Nesta página
Medicamentos habitualmente prescritos para Vaginite (inflamação da vagina)
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: COMPRIMIDO, 250 mgSubstância ativa: metronidazoleFabricante: Aurovitas Spain, S.A.U.Requer receita médicaForma farmacêutica: SUPOSITÓRIO VAGINAL/CÁPSULA/COMPRIMIDO VAGINAL, 500 mg/cápsulaSubstância ativa: clotrimazoleFabricante: Bayer Hispania S.L.Não requer receita médicaForma farmacêutica: SUPOSITÓRIO/CÁPSULA/COMPRIMIDO VAGINAL, 500 mg clotrimazolSubstância ativa: clotrimazoleFabricante: Bayer Hispania S.L.Não requer receita médica
A vaginite é a inflamação da vagina e da pele à sua volta: comichão, ardor, corrimento diferente do habitual, incómodo ao urinar ou durante as relações sexuais. A palavra parece um diagnóstico, mas não o é: descreve o que está a acontecer, não responde ao porquê. Por trás de um quadro que à vista é sempre o mesmo há causas muito diferentes, e cada uma trata-se de maneira diferente — o que resolve uma não faz nada pela outra e às vezes piora a situação. Por isso a parte útil desta página não é a lista de sintomas, mas a bifurcação.
Como se manifesta
O conjunto de sensações é curto e repete-se em quase toda a gente: comichão ou ardor na vagina e na pele em redor; corrimento diferente do habitual na cor, na espessura ou no cheiro; secura; ardor ao urinar, quando a urina passa sobre a pele irritada; dor ou desconforto nas relações sexuais; por vezes um leve manchado de sangue e a pele da entrada da vagina avermelhada, inchada ou gretada.
Ter tudo ao mesmo tempo é raro: o habitual são dois ou três sinais, e o que orienta é a combinação. Vale a pena reparar se há cheiro, quando é que piora — antes da menstruação, depois de uma relação, depois da piscina, depois de um gel de banho novo — e se é a primeira vez ou se já se repete. Na consulta, estes pormenores valem mais do que a queixa mais detalhada de «comichão muito forte»: encurtam o caminho até à causa.
Três infeções que se tratam de três maneiras
Na maioria das vezes está por trás da inflamação uma destas três situações, e distingui-las importa porque o medicamento não é o mesmo.
- Candidíase, a chamada infeção por fungos. Uma levedura que vive em pequena quantidade na vagina de muitas mulheres e prolifera quando o equilíbrio da flora se altera, por exemplo depois de um ciclo de antibióticos. O corrimento é espesso, branco, com grumos parecidos com requeijão, em geral sem cheiro; o que domina é a comichão intensa e o ardor, com a pele da entrada vermelha e inchada. Trata-se com antifúngicos, em óvulos e cremes ou por via oral.
- Vaginose bacteriana. Não é uma infeção que se apanhe, mas um desvio da própria flora: menos lactobacilos protetores e mais de outras bactérias. O corrimento é fluido, homogéneo, acinzentado ou esbranquiçado, e o sinal principal é o cheiro, muitas vezes descrito como a peixe, que se acentua depois das relações e com a menstruação. Pode não haver comichão nenhuma. Os antifúngicos aqui não servem de nada: é preciso um antibiótico, local ou por via oral.
- Tricomoníase. Uma infeção de transmissão sexual. O corrimento é abundante, amarelo-esverdeado, por vezes espumoso e com mau cheiro; pode haver ardor e dor ao urinar e nas relações. Trata-se com um antibiótico de um grupo específico, com uma condição que não se dispensa: tratar também o parceiro, ou volta tudo ao princípio. Já agora, o médico costuma propor despistar outras infeções sexualmente transmissíveis, porque a clamídia e a gonorreia muitas vezes não dão corrimento algum e só aparecem numa análise.
Quando a causa não é uma infeção
Cerca de um terço das mulheres que vêm com estas queixas não tem infeção nenhuma, e não precisa nem de antibiótico nem de óvulos antifúngicos.
- Vaginite atrófica. Depois da menopausa os estrogénios descem, a mucosa afina, fica mais seca e irrita-se com facilidade. Há pouco ou nenhum corrimento, mas há secura, ardor, dor nas relações, às vezes um manchado de sangue a seguir, e as cistites tendem a repetir-se. O mesmo acontece, de forma passageira, durante a amamentação e com alguns contracetivos. Aqui ajudam os hidratantes vaginais e os lubrificantes, e se as queixas forem marcadas o médico pode prescrever tratamento hormonal local.
- Irritação e reação de contacto. Sabonetes e géis usados «por dentro», espumas e desodorizantes íntimos, pensos e toalhitas perfumados, detergente e amaciador da roupa, látex, espermicidas, produtos de depilação. Esta inflamação resolve-se sozinha assim que se retira o que a provoca, e não se resolve com mais nada.
- Doenças da pele. O eczema, a psoríase, o líquen plano e sobretudo o líquen escleroso podem passar anos a fazer-se passar por «candidíase crónica». O que deve levantar suspeita: comichão persistente que não cede aos antifúngicos, zonas esbranquiçadas e endurecidas, pequenas fissuras, alteração da forma dos lábios. Reconhece-se ao exame e trata-se de modo completamente diferente.
- Um corpo estranho. Um tampão esquecido é a causa mais frequente de corrimento abundante e súbito com um cheiro pútrido muito forte. É uma situação constrangedora, mas banal, e resolve-se num minuto na consulta.
Porque é que o antifúngico «por via das dúvidas» falha
O erro mais comum parece inofensivo: a comichão é conhecida, e compram-se na farmácia óvulos contra os fungos porque da última vez resultaram. Às vezes resultam mesmo. Mas os estudos que compararam a conclusão da própria pessoa com o resultado de uma zaragatoa de laboratório encontram sempre o mesmo: acertar não acerta toda a gente, e o erro é especialmente frequente entre quem já se trata «dos fungos» sozinha há várias vezes.
O preço do erro não é o dinheiro gasto, é o tempo perdido. A vaginose bacteriana, a tricomoníase, uma doença da pele e a atrofia não passam com um antifúngico. Os sintomas podem esbater-se um pouco — os óvulos por si só hidratam — e voltar depois, e então começa-se um segundo ciclo, e um terceiro, e habitua-se a pessoa à ideia de que «comigo é sempre assim». Entretanto a causa verdadeira fica por tratar. Há ainda o reverso: usar antifúngicos com frequência e sem necessidade irrita a mucosa e alimenta a própria inflamação.
Daqui sai uma regra simples: uma vez e com um quadro conhecido é aceitável; se não resultou, se se repete com frequência, se o quadro mudou ou apareceu cheiro, é preciso ser observada. Na consulta observa-se a pele e a mucosa, se for necessário olha-se por dentro com um espéculo e colhe-se uma zaragatoa com uma haste de algodão. É rápido e não deve doer; se doer ou se causar aflição, pode pedir-se que parem, é um pedido perfeitamente normal. A zaragatoa responde àquilo que de fora não se resolve: qual é exatamente a causa. Nos dois dias antes da consulta é melhor não usar óvulos nem cremes e não fazer lavagens vaginais, ou o resultado fica adulterado.
Cuidados: o que ajuda e o que só atrapalha
Na irritação e na tendência para episódios repetidos, metade da melhoria vem daquilo que se deixa de fazer.
O que não fazer. Nada de lavagens vaginais: a vagina limpa-se sozinha, e a lavagem arrasta os lactobacilos e aumenta diretamente a probabilidade de vaginose bacteriana. Não lavar por dentro com sabonete nem com gel — por fora chega água morna. Nada de produtos perfumados: desodorizantes íntimos, pensos com fragrância, toalhitas, espumas de banho. Não usar pensos diários de forma permanente: como recurso pontual servem, mas dia após dia criam um ambiente húmido de estufa e roçam a pele. E nada de remédios caseiros dentro da vagina — bicarbonato, iogurte, mel, alho, óleos essenciais: não repõem a flora, queimam a mucosa.
O que ajuda mesmo. Lavar por fora com água morna e secar bem. Usar roupa interior de algodão e larga, e lavá-la sem amaciador nem perfumes. Não ficar muito tempo com o fato de banho molhado ou com a roupa suada depois do desporto. Usar lubrificante nas relações se houver secura, e um hidratante vaginal se a secura for constante. Usar preservativo com um parceiro novo e mudar a tempo tampões e pensos. Se os episódios se repetem, convém escrever duas linhas de cada vez: o que houve, quando, o que se fez e se resultou. Na consulta isso poupa meia hora de perguntas.
Se estiver grávida
A gravidez muda duas coisas. A primeira: a inflamação e a candidíase são mais frequentes do que o habitual por causa das alterações hormonais, e isso por si só não indica que algo esteja a correr mal. A segunda, mais importante: agora o tratamento é escolhido pelo médico, não ao balcão da farmácia. Parte dos medicamentos habituais fora da gravidez não se usam neste período, ou usam-se apenas por via local, e a decisão depende também das semanas de gestação.
A vaginose bacteriana merece nota à parte: na gravidez trata-se mesmo quando quase não incomoda, porque está associada a complicações da gestação. Por isso um corrimento que mudou durante a gravidez não é algo para aguentar, nem motivo para repetir sozinha o tratamento do ano passado, mas algo para comunicar a quem acompanha a gravidez. E, como é evidente, qualquer perda de sangue ou dor no baixo ventre neste período obriga a recorrer ao médico sem esperar.
Quando é preciso ir ao médico no próprio dia
Quase tudo o que ficou acima pode esperar: marca-se consulta para os dias seguintes e está bem assim. Mas há sinais em que não convém ficar à espera.
Recorra ao médico no próprio dia se:
- surgir febre ou arrepios juntamente com dor no baixo ventre — pode ser assim que se manifesta uma doença inflamatória pélvica, que se trata de imediato porque, deixada a evoluir, danifica as trompas;
- houver perdas de sangue fora da menstruação, depois de uma relação ou depois da menopausa;
- o corrimento for abundante e com um cheiro pútrido muito forte;
- aparecerem úlceras, bolhas ou feridas dolorosas nos lábios ou à entrada da vagina;
- a dor se tornar forte e dificultar andar ou estar sentada, ou um dos lábios ficar muito inchado e vermelho;
- os sintomas tiverem começado depois de uma relação com um parceiro novo — aqui não convém adiar e devem ser observados os dois.
A vaginite não costuma exigir ambulância. Exige-a outra situação: dor súbita no baixo ventre que aumenta depressa, sobretudo com desmaio, palidez ou hemorragia abundante. Em Espanha, Itália, Portugal, Polónia e Ucrânia funciona o número único 112. Até ser observada é melhor não ter relações: se for uma infeção sexualmente transmissível, o parceiro também a leva.
Consulta em linha
Um assunto sobre o qual custa falar em voz alta presta-se bem a uma conversa à distância: não é preciso deslocar-se nem esperar numa sala comum, e as perguntas podem ser preparadas com calma. O médico vai perguntar pelo aspeto do corrimento e pelo cheiro, pelo que já se experimentou e com que resultado, por produtos de higiene ou detergentes novos, por uma mudança de parceiro, por antibióticos recentes e pela fase da vida, da gravidez à menopausa.
Dessa conversa sai normalmente o essencial: se é uma situação que se pode conduzir com cuidados em casa e produtos sem receita, ou se é preciso uma zaragatoa e qual. O médico dirá que análises fazem sentido e como preparar-se, ajudará a ler a composição dos produtos quando se suspeita de irritação e explicará o que fazer nos episódios repetidos para não andar às voltas na automedicação. Convém ver também o limite: distinguir uma candidíase de uma vaginose bacteriana ou de uma doença da pele a partir de uma descrição não é possível, isso fazem-no o exame e a zaragatoa. E com febre e dor no baixo ventre, com perdas de sangue ou com úlceras é preciso um médico presencialmente e no próprio dia.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Médicos online para Vaginite (inflamação da vagina)
Discuta os seus sintomas e os próximos passos possíveis para Vaginite (inflamação da vagina) com um médico online.














