Ombro congelado (capsulite adesiva)
A articulação do ombro está envolvida por uma cápsula, um saco de tecido conjuntivo que em condições normais se estica com facilidade e deixa o braço mover-se…
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Medicamentos habitualmente prescritos para Ombro congelado (capsulite adesiva)
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: COMPRIMIDO, 600 mgSubstância ativa: ibuprofenFabricante: Kern Pharma S.L.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 400 mgSubstância ativa: ibuprofenFabricante: Laboratorios Bluepharma, S.L.Não requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 200 mgSubstância ativa: ibuprofenFabricante: Farmalider S.A.Não requer receita médica
A articulação do ombro está envolvida por uma cápsula, um saco de tecido conjuntivo que em condições normais se estica com facilidade e deixa o braço mover-se em todas as direções. Na capsulite adesiva essa cápsula inflama, depois cicatriza e encolhe, como uma camisa que saiu da máquina dois tamanhos mais pequena. A articulação continua íntegra, a cartilagem não está destruída, os músculos funcionam — e no entanto o braço embate numa parede invisível e dali não passa. O nome corrente descreve a sensação com exatidão: o ombro congelou. É uma doença lenta, muitas vezes de mais de um ano, e a dificuldade não está no tratamento, mas na paciência e em não a confundir com as outras causas de dor no ombro.
As três fases por que o ombro passa
A evolução é reconhecível e vale a pena conhecê-la: saber em que fase se está explica por que os sintomas de hoje não são os de há uns meses.
Congelamento. Nos primeiros meses manda a dor. Instala-se sem causa aparente, agrava ao fim do dia e impede de dormir sobre esse lado. O movimento vai diminuindo, mas a pessoa atribui-o à dor: parece que o braço não sobe porque dói. A fase dura em regra de dois a nove meses.
Rigidez. A dor recua e a rigidez passa para primeiro plano, atingindo o seu máximo. É agora que se percebe quanto movimento se perdeu: não se consegue apertar o soutien, tirar a carteira do bolso de trás, alcançar o cinto de segurança, lavar o cabelo, despir uma camisola. A fase prolonga-se de quatro meses a um ano.
Descongelamento. A cápsula começa devagar a ceder e a amplitude regressa. É a fase mais longa e a menos percetível: o progresso mede-se em meses, não em semanas. A recuperação completa leva de um a três anos desde o início, e uma parte das pessoas fica para sempre com uma pequena limitação, habitualmente ao levar a mão às costas, que no dia a dia quase não incomoda.
Ao longo das três fases repetem-se algumas sensações:
- dor surda e profunda no ombro, que desce muitas vezes pela face externa do braço até ao cotovelo;
- uma pontada brusca num movimento rápido e desajeitado: esticar-se para o cinto, agarrar algo que cai;
- o que se perde primeiro e mais é a rotação para fora: encoste o cotovelo ao tronco e afaste o antebraço, como quem abre uma porta;
- o ombro também não cede quando é outra pessoa a movê-lo, e essa é a diferença essencial em relação às restantes causas de dor;
- uma adaptação involuntária: levanta-se o braço encolhendo todo o ombro e rodando o tronco.
O que normalmente não há: inchaço, vermelhidão, calor na articulação, adormecimento ou fraqueza da mão. Se surgirem, o quadro mudou e tem de ser reavaliado.
Por que a cápsula encolhe
A resposta honesta é que muitas vezes não se sabe: boa parte dos casos surge em pessoas saudáveis sem qualquer motivo. Há, ainda assim, circunstâncias que aumentam claramente a probabilidade.
- A diabetes é o fator mais forte que se conhece: o ombro congela várias vezes mais, evolui de forma mais pesada e mais demorada, responde pior ao tratamento e mais vezes acaba por afetar os dois lados. Atribui-se ao modo como o excesso de açúcar altera as proteínas do tecido conjuntivo.
- As doenças da tiroide, sobretudo quando a glândula trabalha abaixo do normal.
- A imobilidade forçada do braço: depois de uma fratura, de cirurgia ao ombro ou ao tórax, de um AVC, ou por uma tala ao pescoço usada demasiado tempo. O ombro fica rígido mais depressa do que sara aquilo por que foi imobilizado.
- A idade entre os quarenta e os sessenta anos; em crianças e jovens é raríssima.
- É mais frequente nas mulheres.
- A contratura de Dupuytren na palma, a doença de Parkinson e as cirurgias cardíacas anteriores.
Um pormenor que convém saber de antemão: a cerca de uma em cada cinco pessoas acontece depois o mesmo no outro ombro, em regra anos mais tarde. Voltar no mesmo lado, esse, é raro.
Com que se confunde
A dor no ombro tem uma boa dúzia de causas, e trocá-las sai caro, porque os tratamentos são diferentes.
- A lesão da coifa dos rotadores é a troca mais habitual. Também dói e também custa levantar o braço, mas se for o médico a levantar o braço relaxado, este sobe sem resistência. Na capsulite não sobe nem pela própria força nem pela alheia.
- A artrose do ombro dá uma rigidez parecida, mas em regra em pessoas mais velhas e acompanhada de ruídos articulares; a radiografia distingue-as.
- Os depósitos de cálcio num tendão provocam uma dor súbita e violentíssima durante alguns dias e veem-se bem na radiografia.
- O pescoço. A hérnia e a artrose cervicais irradiam para o ombro e para a omoplata, mas o movimento do ombro está conservado e há, em contrapartida, formigueiro e fraqueza na mão.
À parte ficam as causas raras mas sérias, que são a verdadeira razão para mostrar um ombro doloroso a um médico: a infeção da articulação (ombro quente, inchado e com febre), um tumor do vértice do pulmão que comprime o plexo nervoso e se anuncia justamente como dor no ombro, as metástases ósseas, e ainda o coração e a vesícula biliar, cuja dor irradia para o ombro sem limitar movimento nenhum.
Como se chega ao diagnóstico
A base é o exame clínico, não a tecnologia. O médico compara até onde o braço se move sozinho e até onde chega quando é outra mão a levá-lo; a limitação de ambos os movimentos, sobretudo da rotação externa, com uma radiografia limpa, é o diagnóstico.
A radiografia não se pede para ver a capsulite, que na chapa não aparece, mas para excluir artrose, fratura, calcificação e tumor. A ecografia e a ressonância não são precisas a toda a gente: reservam-se para quadros atípicos ou para a avaliação antes de cirurgia. Vale ainda a pena verificar a glicemia e a função da tiroide: por vezes é o ombro congelado que leva a descobrir uma diabetes.
O que ajuda de facto
Convém dizê-lo já: não existe forma de descongelar um ombro depressa, e quem prometer resultados numa semana está a enganar. O tratamento tem dois objetivos: tirar a dor agora e impedir que se perca mais movimento do que o inevitável.
- Analgesia. Analgésicos simples e anti-inflamatórios não esteroides, estes últimos em ciclos curtos e com cautela se houver problemas de estômago, rins ou coração. O fármaco escolhe-se com o médico de família ou com o farmacêutico, sobretudo se já se toma algo de forma continuada.
- Infiltração de corticoide na articulação. Rende mais na primeira fase, a dolorosa: tira a dor durante semanas ou meses e permite finalmente fazer os exercícios. Mais tarde, quando resta só a rigidez, adianta menos. Aviso importante para quem tem diabetes: depois da infiltração a glicemia sobe durante alguns dias, por vezes bastante; é esperado, mas obriga a controlar-se com mais frequência.
- Distensão da cápsula com líquido. Sob controlo ecográfico ou radiológico introduz-se na articulação um volume de soro com anestésico e anti-inflamatório, afastando com suavidade a cápsula retraída por dentro.
- Fisioterapia. Não se trata de reforçar músculo, mas de recuperar todos os dias um pouco de amplitude. Conta a constância, não o esforço: sessões curtas várias vezes ao dia rendem mais do que um treino extenuante.
- O calor antes dos exercícios relaxa os tecidos; o frio depois acalma o ombro irritado.
- A cirurgia discute-se quando um ano de tratamento não moveu nada e a rigidez impede de viver: a cápsula é distendida sob anestesia ou seccionada por artroscopia. Os exercícios recomeçam logo, senão tudo volta a encolher.
Exercícios para fazer em casa
Não são difíceis, mas é melhor que alguém os mostre da primeira vez. A regra: alongar até sentir tensão e um incómodo ligeiro que se apaga poucos minutos depois de parar. Uma dor aguda que dura horas e não deixa dormir significa que se foi longe demais.
- Pêndulo. Incline-se para a frente apoiando a mão sã numa mesa e deixe o braço afetado pender livremente. Balance-o para a frente e para trás, para os lados e em círculos, não com os músculos do braço mas com o embalo do tronco.
- Subir a parede. Faça os dedos do braço afetado caminharem parede acima, marque até onde chegou e da próxima vez tente um centímetro mais alto.
- Toalha atrás das costas. Passe uma toalha por cima do ombro e puxe a ponta de baixo com a mão sã, ajudando a afetada a subir pelas costas.
- Rotação externa. Encoste o cotovelo ao tronco, dobre o braço em ângulo reto e leve o antebraço para fora com a ajuda da outra mão ou de uma bengala. É o movimento mais importante, porque é o primeiro a perder-se.
- Cruzar à frente do peito. Segure o braço afetado pelo cotovelo com a mão sã e puxe-o com suavidade na direção do ombro oposto.
O que não convém: trabalhar através de uma dor forte, dar puxões bruscos, inventar cargas nas máquinas do ginásio e, no extremo oposto, proteger o ombro por completo e mantê-lo ao peito. O repouso absoluto é aqui o caminho mais curto para perder ainda mais movimento.
Quando não se pode adiar
Há que procurar o médico no próprio dia se:
- o ombro estiver inchado e quente, a pele por cima vermelha, e houver febre ou arrepios;
- a dor tiver surgido de repente após uma queda ou uma pancada, o ombro tiver mudado de forma ou o braço não se mexer de todo;
- aparecerem adormecimento, formigueiro ou fraqueza na mão, ou o braço estiver frio ou pálido;
- a dor no ombro vier acompanhada de tosse, falta de ar, perda de peso inexplicada, pálpebra descaída ou suor em apenas metade da cara;
- tiver sido tratado por um cancro e tiver surgido uma dor constante no ombro que acorda de noite.
Chame de imediato uma ambulância (nos países europeus, o número único 112) se a dor no ombro ou no braço chegar junto com aperto, ardor ou peso no peito, falta de ar, suor frio ou sensação de desmaio. É assim que se manifesta um enfarte, sobretudo quando irradia para o ombro esquerdo ou para os dois braços, e aqui não se espera.
Consulta em linha
O ombro congelado é precisamente o tipo de problema em que a consulta à distância rende muito. O médico perguntará como começou a dor e o que deixou de conseguir fazer, pedirá que mostre à câmara alguns movimentos — levantar o braço à frente e para o lado, rodar o antebraço para fora, levar a mão às costas — e só com isso separa uma cápsula retraída de uma lesão de tendões ou de uma dor que desce do pescoço. Explicará em que fase está e o que esperar nos meses seguintes, verá o que pode tomar para a dor tendo em conta a restante medicação, ensinará os exercícios e como distribuí-los pelo dia, e ponderará se a infiltração faz sentido e em que momento rende mais. Se vive com diabetes, a glicemia e a preparação para o procedimento merecem conversa à parte. O que não se resolve em linha é aquilo que exige mãos e imagens: um traumatismo recente, um ombro quente e inchado, fraqueza e adormecimento do braço são motivo de observação presencial, e o médico dirá isso com clareza.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
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