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Medicamentos habitualmente prescritos para Pancreatite crónica
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: COMPRIMIDO, 40 mg pantoprazolSubstância ativa: pantoprazoleFabricante: Takeda GmbhRequer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO DE LIBERTAÇÃO MODIFICADA, 300 mgSubstância ativa: tramadolFabricante: Mundipharma Pharmaceuticals S.L.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 20 mgSubstância ativa: pantoprazoleFabricante: Mabo Farma S.A.Requer receita médica
O pâncreas é um órgão pequeno, alojado atrás do estômago, que desempenha dois trabalhos à primeira vista incompatíveis: fabrica um suco cheio de enzimas para digerir os alimentos e lança insulina no sangue. Na pancreatite crónica o seu tecido vai sendo substituído por cicatriz ao longo de anos. A diferença em relação à pancreatite aguda é de fundo: a aguda é um episódio grave depois do qual a glândula costuma recuperar, ao passo que a crónica é um dano acumulado que não se rebobina. Dito assim soa sombrio, mas dentro desta fórmula esconde-se uma boa notícia: a velocidade da destruição depende quase por inteiro do que acontecer daqui para a frente, e as duas decisões mais eficazes cabem à própria pessoa e não ao médico.
A dor que volta
A queixa principal são as crises de dor na parte alta do abdómen, mais vezes ao centro ou à esquerda, e a dor irradia com frequência para as costas. Cada um descreve-a à sua maneira: ardente, perfurante, como um arco que aperta. Pode durar horas ou manter-se vários dias seguidos. A muita gente alivia sentar-se e inclinar-se para a frente, ou encolher os joelhos contra o peito; deitado de costas é quase sempre pior.
Às vezes a crise segue-se claramente a uma refeição pesada ou gordurosa, ou ao álcool, mas outras tantas não há motivo nenhum a encontrar, e é isso que baralha: a pessoa passa os alimentos em revista, procura uma regra e não a acha. Juntam-se muitas vezes náuseas e vómitos que não trazem alívio.
Com o tempo as crises aproximam-se umas das outras e no intervalo instala-se uma dor surda permanente. Há aqui um pormenor de que raramente se avisa: a dor deixa de ser o simples reflexo do estado da glândula. As vias nervosas que há anos transportam o sinal passam elas próprias a ser a sua origem, pelo que a dor pode manter-se mesmo depois de a inflamação ter acalmado. Não é psicossomático, é um mecanismo conhecido, e trata-se de maneira diferente da dor comum.
Quando a comida deixa de ser aproveitada
A glândula fabrica enzimas com uma folga enorme, por isso as dificuldades de digestão aparecem tarde, muitas vezes uma dezena de anos depois das primeiras crises. Em compensação, dificilmente se confundem com outra coisa:
- as fezes tornam-se volumosas, claras, com brilho oleoso, custam a sair pelo autoclismo e cheiram muito mal;
- a barriga incha, ronca, e depois de comer aperta a vontade de ir à casa de banho;
- o peso vai-se embora, ainda que a pessoa coma como sempre;
- surgem fraqueza, ossos frágeis, cegueira noturna, pele seca, gengivas que sangram: é assim que se manifesta a falta de vitaminas lipossolúveis e de proteína.
Mais tarde ressente-se também a segunda função da glândula e instala-se uma diabetes a que se chama pancreatogénica, ou de tipo 3. Tem uma particularidade que vale a pena conhecer: juntamente com a insulina, a glândula deixa de produzir a hormona que faz subir o açúcar, pelo que esta diabetes tem tendência para descidas de glicose inesperadas e profundas. Na pancreatite crónica o açúcar vigia-se com regularidade, mesmo sem queixa nenhuma.
Sinais com que não se pode esperar
Procure atendimento urgente se surgir ao menos uma destas situações:
- dor abdominal forte que não larga durante horas, sobretudo com vómitos repetidos, distensão e impossibilidade de beber: pode ser um agravamento com necrose do tecido;
- pele e brancos dos olhos amarelados, urina escura, fezes descoradas: alguma coisa está a comprimir a via biliar e é preciso esclarecer depressa;
- febre com arrepios acompanhada de dor abdominal, sinal de supuração ou de inflamação das vias biliares;
- vómito com sangue ou fezes pretas como alcatrão;
- fraqueza súbita, tremor, suores, confusão numa pessoa com diabetes: é uma descida do açúcar, que nesta forma de diabetes pode ser grave.
Merece parágrafo próprio uma combinação que não se pode atribuir à doença do costume: emagrecimento rápido, icterícia e uma diabetes que aparece pela primeira vez depois dos cinquenta anos. A própria pancreatite crónica aumenta o risco de cancro do pâncreas, e as manifestações iniciais dos dois parecem-se. Não é motivo para viver com medo, a probabilidade continua pequena, mas é motivo para não deixar os exames para depois.
Porque se destrói a glândula
Por trás de uma evolução de muitos anos está quase sempre o álcool, e não é preciso beber até cair: basta beber com regularidade. O segundo fator com mais peso é o tabaco, e é uma descoberta dos últimos anos: antes via-se nele apenas um acompanhante do álcool e verificou-se que danifica a glândula por si só e acelera a cicatrização independentemente do que se bebe. Seguem-se causas menos frequentes que, ainda assim, mudam por completo o tratamento:
- alterações hereditárias nos genes que comandam o trabalho das enzimas, suspeitas quando a doença começou em idade jovem ou existe na família;
- a fibrose quística, a causa mais comum nas crianças;
- uma inflamação autoimune em que as defesas atacam a própria glândula; responde bem aos fármacos hormonais, por isso é importante não a deixar passar;
- cálculos e estreitamentos que travam a saída do suco da glândula;
- um traumatismo abdominal antigo ou uma irradiação;
- valores persistentemente altos de triglicéridos ou de cálcio no sangue.
Em cerca de uma em cada cinco pessoas a causa nunca chega a ser encontrada. O diagnóstico mantém-se na mesma e essa forma trata-se de igual maneira.
Como se confirma o diagnóstico
Na fase inicial a ecografia comum e as análises muitas vezes não mostram nada, e a amílase e a lípase, ao contrário do que se pensa, podem estar normais na evolução crónica. Uma análise só, portanto, não chega, e o estudo monta-se de outra forma:
- tomografia computorizada com contraste, que vê as calcificações, o canal dilatado e os quistos;
- colangiopancreatografia por ressonância magnética, que mostra os canais sem radiação e sem qualquer manobra;
- ecoendoscopia, o método mais sensível nas fases precoces: a sonda é levada junto à glândula através do estômago;
- elastase pancreática nas fezes, uma forma simples de perceber se as enzimas chegam;
- açúcar e hemoglobina glicada, vitamina D, densidade óssea.
Por vezes o quadro parece-se de tal maneira com um tumor que se colhe um fragmento de tecido com agulha guiada por ecoendoscopia. Não quer dizer que o médico tenha suspeitado do pior: quer dizer que não se quer ficar por um palpite.
O que trava a destruição
As cicatrizes não se reabsorvem, mas a velocidade do dano seguinte é comandável. Duas decisões valem mais do que todos os medicamentos juntos: deixar por completo o álcool e o tabaco. Por completo, porque para uma glândula danificada não existe dose segura, e isto vale mesmo para quem teve uma causa totalmente diferente. Se deixar por conta própria não resulta, não é fraqueza de carácter mas motivo para pedir ajuda: há abordagens feitas de conversa e há fármacos que reduzem a vontade, e com a nicotina passa-se exatamente o mesmo.
Depois vêm os preparados de enzimas. Não se tomam por ciclos, mas a cada refeição, incluindo os lanches, distribuindo as cápsulas ao longo da refeição em vez de as engolir todas antes ou depois. Se não se nota efeito, quase sempre a dose ficou curta ou o ácido do estômago destrói o preparado; nesse caso acrescenta-se um fármaco que baixa a acidez. À parte prescrevem-se as vitaminas lipossolúveis e vigiam-se a vitamina D e o cálcio.
Sobre a alimentação convém falar sem rodeios, porque o conselho antigo está ultrapassado. A dieta rigorosa sem gordura já não é recomendada: tira calorias e vitaminas e agrava o emagrecimento, ao passo que as gorduras, com as enzimas bem ajustadas, são aproveitadas. O esquema sensato é comida normal e completa em porções pequenas, cinco ou seis vezes ao dia, proteína suficiente, sem álcool. Limitar a gordura só faz sentido se as fezes continuarem gordurosas apesar das enzimas, e isso decide-se melhor com um nutricionista. A forma autoimune é um caso à parte: responde depressa aos fármacos hormonais, mas tem tendência a voltar, por isso exige acompanhamento permanente.
Como se lida com a dor
Começa-se pelos analgésicos simples. Os anti-inflamatórios tomados durante muito tempo aumentam o risco de úlcera e de lesão dos rins, por isso não se constrói com eles um plano de longo prazo e, quando são prescritos, junta-se um fármaco que protege o estômago.
Quando a dor passou a ser permanente e nela participam as próprias vias nervosas, os analgésicos comuns rendem pouco. Aqui ajudam fármacos criados de origem contra a depressão e a epilepsia: nesta situação são prescritos precisamente como analgésicos e ajustam-se aos poucos. Os opioides usam-se, mas com prudência e, se possível, por pouco tempo, porque numa doença que dura décadas acumulam problemas próprios: dependência, prisão de ventre e um aumento paradoxal da dor. A muita gente ajudam bastante as técnicas de gestão da dor crónica, que não substituem o tratamento mas fazem parte dele.
Quando os medicamentos não chegam, fala-se de intervenções. Se o canal está tapado por um cálculo ou estreitado, coloca-se uma prótese por endoscopia e os cálculos são fragmentados. Se a dor parte de uma zona limitada da glândula, essa zona é retirada. Nos casos mais graves retira-se a glândula inteira e, para que a pessoa não fique sem insulina, do órgão removido isolam-se previamente as células dos ilhéus e introduzem-se no fígado, onde pegam e continuam a trabalhar. Estas operações fazem-se em centros especializados e a decisão toma-se com o cirurgião depois de uma conversa sobre os riscos.
As vigilâncias de que muitas vezes se esquece
A pancreatite crónica não pede só o tratamento das crises, mas também um acompanhamento programado: é justamente ele que evita aquilo que se aproxima sem dar sinal:
- açúcar no sangue e hemoglobina glicada, mais ou menos de seis em seis meses;
- avaliação da alimentação e do peso e nível das vitaminas uma vez por ano, nas crianças com mais frequência;
- densidade óssea de dois em dois anos: quando as gorduras se aproveitam mal, os ossos enfraquecem cedo;
- vacinas, sobretudo a da gripe e a do pneumococo;
- se a pancreatite for hereditária, discute-se uma vigilância anual pelo risco aumentado de tumor.
Vale a pena lembrar também o bem-estar em sentido lato. A dor constante desgasta e leva com frequência à ansiedade e ao desânimo, e estes por sua vez fazem sentir a dor com mais força. Desse círculo sai-se com ajuda e não à força de vontade, e falar disso ao médico é tão apropriado como falar das fezes ou do peso.
Consulta em linha
À distância dá jeito tratar aquilo que se perde entre consultas. Se ainda não há diagnóstico, o médico revê o carácter da dor e das fezes e diz que exames são precisos e por que ordem, para não se andar às voltas. Se o diagnóstico já existe, pode confirmar-se se as enzimas estão a ser tomadas como deve ser e se chegam, falar da alimentação sem extremos, perceber porque é que os analgésicos deixaram de servir, preparar a conversa sobre uma intervenção. Em linha também resulta bem o controlo programado: conferir o calendário das análises, ver os resultados mais recentes, corrigir o esquema. Os sinais do capítulo sobre urgência não se resolvem através de um ecrã: com esses é preciso ir ao hospital.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
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