Dor na ovulação
Cerca de uma em cada cinco mulheres sente, mais ou menos a meio do ciclo, um puxão ou uma pontada de um dos lados do baixo ventre.
Nesta página
Medicamentos frequentemente prescritos para Dor na ovulação
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de tomar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: COMPRIMIDO, 1 g de paracetamolSubstância ativa: paracetamolFabricante: Kern Pharma S.L.Requer receita médicaForma farmacêutica: SOLUÇÃO/SUSPENSÃO ORAL, 400 mgSubstância ativa: ibuprofenFabricante: Apotheke Laboratorios S.L.Não requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 400 mgSubstância ativa: ibuprofenFabricante: Pharmaclan S.R.O.Não requer receita médica
Cerca de uma em cada cinco mulheres sente, mais ou menos a meio do ciclo, um puxão ou uma pontada de um dos lados do baixo ventre. É a dor da ovulação e, em si mesma, é inofensiva: o corpo assinala a saída do óvulo, não se estraga nada e não há nada para tratar. O problema é outro. O meio do ciclo é o sítio mais cómodo onde arrumar qualquer dor no baixo ventre, e é exatamente assim que se perde tempo numa gravidez ectópica, numa torção do ovário e numa endometriose. Por isso o essencial desta página não é a descrição da dor ovulatória, mas os seus limites: como é a verdadeira e por que sinais se vê que não é ela.
Como é a verdadeira dor da ovulação
A dor da ovulação cabe num quadro bastante estreito e reconhecível. Esta dor:
- ocorre a meio do ciclo, cerca de duas semanas antes da menstruação seguinte e não duas semanas depois da anterior: com ciclos longos ou curtos são dias diferentes;
- sente-se de um só lado do baixo ventre, à esquerda ou à direita, e costuma mudar de lado de ciclo para ciclo, porque os ovários trabalham à vez;
- pode ser surda, como um puxão, ou aguda e em pontada, mas mantém-se suportável;
- dura de alguns minutos a um dia, raramente dois;
- por vezes acompanha-se de um sangramento escasso ou de uma alteração do muco, que fica transparente e elástico;
- repete-se de ciclo para ciclo de forma parecida, a ponto de a mulher acabar por a reconhecer.
É esse mesmo o critério: o quadro tem de caber inteiro dentro do enquadramento. Se a dor não é a meio do ciclo, ou vai no quarto dia, ou é mais forte do que das outras vezes, ou se lhe juntaram febre, vómitos, hemorragia ou um atraso, o enquadramento quebrou-se, e daí em diante há que pensar não na ovulação, mas em tudo o resto. Um «mas estou mesmo a meio do ciclo» por si só não chega.
Porque é que o meio do ciclo dói
Durante toda a primeira metade do ciclo amadurece no ovário um folículo, uma vesícula cheia de líquido com o óvulo lá dentro. Na altura da ovulação chega aos dois centímetros e distende a cápsula do ovário, que é sensível ao estiramento: daí a sensação de puxão nas horas que antecedem a saída do óvulo.
Depois o folículo abre-se. Para a cavidade abdominal passam um pouco de líquido e uma gota de sangue que irritam o peritoneu, e isso dá uma dor curta e aguda. Além disso, a parede do ovário e a trompa contraem-se por ação das prostaglandinas, as mesmas substâncias responsáveis pelas cólicas menstruais. Os três mecanismos são breves, e por isso a dor também o é.
Uma ressalva útil: com esta dor não se pode evitar uma gravidez. Pode sentir-se tanto antes da ovulação como depois, e os espermatozoides sobrevivem vários dias nas vias genitais, pelo que «a dor já passou, logo não há risco» é um raciocínio que acaba com regularidade numa gravidez. Como orientação para quem procura engravidar serve; como método contracetivo, não.
Quando as horas contam
Chame uma ambulância pelo número europeu único 112 se:
- uma dor intensa no baixo ventre vier acompanhada de fraqueza, tonturas, palidez, suor frio, coração acelerado ou desmaio. Um sinal de alarme à parte é a dor que sobe ao ombro ou por baixo da clavícula: é assim que se manifesta o sangue dentro do abdómen a irritar o diafragma;
- surgiu de repente uma dor unilateral muito forte, acompanhada de vómitos e que não cede;
- a dor surgiu com um atraso da menstruação e há perdas de sangue;
- o ventre ficou duro e doloroso ao mais leve toque.
Gravidez ectópica. O óvulo fecundado implanta-se fora do útero, quase sempre na trompa, e à medida que cresce vai distendendo-a. A combinação clássica é atraso da menstruação, dor de um lado e um sangramento escasso, diferente de uma menstruação normal. O que a torna traiçoeira é que o atraso pode ser curto, a mulher pode ainda não ter feito um teste, e a dor cai, em termos de datas, exatamente onde se espera a ovulatória. Daí uma regra simples: perante qualquer dor nova no baixo ventre numa mulher em idade fértil, a primeira coisa é um teste de gravidez, mesmo quando a gravidez parece impossível: acontece com contraceção e depois de cirurgia às trompas, e é justamente depois desta que o risco de ser ectópica é maior. O diagnóstico faz-se com análises ao sangue e ecografia, e quanto mais cedo, maiores as hipóteses de resolver com medicamento em vez de cirurgia. A rutura da trompa põe a vida em perigo e acontece depressa.
Torção do ovário. O ovário está suspenso por ligamentos e pode rodar sobre eles, arrastando os vasos que o alimentam. O fluxo de sangue para e o tecido começa a morrer. O quadro é evidente: dor unilateral muito forte de início súbito, muitas vezes com náuseas e vómitos, por vezes em ondas, não raro depois de um movimento brusco, de um salto ou de um esforço físico. Acontece sobretudo quando já existe um quisto no ovário, e também na gravidez e depois de estimulação ovárica. Aqui as horas contam mesmo: o ovário torcido volta ao lugar com cirurgia, e quanto mais cedo esta for feita, maior a probabilidade de o conservar. Esperar que «passe» não é opção: por vezes a dor cede de facto durante um tempo, quando o órgão já se perdeu.
Rutura de um quisto com hemorragia. A rutura de um quisto funcional muitas vezes não deixa consequências e resolve-se com repouso e analgesia. Mas se um vaso se rompe, o sangue enche a cavidade abdominal: a dor é brusca e depois crescem a fraqueza, a palidez e as tonturas. É o caso da primeira lista em que é precisa uma ambulância.
Que mais se disfarça de ovulação
Nem tudo o que não é ovulação exige ambulância. Mas esperar pelo ciclo seguinte também não é a resposta nestes casos.
- Apendicite. Começa quase sempre com uma dor vaga à volta do umbigo e ao fim de algumas horas passa para baixo e para a direita. O traço distintivo é que a dor cresce em vez de ceder, e agrava a andar, a tossir e com os solavancos nos transportes; desaparece o apetite e surgem náuseas e alguma febre. Confunde-se com regularidade com a dor ovulatória do lado direito, e a diferença está precisamente na evolução.
- Doença inflamatória pélvica. Dor no baixo ventre de um ou de ambos os lados juntamente com febre, corrimento anormal e com cheiro, dor nas relações sexuais e perdas de sangue entre menstruações. Surge com mais frequência depois de relações desprotegidas ou de uma mudança de parceiro, porque por trás está em regra uma infeção sexualmente transmissível. Trata-se com antibióticos e não admite adiamentos: uma inflamação não tratada deixa aderências, dor pélvica crónica e dificuldades em engravidar.
- Quistos do ovário. Os pequenos quistos funcionais formam-se normalmente e costumam desaparecer sozinhos ao fim de dois ciclos. Um quisto grande dá peso e dor surda de um lado, sensação de tensão, vontade frequente de urinar e alterações do ciclo. Confirma-se com ecografia.
- Aderências depois de cirurgias e infeções. Uma dor de puxão que depende da posição do corpo e do movimento, e não do dia do ciclo.
- Nada de ginecológico. Um cálculo no ureter (dor intensa no flanco que desce para a virilha, sangue na urina), uma infeção da bexiga, a síndrome do intestino irritável, a obstipação, uma hérnia, um músculo distendido da parede abdominal. Todos dão dor unilateral no baixo ventre e calham a meio do ciclo por mero acaso.
Quando «é só a ovulação» não é normal
Uma dor a meio do ciclo que não cabe num ou dois dias e que impede de viver não é coisa para suportar. Quase todas já ouviram «dói a toda a gente», e é precisamente por causa dessa frase que o diagnóstico de endometriose chega em média muitos anos depois das primeiras queixas.
A endometriose é uma condição em que um tecido semelhante ao revestimento do útero cresce fora dele: no peritoneu, nos ovários, no intestino. Responde às mesmas hormonas, sangra todos os meses num espaço fechado e provoca inflamação e aderências. Motivos para a suspeitar:
- a dor começa vários dias antes da menstruação e não larga;
- a dor menstrual é tal que obriga a ficar deitada e a faltar ao trabalho ou às aulas, e os analgésicos nas doses habituais não chegam;
- desconforto com a penetração profunda durante as relações;
- dor ao evacuar ou ao urinar, sobretudo durante a menstruação, por vezes com sangue;
- dor no baixo ventre fora da menstruação, dia após dia;
- cansaço acentuado e inchaço abdominal;
- a gravidez não acontece há mais de um ano.
Vale a pena consultar também nos outros casos em que o enquadramento da dor ovulatória se quebra claramente: a dor é mais forte a cada ciclo; é sempre do mesmo lado; a dor a meio do ciclo surgiu pela primeira vez depois dos quarenta anos ou já na menopausa; acompanha-se de alterações do ciclo, perdas de sangue entre menstruações, perda de peso, um inchaço que não passa e uma sensação constante de enfartamento depois de comer. Esta última combinação — inchaço, saciedade rápida, um abdómen que mudou, urinar com frequência — merece ser verificada à parte e sem demora: é assim que pode começar um tumor do ovário, que nas fases iniciais se manifesta justamente com queixas assim tão vagas.
O que ajuda se for mesmo a ovulação
- Calor no baixo ventre: uma bolsa de água quente sobre um pano ou um duche morno. Funciona como nas cólicas menstruais, e muitas vezes basta isso.
- Um analgésico: paracetamol ou um anti-inflamatório não esteroide. O segundo costuma ser mais eficaz nesta dor porque atua sobre as prostaglandinas. Combine a dose e a escolha com o médico ou o farmacêutico, sobretudo se houver problemas de estômago ou de rins e na gravidez.
- Umas horas de sossego, mas não é preciso passar o dia deitada: o movimento suave tolera-se bem.
- Faça um diário curto: dia do ciclo, lado, tipo e duração da dor. Ao fim de dois ou três ciclos vê-se se ela se repete sempre na mesma fase. Isso responde-lhe a si à pergunta principal e poupa tempo ao médico.
- Se a dor se repete e incomoda, vale a pena falar com o médico sobre contraceção hormonal: suprime a ovulação e, com ela, a dor. É o médico que a escolhe tendo em conta as suas contraindicações — não é coisa que se receite a si própria.
- Um sinal que deve pôr de sobreaviso: o analgésico em dose normal não faz efeito. A dor ovulatória responde; se não responde, o mais provável é não se tratar de ovulação.
Como se estuda uma dor a meio do ciclo
Os exames aqui são poucos e na maior parte indolores.
Começa-se por um teste de gravidez: perante uma dor aguda é o primeiro passo, independentemente do que diga o calendário e do método contracetivo usado. Depois o médico pergunta pelo dia do ciclo, pelo lado, pela duração, pela relação com a atividade sexual e com a dejeção, pelo corrimento e pela febre, e observa. O exame principal é a ecografia pélvica, de preferência transvaginal: mostra um quisto, líquido livre na pelve e sinais de alteração do fluxo sanguíneo do ovário. Conforme a situação juntam-se um hemograma e marcadores de inflamação, análise de urina, colheitas para clamídia e gonorreia, e perante a suspeita de gravidez ectópica o doseamento da gonadotrofina coriónica no sangue, em regra duas vezes com intervalo, porque o que importa não é o valor mas a sua evolução.
Uma precisão que custa anos: uma ecografia normal não exclui a endometriose. Muitos focos não se veem, e «na ecografia está tudo limpo» não quer dizer que as queixas sejam imaginadas. Se o quadro for típico, o médico avança: inicia um tratamento experimental ou encaminha para o especialista, em vez de mandar para casa.
Consulta em linha
Separar a dor da ovulação de tudo o resto consegue-se em boa parte a conversar, pelo que começar a esclarecer a partir de casa, sem esperar por marcação, é prático. O médico da Oladoctor vai apurar em que dia do ciclo apareceu a dor, de que lado, quanto tempo dura, se o lado mudou das vezes anteriores, se há atraso, corrimento ou febre, e por essas respostas dirá se tudo se enquadra numa ovulação normal. Vai indicar se é preciso um teste de gravidez já, que analgesia lhe convém, se vale a pena uma ecografia e em que dia do ciclo a marcar, e perante uma dor prolongada e intensa explicará como é o caminho até ao diagnóstico de endometriose e o que se pode fazer desde já. E vai nomear abertamente as situações em que a conversa tem de parar: uma dor forte e súbita com vómitos, dor com atraso menstrual e perdas de sangue, fraqueza e tonturas são motivo para chamar uma ambulância, não para acabar de escrever a mensagem.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Médicos online para Dor na ovulação
Discuta os seus sintomas e os próximos passos possíveis para Dor na ovulação numa consulta médica online.






