Nesta página
Medicamentos habitualmente prescritos para Síndrome de Sjögren
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: COMPRIMIDO, 200 mgSubstância ativa: hydroxychloroquineFabricante: Laboratorios Rubio S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 300 mgSubstância ativa: hydroxychloroquineFabricante: Products And Technology S.L.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 200 mgSubstância ativa: hydroxychloroquineFabricante: Laboratorios Gebro Pharma S.A.Requer receita médica
A síndrome de Sjögren é uma doença autoimune em que o sistema imunitário ataca as próprias glândulas que produzem líquidos, sobretudo as lacrimais e as salivares. Daí as suas duas manifestações mais conhecidas: olhos secos e boca seca. Mas reduzir a doença à secura é um erro, porque a seu lado vão quase sempre um cansaço extenuante e dores nas articulações, e em parte das pessoas são envolvidos os pulmões, os rins e os nervos. E há duas coisas de que se fala imperdoavelmente pouco: sem proteção, a secura destrói os dentes em poucos anos e danifica a córnea, e uma parótida que fica aumentada de um só lado exige um esclarecimento à parte.
Que doença é esta
Por todo o corpo estão espalhadas pequenas glândulas que produzem humidade: as lacrimais à volta dos olhos, as salivares na boca e nas bochechas, e ainda glândulas no nariz, na garganta, nas vias respiratórias, na pele e na vagina. Na síndrome de Sjögren as células do sistema imunitário acumulam-se nessas glândulas e vão substituindo o tecido que trabalha. As glândulas encolhem e segregam cada vez menos, e é por isso que a secura aparece em vários sítios ao mesmo tempo e não apenas nos olhos.
A doença pode ser isolada ou surgir associada a outra doença autoimune, mais frequentemente a artrite reumatoide, o lúpus ou a esclerodermia. O tratamento e o seguimento são semelhantes nos dois casos.
Afeta sobretudo mulheres; o diagnóstico costuma chegar na meia-idade, embora a doença também apareça mais cedo. Porque é que o sistema imunitário se comporta assim não se sabe ao certo: aponta-se para uma combinação de predisposição hereditária, contexto hormonal e talvez uma infeção anterior como gatilho.
A evolução é longa e faz-se por ondas. A esperança de vida da maioria das pessoas com síndrome de Sjögren é igual à das outras: aqui fala-se de qualidade de vida e de prevenir complicações, não de uma ameaça mortal.
Olhos secos e boca seca: o que se sente
A secura desta doença não se parece com o cansaço normal dos olhos ao fim do dia. É constante e tem um carácter próprio:
- sensação de areia ou de ter algo dentro do olho, ardor, vermelhidão, pálpebras pesadas ao fim da tarde;
- lacrimejo paradoxal: o olho irritado pela secura produz por reflexo uma lágrima aguada que não resolve nada;
- ardência com o vento, com o ar condicionado, com o ar seco do avião e sobretudo diante do ecrã, onde se pisca metade das vezes;
- visão que embacia a cada pouco e clareia depois de piscar;
- boca tão seca que a comida seca custa a engolir sem beber, e falar muito tempo torna-se penoso;
- língua seca, lisa e brilhante, lábios gretados, fissuras nos cantos da boca;
- paladar alterado, próteses dentárias que deixam de segurar, acordar de noite para beber.
A saliva não é apenas humidade. Arrasta os restos de comida, neutraliza o ácido e contém substâncias que travam bactérias e fungos. Quando é pouca, a candidíase instala-se com facilidade: a língua fica vermelha e arde e surge uma camada esbranquiçada. Trata-se bem, mas volta enquanto a secura não estiver controlada.
O que há para além da secura
É precisamente esta a parte que mais vezes fica de fora da conversa, e não incomoda menos do que o resto:
- o cansaço, e não um «estou um pouco cansado» mas ficar sem forças para nada depois de um dia normal; para muita gente é o sintoma mais pesado;
- dores e rigidez nas articulações, sobretudo nas mãos, por vezes com inchaço;
- secura vaginal e dor nas relações: quase nunca se pergunta por isso, e resolve-se de forma simples;
- secura da pele, do nariz e da garganta: crostas no nariz, rouquidão, tosse seca que se arrasta durante meses;
- inchaço das parótidas, com as bochechas como que empoladas; em regra dos dois lados, vai e vem;
- fenómeno de Raynaud: os dedos ficam brancos e dormentes com o frio;
- adormecimento, formigueiro ou ardor nos pés e nas mãos;
- pequenos pontos vermelhos nas pernas que não empalidecem à pressão.
Com menos frequência a doença atinge órgãos internos: o tecido pulmonar, com falta de ar e tosse persistente, os rins, o fígado, a tiroide. Por isso o seguimento pelo reumatologista não é uma formalidade: uma vez por ano revêem-se as análises de sangue e de urina para apanhar essas coisas antes de darem sinal.
Uma nota sobre a gravidez: os anticorpos que se encontram nesta doença atravessam a placenta e, raramente, perturbam a condução do impulso no coração do feto. Não é uma proibição de engravidar, mas é motivo para comunicar o diagnóstico com antecedência, de modo que o coração do bebé seja vigiado de forma dirigida.
Os dentes: aquilo que se descobre tarde de mais
Esta é a parte mais prática da página. Com a boca muito seca as cáries avançam a grande velocidade e não onde se espera: seguem pela margem da gengiva e à volta do colo dos dentes, cercando-os como um anel, e muitas vezes não doem até o dente se partir. Pessoas que durante décadas não tiveram problemas de dentes perdem-nos um atrás do outro em dois anos, e quase sempre porque ninguém lhes disse que a boca seca exige uma proteção própria.
Por isso o dentista aqui não é uma questão de estética, mas parte do tratamento:
- consulta de três em três ou de seis em seis meses, e não uma vez por ano;
- pasta com elevado teor de flúor prescrita pelo dentista e aplicação profissional de verniz de flúor;
- escovagem duas vezes ao dia e limpeza obrigatória dos espaços entre os dentes;
- pastilhas ou rebuçados sem açúcar, de preferência com xilitol: mastigar por si só põe a saliva a correr;
- água em pequenos golos ao longo do dia em vez de bebidas açucaradas ou com gás;
- elixires sem álcool; os alcoólicos secam ainda mais;
- dizer ao dentista qual é o diagnóstico: com secura, o critério para restaurações e próteses muda.
Sumos, limão e rebuçados ácidos «para fazer saliva» são má ideia: estimulam de facto a salivação, mas entretanto o ácido vai dissolvendo um esmalte que já não tem com que se defender.
Como se chega ao diagnóstico
Ter os olhos e a boca secos acontece a imensa gente e por si só não decide nada. A tarefa do médico é perceber se por trás está um processo autoimune. O estudo faz-se em geral assim:
- análises ao sangue: anticorpos específicos, marcadores de inflamação, fator reumatoide, hemograma e bioquímica;
- no oftalmologista, medição da quantidade de lágrima com uma tira de papel sob a pálpebra inferior e observação da córnea com gotas corantes que marcam as zonas lesadas;
- medição da quantidade de saliva, recolhida num recipiente durante um tempo definido;
- ecografia das glândulas salivares, indolor e muito informativa;
- biópsia das glândulas salivares menores da face interna do lábio sob anestesia local, se o quadro continuar pouco claro;
- análise de urina e radiografia ou tomografia do tórax quando se suspeita de envolvimento de órgãos.
O caminho até ao diagnóstico leva não raras vezes anos: as queixas parecem soltas e a pessoa anda de especialista em especialista. Ajuda uma coisa simples: contar ao médico todos os sintomas de uma vez, e não apenas aquele que trouxe a consulta de hoje.
Tratamento e cuidado diário
Desligar de vez o processo autoimune ainda não é possível, mas a doença controla-se bem e a maioria das pessoas faz uma vida normal.
Para os olhos. As lágrimas artificiais são a base; se forem usadas muitas vezes ao dia, escolhem-se sem conservantes, porque o conservante irrita o olho por si mesmo, e à noite um gel ou uma pomada são mais confortáveis. Se não chegar, o oftalmologista acrescenta colírios anti-inflamatórios ou coloca tampões minúsculos nos pontos lacrimais para que a lágrima não escoe tão depressa.
Para a boca. Substitutos da saliva em spray ou gel, golos frequentes de água, ar humidificado no quarto. Se ainda restar tecido glandular a funcionar, o médico pode prescrever fármacos que estimulam a produção de saliva e de lágrima; o efeito nota-se, mas dão suores e afrontamentos, pelo que a dose se ajusta aos poucos.
Para as articulações, o cansaço e os órgãos internos. Para a dor articular e o cansaço marcado os reumatologistas recorrem ao antipalúdico hidroxicloroquina e, nos surtos, a ciclos curtos de corticoides. Se estiverem envolvidos os pulmões, os rins ou os nervos, acrescentam-se fármacos que travam o sistema imunitário. Os analgésicos habituais aliviam as articulações, mas não atuam sobre a doença.
Para o resto. A secura vaginal corrige-se com hidratantes de ação prolongada e lubrificante de base aquosa nas relações. A pele lava-se com produtos suaves sem sabão e cobre-se com um emoliente logo à saída do duche. E deixar de fumar tem aqui um sentido direto: o fumo seca a boca e as vias respiratórias.
O que agrava a secura
Antes de concluir que a doença «disparou», vale a pena verificar causas bem mais prosaicas. Muitíssimos medicamentos secam as mucosas como efeito secundário, e quem tem síndrome de Sjögren sente isso muitas vezes mais do que os outros. Entre eles:
- os anti-histamínicos, incluindo os que entram nos preparados para a constipação;
- os antidepressivos, sobretudo os de gerações antigas, e alguns fármacos para a ansiedade;
- os diuréticos;
- vários medicamentos para a tensão alta;
- os fármacos para a bexiga hiperativa e os antiespasmódicos;
- os analgésicos fortes do grupo dos opioides;
- os descongestionantes nasais e os tratamentos para o acne derivados da vitamina A.
Nada deve ser suspenso por iniciativa própria, mas leve ao médico a lista completa do que toma, incluindo o que não precisa de receita. Muitas vezes existe alternativa e a secura recua de forma notória sem qualquer tratamento novo.
Do dia a dia, secam o ar condicionado e o aquecimento, o ar seco do avião, o fumo, o pó e o vento, o álcool e o café em excesso, e respirar pela boca à noite com o nariz entupido.
Quando ir ao médico sem adiar
A maior parte desta doença resolve-se em consultas marcadas, mas algumas situações não são para marcar.
O aumento persistente de uma parótida ou de uma glândula submandibular de um só lado é algo que convém dizer sem rodeios. O inchaço glandular próprio desta doença é simétrico e vai e vem. Se, pelo contrário, uma glândula cresceu e não baixa há semanas, ou ficou dura ou irregular, tem de ser estudada. Na síndrome de Sjögren o risco de linfoma, um tumor do tecido linfático, é mais alto do que em quem não a tem, e surge na maioria das vezes precisamente numa glândula salivar. Os números absolutos continuam a ser pequenos e a esmagadora maioria destes nódulos não é um tumor. Mas isto verifica-se de imediato e não daqui a seis meses: os linfomas deste tipo crescem devagar e respondem bem ao tratamento quando são encontrados a tempo. Pela mesma razão, mostre ao médico gânglios novos que não descem, suores noturnos, perda de peso sem explicação e uma erupção nas pernas que não passa.
Outros sinais obrigam igualmente a não adiar:
- dor no olho, incómodo com a luz, vermelhidão ou perda de visão: uma córnea seca danifica-se com facilidade e a sua úlcera trata-se com urgência;
- falta de ar em aumento, ou tosse que muda e se agrava;
- fraqueza súbita, adormecimento ou perda de força num braço ou numa perna;
- inchaço quente e doloroso de uma glândula com febre, o que sugere uma infeção bacteriana da mesma;
- placas brancas e ardor na boca que não passam sozinhos.
Consulta em linha
Vive-se com a síndrome de Sjögren durante anos, e a maior parte das dúvidas surge entre consultas: é justamente isso que é cómodo resolver em linha.
Numa consulta em linha é possível rever o conjunto das queixas e decidir se vale a pena procurar uma causa autoimune para a secura e por que exames começar; interpretar análises já feitas; rever a lista de medicamentos e localizar os que agravam a secura; montar um cuidado diário de olhos e boca que funcione mesmo; planear as idas ao oftalmologista e ao dentista; e falar de gravidez com antecedência.
Para a conversa é útil apontar quando começou a secura e o que apareceu primeiro, como vai mudando o cansaço, se há dores articulares e secura noutros sítios, e levar a lista de todos os medicamentos e as últimas análises.
A observação da córnea, a ecografia das glândulas e a biópsia fazem-se presencialmente. E se de um lado apareceu um nódulo glandular que não regride, se o olho dói ou a visão baixa, ou se a falta de ar aumenta, marque consulta presencial sem deixar passar tempo.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Médicos online para Síndrome de Sjögren
Discuta os seus sintomas e os próximos passos possíveis para Síndrome de Sjögren com um médico online.














