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Medicamentos habitualmente prescritos para Indigestão
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: COMPRIMIDO, 40 mg pantoprazolSubstância ativa: pantoprazoleFabricante: Industria Quimica Y Farmaceutica Vir S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 20 mg/comprimidoSubstância ativa: pantoprazoleFabricante: Teva Pharma S.L.U.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 20 mg pantoprazolSubstância ativa: pantoprazoleFabricante: Takeda GmbhRequer receita médica
Chama-se indigestão, ou perturbação digestiva, ao conjunto de sensações desagradáveis na parte alta do abdómen e atrás do esterno que surgem durante a refeição ou pouco depois. Os médicos falam mais vezes de dispepsia. Não é um diagnóstico, mas a descrição de queixas: por trás delas tanto pode estar a reação normal a um jantar demasiado pesado como o refluxo de ácido para o esófago, uma úlcera e, bem mais raramente, algo sério. À maioria das pessoas acontece de tempos a tempos, passa sozinho e não exige exames nem medicamentos. Vale a pena investigar quando se repete durante semanas ou vem acompanhado de sinais de alarme.
Como se faz sentir
O conjunto de sensações varia de pessoa para pessoa e não têm de estar todas presentes.
- Ardor atrás do esterno que sobe de baixo para cima: é a chamada azia. Em geral depois de comer, ao inclinar-se e deitado.
- Peso e sensação de enfartamento na parte alta do abdómen tendo comido pouco.
- Saciedade precoce: umas colheradas e já não apetece continuar.
- Inchaço, ruídos, arrotos frequentes.
- Náuseas e por vezes vómitos.
- Sabor ácido ou amargo na boca, subida de líquido e de comida à garganta.
- Um desconforto surdo ou ardente na boca do estômago que vai e vem.
Convém separar a indigestão daquilo que não é. A dor por todo o abdómen, a dor em cólica na parte baixa, as dores de costas e as alterações das fezes não fazem parte da dispepsia e não devem ser atribuídas ao estômago: têm outras causas e investigam-se à parte.
Quando o problema não está no estômago
Os artigos sobre azia quase não falam disto e, no entanto, é o mais importante de tudo. O ardor e a opressão atrás do esterno podem vir do coração e não do esófago. Um enfarte sente-se muitas vezes precisamente como uma indigestão, sobretudo nas mulheres, nas pessoas idosas e em quem tem diabetes, e assim perdem-se horas a tomar um antiácido atrás do outro.
Chame a emergência — em Espanha, Itália, Portugal, Polónia e Ucrânia atende o número único europeu 112 — se o ardor ou a opressão no peito:
- surgiram pela primeira vez e duram mais do que alguns minutos sem aliviar;
- aparecem com o esforço ou com o frio e acalmam com o repouso;
- irradiam para o braço, o pescoço, o maxilar ou entre as omoplatas;
- vêm acompanhados de falta de ar, suores frios, sensação de desmaio, fraqueza súbita ou palpitações;
- vêm acompanhados de medo e da sensação de que se está a passar algo grave.
A emergência é igualmente necessária noutras situações: vómito com sangue ou com aspeto de borras de café, fezes pretas e pegajosas como alcatrão, dor abdominal súbita e intensa com a parede do abdómen dura, impossibilidade de engolir sequer a saliva. Com estes sintomas não se conduz.
Sinais que não admitem espera
Estas queixas não exigem emergência, mas também não devem arrastar-se: marque consulta nos dias seguintes.
- Engolir custa cada vez mais: primeiro ficam presos os sólidos e depois também os líquidos. Ou engolir dói.
- O peso desce sozinho, sem dieta e sem intenção.
- Os vómitos repetem-se dia após dia.
- As análises revelaram anemia ou falta de ferro sem explicação.
- Palpa-se um caroço na parte alta do abdómen.
- A indigestão surgiu pela primeira vez já em idade avançada ou mudou nitidamente de feitio.
- As queixas duram mais de algumas semanas apesar dos produtos de farmácia, ou regressam assim que se suspendem.
- Houve doenças semelhantes, sobretudo cancro do estômago ou do esófago, em familiares próximos.
Nenhum destes sinais significa por si só um tumor. Juntos, porém, delimitam o grupo de pessoas que precisa de uma endoscopia e não de mais uma caixa de comprimidos.
O que desencadeia a indigestão
Os mecanismos são vários e numa mesma pessoa podem coexistir dois ou três.
- Refluxo do conteúdo ácido para o esófago. A válvula muscular entre o esófago e o estômago não fecha bem e o ácido irrita uma mucosa que não está preparada para ele.
- Refeições demasiado pesadas, gordurosas ou picantes, jantares tardios, comer à pressa, falar à mesa e engolir ar.
- Excesso de peso. A gordura da barriga aumenta a pressão dentro do abdómen e empurra literalmente o conteúdo do estômago para cima.
- Tabaco e álcool. Ambos relaxam a válvula, e o álcool irrita ainda a mucosa.
- Medicamentos. Sobretudo os analgésicos do grupo dos anti-inflamatórios não esteroides, entre eles o ibuprofeno e o ácido acetilsalicílico; e também alguns fármacos para a tensão, o ferro e certos antibióticos. Não suspenda por conta própria um tratamento prescrito: fale com o médico de família sobre uma alternativa ou sobre proteger o estômago.
- Stress e ansiedade. A influência não é imaginária: a ansiedade altera a motilidade do estômago e torna a sua parede mais sensível à distensão normal.
- Úlcera do estômago ou do duodeno, inflamação da mucosa, hérnia do hiato.
- A bactéria Helicobacter pylori, a causa removível mais frequente; fala-se dela mais abaixo.
- Dispepsia funcional. Os exames não encontram nada e, no entanto, as queixas existem e atrapalham a vida. Não é «imaginação» nem «só nervos»: o estômago não trabalha como devia, apenas as alterações não se veem nos exames. É muito comum.
O que ajuda sem medicamentos
É por aqui que faz sentido começar, e para muita gente é aqui que tudo termina.
- Comer porções mais pequenas e mais vezes. Um estômago cheio abre a válvula quase sempre.
- Fazer a última refeição três a quatro horas antes de se deitar. O refluxo noturno é o mais nocivo, porque o ácido fica muito tempo dentro do esófago.
- Levantar a cabeceira da cama um palmo, com calços debaixo dos pés ou uma cunha por baixo do colchão. Empilhar almofadas não serve: dobra o corpo e só aumenta a pressão dentro do abdómen.
- Perder peso, se houver peso a perder. De toda a lista é o que mais rende.
- Deixar de fumar e reduzir o álcool, sobretudo à noite.
- Não usar cintos apertados nem roupa que aperte.
- Não se deitar nem inclinar logo depois de comer, e levantar pesos com as pernas e não com a barriga.
- Descobrir os desencadeantes de cada um. Não existe lista universal de proibições: citam-se mais vezes o café, o chá forte, o chocolate, a hortelã, o tomate, os citrinos, as bebidas com gás, os pratos gordos e picantes, mas o conjunto é pessoal. Uma semana de apontamentos breves sobre o que se comeu e o que se sentiu vale mais do que cortar tudo às cegas.
- Comer sem pressa e mastigar bem.
Os produtos de farmácia e o seu limite
Sem receita vendem-se vários grupos, e funcionam de maneiras diferentes.
- Os antiácidos neutralizam o ácido já produzido. Atuam depressa mas por pouco tempo: são um recurso para um episódio concreto.
- Os alginatos formam sobre o conteúdo do estômago uma camada densa que estorva mecanicamente a subida. Assentam especialmente bem depois das refeições e ao deitar.
- Os fármacos que reduzem a produção de ácido, ou seja, os antagonistas dos recetores H2 e os inibidores da bomba de protões. Demoram mais a atuar mas duram mais, e tomam-se em ciclos.
O essencial é perceber onde está o limite. Estes produtos destinam-se a episódios avulsos e a ciclos curtos. Se não se puder passar sem eles todos os dias durante semanas e meses, o problema não é a dose ser pequena, é a causa não ter sido encontrada. Tomá-los durante muito tempo sem vigilância não é inócuo e ainda por cima esbate os sinais de alarme, fazendo com que as doenças sérias se descubram mais tarde do que seria possível.
Não tome ibuprofeno, ácido acetilsalicílico ou outros anti-inflamatórios para acalmar as dores de estômago: fazem exatamente o contrário e podem levar a uma úlcera e a uma hemorragia.
Helicobacter e as outras verificações
Os textos de divulgação sobre indigestão costumam calar-se sobre esta bactéria e, no entanto, é a causa mais frequente que se pode eliminar de uma vez por todas. A Helicobacter pylori vive na mucosa do estômago, mantém uma inflamação crónica, provoca a maioria das úlceras e aumenta o risco de cancro gástrico. Ser portador é muito comum e durante anos não dá sintomas.
Procurá-la é simples: com um teste respiratório, uma análise das fezes ou do sangue, ou durante a endoscopia. Antes do teste é importante suspender durante algumas semanas os inibidores da bomba de protões e os antibióticos, caso contrário o resultado sai falsamente negativo. Se a bactéria estiver presente, prescreve-se uma combinação de vários fármacos, e um mês a mês e meio depois de terminado o ciclo confirma-se sempre se desapareceu.
A endoscopia alta — observar o esófago, o estômago e o início do intestino com um tubo flexível com câmara — não é para toda a gente. Faz-se perante sinais de alarme, quando as queixas surgem pela primeira vez em idade avançada, ou quando o tratamento não resulta. Na mesma altura o médico colhe fragmentos de mucosa para análise. Se for preciso, acrescentam-se uma ecografia abdominal, análises ao sangue e a medição da acidez no esófago ao longo de vinte e quatro horas.
Durante a gravidez
A azia e o peso no estômago incomodam muitíssimas grávidas, e com especial frequência na segunda metade da gestação. As razões são duas: as alterações hormonais relaxam a válvula entre o esófago e o estômago, e o útero, ao crescer, aumenta por baixo a pressão dentro do abdómen.
Ajudam as mesmas medidas: refeições repartidas, jantar cedo, cabeceira levantada, evitar os alimentos que desencadeiam as queixas e usar roupa larga. Na gravidez nem todos os medicamentos servem, pelo que mesmo os que se vendem sem receita convém escolhê-los com o médico ou com o farmacêutico. Conforta saber que depois do parto esta azia costuma desaparecer sozinha e com rapidez. Já uma dor forte na parte alta do abdómen na segunda metade da gravidez é outra coisa, sobretudo se vier com dores de cabeça, inchaços ou alterações da visão: aí não se trata do estômago e é preciso contactar o médico com urgência.
Consulta em linha
Numa consulta em linha o médico desmontará o seu quadro por partes: onde exatamente incomoda, se está ligado à comida e a qual, o que acontece à noite e ao inclinar-se, há quanto tempo dura, o que já experimentou e com que resultado. Verificará à parte os sinais de alarme — dificuldade em engolir, perda de peso, vestígios de sangue, anemia — e perguntará que medicamentos toma, porque não raras vezes a causa está justamente aí. Ajudá-lo-á a decidir se basta corrigir hábitos e escolher um fármaco ou se já é altura de procurar a Helicobacter e marcar uma endoscopia, e explicará como preparar-se para os exames para que o resultado não saia falseado.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
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