Dor nas articulações
Quase toda a gente tem dores nas articulações pelo menos uma vez na vida. O que importa é outra coisa: sob as mesmas palavras, «doem-me as articulações»…
Nesta página
Medicamentos frequentemente prescritos para Dor nas articulações
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de tomar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: COMPRIMIDO, 400 mgSubstância ativa: ibuprofenFabricante: Zentiva Spain S.L.Requer receita médicaForma farmacêutica: SOLUÇÃO/SUSPENSÃO ORAL, 100 mg de ibuprofeno / 5 mlSubstância ativa: ibuprofenFabricante: Laboratorios Normon S.A.Não requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 400 mgSubstância ativa: ibuprofenFabricante: Laboratorios Combix S.L.U.Requer receita médica
Quase toda a gente tem dores nas articulações pelo menos uma vez na vida. O que importa é outra coisa: sob as mesmas palavras, «doem-me as articulações», escondem-se situações de urgência muito diferente — de um joelho sobrecarregado a uma doença inflamatória que tem de começar a ser tratada nos primeiros meses, ou a uma infeção dentro da articulação em que se conta por horas. Esta página serve para as separar. Se o único sítio que dói é o joelho, esse tem o seu próprio conjunto de causas e a sua própria página sobre dor no joelho; volte aqui se houver várias articulações envolvidas ou se ao joelho se juntarem rigidez matinal, inchaço ou febre.
Será mesmo a articulação?
A primeira coisa a esclarecer é se dói de facto a articulação. Muitas vezes a dor vem do que está ao lado: um tendão, o ponto onde se insere no osso, uma bolsa, um músculo. O tratamento destas situações é outro.
Quando é a articulação que está doente, dói mexê-la em qualquer direção, incluindo quando é outra pessoa a mover o membro e o doente está relaxado; pode estar inchada a toda a volta e quente ao toque. Quando o problema está nos tecidos em redor, a dor é pontual, aponta-se com um dedo, aparece com um movimento concreto e ao contrair um músculo determinado, e nas restantes direções a articulação move-se livremente.
Há ainda uma terceira hipótese: a dor referida. O ombro pode doer por causa do pescoço, e a anca e o joelho por causa da região lombar, com a articulação perfeitamente sã. A pista é uma dor que corre em faixa, desce pelo membro, vem com formigueiro ou dormência e muda com a posição das costas e do pescoço, não com a carga sobre a articulação.
Inflamação ou desgaste: a bifurcação principal
É a distinção mais útil de todo o tema, e justamente a que quase nunca se faz. A dor mecânica e a dor inflamatória comportam-se de maneira diferente, e a partir daí divergem também as decisões.
A dor mecânica — o exemplo clássico é a artrose — agrava com a carga e ao fim do dia, acalma com o repouso, e a rigidez matinal é curta: cinco ou dez minutos, um quarto de hora no máximo, e passa ao fim de alguns movimentos. De noite não costuma acordar. Se houver inchaço, é ligeiro e sem calor.
A dor inflamatória faz o contrário: a rigidez matinal dura mais de meia hora e muitas vezes uma hora ou mais; o movimento alivia e o repouso prolongado agrava; a articulação está inchada, quente e por vezes avermelhada; a dor acorda na segunda metade da noite. Não é raro juntarem-se cansaço, febrícula e perda de peso.
A diferença é prática, não teórica. A dor mecânica gere-se razoavelmente com movimento, alívio de carga e analgesia. A dor inflamatória não se cura com pomadas nem passa sozinha: por trás estão a artrite reumatoide, a artrite psoriática, as espondiloartrites, a gota e as doenças sistémicas. Aqui o tempo conta: uma artrite inflamatória apanhada nos primeiros meses permite salvar as articulações, enquanto um ano perdido se traduz num dano que já não se recupera. Por isso, mais de meia hora de rigidez matinal com uma articulação inchada é motivo para marcar consulta, e não para passar pela farmácia.
Uma articulação ou muitas
A segunda pergunta que estreita muito o leque de causas é quantas articulações estão envolvidas e quais.
- Uma articulação, de forma aguda: traumatismo, gota, pseudogota, hemorragia dentro da articulação, infeção. Uma dor noturna súbita no dedo grande do pé, com inchaço arroxeado e uma sensibilidade ao toque insuportável, é um quadro muito característico de gota.
- Uma articulação, de forma prolongada: artrose, lesão da cartilagem ou do menisco, uma lesão antiga e, raramente, uma infeção crónica ou um tumor.
- Várias articulações grandes, à vez: artrite reativa uma a quatro semanas depois de uma infeção intestinal ou geniturinária, e artrites víricas.
- Muitas articulações pequenas, de forma simétrica: a artrite reumatoide começa nas mãos e nos pés, igual dos dois lados, com rigidez matinal marcada. As infeções víricas dão um quadro parecido, mas resolvem-se em semanas.
- Articulações em conjunto com dor nas costas: uma dor lombar inflamatória numa pessoa jovem, que agrava em repouso e alivia com o movimento, é uma espondiloartrite e não umas «costas forçadas».
- Rigidez nos ombros e nas ancas numa pessoa mais velha sem inchaço das próprias articulações: pode ser uma polimialgia reumática.
Se de toda esta lista o que lhe diz respeito é apenas o joelho, leia a página sobre dor no joelho: aí explicam-se o mecanismo da lesão, o bloqueio, a lesão do menisco e a dor por baixo da rótula nos mais novos.
Quando é preciso ajuda imediata
Uma única articulação quente, vermelha e inchada acompanhada de febre e arrepios é uma infeção articular, e aí conta-se por horas. O pus destrói a cartilagem de forma irreversível em poucos dias, por isso essa articulação é observada e puncionada no próprio dia e tratada no hospital. Não espere pela manhã, não aplique calor e não tome «alguma coisa para a inflamação»: o analgésico baixa a febre e suaviza o quadro, mas a doença continua. Atenção redobrada se a articulação for uma prótese, se houve há pouco um traumatismo ou uma infiltração, se toma medicamentos que baixam as defesas ou se tem diabetes. A gota tem um aspeto quase igual e a olho não se distinguem, pelo que se atua como perante uma infeção enquanto não se provar o contrário.
Dirija-se à urgência ou chame uma ambulância pelo número europeu único 112 se:
- a articulação está quente, vermelha e inchada e tem febre ou arrepios;
- depois de uma queda ou de uma pancada a articulação mudou de forma, ficou num ângulo anormal ou não suporta qualquer peso;
- depois da lesão a articulação inchou no espaço de uma hora;
- abaixo da articulação o membro ficou dormente, pálido ou frio;
- toma anticoagulantes e a articulação inchou e ficou arroxeada rapidamente.
O que não se deve adiar
Consulte um médico de família nos próximos dias se:
- a dor nas articulações vem com erupção cutânea, febre e perda de peso — essa combinação surge em doenças sistémicas e exige investigação, não vigilância;
- as articulações estão rígidas de manhã mais de meia hora e isso dura há mais de duas ou três semanas;
- uma articulação está claramente inchada e não percebe porquê;
- a dor começou depois de uma picada de carraça, de uma infeção intestinal ou de uma infeção sexualmente transmissível;
- numa pessoa mais velha, à dor nos ombros e nas ancas juntam-se dor de cabeça nas têmporas, sensibilidade do couro cabeludo, dor na mandíbula ao mastigar ou alterações da visão: pode ser uma arterite temporal, avaliada com urgência porque ameaça a vista;
- a dor articular aparece numa criança e dura mais do que alguns dias, sobretudo se coxeia, tem febre ou não tem bom aspeto.
O que costuma estar por trás
- Artrose, a causa mais frequente a partir dos quarenta ou cinquenta anos. Afeta joelhos, ancas, mãos e a base do polegar: dor com a carga, rigidez breve e perda progressiva de mobilidade.
- Artrite reumatoide, tratada com fármacos que alteram o curso da doença; quanto mais cedo se começa, melhor o resultado.
- Gota e pseudogota, cristais depositados na articulação. O ataque instala-se em horas e cede em poucos dias, mas repete-se e vai estragando a articulação.
- Artrite psoriática. Vale a pena pensar nela havendo psoríase (por vezes só no couro cabeludo ou nas pregas) ou alterações das unhas; são típicas a inflamação de um dedo inteiro e a dor no calcanhar.
- Artrites víricas. Muitas infeções comuns provocam dores e até inchaço articular; resolvem-se em duas a seis semanas.
- Tendinite e bursite, inflamação de um tendão ou de uma bolsa por sobrecarga: dói ao lado da articulação, não dentro dela.
- Outras doenças e medicamentos. As dores articulares surgem nas doenças da tiroide e na falta de vitamina D, e também com estatinas, inibidores da aromatase e na suspensão de corticoides.
- Fibromialgia, dor generalizada nos músculos e à volta das articulações sem inchaço, com sono perturbado e cansaço. As articulações não se destroem e o tratamento é completamente diferente.
O que pode fazer por si
- Mexa-se. O repouso absoluto prejudica a articulação: sem movimento a cartilagem nutre-se pior, os músculos enfraquecem e a dor acaba por aumentar. A carga altera-se, não se suprime: caminhar, nadar, bicicleta, movimentos dentro da amplitude que não dói.
- Uma lesão recente trata-se nas primeiras vinte e quatro a quarenta e oito horas com repouso e frio: um saco de gelo envolvido num pano, nunca sobre a pele nua, durante quinze a vinte minutos.
- Analgésicos: paracetamol e anti-inflamatórios não esteroides por via oral ou em gel. Combine a escolha e a dose com o médico ou o farmacêutico, sobretudo se tiver problemas de estômago, rim ou coração ou tomar outros medicamentos. Recorrer a analgésicos semana após semana é sinal de que falta um diagnóstico, não outra caixa.
- Perder peso alivia nitidamente joelhos e ancas: cada quilo a mais multiplica-se várias vezes a cada passo.
- O calor ajuda na rigidez, o frio no inchaço e no calor local. A regra é simples: uma articulação quente e vermelha não se aquece mais.
- Calçado confortável e uma bengala na mão contrária aliviam a articulação dorida mais do que parece.
O que não vale a pena: aguentar meses à espera de que passe; aquecer uma articulação já quente; tomar corticoides por iniciativa própria; e sobretudo confundir a dor inflamatória com a idade. A idade não explica uma articulação inchada nem uma hora de rigidez matinal.
Como o médico procura a causa
A conversa aqui pesa mais do que parece: ao médico interessa que articulações doem, se de forma simétrica, quanto tempo dura a rigidez, o que aconteceu no mês ou dois anteriores, se há psoríase, doença inflamatória do intestino ou doenças reumáticas na família, e que medicamentos toma. Depois observa as articulações à procura de inchaço, calor e limitação do movimento, e verifica pele, unhas, olhos e coluna.
Dos exames, o habitual é uma análise de sangue com marcadores de inflamação e, conforme o caso, ácido úrico, fator reumatoide e anticorpos contra o péptido citrulinado cíclico. A ecografia mostra bem o líquido dentro da articulação e a inflamação da membrana; a radiografia, as alterações da artrose e da artrite avançada; a ressonância não é precisa para toda a gente. Perante uma única articulação aguda, o exame decisivo é a punção com análise do líquido obtido: responde de uma vez às duas perguntas, se é infeção ou se são cristais. Havendo suspeita de artrite inflamatória, o médico encaminha para o reumatologista, e esse encaminhamento não fica à espera.
Consulta em linha
Grande parte deste trabalho faz-se a ouvir, e é isso que torna a consulta em linha útil logo na fase mais inicial. O médico da Oladoctor vai perguntar quanto dura a rigidez matinal, se o movimento alivia, que articulações estão envolvidas e o que aconteceu nas semanas anteriores, e a partir dessas respostas dirá se o quadro se parece mais com um problema mecânico ou com um inflamatório. Vai explicar que análises fazem sentido, ajudar a ler resultados e imagens que já existam e indicar se é preciso um reumatologista. E vai avisar expressamente das situações em que a conversa tem de parar e há que ir ao hospital: uma articulação quente e inchada com febre não pode esperar.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Médicos online para Dor nas articulações
Discuta os seus sintomas e os próximos passos possíveis para Dor nas articulações numa consulta médica online.














