Retinopatia diabética
A retina é o único sítio do corpo onde os vasos se veem de fora, bastando espreitar dentro do olho.
Nesta página
Medicamentos habitualmente prescritos para Retinopatia diabética
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: INJETÁVEL, 114,3 mg/mlSubstância ativa: afliberceptFabricante: Bayer AgRequer receita médicaForma farmacêutica: INJETÁVEL, 114,3 mg/mlSubstância ativa: afliberceptFabricante: Bayer AgRequer receita médicaForma farmacêutica: INJETÁVEL, 40 mg/mlSubstância ativa: afliberceptFabricante: Sandoz GmbhRequer receita médica
A retina é o único sítio do corpo onde os vasos se veem de fora, bastando espreitar dentro do olho. A diabetes danifica os vasos pequenos por todo o organismo, mas é aqui que isso se nota primeiro e é aqui que sai mais caro, porque o que está em jogo é a visão. A particularidade da retinopatia é que durante anos não dá dor, não turva nada e não oferece um único motivo de alarme; quando a pessoa finalmente repara que vê pior, a parte simples do tratamento já ficou para trás. Por isso todo o sentido deste texto se resume a uma ideia: procura-se a retinopatia precisamente quando nada incomoda.
Porque é que a diabetes castiga a retina
O açúcar sempre alto altera a parede dos capilares, que se torna permeável e ao mesmo tempo quebradiça. Parte dos vasos entope e alguns territórios da retina ficam sem oxigénio. Através das paredes enfraquecidas infiltram-se no tecido líquido, proteínas e gorduras, surgem hemorragias pontuais e pequenas dilatações da parede vascular. A retina esfomeada responde libertando substâncias que mandam crescer vasos novos. A lógica do organismo percebe-se; o resultado é mau, porque os vasos novos são frágeis, crescem onde não devem, sangram com facilidade e arrastam atrás de si tecido cicatricial.
A velocidade do processo não depende só do açúcar: o que mais a acelera é a tensão arterial alta, o colesterol elevado, o tabaco, a doença dos rins e a gravidez. E, claro, os anos de doença — passados quinze ou vinte, há alterações no fundo do olho na maioria das pessoas com diabetes tipo 1 e em boa metade das que têm o tipo 2. No tipo 2 não é raro encontrar retinopatia logo no dia em que o diagnóstico é feito: a diabetes já existia havia vários anos, apenas ninguém sabia dela.
As fases iniciais passam caladas
Enquanto as alterações se limitam à periferia da retina, a visão mantém-se igual. A pessoa lê, conduz, passa no exame para a carta de condução, e tudo isto com uma retinopatia já iniciada. O cérebro, ainda por cima, sabe completar a imagem e substituir as zonas em falta do campo visual, e é por isso que a perda gradual da visão lateral se nota em último lugar, às vezes só quando se tapa o olho bom.
Daqui decorre a regra principal: o diagnóstico faz-se pela observação e não pelas queixas. Toda a pessoa com diabetes tem direito a um exame regular do fundo do olho com a pupila dilatada, ou à fotografia da retina. A idade a que se começa e o intervalo entre exames estão escritos de maneira diferente em cada país, por isso os prazos confirmam-se com o médico assistente; o princípio, esse, é igual em todo o lado: o exame marca-se pouco depois de o diagnóstico ser feito, repete-se de forma programada e, havendo alterações, com mais frequência.
A gravidez merece nota à parte. A retinopatia pode acelerar bruscamente durante a gravidez, pelo que o fundo do olho se observa no planeamento, no início da gestação e depois conforme a indicação do médico. A diabetes que aparece pela primeira vez durante a gravidez não entra nesta regra.
Como decorre o exame
Não tem nada de desagradável. Instila-se no olho um colírio que dilata a pupila, espera-se cerca de meia hora e observa-se a retina através de uma lente, ou tira-se uma fotografia do fundo do olho. Por vezes acrescenta-se um exame que mostra por camadas a espessura da retina no centro: dura uns minutos e apanha bem o edema. Havendo suspeita de vasos novos, fazem-se imagens com um contraste administrado numa veia.
Há duas coisas que convém saber de antemão. Depois de a pupila dilatar, durante algumas horas tudo fica desfocado ao perto e a luz incomoda, pelo que nesse dia é melhor não conduzir e levar óculos escuros na mala. E o teste da visão pela tabela, aquele que se faz para escolher óculos, não deteta retinopatia: ela existe também com dez décimos. O que é preciso é mesmo o exame do fundo do olho.
As fases: dos primeiros pontos aos vasos novos
As alterações agravam-se devagar, em regra ao longo de anos, e em cada etapa há forma de intervir.
- Inicial. Veem-se na retina microaneurismas isolados e hemorragias pontuais. A visão não sofre, não há tratamento a fazer, é preciso apenas controlar o açúcar e a tensão e comparecer ao exame programado.
- Moderada e grave. As hemorragias são mais numerosas, aparecem zonas onde os vasos deixaram de funcionar e as veias ficam irregulares. A visão pode continuar excelente, mas o risco de passar à fase seguinte no espaço de um ano é alto, pelo que os exames se tornam mais frequentes e por vezes o tratamento começa desde já.
- Proliferativa. Crescem vasos novos e frágeis na retina e na íris. É nesta fase que a visão se perde: um vaso pode sangrar para dentro do humor vítreo e o tecido cicatricial que se forma pode descolar a retina. Exige tratamento com o oftalmologista, e adiá-lo não é opção.
Os nomes das fases mudam de país para país e de médico para médico, por isso mais importante do que o termo escrito no relatório é a resposta a duas perguntas: há vasos novos e há edema no centro da retina? É delas que depende ser tratado agora ou ficar em vigilância.
O edema da zona central, a causa mais frequente de perda de visão
O centro da retina, do tamanho de uma cabeça de alfinete, responde por tudo aquilo para que usamos a visão: ler, reconhecer caras, fazer trabalhos minuciosos. Quando o líquido dos vasos danificados embebe essa zona, ela engrossa e a imagem estraga-se — as letras esborratam-se, as linhas retas parecem onduladas, surge uma mancha turva no meio, as cores perdem brilho. Este quadro pode aparecer em qualquer fase, incluindo a mais precoce, e não tem relação com a extensão das alterações da periferia.
A boa notícia é que o edema responde bem ao tratamento e que, começando a tempo, muitas vezes não só se preserva a visão como se recupera parte dela. A má é que se instala devagar e nos dois olhos ao mesmo tempo, ou seja, a pessoa habitua-se e chega tarde. Um truque caseiro simples: uma vez por semana tape alternadamente cada olho e olhe para algo com linhas retas, o aro de uma porta, a caixilharia da janela, a junta dos azulejos. Uma linha torta ou uma mancha são motivo para marcar consulta sem adiar.
Quando não há tempo a perder
Recorra com urgência ao oftalmologista e, não sendo possível, às urgências, se surgir de repente:
- queda acentuada da visão de um olho em horas ou num dia;
- uma «chuva» súbita de pontos pretos, teias de aranha ou um véu avermelhado à frente do olho: é o aspeto de uma hemorragia no humor vítreo;
- flashes de luz, faíscas ou relâmpagos na margem do campo visual;
- uma cortina escura que avança de um dos lados, sinal de descolamento da retina;
- dor no olho com vermelhidão, halos coloridos à volta das luzes e agravamento da visão: com vasos crescidos na íris a pressão dentro do olho sobe bruscamente e, sem tratamento rápido, o olho pode perder-se.
A distorção nítida das linhas ou uma mancha nova no centro não contam como urgência neste sentido, mas também não devem esperar por uma consulta programada daqui a seis meses: o prazo certo mede-se aqui em dias.
Como se trata
O tratamento destina-se a travar o processo e a resolver o edema. Retina já perdida não se recupera por inteiro, mas no edema da zona central costuma voltar parte da visão.
- Injeções no olho. São o método principal no edema do centro. Os fármacos anti-VEGF, que travam o crescimento dos vasos, entram no olho por uma agulha fina sob colírio anestésico; o procedimento demora minutos e suporta-se melhor do que soa. A condição essencial é a regularidade: nos primeiros meses as injeções são frequentes, e as faltas deitam o resultado a perder.
- Implantes com corticoide. Um depósito minúsculo que vai libertando substância anti-inflamatória; usa-se quando as injeções do primeiro tipo não resultaram ou não podem ser feitas com a frequência necessária.
- Laser. Havendo vasos novos, trata-se a periferia da retina com laser para os fazer regredir. É um método provado há décadas e que salva mesmo da cegueira, embora se pague com estreitamento da visão lateral e pior visão no escuro; convém saber isto de antemão.
- Cirurgia. Se o sangue no humor vítreo não reabsorve ou a retina começou a descolar, remove-se o vítreo e a retina é reaplicada cirurgicamente.
Há ainda um pormenor de que raramente se avisa: se o açúcar esteve muito alto durante muito tempo e for normalizado depressa, a retinopatia pode agravar-se temporariamente nos primeiros meses. Não é razão para desistir do controlo, que a longo prazo ganha sem discussão, mas é razão para baixar o açúcar de forma gradual e para observar o fundo do olho antes de mudar radicalmente o esquema de tratamento.
O que reduz mesmo o risco
A lista é curta, em compensação cada ponto tem efeito comprovado.
- Açúcar estável, sem saltos bruscos: pesa mais do que todo o resto junto.
- Tensão arterial controlada. Pelo impacto na retina é o segundo fator em importância, e é o que mais gente esquece.
- Colesterol e triglicéridos dentro dos limites acordados com o médico.
- Deixar de fumar: o tabaco acelera a lesão dos vasos a todos os níveis.
- Atenção aos rins: proteína na urina costuma significar que nos olhos as coisas também vão pior.
- Exames programados do fundo do olho, mesmo com visão excelente. É o único ponto que apanha a doença na fase em que o tratamento ainda é simples.
Vale a pena guardar também o contrário: a retinopatia, por si, não impede uma vida normal. A atividade física, o trabalho e a leitura não estragam a visão. As limitações só surgem na fase proliferativa e dizem sobretudo respeito ao esforço intenso com pesos e ao esforço de fazer força, que se discutem caso a caso com o oftalmologista.
Consulta em linha
À distância resolve-se bem aquilo que costuma ficar por perceber: o que está escrito no relatório do exame do fundo do olho, em que fase está a retinopatia, se há alguma coisa a fazer agora e quando é a próxima observação. O médico vê as análises e os valores de tensão, explica quais deles pesam mais nos olhos, ajuda a montar o calendário de exames e diz o que deve alarmar entre um e outro. Cabem aqui igualmente a gravidez em quem tem diabetes e a questão de como baixar em segurança um açúcar alto de longa data. O tratamento da própria retina exige observação presencial e equipamento, e a perda súbita de visão, os flashes ou o véu escuro são motivo para recorrer de imediato e em pessoa.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Médicos online para Retinopatia diabética
Discuta os seus sintomas e os próximos passos possíveis para Retinopatia diabética com um médico online.







