Eczema numular (discoide)
O nome vem do latim nummus, moeda: as lesões surgem redondas ou ovais, com o bordo nitidamente desenhado, como se tivessem sido traçadas a compasso.
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Medicamentos habitualmente prescritos para Eczema numular (discoide)
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: CREME, 1 mg/gSubstância ativa: mometasoneFabricante: Organon Salud S.L.Requer receita médicaForma farmacêutica: SOLUÇÃO PARA USO TÓPICO, 64 g dipropionato de betametasona / 100 gSubstância ativa: betamethasoneFabricante: Organon Salud S.L.Requer receita médicaForma farmacêutica: CREME, 1 mg/gSubstância ativa: mometasoneFabricante: Glenmark Arzneimittel GmbhRequer receita médica
O nome vem do latim nummus, moeda: as lesões surgem redondas ou ovais, com o bordo nitidamente desenhado, como se tivessem sido traçadas a compasso. É uma das formas de eczema e é justamente essa figura que a distingue das restantes. Arrasta-se durante meses, acalma e volta, muitas vezes ao mesmo sítio. Quase sempre é tomada ao início por um fungo, trata-se com o que houver à mão e depois surpreende por piorar. Perceber que se trata precisamente disto importa mais do que parece: daí dependem o tratamento e o tempo que tudo vai durar.
O que aparece na pele
Começa com um punhado de pequenos altos e vesículas numa área limitada, na maioria das vezes nas pernas, nos antebraços ou no dorso das mãos, e menos vezes no tronco. Em poucos dias juntam-se numa placa contínua do tamanho de uma moeda ou de uma palma da mão. A cara e o couro cabeludo costumam ficar de fora.
Depois a lesão percorre sempre o mesmo caminho. Primeiro exsuda: sai um líquido transparente, a superfície brilha e no bordo veem-se vesículas miudinhas. Ao fim de uma ou duas semanas o exsudado dá lugar a crostas, a pele torna-se seca, espessa e gretada. Por vezes o centro clareia e limpa enquanto o bordo se mantém saliente, e é então que a placa é confundida com uma tinha.
A cor depende da pele. Em pele clara as manchas são cor-de-rosa ou vermelhas; em pele morena e escura ficam arroxeadas, castanhas ou, pelo contrário, mais claras do que a pele em redor, e aí a vermelhidão custa a distinguir. A comichão é intensa e piora sempre à noite: muita gente acorda a coçar uma perna a dormir. Pode haver uma só placa, embora o habitual sejam várias, e a pele entre elas fica seca, áspera e repuxada.
Com o que se confunde
Há aqui três enganos possíveis, e cada um custa meses perdidos.
- Tinha. A infeção por fungos também desenha anéis. Distingui-las a olho pode ser impossível e o preço do erro é alto: uma pomada com corticoide retira a inflamação ao fungo, mas apaga também os traços por que se reconhece, a lesão alastra e o quadro deixa de se ler. Se a placa é única, cresce pelo bordo e não responde de todo ao tratamento do eczema, o médico tem uma saída simples: raspar algumas escamas e observá-las.
- Psoríase. As placas são mais espessas, as escamas prateadas soltam-se em lâminas, a comichão é menor e os locais preferidos são outros: cotovelos, joelhos, zona lombar e couro cabeludo.
- Uma placa única e teimosa numa pessoa idosa, presente há meses, que faz pouca ou nenhuma comichão e não responde a tratamento nenhum. Por trás desse quadro pode esconder-se uma doença de Bowen ou uma forma superficial de cancro da pele e, raramente, um linfoma cutâneo que durante anos parece um eczema vulgar. Aí não é preciso mais um creme, é preciso a observação de um dermatologista e uma biopsia. Acontece poucas vezes, mas é exatamente por essa raridade que vale a pena mostrar ao médico a mancha que se comporta ao contrário das outras.
Porque é que a pele reage assim
O eczema numular não tem uma causa única. Há uma pele que perdeu as suas defesas e há aquilo que lhe dá o golpe final.
Uma camada córnea saudável segura a água por dentro e os irritantes por fora. Quando está ressequida, a água escapa-se, abrem-se brechas entre as células e substâncias que antes eram indiferentes começam a incomodar: sabão, espuma de banho, detergente da roupa, soluções desinfetantes, lã, níquel. Daí também a sazonalidade: os surtos calham nos meses de aquecimento, com a casa seca e frio na rua. O ar quente e húmido, pelo contrário, costuma aliviar.
Muitas vezes consegue-se identificar o empurrão inicial:
- uma lesão pequena da pele, como a picada de um inseto, um arranhão, uma queimadura ou uma fricção: a mancha nasce exatamente nesse ponto;
- o contacto contínuo com água e produtos de limpeza, próprio das mãos de cozinheiros, pessoal de limpeza, profissionais de saúde e cabeleireiros;
- a estase do sangue nas veias das pernas, onde o eczema já é frequente de qualquer forma;
- o início de um medicamento novo; está descrito, mas nunca se suspende por iniciativa própria aquilo que outro médico receitou, fala-se com ele;
- o duche quente duas vezes ao dia e o álcool habitual, que secam a pele mais do que se costuma pensar.
Parte dos doentes tem história pessoal ou familiar de eczema atópico mas, ao contrário deste, o numular não se herda nem tem ligação direta à asma e à febre dos fenos. Não é contagioso em circunstância nenhuma: não se apanha na piscina nem através de uma toalha.
Quando a lesão infeta
A pele coçada é uma porta aberta. A infeção bacteriana reconhece-se porque a lesão passa de repente a comportar-se de outra maneira:
- exsuda em abundância e o líquido fica turvo ou amarelado;
- cobre-se de uma crosta cor de mel;
- a pele à volta está quente, inchada e dolorosa ao toque, e a vermelhidão ultrapassa o limite da placa;
- surgem febre, arrepios, dores no corpo e mal-estar geral.
É motivo para ser observado nesse mesmo dia. Uma vermelhidão quente que alastra em redor da lesão acompanhada de febre já é uma erisipela ou uma celulite, e tratam-se com antibióticos por via oral, por vezes no hospital.
Há um quadro que vale a pena memorizar à parte, porque avança depressa. Se sobre o eczema surgirem em um ou dois dias dezenas de vesículas pequenas e todas iguais com erosões umbilicadas, a pele ficar muito dolorosa e subir febre alta, pode tratar-se de um eczema herpético: o vírus do herpes simples espalhado pela pele lesada. As pomadas com corticoide só pioram as coisas neste caso; são precisos antivíricos e um médico de imediato, sobretudo se estiverem envolvidos a cara e as pálpebras. É raro e não pode passar despercebido.
Os cuidados diários, que valem metade do resultado
Nesta doença os emolientes não são cosmética, são o tratamento de fundo. São eles que reconstroem a barreira sem a qual qualquer pomada trabalha em vão.
- Aplique o emoliente de forma constante, inclusive quando a pele está limpa: as pausas acabam com o regresso das manchas. Não poupe na quantidade e não o esfregue, espalhe-o no sentido em que cresce o pelo.
- Quanto mais seca estiver a pele, mais gordo deve ser o produto: a pomada retém a água melhor do que a loção, embora nas zonas inflamadas e exsudativas um creme assente melhor. Dá jeito ter dois: um leve para as mãos e outro mais denso para o corpo e para a noite.
- Retire por completo o sabão, os géis de banho, a espuma e os toalhetes húmidos, mesmo os que não ardem. A lavagem faz-se com um emoliente que substitui o sabão.
- Duche ou banho todos os dias, mas mornos e curtos. A seguir seque a pele aos toques, sem esfregar, e aplique o produto com a pele ainda húmida, antes de começar a secar.
- Mantenha as unhas curtas e, se a comichão for forte, use luvas de algodão para dormir: a dormir as pessoas coçam-se até sangrar e não se lembram disso.
- Proteja a pele de cortes e atritos, porque sobre uma ferida nova cresce facilmente uma mancha nova. Use luvas ao trabalhar com água, produtos químicos e terra.
- As pomadas gordas impregnam os tecidos e tornam-nos facilmente inflamáveis: com roupa impregnada não se fuma nem se chega perto de chama viva. Os óleos de banho deixam a banheira escorregadia.
Se um produto que serviu durante anos começar de repente a arder e a irritar, não há razão para o suportar: procure outra fórmula com o farmacêutico ou com o médico.
O que o médico prescreve
Não existe um remédio que cure de vez o eczema numular, mas travar um surto e manter a pele sossegada durante muito tempo é perfeitamente possível.
- Corticoides tópicos. São a espinha dorsal do tratamento do surto. Esta forma de eczema costuma exigir uma potência maior do que as outras, e é por isso que a escolha cabe ao médico: uma pomada fraca sobre uma placa espessa da perna simplesmente não faz nada. Aplica-se só na lesão, em regra uma vez ao dia, depois do emoliente e a cerca de meia hora de distância, e mantém-se até a inflamação desaparecer. Os efeitos indesejáveis, ou seja o adelgaçamento da pele, as estrias, a alteração duradoura da cor e o aumento da pilosidade, ligam-se ao uso prolongado de produtos fortes em superfícies grandes; com ciclos curtos e prescritos não costumam surgir.
- Inibidores da calcineurina. Pomadas sem corticoide usadas onde a pele é fina ou quando o corticoide seria preciso com demasiada frequência.
- Anti-histamínicos. Não tratam a pele e a comichão do eczema só a tiram em parte, mas os de geração antiga dão sonolência e ajudam a dormir a noite inteira sem coçar. Para o dia, se forem necessários, escolhem-se os que não sedam.
- Antibióticos. Apenas com infeção comprovada: tópicos para uma lesão pequena e única, por via oral se o envolvimento for extenso. Espalhar creme antibiótico por precaução não serve de nada e favorece as resistências.
Quando nada disto segura a doença, o dermatologista pode propor fototerapia com luz ultravioleta, pensos húmidos medicamentosos ou fármacos que travam a resposta imunitária, os quais exigem vigilância e análises de controlo. Se os surtos voltam sempre aos mesmos pontos ou não desaparecem, vale a pena fazer testes epicutâneos: por vezes por trás do eczema está uma alergia a uma substância concreta, e descobri-la muda tudo.
É preciso paciência: estas lesões respondem mais devagar do que outros tipos de eczema e, onde curaram, ficam durante muito tempo, por vezes para sempre, marcas mais claras ou mais escuras. Isso não é inflamação nem motivo para continuar com o corticoide.
Consulta em linha
À distância resolvem-se bem as perguntas centrais desta doença: se o que está na pele corresponde a um eczema numular ou se é um fungo e convém observação presencial; se os cuidados estão bem escolhidos; porque é que o produto prescrito deixou de resultar. O médico analisa por fotografias o aspeto das lesões e como foram mudando, pergunta pela profissão, pelos hábitos de lavagem e pela medicação, ajuda a montar uma rotina diária e explica que alterações significam que se juntou uma infeção. Os sinais indicados acima como urgentes não se avaliam através de um ecrã: com esses é preciso ser observado presencialmente nesse mesmo dia.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Médicos online para Eczema numular (discoide)
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