura por completo, mas é possível conseguir que a inflamação se apague, que não regresse e que a vida siga normal. O essencial é não demorar no começo: quanto mais tempo o intestino fica inflamado sem tratamento, mais cicatrizes deixa e menos opções restam.
Duas doenças com um só nome
A doença de Crohn pode atingir qualquer troço do tubo digestivo, da boca ao ânus, mais frequentemente o final do intestino delgado. A inflamação avança por zonas, com tecido são pelo meio, e atravessa toda a espessura da parede. Daí as suas consequências próprias: estreitamentos que impedem a passagem dos alimentos, fístulas, ou seja, trajetos entre o intestino e um órgão vizinho ou a pele, e abcessos. Uma forma à parte e particularmente penosa é o atingimento à volta do ânus, com fissuras, fístulas e coleções de pus.
A colite ulcerosa limita-se ao intestino grosso. A inflamação começa no reto e sobe numa faixa contínua, sem saltar troços, e envolve apenas a mucosa. O quadro é por isso diferente: sangue nas fezes, urgência em ir à casa de banho, a sensação de não ter terminado, dor antes da dejeção e alívio depois.
A DII é constantemente confundida com a síndrome do intestino irritável, e essa confusão sai cara. No intestino irritável há dor, diarreia e inchaço, mas não há sangue, nem perda de peso, nem levantar-se de noite para ir à casa de banho, nem alteração dos marcadores de inflamação. Na DII tudo isso aparece, e são precisamente esses dados que separam uma coisa da outra melhor do que qualquer sensação.
Como se manifesta
As queixas mais frequentes são a diarreia que dura semanas, a dor abdominal e um cansaço permanente que o descanso não resolve. A elas juntam-se:
- sangue ou muco nas fezes;
- perda de peso não procurada;
- levantar-se de noite para ir à casa de banho, coisa que um intestino saudável não obriga a fazer;
- febre sem constipação que a explique, quase sempre baixa;
- palidez, falta de ar ao esforço e desejos estranhos como gelo ou giz, que apontam para falta de ferro;
- nas crianças, atraso do crescimento e puberdade tardia, por vezes o único sinal visível.
Convém saber que a DII nem sempre fica dentro do abdómen. Em cerca de uma pessoa em cada três inflamam-se as articulações, sobretudo as grandes e a coluna; nas pernas surgem nódulos vermelhos dolorosos e na boca aftas. Os olhos merecem menção à parte: um olho vermelho com dor e intolerância à luz não é cansaço nem conjuntivite, mas uma inflamação dentro do olho que se avalia com urgência porque põe a visão em risco. Mais raramente são atingidas as vias biliares, e é essa a razão pela qual na colite ulcerosa se vigiam de tempos a tempos os valores do fígado.
Quando não se pode adiar
Deve consultar no próprio dia se a diarreia com sangue não cede ao fim de vários dias, se vai à casa de banho mais de seis vezes em vinte e quatro horas, se aparece febre durante um surto ou se está a perder peso depressa. Esperar que «acalme sozinho» é uma má aposta: um surto grave trata-se no hospital, e quanto mais cedo esse tratamento começa menos vezes se acaba no bloco operatório.
Chame uma ambulância, na Europa pelo número único 112, perante estes sinais:
- dor abdominal intensa que não cede, sobretudo com o abdómen duro e distendido e sem saída de gases;
- hemorragia abundante, com a água da sanita a ficar vermelha ou com coágulos grandes;
- vómito com sangue ou com aspeto de borras de café;
- febre alta acompanhada de coração acelerado, fraqueza e um abdómen que não para de crescer: é assim que se apresenta a dilatação do cólon, complicação rara mas fatal da colite grave;
- vómitos que não param, inchaço e ausência total de fezes e de gases, sinais de que o intestino está bloqueado por um estreitamento.
Nesse estado não conduza: peça que o levem ou chame a ambulância. Leve consigo a lista da medicação, porque o médico precisa de saber se toma corticoides ou fármacos que travam a imunidade.
Como se chega ao diagnóstico
Começa-se pelas análises. No sangue veem-se os marcadores de inflamação, a hemoglobina, as reservas de ferro e a vitamina B12. Nas fezes doseia-se a calprotectina, uma proteína que sobe justamente quando há inflamação no intestino e que por isso separa bem a DII do intestino irritável. Exclui-se sempre uma infeção, com cultura de fezes e teste para a infeção por clostrídio, porque dá um quadro parecido e trata-se de forma completamente diferente.
O exame decisivo é a colonoscopia com biopsia. Olhar para o intestino não chega, são precisos fragmentos de tecido: são eles que dizem de que doença se trata e até que profundidade vai a inflamação. Havendo suspeita de doença de Crohn, o intestino delgado estuda-se ainda com tomografia ou ressonância com contraste e por vezes com uma cápsula com câmara que se engole.
Com que se trata
O tratamento divide-se em duas tarefas: apagar o surto atual e manter a remissão. Misturá-las não se pode, e é aqui que a diferença pesa na prática.
- Os corticoides apagam depressa o surto, mas não podem ser tomados de forma prolongada: não mantêm a remissão e em troca adelgaçam o osso, sobem o açúcar e favorecem cataratas e infeções. Se o surto volta assim que se retiram, o recado é que falta outro fármaco e não mais um ciclo de corticoide.
- Os derivados do ácido 5-aminossalicílico são a base do tratamento da colite ulcerosa, incluindo em supositórios e clisteres quando só o reto está inflamado. Na doença de Crohn quase não servem.
- Os medicamentos que travam a resposta imunitária excessiva prescrevem-se a longo prazo e começam a atuar ao fim de semanas, não de imediato.
- Os biológicos são anticorpos que bloqueiam pontos concretos da inflamação. Usam-se quando os degraus anteriores não seguraram a doença, e mudaram o prognóstico das formas graves.
- Os antibióticos não tratam a inflamação em si, mas as suas complicações: os abcessos e as fístulas à volta do ânus.
- A cirurgia. Na doença de Crohn retira-se o troço estreitado ou destruído, mas a doença pode reaparecer acima da sutura. Na colite ulcerosa a remoção do intestino grosso põe fim à doença intestinal de forma definitiva, e recorre-se a ela quando os fármacos não chegam ou surgem lesões pré-cancerosas.
Nas crianças com doença de Crohn o surto apaga-se muitas vezes não com corticoide mas com uma alimentação especial: durante algumas semanas a pessoa toma apenas uma fórmula terapêutica. Resulta tão bem como o corticoide e não trava o crescimento.
A vida entre surtos
Não existe uma dieta universal para a DII, e quem promete curar o intestino pela alimentação não diz a verdade. É mais sensato manter um diário alimentar curto e retirar aquilo que repetidamente lhe dá sintomas; durante o surto tolera-se melhor a comida sem fibra grosseira. Suprimir por iniciativa própria grupos inteiros de alimentos durante muito tempo não compensa: assim consegue-se antes uma carência do que uma remissão.
O que muda mesmo o curso da doença:
- O tabaco. Na doença de Crohn acelera os surtos e aumenta a probabilidade de cirurgia, pelo que deixar de fumar faz aqui parte do tratamento e não é um conselho genérico.
- Os analgésicos. Os anti-inflamatórios do tipo do ibuprofeno podem desencadear um surto; havendo dores, combine com o médico o que usar em vez deles.
- As vacinas. Melhor tomá-las antes de iniciar um tratamento que trava a imunidade: depois do início as vacinas vivas deixam de ser possíveis, e a proteção contra a gripe e o pneumococo passa a ser mais necessária do que o habitual.
- As carências. O ferro, a vitamina B12 após a remoção de um troço de intestino delgado, a vitamina D e o estado do osso vigiam-se com periodicidade marcada e não conforme se vai sentindo.
- A vigilância do intestino. Quando a inflamação se mantém durante anos num troço extenso do cólon aumenta o risco de tumor, pelo que ao fim de cerca de oito a dez anos do início se começam a repetir as colonoscopias. O intervalo é fixado pelo médico conforme o que viu da vez anterior.
Um ponto à parte para a gravidez. Convém planeá-la em remissão: com a doença calma a gravidez decorre normalmente, com a doença ativa sobe o risco de parto pré-termo. A maioria dos fármacos mantém-se, porque um surto é mais perigoso do que o medicamento, mas há uma exceção: o metotrexato é incompatível com a gravidez e suspende-se com meses de antecedência, e isso vale também para o futuro pai. Não suspenda nada por si: reveja o esquema antes da conceção.
Consulta em linha
À distância resolve-se boa parte daquilo de que é feita a vida com uma DII. Se ainda não há diagnóstico, o médico avalia se o seu quadro se parece mais com uma inflamação ou com um intestino irritável e indica que análises fazem sentido antes da colonoscopia. Se o diagnóstico já existe, em linha pode perceber-se se está a começar um surto e com que gravidade, ler as análises recentes, discutir os efeitos indesejáveis e há quanto tempo toma corticoide, e planear as vacinas e a preparação da gravidez. Os sinais da lista de urgência não se resolvem à distância: com esses chama-se logo a ambulância.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Médicos online para Doença inflamatória intestinal
Discuta os seus sintomas e os próximos passos possíveis para Doença inflamatória intestinal com um médico online.














