Nesta página
- Porque «não sinto nada» não prova nada
- O que ainda assim pode dar o alerta
- Quando não se pode adiar
- É possível fazer os exames de forma anónima e sem credencial
- Porque uma análise logo a seguir ao risco pode não mostrar nada
- Como decorre a consulta
- Tratamento: até ao fim, com o parceiro e sem relações durante o ciclo
- O que reduz o risco antecipadamente
- Depois do risco: profilaxia de emergência do VIH, em que contam as horas
- Consulta em linha
Medicamentos habitualmente prescritos para Infeções sexualmente transmissíveis (IST)
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: PERFURAÇÃO INJETÁVEL, 2 g/frasco de póSubstância ativa: ceftriaxoneFabricante: Ldp Laboratorios Torlan S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 800 mgSubstância ativa: aciclovirFabricante: Aurovitas Spain, S.A.U.Requer receita médicaForma farmacêutica: PERFURAÇÃO INJETÁVEL, 500 mgSubstância ativa: azithromycinFabricante: Altan Pharmaceuticals SaRequer receita médica
As IST são um grupo alargado de infeções que passam nas relações vaginais, anais e orais, e algumas apenas pelo contacto próximo da pele e das mucosas. Têm muito menos que ver com o número de parceiros do que se costuma pensar: basta um único parceiro que não saiba que está infetado. Duas circunstâncias tornam este tema diferente. A primeira: a maioria das IST não dá qualquer queixa durante muito tempo, pelo que «não me dói nada» não quer dizer «estou saudável». A segunda: é possível fazer os exames de forma anónima, sem credencial e sem ter de dar explicações.
Porque «não sinto nada» não prova nada
A clamídia não dá absolutamente nada na maioria das mulheres e em metade dos homens. A gonorreia da garganta e do reto passa quase sempre despercebida. O HPV não se sente. O VIH, depois de um curto episódio parecido com uma gripe, pode ficar calado durante anos. A sífilis começa por uma pequena úlcera indolor que cicatriza sozinha, e a pessoa conclui que já passou tudo quando a infeção continua.
Entretanto a infeção não tratada vai trabalhando. Nas mulheres, a clamídia e a gonorreia sobem e inflamam o útero e as trompas: daí vêm a dor pélvica crónica, a gravidez ectópica e uma parte dos casos de infertilidade. Nos homens é o epidídimo que sofre. A sífilis chega ao fim de anos ao sistema nervoso e ao coração. Alguns tipos de HPV levam, muito tempo depois, a cancro do colo do útero, do ânus, do pénis e da faringe. São todos processos silenciosos e só se conseguem travar exatamente na fase em que a pessoa ainda não sente nada. A única maneira de saber é fazer análises: não pelo modo como se sente nem pelo aspeto do parceiro.
O que ainda assim pode dar o alerta
Quando há sintomas, costumam ser estes:
- corrimento invulgar da vagina, do pénis ou do ânus, alterado na cor, na quantidade ou no cheiro;
- ardor ou dor ao urinar e vontade frequente de o fazer;
- feridas, vesículas, fissuras ou excrescências parecidas com pequenas verrugas nos genitais, à volta do ânus ou na boca;
- comichão, irritação e erupção na virilha;
- perdas de sangue entre menstruações ou depois das relações, dor durante o ato sexual;
- dor na parte baixa do abdómen, dor ou inchaço de um testículo;
- dor e corrimento retal, dor de garganta que não passa;
- gânglios inguinais aumentados e indolores, erupção no tronco, nas palmas das mãos e nas plantas dos pés — é assim que a sífilis se manifesta.
Nenhum destes sinais identifica sozinho uma infeção: as várias IST parecem-se entre si e parecem-se também com quadros que nada têm que ver, desde uma candidíase a uma simples irritação da pele. Por isso, tratar-se pelo sintoma, por conselho lido na internet ou com antibióticos que sobraram a outra pessoa não é apenas inútil: o quadro esbatido dificulta depois o diagnóstico.
Quando não se pode adiar
É preciso recorrer ao médico nesse mesmo dia, e não na semana seguinte, se surgirem:
- dor na parte baixa do abdómen com febre, arrepios ou corrimento abundante numa mulher — pode ser uma inflamação do útero e dos anexos, e da rapidez com que se inicia o tratamento depende que as trompas fiquem permeáveis;
- dor e inchaço súbitos de um testículo;
- impossibilidade de urinar;
- uma úlcera genital com febre alta e inchaço que cresce depressa;
- dor no olho, incómodo com a luz e vermelhidão, juntamente com corrimento purulento dos genitais;
- dores nas articulações e erupção cutânea a acompanhar o corrimento — é assim que se comporta a gonorreia disseminada.
Caso à parte é a gravidez. Quaisquer sintomas de IST numa grávida são estudados sem demora: parte destas infeções passa ao bebé no parto, e quase tudo isso é evitável se for conhecido a tempo. Pela mesma razão, as análises para sífilis, VIH e hepatite B fazem parte da vigilância habitual da gravidez em todos os países, e não convém recusá-las.
É possível fazer os exames de forma anónima e sem credencial
Esta é a segunda barreira que vale a pena retirar. Em toda a parte há serviços a que se recorre precisamente com esta questão: consultas públicas, centros especializados, organizações sem fins lucrativos, laboratórios. As regras são quase sempre semelhantes:
- em regra não é preciso credencial e muitas vezes nem marcação prévia;
- pode fazer-se o rastreio de forma anónima, com um código, sem dar o nome verdadeiro; o teste do VIH está disponível anonimamente praticamente em todo o lado;
- o resultado não é comunicado à entidade patronal, aos familiares nem ao seu médico de família, a não ser que o peça;
- pode pedir-se um médico ou um enfermeiro de determinado sexo;
- em muitos locais o rastreio é gratuito, e o teste rápido do VIH é-o quase sempre;
- existem kits para a própria pessoa recolher a amostra em casa e autotestes de VIH vendidos na farmácia.
Quanto ao embaraço, convém ser direto: quem trabalha nesta área ouve perguntas destas todos os dias. Omitir informação só prejudica a própria pessoa, porque para colher as amostras certas o médico precisa de saber que tipo de relações houve. A zaragatoa da garganta e a do reto não se fazem a toda a gente por rotina, mas a quem o refere, e sem elas a infeção nesses locais simplesmente não é encontrada.
Porque uma análise logo a seguir ao risco pode não mostrar nada
Cada infeção tem um período em que já está no organismo mas o teste ainda não a vê. Fazer a análise na manhã seguinte a uma relação desprotegida é verificar o que aconteceu antes, e não aquela noite. As referências aproximadas são estas:
- clamídia, gonorreia, tricomoníase e micoplasma: cerca de duas semanas;
- VIH: os testes atuais, que detetam ao mesmo tempo anticorpos e antigénio, tornam-se fiáveis por volta de mês e meio; o resultado negativo definitivo confirma-se habitualmente aos três meses;
- sífilis: a partir de três ou quatro semanas, com segurança aos três meses;
- hepatites B e C: de algumas semanas a três meses.
Os prazos exatos dependem do teste utilizado, por isso o melhor é perguntar no laboratório. Havendo sintomas não se espera pelo fim do período de janela: estuda-se logo e as análises em falta repetem-se mais tarde. E enquanto os resultados não chegam, é sensato abster-se de relações ou usar preservativo.
Como decorre a consulta
Não tem nada de assustador. O médico ou o enfermeiro perguntará que relações houve e quando, se há queixas e que medicamentos já foram tomados. Depois, uma observação se for necessária, e as amostras:
- urina, a primeira porção, para clamídia e gonorreia nos homens;
- zaragatoas da vagina, do colo do útero e da uretra e, conforme as relações havidas, também da garganta e do reto; a zaragatoa vaginal pode em muitos locais ser colhida pela própria;
- sangue, para VIH, sífilis e hepatites B e C;
- observação ou raspagem das lesões da pele, das feridas e das excrescências verrucosas.
Vale a pena procurar várias infeções ao mesmo tempo, porque andam juntas e uma clamídia encontrada nada diz sobre a sífilis. As mulheres devem lembrar-se ainda do rastreio periódico do colo do útero, com citologia e teste de HPV: faz-se pelo programa nacional e não substitui as análises para IST, completa-as.
Tratamento: até ao fim, com o parceiro e sem relações durante o ciclo
As infeções bacterianas e parasitárias — clamídia, gonorreia, sífilis, tricomoníase, chatos, sarna — curam-se por completo, com antibióticos ou com tratamentos aplicados na pele. Sobre as víricas é mais honesto dizê-lo com clareza: o VIH controla-se hoje muito bem com medicação e, com tratamento regular, o vírus deixa de ser detetável no sangue e não passa ao parceiro, mas não desaparece do organismo. O herpes também fica, ainda que as recorrências se possam tornar raras e curtas. O HPV é eliminado pelo próprio organismo na maioria das pessoas, e o que se trata não é o vírus mas as suas consequências: as verrugas e as alterações do colo do útero.
Três regras em que tudo costuma falhar:
- completar o ciclo. Os sintomas desaparecem antes da infeção, e um ciclo abandonado a meio deixa-a no organismo e ainda habitua as bactérias ao antibiótico;
- tratar-se em conjunto com o parceiro. Se só um se trata, o outro devolve-lhe a infeção, e assim sucessivamente. É preciso tratar todos os parceiros dos últimos meses; o intervalo depende da infeção e será indicado pelo médico. Pode avisá-los a própria pessoa ou fazê-lo através de um serviço que o faz anonimamente, sem dar o seu nome;
- não ter relações durante o tratamento, incluindo sexo oral, nem durante algum tempo depois, até o médico dizer que já pode. Nesse período o preservativo não é considerado proteção suficiente.
Depois do tratamento de algumas infeções é marcada uma análise de controlo. Vale a pena fazê-la mesmo que não reste qualquer queixa.
O que reduz o risco antecipadamente
- O preservativo, nas relações vaginais, anais e orais. Reduz muito a transmissão do VIH, da clamídia e da gonorreia. Contra as infeções que passam pela pele — herpes, HPV, sífilis — protege apenas em parte, porque não cobre toda a superfície de contacto. Para o sexo oral com uma mulher existe uma folha de látex que se coloca sobre a zona; na falta dela serve um preservativo cortado ao comprido.
- As vacinas. Há vacina contra duas IST: o vírus do papiloma humano e a hepatite B. A do HPV funciona melhor quando é dada antes do início da vida sexual, e é administrada a adolescentes de ambos os sexos; nalguns casos faz sentido também mais tarde. Os prazos e as idades são definidos pelo programa nacional de vacinação do seu país.
- A profilaxia antes da exposição ao VIH. Uma pessoa sem VIH toma antecipadamente um antirretroviral para não ser infetada. Este esquema existe, é prescrito por um médico e destina-se a quem tem risco elevado de contágio.
- Rastreio regular quando se mudam de parceiros — e obrigatoriamente aos dois antes de deixarem de usar preservativo com um novo parceiro estável.
Depois do risco: profilaxia de emergência do VIH, em que contam as horas
Esta é a parte menos conhecida, e o que ela exige é precisamente tempo. Depois de uma relação em que o VIH poderia ter sido transmitido existe uma profilaxia de emergência: um ciclo de antirretrovirais durante 28 dias que impede o vírus de se instalar no organismo. Funciona com uma condição, a rapidez. Deve iniciar-se o mais cedo possível, de preferência nas primeiras horas, e nunca depois de 72 horas sobre a exposição; quanto mais tarde, menos serve, e passados três dias já não faz sentido começar.
Por isso, se houve uma relação desprotegida com alguém cujo estado se desconhece, se o preservativo rompeu, se houve uma agressão sexual ou uma picada com agulha alheia, é preciso recorrer de imediato a um hospital ou a um serviço de apoio ao VIH, também de noite e ao fim de semana. É exatamente o caso em que «espero até segunda-feira» significa «perdeu-se a oportunidade». Aí mesmo avaliarão o risco de hepatite B e, se for necessário, vacinarão e administrarão imunoglobulina, proporão contraceção de emergência e marcarão as análises a repetir findo o prazo devido.
Consulta em linha
Muito disto resolve-se a falar, e falar é mais fácil sem ter alguém sentado à frente. O médico da Oladoctor ajudará a perceber o que faz sentido pesquisar e quando fazer as análises, para não cair no período de janela; explicará os resultados já obtidos, incluindo as linhas incompreensíveis do relatório; aconselhará sobre como falar com o parceiro e o que fazer se o tratamento foi prescrito só a si; e avaliará se os seus sintomas se parecem com uma IST ou se a resposta está noutro lado. À parte ficam as questões de prevenção: a quem convém a vacina, o que é a profilaxia antes da exposição e para onde ir depois de uma relação de risco. Se a situação exigir observação presencial urgente, será informado de imediato.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Médicos online para Infeções sexualmente transmissíveis (IST)
Discuta os seus sintomas e os próximos passos possíveis para Infeções sexualmente transmissíveis (IST) com um médico online.














