Psoríase
A psoríase aparece como zonas de pele espessada cobertas de escamas duras, nos cotovelos, nos joelhos, no couro cabeludo, na zona lombar.
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Medicamentos habitualmente prescritos para Psoríase
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: PERFURAÇÃO INJETÁVEL, 130 mgSubstância ativa: ustekinumabFabricante: Amgen Technology (Ireland) Unlimited CompanyRequer receita médicaForma farmacêutica: INJETÁVEL, 45 mgSubstância ativa: ustekinumabFabricante: Celltrion Healthcare Hungary Kft.Requer receita médicaForma farmacêutica: INJETÁVEL, 45 mgSubstância ativa: ustekinumabFabricante: Amgen Technology (Ireland) Unlimited CompanyRequer receita médica
A psoríase aparece como zonas de pele espessada cobertas de escamas duras, nos cotovelos, nos joelhos, no couro cabeludo, na zona lombar. Não é contagiosa: não se apanha num aperto de mão, numa toalha partilhada ou na piscina, e é a primeira coisa que convém saber e dizer a quem está à volta. Afeta cerca de duas pessoas em cada cem e começa em regra pouco depois dos vinte anos ou perto dos sessenta. A seguir: que aspeto tem e de onde vem, que formas suas não pedem marcação mas ambulância, com que se trata hoje e o que acontece entretanto para além da pele.
O que aparece na pele
A imagem clássica é uma placa seca e saliente de bordo nítido. Na pele clara vê-se rosada ou vermelha com escamas brancas ou prateadas; na pele morena e escura tende para o violeta ou o castanho intenso e as escamas parecem cinzentas, razão pela qual na pele escura a psoríase é reconhecida mais tarde. Levantando uma escama com cuidado, por baixo surge uma superfície rosada e brilhante de onde brotam gotículas de sangue.
Os locais preferidos são previsíveis: a face externa dos cotovelos e dos joelhos, o couro cabeludo, a zona lombar, à volta do umbigo, a pele atrás das orelhas. Mas as placas podem surgir em qualquer parte: nas virilhas, debaixo do peito, nas palmas, nos genitais.
As sensações variam. Há quem não note mais do que secura; noutras pessoas as placas fazem comichão ou doem, e a pele sobre as articulações greta até sangrar. As unhas merecem um olhar à parte: em cerca de metade das pessoas com psoríase surgem pequenas depressões pontuadas, como picadas de agulha, a lâmina fica baça, amarelece, engrossa ou descola do leito. Muitas vezes as unhas são a única pista quando a pele está quase limpa.
A psoríase avança por ondas: semanas ou meses de calma, um surto, e outra vez alívio. Prever essas ondas por completo não é possível, mas com o tempo quase toda a gente percebe o que as desencadeia.
Porque a pele se renova mais depressa do que devia
Normalmente uma célula nasce na camada mais profunda da pele, sobe, morre e descama sem que ninguém dê por isso, e todo o percurso leva três a quatro semanas. Na psoríase demora três a sete dias. As células imaturas não têm tempo de se soltar e empilham-se umas sobre as outras: é essa pilha que forma a placa com escamas.
Quem acelera a linha de montagem é o próprio sistema imunitário. Os linfócitos T, cuja função é procurar bactérias e vírus, tomam a pele saudável por inimiga e mantêm-na permanentemente inflamada. Por isso a psoríase não é «pele suja» nem consequência de má higiene, e uma pomada com antibiótico não a resolve.
A predisposição herda-se: ter um familiar próximo afetado aumenta a probabilidade. Mas não há um gene único, são dezenas, e carregar uma combinação desfavorável não significa que a doença se venha a manifestar. Costuma ser preciso um empurrão vindo de fora.
Os vários tipos de psoríase
A forma determina tanto o aspeto das lesões como a abordagem do tratamento, e por isso é nomeada no diagnóstico.
- Em placas. A mais comum, nove casos em dez. São aquelas placas espessas e escamosas dos cotovelos, joelhos e zona lombar.
- Do couro cabeludo. Uma variante da anterior. Escamas espessas entre o cabelo, que muitas vezes avançam para a testa e para trás das orelhas e se confundem facilmente com caspa teimosa. O cabelo pode rarear temporariamente, quase sempre por causa de coçar e não da doença em si.
- Gutata. Uma chuva súbita de pequenas lesões com menos de um centímetro pelo tronco, braços e pernas. Aparece sobretudo em crianças e jovens uma a três semanas depois de uma amigdalite e em muitos casos desaparece por completo em algumas semanas.
- Invertida ou das pregas. Manchas vermelhas lisas e brilhantes, sem escama, nas axilas, debaixo do peito, nas virilhas e entre as nádegas. O atrito e o suor agravam-na, e parece-se tanto com uma micose que passa meses tratada com o que não deve.
- Pustulosa palmoplantar. Bolhas amareladas com pus nas palmas e nas plantas, que secam em crostas castanhas. Esse pus é estéril, não é uma infeção. É difícil de suportar e está muito ligada ao tabaco.
- Ungueal. Pode ser a única manifestação. E é a que mais vezes anuncia o envolvimento das articulações.
Quando é preciso socorro urgente
Duas formas raras de psoríase põem a vida em risco, e vale a pena reconhecê-las a tempo.
- Eritrodermia. Quase toda a pele fica vermelha e começa a descamar. Por uma pele assim o corpo perde calor, água e proteínas, pelo que surgem arrepios, oscilações da temperatura, inchaço, fraqueza e batimento acelerado. As pessoas idosas toleram isto especialmente mal.
- Psoríase pustulosa generalizada. Em horas ou dias brotam pústulas minúsculas em grandes áreas de pele até confluírem em lagos de pus. Ao mesmo tempo sobe a febre, chegam os arrepios e um cansaço profundo.
Em ambos os casos é preciso internamento e não uma consulta de dermatologia daqui a duas semanas: chame uma ambulância (em Portugal, Espanha, Itália, Polónia e Ucrânia funciona o número único europeu 112). Guarde ainda uma causa frequente destes surtos: a suspensão brusca de corticoides sistémicos. É precisamente por isso que na psoríase não se receitam corticoides em comprimidos nem injetados, porque ao suspendê-los a doença regressa muito pior. Se estes medicamentos lhe foram prescritos por outro motivo, não os abandone por iniciativa própria.
O que desencadeia um surto
O gatilho é diferente em cada pessoa, mas a lista dos suspeitos habituais é curta:
- uma lesão da pele: um corte, uma esfoladela, uma tatuagem, uma picada, uma queimadura solar; uma a três semanas depois surge uma placa exatamente nesse ponto;
- uma amigdalite estreptocócica, sobretudo em adolescentes e jovens;
- stress intenso ou prolongado e falta de sono;
- o tabaco e o álcool regular, que ainda por cima atrapalham o tratamento;
- o excesso de peso, porque o tecido gordo alimenta inflamação por si mesmo;
- as mudanças hormonais da puberdade, do parto e da menopausa;
- alguns medicamentos: lítio, betabloqueantes, antimaláricos, inibidores da ECA e a retirada de corticoides sistémicos;
- o ar frio e seco do inverno e o aquecimento dentro de casa.
Reconhecer os próprios desencadeantes é mais fácil se durante dois meses se anotar o que precedeu cada agravamento. A lista de medicamentos deve ser revista com o médico e não suspensa por conta própria: o benefício de um betabloqueante depois de um enfarte pode pesar mais do que a pele estragada.
Como se trata
O diagnóstico faz-se a olho, pelo aspeto e pela localização das lesões; a biopsia é raramente necessária. Cura definitiva não existe, mas hoje a maioria chega a ter a pele limpa ou quase. O tratamento escolhe-se pela forma, pela superfície envolvida e por quanto a doença atrapalha o dia a dia.
- Tratamentos tópicos. Primeira linha quando a área é pequena. Corticoides em creme ou pomada de potências diferentes, análogos da vitamina D, as suas associações, preparados com ácido salicílico para amolecer as escamas, alcatrão mineral. Na cara, nas pregas e nos genitais não se aplicam corticoides potentes: aí usam-se os fracos em ciclos curtos ou os inibidores da calcineurina. O efeito não se julga antes de um mês a mês e meio.
- Fototerapia. Exposição da pele a ultravioleta de banda estreita na clínica, em regra duas ou três vezes por semana durante um ciclo. Funciona bem em lesões extensas e na forma gutata. O solário não a substitui: o espetro é outro e o risco para a pele é maior.
- Medicamentos sistémicos em comprimidos. Nos casos graves: metotrexato, ciclosporina, o retinoide acitretina e fármacos mais recentes que travam a inflamação por dentro. Todos exigem análises de sangue periódicas e vigilância do fígado e dos rins. O metotrexato e a acitretina são nocivos para o bebé: depois de os suspender tem de passar tempo antes de procurar uma gravidez, e os prazos são diferentes para homens e mulheres. Se houver possibilidade de gravidez, diga-o antes da primeira receita e não depois.
- Medicamentos biológicos. Injeções que bloqueiam de forma dirigida elos concretos da inflamação. São indicados pelo especialista quando as linhas anteriores não bastaram. Antes de começar exclui-se tuberculose latente e hepatites, e durante o tratamento qualquer infeção com febre alta deve ser vista pelo médico mais depressa do que o habitual.
Os cuidados de todos os dias
Entre ciclos de tratamento quem mantém a pele em ordem é a rotina, e ela pesa mais do que parece.
- Os emolientes são a base de tudo. Aplique-os com generosidade e todos os dias, mesmo com a pele limpa: uma placa hidratada faz menos comichão, greta menos e responde melhor aos medicamentos. Depois do duche, nos primeiros minutos e sobre a pele húmida.
- Lave-se com água morna e não quente, e troque o sabão comum por um produto sem perfume.
- Amoleça as escamas com creme em vez de as arrancar: danificar a pele gera uma placa nova.
- O sol moderado ajuda muita gente, mas uma queimadura solar agrava o quadro sem exceção.
- Vale a pena deixar de fumar: na forma palmoplantar é por vezes a única coisa que muda o rumo.
- Perder peso melhora de forma nítida tanto a pele como a resposta aos fármacos.
- Mantenha o tratamento tal como foi prescrito mesmo quando melhora: usá-lo aos bocados é a razão mais frequente para a pomada parecer ter deixado de fazer efeito.
Articulações, vasos e ânimo
A psoríase não vive só na pele. Em cerca de uma pessoa em cada cinco as articulações acabam por inflamar: é a artrite psoriásica, e os estragos que deixa são permanentes se for descuidada. Conte ao médico e peça encaminhamento para o reumatologista se surgir alguma destas coisas:
- dor e inchaço de uma articulação que duram mais de seis semanas;
- rigidez de manhã durante mais de meia hora que alivia com o movimento;
- um dedo da mão ou do pé inchado por inteiro, como uma salsicha;
- dor no calcanhar ou na planta mesmo junto ao calcanhar;
- dor lombar que aperta de noite e de madrugada, acorda a pessoa e se solta até ao meio-dia.
Além disso, a psoríase traz um risco algo maior de tensão alta, diabetes e doença cardíaca, pelo que faz sentido controlar com regularidade a tensão, a glicemia e o colesterol. E ainda uma coisa de que nem sempre se fala em voz alta: uma doença que se vê abala a autoestima. A ansiedade e o ânimo em baixo não são aqui fraqueza mas parte frequente do quadro, e tratam-se tal como se trata a pele.
Consulta em linha
Muito do que a psoríase levanta não exige uma ida presencial. Em linha é cómodo mostrar as lesões numa fotografia e perceber se aquilo se parece com psoríase ou antes com um eczema ou uma micose; entender porque a pomada não funciona, se falha o fármaco ou a forma de o aplicar; ponderar se convém pedir fototerapia ou encaminhamento para dermatologia para tratamento sistémico; verificar se o surto coincide com um medicamento novo; decidir o que fazer com as articulações e a quem recorrer. A observação presencial continua a ser precisa se as lesões mudarem de modo invulgar, e a ambulância se quase toda a pele ficar vermelha de repente ou se surgir uma erupção com pústulas e febre.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
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