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Mordeduras de animais e de pessoas

A ferida por mordedura engana: por fora são dois pontos que deixam de sangrar ao fim de um minuto, mas o dente funciona como uma agulha e empurra para dentro…

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Esta página fornece informação geral e não substitui a consulta de um médico. Se os sintomas forem graves, persistentes ou estiverem a agravar-se, procure aconselhamento médico com urgência.

A ferida por mordedura engana: por fora são dois pontos que deixam de sangrar ao fim de um minuto, mas o dente funciona como uma agulha e empurra para dentro saliva com dezenas de espécies de bactérias, enquanto o canal estreito na pele se fecha logo por cima. É por isso que uma mordedura não se trata como um corte: lava-se demoradamente, não se sutura à pressa e volta-se a observar no dia seguinte. Fala-se aqui de mordeduras de cães, gatos, outros animais e pessoas que romperam a pele.

Os primeiros minutos: a água é o que mais conta

Só uma coisa reduz mesmo o risco de infeção logo a seguir à mordedura: uma lavagem abundante. Não passar uma compressa, mas um jato de água com sabão, vários minutos seguidos, dentro da própria ferida.

  • Lave a ferida e a pele à volta com água e sabão à torneira durante pelo menos cinco minutos; se for uma picada profunda, dirija o jato para o próprio trajeto.
  • Retire o que sair com facilidade: pelos, terra, um fragmento de dente. Escavar em profundidade com uma pinça não é tarefa para casa, faz-se na sala de tratamentos.
  • Se a ferida sangra pouco, não estanque o sangue de imediato: é ele que arrasta a sujidade. Espremer a ferida de propósito ou sugá-la com a boca não serve de nada.
  • Se a hemorragia for abundante, comprima com um pano limpo, mantenha a pressão e eleve a zona atingida.
  • Depois seque a pele à volta, aplique-lhe um antissético e cubra a ferida com uma compressa seca, sem ligaduras apertadas.
  • Para as dores servem o paracetamol ou um anti-inflamatório do grupo dos AINE; a crianças e adolescentes não se dá aspirina.

Não sele a picada com um penso hermético, não junte os bordos por sua iniciativa, não deite álcool dentro da ferida e não conte que «sare sozinha» se a mordedura foi de gato ou apanhou a mão.

Quando ir ao serviço de urgência

Não deixe para o dia seguinte se:

  • a ferida for larga, profunda, com um retalho de pele, ou se os bordos não se juntarem;
  • a mordedura for na cara, no pescoço, na cabeça ou junto a uma articulação, e do mesmo modo qualquer mordedura na mão ou num dedo;
  • a hemorragia não parar com compressão;
  • o dedo ou o membro tiver adormecido, ficado pálido ou mexer mal: há um nervo, um vaso ou um tendão atingido;
  • quem mordeu foi um animal vadio, desconhecido ou selvagem, um morcego, ou um animal qualquer no estrangeiro;
  • a pessoa tiver diabetes, o baço removido, defesas baixas, quimioterapia, uma prótese articular ou uma válvula cardíaca;
  • a pessoa mordida for um bebé com menos de um ano ou alguém que não consiga descrever o que sente.

Liga-se para o 112 perante hemorragia abundante, mordedura no pescoço ou na cara com dificuldade em respirar, perda de consciência ou ataque de um animal de grande porte. Se uma parte do corpo tiver sido arrancada, envolva-a num pano limpo e húmido, meta-a num saco e ponha o gelo por fora do saco: às vezes consegue-se reimplantar.

Como se apresenta uma ferida que está a infetar

No primeiro dia qualquer mordedura dói e fica vermelha no bordo, e isso é o esperado. O que preocupa é outra coisa: ao segundo ou terceiro dia piorar em vez de melhorar.

  • a dor aumenta quando a ferida já devia estar a acalmar;
  • a vermelhidão alastra para além da mordedura, a pele incha e está quente;
  • sai líquido turvo ou com mau cheiro;
  • sobe da ferida uma linha vermelha e os gânglios mais próximos estão aumentados e doridos;
  • surgem arrepios ou febre;
  • a articulação vizinha incha e não dobra, ou o dedo não estica.

Uma mordedura de gato na mão pode inflamar em poucas horas, e aí a contagem faz-se em horas e não em dias. À parte fica uma situação rara mas fulminante: dor muito maior do que a ferida faz supor, vermelhidão que avança à vista, pele que escurece ou se enche de bolhas, pessoa que enfraquece depressa. É uma infeção profunda dos tecidos com passagem ao sangue: são precisos o 112 e um bloco operatório.

Porque há mordeduras piores do que outras

  • Gato. Os dentes finos e afiados abrem um canal profundo e estreito, quase invisível por fora, e introduzem uma bactéria que inflama depressa. Infeta-se cerca de uma em cada três, pelo que o antibiótico costuma ser prescrito logo de início.
  • Cão. Os dentes não picam tanto como rasgam e esmagam: costuma haver várias feridas e parte do tecido fica pisada, o que sara pior. Nas crianças a mordedura de cão calha mais vezes na cara.
  • Pessoa. A saliva humana não é mais inofensiva do que a de um cão. O mais traiçoeiro são os nós dos dedos esfolados depois de um soco na boca de alguém: a ferida sobre a articulação do dedo parece uma bagatela, mas o dente teve tempo de abrir a articulação ou a bainha do tendão. Essas feridas são vistas por um cirurgião.
  • Localização. Mão, pé, cara, zona de uma articulação e genitais: o tecido debaixo da pele é fino e os tendões e as articulações ficam perto, por isso a inflamação aprofunda-se mais cedo.
  • Estado da pessoa. Diabetes, defesas baixas, cirrose, prótese articular. Sem baço, até uma pequena mordedura de cão pode acabar numa infeção grave do sangue, e por isso o antibiótico começa no próprio dia.

A raiva: aquilo que não se decide em casa

A raiva é rara, mas não deixa margem: depois de a doença arrancar, quase nunca se consegue salvar a pessoa. Já a vacinação iniciada antes dos primeiros sintomas protege de forma fiável. O risco é avaliado pelo médico, tendo em conta o país e as circunstâncias. É obrigatório procurar ajuda se:

  • mordeu ou arranhou um animal selvagem: uma raposa, um ouriço, um roedor do campo, qualquer bicho que se tenha deixado aproximar com demasiada facilidade;
  • houve algum contacto com um morcego, cuja mordedura ou arranhão podem passar despercebidos e que na Europa é a principal fonte do vírus;
  • a mordedura aconteceu fora da Europa, sobretudo na Ásia, em África ou na América Latina: cães e gatos de rua, macacos junto aos locais turísticos;
  • o animal é desconhecido, comportava-se de forma estranha ou não pode ser verificado;
  • a saliva caiu sobre um arranhão recente ou sobre uma mucosa: olho, lábios, nariz.

Um gato ou um cão de casa, vacinado e num país sem raiva, não representa risco, mas isso confirma-se pelo boletim de vacinas e não pela memória do dono.

O que fará o médico

Observar uma mordedura é, antes de tudo, avaliar a profundidade. Verificam se os dedos mexem e se a sensibilidade está mantida, lavam a ferida sob pressão, anestesiam se for preciso e retiram o tecido esmagado; perante a suspeita de um fragmento de dente ou de uma fratura, faz-se uma radiografia. Depois resolvem-se quatro questões, e quanto mais cedo a ferida chegar, mais simples fica cada uma.

  • Fechar ou não fechar. As picadas, as mordeduras da mão e as feridas antigas ou sujas costumam ficar abertas sob um penso: uma ferida suturada a fundo torna-se uma incubadora fechada. A cara sutura-se mais vezes pelo resultado estético, mas também aí se lava primeiro com especial cuidado. Por vezes fecha-se de forma diferida, quando já se vê que não há infeção.
  • Antibiótico sim ou não. Não para todos: um arranhão superficial do cão de casa dispensa-o. Prescreve-se em mordeduras de gato e de pessoa, em feridas da mão, da cara e da zona articular, em feridas profundas ou sujas e em pessoas com as defesas baixas. Costuma ser uma penicilina de largo espetro com um inibidor das betalactamases, e o ciclo termina-se até ao fim.
  • Vacina do tétano. Vê-se quando foi a última dose; em feridas profundas e sujas de pessoas não vacinadas juntam-se anticorpos já formados.
  • Raiva e cirurgião. Havendo risco de raiva inicia-se o esquema de vacinação e, em feridas graves, acrescenta-se a imunoglobulina. As mordeduras da mão, das articulações e da cara são observadas por um cirurgião, e pede-se à pessoa que volte para nova observação ao fim de um ou dois dias.

Se quem mordeu foi uma pessoa

Aqui acrescenta-se o que se transmite pelo sangue. A hepatite B transmite-se realmente por uma mordedura humana; a hepatite C e o VIH fazem-no de forma excecional, mas também se ponderam, sobretudo se a ferida for profunda, tiver sangrado e quem mordeu tinha sangue na boca. O médico perguntará pela vacina da hepatite B, oferecerá se for caso disso a vacina ou a imunoglobulina e pedirá análises nessa altura e de novo algumas semanas depois. Às vezes discute-se ainda um ciclo curto de medicamentos para prevenir o VIH, e isso decide-se nas primeiras horas. E mais uma coisa: uma mordedura humana é muitas vezes o rasto de uma briga ou de uma agressão, e vale a pena dizê-lo com clareza, porque a ajuda necessária nem sempre é apenas para a ferida.

Consulta em linha: em que ajuda

À distância resolve-se bem a dúvida sobre onde ir e com que urgência. O médico revê quem mordeu, onde e quando, o que já foi feito, e diz se basta o tratamento em casa ou se é preciso ser observado no próprio dia. Por fotografia avalia o aspeto da ferida ao segundo ou terceiro dia e aponta o que deve alarmar. Em linha esclarecem-se também os prazos das vacinas do tétano e da raiva e revê-se o tratamento prescrito e os pensos. O que a consulta à distância não substitui é a lavagem da ferida, os pontos e a primeira observação de uma mordedura profunda: se a ferida sangra muito, se foram mordidas a mão ou a cara, ou se o animal era selvagem ou desconhecido, o caminho é a urgência e não uma mensagem.

Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.

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