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Medicamentos habitualmente prescritos para Tensão arterial alta
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: INJETÁVEL, 20 mg de furosemidaSubstância ativa: furosemideFabricante: Sanofi Aventis S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 10 mgSubstância ativa: amlodipineFabricante: Laboratorios Combix S.L.U.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 40 mgSubstância ativa: furosemideFabricante: Mabo Farma S.A.Requer receita médica
A tensão alta é uma das poucas doenças que durante anos não incomoda nada e, entretanto, vai gastando as artérias dia após dia. Costuma descobrir-se por acaso: num exame de medicina do trabalho, antes de uma operação, ao balcão da farmácia. Nessa altura os valores já estão elevados há muito tempo. O lado favorável é que a hipertensão responde bem: tirar dez pontos ao valor mais alto reduz de forma apreciável a probabilidade de um acidente vascular cerebral, e metade do trabalho fazem-no os hábitos e não os comprimidos. A seguir: como obter números fiáveis, o que está por trás deles e quando não convém esperar.
Porque sobe sem dar sinal
A tensão é a força com que o sangue empurra a parede das artérias. Muda sozinha ao longo do dia: é mais baixa durante o sono, mais alta de manhã e com o esforço, e dispara com a irritação ou com a dor. Doença não é o pico isolado, mas um nível que se mantém alto.
Em regra não dá sintoma nenhum. A parede arterial estica devagar, o organismo habitua-se, e quem tem 170/100 pode sentir-se exatamente como se sentiria com 120/70. Em valores muito elevados aparecem por vezes dores de cabeça, visão turva, aperto no peito ou hemorragias nasais, mas isso é a exceção e não a regra.
Daí o equívoco mais comum: «eu dou por ela quando está alta». Os estudos em grandes grupos de pessoas mostram que a dor de cabeça, a cara corada, o zumbido nos ouvidos e o cansaço coincidem com os valores reais pouco mais do que o acaso. Não se pode confiar nas sensações em nenhum dos sentidos: há quem se sinta péssimo com a tensão normal e ótimo com a tensão pelas nuvens. Só há uma maneira de saber, que é medir.
Medir para que os números valham
Metade dos resultados estranhos não é explicada pela doença, mas pela forma como se mediu. Um medidor doméstico custa pouco e compensa quando é bem utilizado.
- Escolha um aparelho com braçadeira de braço e não de pulso: os de pulso respondem mais à posição da mão do que à tensão.
- A braçadeira tem de corresponder ao perímetro do braço. Uma braçadeira estreita num braço grosso empola o resultado em dezenas de pontos, e essa é a causa mais frequente de hipertensão apenas aparente.
- Antes de medir esteja sentado cinco minutos em silêncio, com as costas apoiadas, os dois pés no chão e as pernas descruzadas. O braço assenta na mesa de modo que a braçadeira fique à altura do coração.
- Na meia hora anterior não fume, não tome café e não faça atividade física. Vá à casa de banho: a bexiga cheia sobe os valores.
- Não fale durante a medição nem olhe para o mostrador do aparelho.
- Faça duas ou três medições com um minuto de intervalo e aponte a média das duas últimas. A primeira é habitualmente a mais alta, e isso é normal.
- O diagnóstico exige uma série: de manhã e à noite durante uma semana. Um valor solto não significa nada.
As medições em casa contam ainda por dois motivos. Em algumas pessoas a tensão sobe apenas no consultório — é o efeito da bata branca, e não se trata com comprimidos. Noutras acontece o inverso: valores aceitáveis na consulta e valores altos em casa e no trabalho. Essa forma mascarada só se descobre com o diário domiciliário ou com um registo de vinte e quatro horas, em que o aparelho é usado um dia inteiro e mede também durante a noite.
Que valores se consideram altos
O resultado escreve-se com dois números, por exemplo 130/80. O primeiro é a pressão no momento em que o coração se contrai; o segundo é a que sobra entre batimentos, enquanto o coração se enche.
- Na consulta fala-se de hipertensão com valores repetidos de 140/90 ou superiores.
- Em casa o mesmo diagnóstico corresponde a um limiar mais baixo, 135/85, porque em casa a pessoa está mais tranquila.
- A faixa que vai sensivelmente de 130/85 a 139/89 não é doença, mas já é motivo para mudar hábitos e medir com regularidade.
Basta que qualquer um dos dois números ultrapasse o limite. Nas pessoas mais velhas é frequente subir só o primeiro enquanto o segundo se mantém normal: não é uma variante inofensiva da normalidade, é uma forma completa de hipertensão e também tem de ser tratada. Já em idades muito avançadas vale o contrário: os objetivos aliviam-se e a tensão baixa-se com mais prudência, porque as tonturas e as quedas pesam mais do que cinco pontos a mais.
O diagnóstico quase nunca se faz numa única consulta. O habitual é observar durante algumas semanas, salvo se os valores forem muito altos ou se já houver alterações visíveis no coração, nos rins ou no fundo do olho.
Quem corre mais risco
A probabilidade é maior quando há hipertensão em familiares próximos, depois dos cinquenta, quando o peso a mais se deposita na barriga, quando a comida leva muito sal e o movimento escasseia. Somam risco o álcool habitual, o tabaco, dormir pouco, o ressonar noturno com pausas respiratórias e a tensão psicológica prolongada sem descanso. Nas pessoas de origem africana, caribenha e do sul da Ásia a hipertensão começa mais cedo e evolui pior, coisa a ter em conta ao decidir com que idade fazer a primeira medição.
Há uma causa à parte que escapa muitas vezes: os medicamentos. Sobem a tensão os anti-inflamatórios tomados com regularidade, os descongestionantes nasais em gotas ou comprimidos, os contracetivos hormonais, os corticoides e alguns antidepressivos; fora do armário dos medicamentos, as bebidas energéticas e o alcaçuz em quantidade. Se a tensão subiu nos últimos meses, vale a pena rever o que há de novo entre as coisas que se tomam.
Quando por trás da tensão está outra doença
Em cerca de uma pessoa em cada dez a tensão alta não é uma doença em si, mas um sintoma. Vale a pena procurar essas formas: algumas curam-se por completo e, resolvida a causa, a tensão normaliza sem tratamento para toda a vida.
A suspeita justifica-se quando:
- a tensão sobe pela primeira vez numa pessoa jovem ou, pelo contrário, surge de repente após muitos anos de valores normais;
- é muito alta desde o início;
- três fármacos em dose plena não a controlam;
- as análises mostram o potássio baixo;
- há crises com palpitações, tremor, suores abundantes e dores de cabeça, em que a tensão dispara e depois cai;
- existe ressonar alto com pausas respiratórias e sonolência durante o dia;
- a análise de urina ou a ecografia revelam alterações nos rins.
O que costuma estar por trás: estreitamento de uma artéria renal, doença renal crónica, excesso da hormona aldosterona — a mais frequente entre as causas curáveis —, apneia do sono, alterações da tiroide e, nos jovens, um estreitamento congénito da aorta. Um achado raro mas perigoso é um tumor da glândula suprarrenal produtor de hormonas: dá precisamente essas crises e resolve-se com cirurgia.
O que acontece se não for tratada
A tensão permanentemente alta impõe trabalho a mais às artérias e aos órgãos que delas dependem. As paredes engrossam e perdem elasticidade, as placas depositam-se mais depressa, e o coração trabalha contra uma resistência e vai aumentando de tamanho.
Ao longo dos anos isso traduz-se em enfarte, acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca, arritmias, perda de função renal que pode chegar à diálise, demência vascular, aneurisma da aorta e lesão dos vasos do fundo do olho com perda de visão. De todas as causas de acidente vascular cerebral, a tensão alta é a que mais pesa.
O que anima é que a relação também funciona ao contrário, e sem qualquer limiar: qualquer descida mantida reduz o risco, e até uma mudança modesta dos números se nota.
O que baixa mesmo a tensão
Os hábitos não são aqui um complemento do tratamento, são parte dele, e nas fases iniciais são por vezes o tratamento inteiro.
- Menos sal. A alavanca mais forte. O saleiro tem menos culpa do que parece: o grosso chega com o pão, o queijo, os enchidos, os molhos, os pratos preparados e os aperitivos. Habituar o paladar a comer menos salgado leva duas semanas.
- Perder peso. Cada quilo aparece no medidor, e os primeiros notam-se quase de imediato.
- Mexer-se com regularidade. A referência são cerca de duas horas e meia de atividade moderada por semana, e caminhar a bom ritmo conta perfeitamente.
- Mais legumes, fruta e leguminosas. Trazem potássio, que contraria o sódio. A exceção é a doença renal e certos diuréticos: aí o potássio discute-se com o médico.
- Menos álcool. Há pessoas cuja tensão normaliza só com este passo. Beber com regularidade mantém os valores altos por muitos comprimidos que se tomem.
- Deixar de fumar. Sobre os números influi de forma moderada, mas é o tabaco em conjunto com a tensão que estraga as artérias mais depressa.
- Dormir. A falta crónica de sono e a apneia não tratada elevam a tensão noturna, e os valores da noite preveem as complicações melhor do que os do dia.
Digamos com honestidade onde está o limite: com valores bastante acima do limiar raramente chegam os hábitos, e adiar os medicamentos por causa de «primeiro tento sozinho» é uma estratégia perdedora. Não se trata de escolher entre uma coisa e outra.
Os medicamentos e o que esperar deles
São prescritos quando os valores são altos, quando o risco cardiovascular global é elevado ou quando a mudança de estilo de vida não chegou. Os grupos principais são vários: inibidores da enzima de conversão da angiotensina e antagonistas dos seus recetores, antagonistas do cálcio e diuréticos do tipo tiazídico; os betabloqueantes ficam para situações concretas. A escolha depende da idade, da origem, do estado dos rins, da presença de diabetes e dos planos de gravidez.
Convém saber de antemão que:
- prescrevem-se mais vezes dois fármacos em dose baixa do que um em dose máxima, porque assim resulta melhor e com menos efeitos indesejáveis; muitas vezes é um único comprimido com a associação já feita;
- tomam-se durante muito tempo, em geral uma vez por dia e, por regra, para toda a vida. Valores bons durante o tratamento querem dizer que o tratamento funciona, não que já se pode largar: depois de suspenso, a tensão volta em semanas;
- os inibidores da enzima podem dar tosse seca, que não é perigosa mas justifica passar a um fármaco aparentado; os antagonistas do cálcio às vezes incham os tornozelos e os diuréticos obrigam a urinar mais. Tudo isso se conta ao médico em vez de se resolver abandonando os comprimidos;
- os analgésicos anti-inflamatórios tiram eficácia a quase todos os fármacos para a tensão;
- se houver planos de gravidez o esquema muda-se antes: parte destes medicamentos está contraindicada na mulher grávida.
Quando chamar uma ambulância
Valores altos isolados, sem queixas, são motivo para ir ao médico no próprio dia e não para chamar uma ambulância. E muito menos para engolir comprimidos a mais na ideia de fazer descer o número depressa: uma queda brusca da tensão é mais perigosa do que a própria subida.
A ambulância é precisa de imediato se surgir alguma destas situações (em Portugal e no resto da Europa o número é o 112):
- dor opressiva ou em queimadura no peito que dura mais do que alguns minutos e se estende ao braço, ao pescoço, ao maxilar, às costas ou ao abdómen, sobretudo com suores, náuseas e falta de ar;
- canto da boca descaído, um braço que não se levanta, fala arrastada ou a pessoa deixa de perceber o que lhe dizem: são sinais de acidente vascular cerebral, e aqui contam os minutos;
- dor de cabeça súbita de uma intensidade nunca sentida, como uma pancada na nuca;
- perda brusca de visão ou visão dupla;
- falta de ar intensa em repouso, impossibilidade de estar deitado, expetoração espumosa e rosada;
- dor dilacerante no peito que atravessa para as costas, entre as omoplatas;
- convulsões ou confusão;
- numa grávida, tensão alta acompanhada de dor de cabeça, luzes na visão, dor na boca do estômago ou inchaço súbito da cara e das mãos.
Nestes casos não conduza. Leve consigo a lista dos medicamentos que toma e o registo das medições feitas em casa, se o tiver.
Consulta em linha
Sobre a tensão consegue-se fazer à distância mais do que parece, porque aqui o que decide não é a observação física, mas os números e a sua leitura. O médico verá o seu diário de medições, dirá se se trata mesmo de hipertensão ou se o problema está na técnica e no nervosismo, e definirá que análises e exames são precisos para não deixar escapar uma forma secundária e para avaliar o estado dos órgãos. A consulta em linha também é cómoda para tratar dos efeitos indesejáveis, perceber porque a tensão não desce com o esquema atual e corrigi-lo a partir dos seus apontamentos sem gastar a visita a recitar valores. Os sinais urgentes da lista anterior não se resolvem à distância: com esses chama-se logo uma ambulância.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
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