Varicela
A varicela fica na memória como uma semana de comichão na infância, e na maior parte das vezes é mesmo isso: numa criança pequena a doença resolve-se sozinha…
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Medicamentos habitualmente prescritos para Varicela
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: COMPRIMIDO, 1000 mgSubstância ativa: paracetamolFabricante: Laboratorios Normon S.A.Não requer receita médicaForma farmacêutica: CÁPSULA, 500 mgSubstância ativa: paracetamolFabricante: Laboratorios Combix S.L.U.Não requer receita médicaForma farmacêutica: PERFURAÇÃO INJETÁVEL, 10 mg paracetamol/mlSubstância ativa: paracetamolFabricante: Laboratorios Normon S.A.Requer receita médica
A varicela fica na memória como uma semana de comichão na infância, e na maior parte das vezes é mesmo isso: numa criança pequena a doença resolve-se sozinha e ao médico pede-se mais uma confirmação do que um tratamento. Mas o mesmo vírus comporta-se de forma muito diferente num adolescente, num adulto, numa grávida, num recém-nascido e em quem tem as defesas em baixo. Aí já se fala de pneumonia, de internamento e de medicamentos que têm de começar logo no primeiro dia. Por isso falar de varicela é sobretudo falar de quem vive ao lado do doente.
Como começa e o que acontece à pele
Um ou dois dias antes das lesões a criança fica prostrada, recusa a comida, tem febre, dores no corpo e dor de cabeça. Nos mais pequenos esse prólogo pode faltar por completo: os pais reparam simplesmente nas primeiras manchas, em regra no couro cabeludo, na cara ou no tronco.
Depois cada lesão percorre o mesmo caminho, e demora cerca de um dia a fazê-lo:
- uma mancha plana, rosada, avermelhada ou quase da mesma cor da pele; nas peles morenas e escuras sente-se melhor ao toque do que se vê;
- uma vesícula com líquido transparente, parecida com uma gota de orvalho: é a fase que mais faz comichão;
- uma crosta, que cai sozinha ao fim de uma a duas semanas.
O sinal mais próprio da varicela são os surtos sucessivos. Durante três a cinco dias vão surgindo manchas novas, de modo que na pele convivem vesículas frescas e crostas já secas. É essa mistura de fases que a distingue da maioria das outras erupções.
As lesões não ficam pela pele. Aparecem na boca, na língua, nas pálpebras, nas virilhas e nos genitais, onde as vesículas rebentam depressa e deixam feridas dolorosas. A criança que de repente recusa beber e engolir está quase sempre a sofrer por causa delas. O número total varia imenso: uma pessoa tem uma dúzia de lesões, outra várias centenas. Nos vacinados a doença corre esbatida, por vezes vinte manchas sem febre, e nessa altura é fácil não a reconhecer.
Durante quanto tempo contagia
O vírus da varicela é volátil no sentido literal: transmite-se pelo ar e basta estar na mesma sala do doente. A segunda via é o contacto com o líquido das vesículas, com a roupa de cama e as toalhas partilhadas.
A pessoa começa a contagiar um ou dois dias antes da primeira mancha, quando ainda ninguém suspeita de nada, e deixa de ser perigosa quando todas as lesões estão cobertas de crosta, em regra ao quinto ou sexto dia de erupção. Do contágio até às lesões passam de dez dias a três semanas, mais frequentemente cerca de duas: se a criança trouxe a infeção do infantário, em casa a história repete-se daí a duas semanas.
Há ainda outra fonte de que quase toda a gente se esquece: a zona, ou herpes zóster, num familiar idoso. É o mesmo vírus, apenas acordado. Uma criança que não teve varicela e não está vacinada pode apanhá-la pelo contacto com essas lesões. O contrário não sucede: a zona não se apanha de ninguém, nasce de uma infeção da própria pessoa que ficou adormecida durante décadas.
Fica-se em casa até ao dia em que seca a última vesícula. Se for mesmo preciso ir à consulta, avise antes por telefone: na sala de espera pode estar uma grávida ou alguém em quimioterapia.
Para quem a varicela não é doença pequena
A lista é curta e vale a pena sabê-la de cor.
- Adolescentes e adultos passam pior do que as crianças: febre mais alta, erupção mais abundante e bastante mais pneumonia, sobretudo em fumadores.
- Grávidas. O perigo é duplo: para a própria mulher, uma pneumonia grave; para o bebé, malformações se o contágio ocorrer na primeira metade da gravidez. Situação à parte, e a mais delicada, é a erupção na mãe nos últimos dias antes do parto ou logo a seguir: o recém-nascido não chega a receber dela a proteção.
- Recém-nascidos nas primeiras semanas de vida.
- Pessoas com as defesas diminuídas: em quimioterapia, sob corticoides prolongados ou medicação depois de um transplante, a viver com VIH.
Se alguém desta lista esteve com um doente e nunca teve varicela, deve procurar o médico nesse mesmo dia, sem esperar pelas lesões. Nos primeiros dias após o contacto ainda há tempo para administrar um preparado protetor ou prescrever um antivírico. Uma semana depois essa conversa já não serve de nada.
Sinais que não podem esperar
A varicela comum é incómoda, mas inofensiva. Deve alarmar tudo o que não encaixa nesse quadro:
- a pele à volta das vesículas fica quente, arroxeada, inchada e muito dolorosa, com uma dor maior do que a erupção justifica: é assim que começa uma infeção bacteriana dos tecidos moles, e evolui em poucas horas;
- falta de ar, respiração rápida, dor no peito, tosse persistente;
- a criança não consegue ser acordada, está confusa ou delira;
- uma convulsão;
- a criança deixou de andar e de se sentar com firmeza, cambaleia, falha ao pegar num objeto: é uma inflamação do cerebelo, que costuma passar sem deixar marcas mas tem de ser observada;
- dor de cabeça forte com vómitos, incómodo com a luz;
- surgem hemorragias e nódoas negras dentro da erupção;
- a criança passa horas sem beber nada, urina pouco, tem os lábios secos;
- a febre dura mais de quatro dias ou volta depois de já ter descido.
Os quatro primeiros pontos são motivo para chamar o serviço de emergência, na Europa o 112; os restantes, para ser observado por um médico nesse mesmo dia.
O que ajuda em casa
Numa criança saudável não é preciso qualquer tratamento que expulse o vírus. O objetivo é outro: atravessar a comichão sem que a pele acabe coçada até à cicatriz.
- Beber pouco e muitas vezes. Se doer a engolir, o frio ajuda: gelados, gelo de fruta, bebidas frescas.
- Paracetamol na dose que corresponde à idade, para a febre e para a dor.
- Unhas curtas e, no bebé, luvas ou meias nas mãos durante a noite.
- Banho ou duche com água fresca para arrefecer a pele; depois seca-se dando pequenos toques com a toalha, sem esfregar.
- Roupa de algodão larga e cobertor leve: com o calor a comichão aumenta.
- Loções e géis refrescantes da farmácia, que não aceleram a cura mas acalmam a comichão durante algum tempo. Sobre os anti-histamínicos por via oral pergunte ao médico de família ou ao farmacêutico, porque não servem a toda a gente nem a qualquer idade.
- Comida mole, sem sal e sem acidez, se a boca estiver atingida.
Os antivíricos não se dão a todos. Rendem mais se forem começados nas primeiras vinte e quatro horas depois de surgir a erupção; nas pessoas de risco prescrevem-se também mais tarde, dentro dos primeiros três dias. Destinam-se a adultos, adolescentes, grávidas, recém-nascidos e pessoas com imunidade reduzida. A uma criança saudável do infantário não acrescentam nada.
O que é melhor não fazer
- Dar ibuprofeno ou outros anti-inflamatórios não esteroides. O seu uso durante a varicela tem sido associado a complicações bacterianas da pele mais graves. A febre baixa-se com paracetamol. Se o ibuprofeno foi prescrito por um médico por outro motivo, a decisão continua a ser dele.
- Dar aspirina a crianças e adolescentes. Sobre uma infeção vírica pode desencadear a síndrome de Reye, uma lesão grave do fígado e do cérebro.
- Coçar. As cicatrizes brancas e afundadas que ficam para toda a vida não são deixadas pela doença, mas pelo ato de coçar e pela infeção que entra por aí.
- Pintar as lesões com corantes. Não tratam nada e, debaixo da camada de cor, não se vê se começou uma inflamação.
- Levar a criança «a apanhar ar» a casa de alguém, à loja ou ao parque infantil enquanto a erupção não estiver toda em crosta.
O que fica depois da doença
Quem teve varicela fica protegido para o resto da vida de uma segunda: voltar a apanhá-la é raro e acontece sobretudo a quem tem a imunidade muito deprimida. O vírus, porém, não desaparece: retira-se para os gânglios nervosos ao longo da coluna e permanece ali durante décadas. Quando o controlo imunitário enfraquece com a idade, por uma doença ou por um tratamento, o vírus acorda e dá a zona: uma faixa dolorosa de vesículas apenas de um lado do corpo.
Existe vacina contra a varicela, administra-se em duas doses e contém vírus vivo atenuado. Nuns países faz parte do programa nacional, noutros dá-se a pedido. Protege bem das formas graves; ainda assim é possível adoecer depois de vacinado, mas em regra são umas poucas manchas sem febre. A vacina viva não se administra a grávidas nem a pessoas com imunodeficiência marcada, e por isso conta ainda mais que estejam vacinadas as pessoas que vivem com elas. À mulher que planeia uma gravidez e nunca teve varicela convém falar da vacina com antecedência: durante a gestação já será tarde.
Consulta em linha
À distância o médico percebe, pela descrição e pelas fotografias da erupção, se se trata de varicela, calcula os prazos de contágio e diz quando se pode voltar ao infantário, à escola ou ao trabalho. Vale a pena marcar uma conversa à parte se em casa houver uma grávida, um bebé ou alguém em quimioterapia: nessa altura discutem-se as medidas urgentes para essa pessoa e a janela em que essas medidas ainda funcionam. O médico explica como aliviar a comichão e a febre, que medicamentos é melhor evitar na varicela e por que sinais a doença deixa de ser inofensiva e passa a exigir observação presencial.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
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