Nesta página
- O que é a anca irritável
- O que não pode passar despercebido
- Quando dói o joelho e a culpa é da anca
- Uma claudicação sem explicação
- Que mais provoca dor na anca numa criança
- Como o médico procura a causa
- Cuidados em casa, se o médico autorizou
- Quando voltar ao médico antes do previsto
- Se quem tem dor na anca é um adulto
- Consulta em linha
Medicamentos frequentemente prescritos para Dor na anca em crianças
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de tomar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: COMPRIMIDO, 600 mgSubstância ativa: ibuprofenFabricante: Laboratorios Cinfa S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: SOLUÇÃO/SUSPENSÃO ORAL, 1000 mgSubstância ativa: paracetamolFabricante: Kern Pharma S.L.Não requer receita médicaForma farmacêutica: CÁPSULA, 500 mg paracetamolSubstância ativa: paracetamolFabricante: Upsa S.A.S.Não requer receita médica
A criança levanta-se de manhã a coxear e na véspera não tinha nada. Ou queixa-se de que lhe dói a perna e aponta ora para a virilha, ora para o joelho. Na maioria das vezes está por trás uma inflamação passageira da articulação da anca, chamada anca irritável ou sinovite transitória, que se resolve sozinha em poucos dias. Só que esse diagnóstico faz-se em último lugar e não em primeiro: antes disso o médico tem de excluir algumas situações em que esperar sai caro. Por isso o sentido principal desta página não é explicar como tratar uma sinovite em casa, mas como não confundir outra coisa com ela.
O que é a anca irritável
A sinovite transitória é um inchaço breve da membrana que reveste a articulação por dentro. Junta-se algum líquido, a cápsula distende-se e qualquer movimento da anca passa a doer. Acontece sobretudo em crianças dos três aos dez anos, mais nos rapazes, e muitas vezes uma ou duas semanas depois de uma constipação vulgar ou de uma infeção intestinal. Em regra não há nenhum traumatismo por trás: os pais lembram-se de que a criança não andou a fazer nada de especial.
O quadro é reconhecível. A criança coxeia ou poupa uma perna, não gosta que lhe afastem a anca nem que lha rodem para dentro, e prefere estar deitada com a perna um pouco dobrada e virada para fora. Mesmo assim continua a ser ela própria: brinca, fala, interessa-se pelo que se passa, não tem febre ou tem-na muito baixa e come normalmente. A dor cede a um analgésico infantil vulgar. Por fora a articulação não parece quente nem vermelha.
Uma sinovite assim passa em poucos dias, raramente se arrasta até duas semanas, e não deixa sequelas. Mas o diagnóstico só pode ser feito por um médico depois de observar a criança, e quase sempre depois de alguns exames. Em casa não se faz.
O que não pode passar despercebido
A artrite séptica é uma infeção com pus dentro da articulação. É uma urgência e conta-se por horas: o pus destrói em pouco tempo a cartilagem da cabeça do fémur, e as consequências ficam para a vida. Trata-se no hospital, lavando a articulação e dando antibióticos na veia, e quanto mais cedo isso for feito, mais articulação se salva.
Procure ajuda urgente nessa mesma hora, chame uma ambulância pelo número europeu único 112 ou leve a criança ao hospital se:
- a criança não deixa tocar-lhe na perna de todo e grita a qualquer tentativa de a mexer;
- não põe o pé no chão e não consegue dar um único passo: não é que coxeie, recusa-se mesmo a carregar peso;
- tem febre, sobretudo alta, ou arrepios;
- está prostrada, pálida, sonolenta, recusa comida e bebida: parece doente e não apenas coxa;
- a anca ou a virilha estão quentes e inchadas e a pele por cima ficou vermelha;
- a perna fica numa posição forçada e a criança não deixa endireitá-la;
- aparecem na pele manchas que não desaparecem quando se carrega nelas.
Distinguir a olho uma sinovite de uma artrite séptica não é fiável, e na dúvida age-se sempre como se fosse uma infeção. Vale a pena lembrar à parte que uma criança a quem se deu um antipirético pode parecer melhor do que está. Avalie-a quando a febre tiver descido, e leve-a na mesma se alguma daquelas coisas aconteceu.
Recorra ao médico no próprio dia, sem deixar para amanhã, também em situações mais calmas: se a criança tiver menos de três anos, se a dor começou de noite ou a acorda, se a claudicação piora de dia para dia, se houve há pouco uma fratura ou uma operação, ou se a criança está a fazer quimioterapia, toma medicamentos que baixam as defesas ou tem anemia falciforme.
Quando dói o joelho e a culpa é da anca
Esta é a armadilha mais frequente de todo o tema, e cai-se nela com regularidade. Uma criança com a anca doente queixa-se muitas vezes do joelho ou do meio da coxa, e não da anca. A razão é anatómica: ramos sensitivos dos mesmos nervos chegam tanto à articulação como à pele por cima do joelho, e o cérebro da criança não consegue localizar a origem com mais precisão.
Daí resulta uma regra que convém ter presente, tanto para os pais como para o médico: a uma criança com dor no joelho observa-se sempre também a anca, mesmo que o joelho pareça normal, não esteja inchado e se mova livremente. Se o joelho estiver limpo ao exame e a criança continuar a coxear, procura-se mais acima.
O caso do adolescente merece aviso próprio. A epifisiólise da cabeça femoral, o deslizamento da cabeça do fémur pela cartilagem de crescimento, começa exatamente assim: uma dor surda no joelho ou na virilha e claudicação, com o joelho perfeitamente normal. Adolescentes com este quadro são tratados durante semanas por uma «entorse do joelho» enquanto a cabeça do fémur continua a deslizar. Se um adolescente tem dor no joelho ou na anca sem qualquer traumatismo, arrasta a perna e roda o pé para fora, isso pede observação e radiografia das duas ancas, não repouso e uma pomada.
Uma claudicação sem explicação
Uma criança que coxeia sem causa clara é sempre motivo para ser observada, nunca para esperar. As crianças não coxeiam por birra e quase nunca fingem dor. Se não houve nenhuma queda e a forma de andar mudou, há uma explicação e é preciso encontrá-la. O «isso passa» joga aqui contra: algumas causas são inofensivas e resolvem-se mesmo sozinhas, mas é precisamente entre as crianças que coxeiam que se encontram infeções do osso, tumores e doenças em que umas semanas perdidas mudam o desfecho.
O mesmo vale para a criança que ainda não fala. Abaixo dos três anos a dor na perna manifesta-se por recusar pôr-se de pé, chorar na muda da fralda quando se afastam as pernas, não gostar de ser levantada pelas axilas ou gatinhar de repente de forma assimétrica. Nos mais pequenos a causa é banal com menos frequência, por isso são observados com atenção especial.
Que mais provoca dor na anca numa criança
Além da sinovite e da artrite séptica, nestas idades encontram-se:
- a doença de Perthes, uma perturbação do fornecimento de sangue à cabeça do fémur em que parte do osso morre e depois se reconstrói. É mais frequente entre os quatro e os oito anos e nos rapazes. A dor é discreta, mas a claudicação dura meses e não cede com o repouso;
- a epifisiólise da cabeça femoral, o deslizamento pela cartilagem de crescimento no adolescente, habitualmente no período de crescimento rápido e mais vezes quando há excesso de peso. Também pode ser súbita a seguir a um movimento insignificante, e então o jovem deixa de apoiar a perna;
- um traumatismo: fratura, fissura, rotura muscular ou arrancamento da inserção de um músculo na bacia, o que não é raro em adolescentes desportistas num esforço brusco;
- a osteomielite, infeção do próprio osso. Vem com febre e dor constante, inclusive em repouso, e exige a mesma urgência que a artrite séptica;
- a artrite idiopática juvenil, inflamação das articulações que dura semanas. Fazem pensar nela a rigidez matinal que melhora com o movimento, o envolvimento de outras articulações e uma duração superior a seis semanas;
- os tumores, tanto os do osso como a leucemia. Obrigam a pensar neles a dor em repouso e de noite que acorda a criança, a dor em vários ossos ao mesmo tempo, a perda de peso, a sudação noturna, a palidez sem explicação, as nódoas negras e os gânglios aumentados. É raro, e é justamente por isso que tem de ser dito em voz alta;
- a displasia da anca detetada tarde, numa criança que andou tarde, caminha a bambolear-se ou inclina-se de forma evidente para um lado.
Como o médico procura a causa
A observação começa por olhar: o médico vê como a criança anda, como se levanta da cadeira, como se deita na marquesa. Depois verifica a amplitude de movimentos das duas ancas comparando sempre os lados, avalia à parte a rotação interna, palpa o joelho, a perna e o pé, mede a temperatura e observa a pele e os gânglios. Vai perguntar que doenças a criança teve nas últimas duas ou três semanas, se houve quedas, se há algo parecido na família e se as vacinas estão em dia.
A seguir, se o quadro não for absolutamente claro, costumam pedir-se análises com marcadores de inflamação e uma ecografia da anca, que é o que melhor mostra o derrame. A radiografia das duas ancas faz-se quando se suspeita de doença de Perthes, epifisiólise ou traumatismo, e sempre em duas incidências: um deslizamento inicial não se vê em todas. Quando a dúvida está entre sinovite e infeção, punciona-se a articulação e analisa-se o líquido obtido, e é esse o exame decisivo. Por vezes acrescenta-se uma ressonância magnética.
Cuidados em casa, se o médico autorizou
O tratamento em casa só faz sentido depois de a criança ter sido observada e de o perigoso ter sido excluído. A partir daí tudo se resume a repouso e analgesia.
- Deixe a perna descansar: uns dias sem correr, saltar, treinos nem educação física. Não é preciso metê-la na cama: a própria criança limita-se tanto quanto lhe doer.
- Para a dor use as apresentações pediátricas de paracetamol ou ibuprofeno e meça a dose pelo peso da criança, seguindo o folheto informativo. Não ultrapasse o número de tomas diárias nem junte dois produtos com a mesma substância ativa.
- Regresse à vida normal aos poucos, guiando-se por como a criança se sente e não pelo calendário: primeiro andar, depois brincar, depois correr e fazer desporto.
- Não aplique calor na articulação, não a esfregue com pomadas de aquecimento e não a massaje. Se por trás da dor houver uma infeção, o calor piora as coisas.
- Não force a criança a «andar até passar» nem a apoiar a perna se ela não consegue.
- Compareça à consulta de reavaliação se o médico a marcou, mesmo que a criança esteja melhor: na doença de Perthes e na epifisiólise a melhoria temporária engana.
Quando voltar ao médico antes do previsto
Contacte o médico sem esperar pela consulta marcada se surgir febre, se a dor aumentar ou deixar de responder ao analgésico, se a criança apoiar pior a perna, se a dor tinha passado e voltou, ou se ao fim de duas semanas a claudicação continuar igual. Uma claudicação que se arrasta para além de duas semanas já não é uma sinovite, e o diagnóstico tem de ser revisto.
Se quem tem dor na anca é um adulto
No adulto a mesma zona dói por motivos completamente diferentes, e a lógica pediátrica não se transporta: aí em primeiro lugar estão a artrose, a inflamação da bolsa na face externa da anca e a dor referida da zona lombar, e entre o urgente está a fratura da extremidade superior do fémur numa pessoa idosa depois de uma queda. Sobre isso existe neste sítio uma página à parte dedicada à dor na anca em adultos. E ao contrário: se quem coxeia ou se queixa da anca é uma criança ou um adolescente, a página a ler é esta e não a dos adultos, porque a lista de causas e o grau de urgência não são os mesmos.
Consulta em linha
A anca de uma criança não se consegue avaliar por completo através de um ecrã: é preciso observá-la e muitas vezes fazer uma ecografia. Mas a consulta em linha resolve outro problema, não menos importante: ajuda a perceber com que urgência essa observação é necessária. O médico da Oladoctor analisa consigo como exatamente a criança coxeia, se apoia a perna, o que aconteceu nas semanas anteriores, se há febre e que aspeto geral apresenta, e explica que sinais exigem uma ambulância já e com quais se pode ir com calma a uma consulta. Ajuda a interpretar as análises e as imagens já feitas e indica a que especialista recorrer. Se pelo que descrever o quadro se parecer com uma infeção da articulação, ser-lhe-á dito de imediato e será encaminhado para o hospital.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Médicos online para Dor na anca em crianças
Discuta os seus sintomas e os próximos passos possíveis para Dor na anca em crianças numa consulta médica online.














