Gripe das aves
A gripe das aves é uma doença das aves provocada por vírus da gripe do tipo A. Estão mal adaptados ao ser humano: os recetores a que o vírus se agarra nas…
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Medicamentos habitualmente prescritos para Gripe das aves
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: CÁPSULA, 45 mgSubstância ativa: oseltamivirFabricante: Accord Healthcare S.L.U.Requer receita médicaForma farmacêutica: SOLUÇÃO/SUSPENSÃO ORAL, 6 mg oseltamivir/mlSubstância ativa: oseltamivirFabricante: Roche Registration GmbhRequer receita médicaForma farmacêutica: CÁPSULA, 30 mgSubstância ativa: oseltamivirFabricante: Roche Registration GmbhRequer receita médica
A gripe das aves é uma doença das aves provocada por vírus da gripe do tipo A. Estão mal adaptados ao ser humano: os recetores a que o vírus se agarra nas vias respiratórias e no intestino da ave situam-se, em nós, no fundo do pulmão e não no nariz nem na garganta. Por isso o contágio humano é raro e nasce quase sempre da mesma cena: contacto próximo com uma ave viva ou morta, com os seus dejetos ou com o pó da capoeira. Em quem adoece, porém, o quadro costuma ser mais pesado do que o de uma gripe sazonal.
Como o vírus chega às pessoas
Na ave o vírus multiplica-se tanto nas vias respiratórias como no intestino, pelo que nos dejetos existe em quantidade enorme. Contagiam os dejetos, a saliva, as penas e o pó da cama da capoeira, e não apenas o animal em si.
As situações em que as pessoas mais se infetaram:
- criar aves no quintal e limpar a capoeira sem luvas nem máscara;
- matar, depenar e desmanchar aves em casa;
- mercados onde a ave se vende viva e é abatida no local;
- apanhar com as mãos nuas uma ave selvagem morta: gaivotas, patos, cisnes, aves de rapina;
- trabalhar numa exploração avícola durante um surto no efetivo.
Desde 2024 juntou-se mais um caminho. O vírus H5N1 instalou-se no gado leiteiro, e parte das infeções humanas já não vem das aves, mas do trabalho em explorações de leite e do leite cru, não pasteurizado. Na maioria desses casos tudo ficou por uma inflamação do olho.
De pessoa para pessoa a gripe das aves transmite-se mal. Estão descritos casos isolados dentro da mesma família, em quem cuidou sem proteção de um doente grave, mas não chegaram a formar-se cadeias de contágio sustentadas. É precisamente isso que os virologistas vigiam com mais atenção: se o vírus aprender a passar entre pessoas, o cenário muda.
A comida cozinhada não representa perigo: o vírus morre com a cozedura habitual. O risco está em manusear a carcaça crua e no ovo mal cozido.
Como a doença começa
Do contacto aos primeiros sinais passam habitualmente dois a cinco dias, por vezes pouco mais de uma semana. O início parece-se com uma gripe sazonal pesada: a febre sobe de repente, doem os músculos e as articulações, dói a cabeça, surgem tosse seca e dor de garganta.
Dois traços separam a gripe das aves da gripe comum.
- Os olhos. Vermelhidão, ardor, lacrimejo, pálpebras inchadas. Com algumas variantes do vírus — incluindo as que atingiram trabalhadores de explorações de leite — este é o único sinal, sem febre e sem tosse.
- O abdómen. Diarreia, náuseas, vómitos, dor de barriga. Nas crianças as queixas digestivas por vezes antecedem a tosse e o nariz entupido, e ao início a doença é tomada por uma infeção intestinal.
A forma grave desenvolve-se em geral entre o terceiro e o quinto dia: aumenta a falta de ar, a respiração acelera, cai a saturação de oxigénio no sangue e as imagens mostram pneumonia nos dois pulmões. Com menos frequência o vírus atinge o sistema nervoso e surgem confusão ou convulsões.
Dos casos de H5N1 registados nos últimos vinte anos, cerca de metade terminou em morte. O número assusta, mas convém lê-lo bem: nas estatísticas entraram sobretudo os que chegaram ao hospital, ou seja, os mais graves. As formas ligeiras — como aquela vermelhidão do olho isolada — durante muito tempo nem sequer foram contadas.
Quando não dá para esperar até amanhã
Ligue para o 112 se a pessoa doente tiver:
- falta de ar intensa, sem fôlego para uma frase inteira, respiração ruidosa ou com pieira;
- lábios, rosto ou pontas dos dedos azulados ou acinzentados;
- aperto ou dor no peito;
- confusão, impossibilidade de a acordar, convulsões;
- numa criança, afundamento das costelas e da cova acima do esterno a cada respiração, recusa em beber, prostração, várias horas sem urinar.
Há um motivo à parte para falar com o médico no próprio dia, sem esperar que piore: qualquer febre, tosse ou olho vermelho surgidos nos dez dias seguintes a um contacto com uma ave doente ou morta, ao trabalho numa exploração de leite ou ao consumo de leite cru. Mesmo que o mal-estar seja suportável.
Porque é preciso contar ao médico o episódio com a ave
O teste rápido de gripe habitual ou dá resultado negativo ou escreve apenas «gripe A», sem distinguir variantes. A gripe das aves confirma-se com uma PCR de laboratório que identifica o subtipo e, havendo pneumonia, uma amostra das vias respiratórias baixas é mais informativa do que uma zaragatoa nasal. Esse exame não se faz a toda a gente: pede-se quando o médico sabe que houve contacto com aves ou com gado. Se não o contar, é provável que seja tratado como um doente com gripe comum.
Enquanto o resultado não chega, pede-se à pessoa que fique em casa separada dos restantes ou, se estiver grave, é internada em quarto individual. Quem esteve por perto fica sob vigilância cerca de dez dias e é convidado a medir a temperatura. A resposta costuma demorar um ou dois dias.
Com que se trata
Funcionam os antivirais do grupo dos inibidores da neuraminidase. Neles o que conta é o tempo: o maior benefício obtém-se começando nas primeiras quarenta e oito horas depois dos primeiros sinais, pelo que, havendo suspeita fundamentada, o tratamento por vezes inicia-se sem esperar pelo laboratório. Nos quadros graves prescrevem-se também mais tarde, porque continuam a valer a pena.
Os antibióticos nada fazem contra o vírus. Só se acrescentam quando sobre a pneumonia viral se juntou uma bacteriana, e isso decide-o o médico com as análises e as imagens.
Os doentes graves precisam de hospital: oxigénio e, por vezes, ventilação mecânica. Em casa fica o apoio de sempre — líquidos, repouso, um antipirético. A crianças e adolescentes com gripe não se dá aspirina, pela sua ligação a uma lesão rara mas perigosa do fígado e do cérebro.
Às pessoas que vivem com o doente o médico pode propor um ciclo preventivo curto do mesmo antiviral. É o especialista que o prescreve; não há que acertar a dose por conta própria.
O que reduz mesmo o risco
- não pegue com as mãos numa ave selvagem morta ou visivelmente doente; se encontrar várias mortas, avise o serviço veterinário;
- mantenha crianças, cães e gatos longe dessas descobertas;
- lave as mãos com água e sabão depois de qualquer contacto com aves, ovos, ração ou superfícies da capoeira;
- reserve uma tábua e uma faca para a ave crua e lave-as com água quente e detergente;
- coza a ave até ao fim, até o suco sair transparente, e os ovos até a clara e a gema ficarem firmes;
- não beba leite cru nem coma queijos de leite não pasteurizado de origem desconhecida;
- em viagem, afaste-se dos mercados de aves vivas e das explorações;
- se criar aves: luvas, máscara justa, roupa e calçado usados só no quintal;
- faça a vacina da gripe sazonal. Não protege da gripe das aves, mas reduz a probabilidade de apanhar duas gripes ao mesmo tempo, e é justamente essa coincidência que permite aos vírus trocarem genes.
Consulta em linha
A consulta em linha serve quando houve contacto com aves ou com leite cru e os sinais ainda não são claros. O médico percorre o que aconteceu exatamente e quando, avalia se os sintomas cabem no período de incubação, diz se vale a pena insistir num exame que identifique o subtipo do vírus e como colocar a questão na consulta presencial, e explica como se isolar em casa e o que vigiar no resto da família. Se pelo relato se perceber que a respiração já está comprometida, dirá sem rodeios: ligar para os serviços de emergência em vez de esperar por uma marcação.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.




