Olhos secos
A superfície do olho está sempre coberta por uma película muito fina feita de água, gordura e muco.
Nesta página
- Os olhos lacrimejam e o diagnóstico é secura
- A película rompe-se de duas maneiras diferentes
- O que resseca os olhos dia após dia
- Medicamentos em que ninguém pensa
- Quando a secura não é do olho, mas do organismo inteiro
- O que ajuda mesmo
- O que não convém fazer
- Isto já não é secura: quando é preciso ser visto sem esperar
- Consulta em linha
Medicamentos frequentemente prescritos para Olhos secos
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de tomar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: COLÍRIO, 50 microgramas/mlSubstância ativa: latanoprostFabricante: Brill International S.L.Requer receita médicaForma farmacêutica: COLÍRIO, 1% carboximetilcelulose de sódioSubstância ativa: artificial tears and other indifferent preparationsFabricante: Abbvie Spain, S.L.U.Requer receita médicaForma farmacêutica: COLÍRIO, 50 microgramas/mlSubstância ativa: latanoprostFabricante: Laboratorios Salvat S.A.Requer receita médica
A superfície do olho está sempre coberta por uma película muito fina feita de água, gordura e muco. Enquanto a película se mantém inteira, ninguém dá por ela; assim que se rompe entre duas pestanejadas, o olho começa a dar sinal — arde, raspa, como se tivessem deitado areia por baixo da pálpebra. A queixa costuma atribuir-se ao cansaço do ecrã, e na maioria dos casos é mesmo isso. Mas por trás da mesma secura estão coisas bem diferentes: metade das causas não está no olho, e sim no armário dos medicamentos ou numa doença geral, e só se descobrem se soubermos o que procurar.
Os olhos lacrimejam e o diagnóstico é secura
É a primeira coisa que confunde. A pessoa vem queixar-se de que os olhos lhe lacrimejam: ardem com o vento, correm com o frio, tem de os limpar com um lenço. Ao ouvir a palavra «secura» não acredita: como pode estar seco o que está molhado?
Funciona assim. A glândula lacrimal produz dois caudais distintos. Um é constante e escasso, e é esse que sustenta a película. O outro é de emergência: é a irritação que o liga e liberta uma descarga de lágrima muito aquosa. Quando o caudal constante não chega, a superfície irrita-se e o cérebro carrega uma e outra vez no botão de emergência. As lágrimas correm, mas são água sem a parte gorda: escorrem pela face e espalham-se mal pelo olho. A superfície continua seca.
Daqui resulta uma consequência prática: lacrimejar ao vento, ao frio e ao fim do dia é um sinal típico de olho seco, e não um argumento contra. E as gotas que «secam» fazem nesta situação exatamente o contrário do que seria preciso.
A película rompe-se de duas maneiras diferentes
A distinção interessa, porque a cada uma serve uma coisa diferente.
- Há pouca lágrima. A glândula produz menos líquido do que devia: acontece com a idade, depois da menopausa, em doenças gerais e após radioterapia à cabeça.
- A lágrima evapora depressa demais. Líquido há, mas está defeituosa a camada de gordura que impede que seque. Da gordura ocupam-se glândulas alojadas na espessura da pálpebra, e as suas saídas obstruem-se com facilidade: os bordos das pálpebras avermelham, de manhã há crostas nas pestanas e ao fim da tarde tudo piora. É a variante mais frequente, e é a que se trata com compressas quentes e não com gotas.
Na maioria das pessoas as duas coexistem, apenas em proporções diferentes.
O que resseca os olhos dia após dia
- O ecrã. A trabalhar diante dele pestaneja-se três ou quatro vezes menos do que é habitual, e ainda por cima de forma incompleta, pelo que a película não se refaz. Não adianta «descansar a vista» em abstrato: adianta pestanejar por completo e de forma consciente e fazer uma pausa a cada vinte ou trinta minutos.
- A idade: depois dos cinquenta a secura é muito comum, e nas mulheres aparece mais cedo e com mais frequência.
- As lentes de contacto, sobretudo quando usadas mais horas do que o devido e sem dias de descanso.
- O ar seco: ar condicionado, aquecimento, a saída de ar do carro apontada à cara, o avião, o vento e o pó.
- O tabaco e os ambientes com fumo, incluindo o fumo dos outros.
- As operações ao olho, entre elas a correção da visão com laser: a secura que se segue é normal e costuma passar ao fim de alguns meses.
- As extensões de pestanas, a maquilhagem permanente das pálpebras e o lápis pelo bordo interno, que é justamente onde desembocam as glândulas da gordura.
Medicamentos em que ninguém pensa
É a causa que mais escapa e, ao mesmo tempo, aquela em que se pode intervir. Provocam secura ocular:
- os anti-histamínicos tomados para a alergia;
- os antidepressivos, sobretudo os dos grupos mais antigos, e também os medicamentos para dormir e para a ansiedade;
- os diuréticos e parte dos medicamentos para a tensão, incluindo os betabloqueantes;
- a isotretinoína, receitada para o acne grave;
- os fármacos para a bexiga hiperativa, para o enjoo do transporte e para os espasmos;
- os contracetivos hormonais e a terapêutica hormonal da menopausa;
- os colírios para o glaucoma, tanto pela substância ativa como pelo conservante quando se usam durante anos.
Não interrompa por sua conta um medicamento receitado. O correto é apresentar-se ao médico com a lista de tudo o que toma, incluindo o que compra sem receita. Por vezes basta mudar de fármaco dentro do mesmo grupo, ou passar a uma apresentação sem conservante, e os olhos acalmam em duas semanas.
Quando a secura não é do olho, mas do organismo inteiro
Há doenças em que o sistema imunitário ataca as glândulas que produzem líquidos. A principal é a síndrome de Sjögren. Não se reconhece pelos olhos isoladamente, mas pelo conjunto:
- olhos secos há meses, que não cedem às medidas habituais;
- boca seca: custa engolir pão seco sem beber, acorda-se de noite para beber água, os dentes estragam-se depressa;
- dores e rigidez matinal nas articulações, cansaço acentuado;
- por vezes pele e mucosas secas e inchaço das glândulas salivares à frente das orelhas.
É uma doença sistémica e não «cansaço do ecrã», e quem dela trata é o reumatologista: são precisas análises ao sangue e uma avaliação das glândulas salivares. Se lhe secam ao mesmo tempo os olhos e a boca, diga-o expressamente: em separado, cada uma das duas queixas vai parar a um especialista diferente e nunca se encontram no mesmo processo. A outra metade deste par está explicada na página vizinha, «Boca seca».
Há também olhos secos na artrite reumatoide, no lúpus, nas doenças da tiroide (onde além disso os olhos ficam salientes e as pálpebras deixam de fechar por completo), na diabetes, depois de um transplante de medula óssea e em algumas lesões do nervo facial em que a pálpebra deixa de cerrar.
O que ajuda mesmo
- As lágrimas artificiais. Não se põem «quando já não se aguenta», mas a horas certas, várias vezes por dia, durante semanas seguidas. Se forem precisas mais de quatro a seis vezes por dia, escolha uma apresentação sem conservante: instilado com frequência, o conservante irrita a superfície por si só. Os géis e as pomadas são mais espessos e duram mais, mas turvam a visão durante algum tempo, o que os torna práticos para a noite.
- Compressa quente sobre as pálpebras fechadas, cinco a dez minutos, seguida de uma massagem suave do bordo da pálpebra com o dedo, de cima para baixo, e de uma limpeza com um produto delicado. Todos os dias e durante pelo menos um mês: antes disso o efeito não aparece. É o tratamento de fundo quando as glândulas da pálpebra estão obstruídas.
- Reorganizar o posto de trabalho: ecrã abaixo do nível dos olhos, para que as pálpebras cubram mais a fenda, ar que não sopre para a cara e um humidificador na divisão.
- Uma pausa das lentes: óculos em vez de lentes nos dias piores.
- Deixar de fumar e afastar-se do fumo alheio.
- Se a pálpebra fica entreaberta durante o sono, o médico pode indicar pomada à noite e tapá-la com um adesivo: isso resolve mais depressa do que qualquer outra medida.
Quando isto não chega, o oftalmologista acrescenta tratamentos que não se vendem livremente, até ao encerramento dos pontos lacrimais com tampões minúsculos para que a lágrima própria permaneça mais tempo no olho.
O que não convém fazer
- Usar colírios vasoconstritores «para o vermelho». Tiram o vermelho em poucos minutos ao apertar os vasos, mas não hidratam nada. Com o uso repetido os vasos respondem dilatando-se ainda mais, o olho fica mais vermelho do que estava e a pessoa recorre ao frasco cada vez mais vezes. Num olho seco isto é uma espiral que só desce.
- Usar colírios com antibiótico ou com corticoide que sobraram de outra ocasião. Os corticoides sem vigilância sobem a pressão dentro do olho e atrasam a cicatrização.
- Esfregar os olhos. Alivia um segundo e danifica a superfície; a esfregar de contínuo chega a deformar-se a córnea.
- Lavar os olhos com chá, camomila ou soro feito em casa: os restos da infusão e a concentração errada irritam mais do que acalmam.
- Usar lentes com o olho dorido, vermelho ou com a visão turva. A lente sai e não volta a entrar enquanto o olho não for observado.
Isto já não é secura: quando é preciso ser visto sem esperar
A secura incomoda, mas não tira visão. Tudo o que segue são sinais de outra coisa, e resolvem-se no próprio dia; os primeiros pontos de imediato, ligando 112 ou indo à urgência oftalmológica:
- dor dentro do olho, e não ardor à superfície, tanto mais se for forte e vier com náuseas;
- dói olhar para a luz, o olho fecha-se e lacrimeja com a claridade;
- a visão piorou: um véu, clarões, manchas flutuantes, linhas tortas ou falta de um pedaço do campo visual;
- a vermelhidão é densa e escura, em anel à volta da íris, e não espalhada pelo branco;
- halos coloridos à volta das luzes, olho duro, dor de cabeça do mesmo lado e náuseas: é assim que se manifesta uma subida brusca da pressão do olho;
- traumatismo do olho, ou entrada de uma lasca, um vidro, cal ou qualquer produto químico;
- secreção purulenta, pálpebras inchadas e febre;
- qualquer dor ou vermelhidão em quem usa lentes de contacto: tirar a lente de imediato e ser observado nesse mesmo dia, porque em quem usa lentes uma infeção da córnea instala-se em horas.
Sem urgência, mas sem adiar, vai-se ao oftalmologista se a secura não ceder às medidas caseiras ao fim de algumas semanas, se mudar a forma ou a posição das pálpebras, ou se os olhos secos aparecerem numa criança ou num adolescente.
Consulta em linha
À distância resolve-se mais de metade das dúvidas sobre este tema. O médico determinará que tipo de secura tem — pouca lágrima ou lágrima que evapora depressa demais — e disso depende o que lhe vai servir: as gotas ou a higiene diária da pálpebra. Percorrerá à parte a lista dos seus medicamentos e indicará o que vale a pena falar com quem os receitou. Perguntará pela boca seca, pelas articulações e pelo cansaço para não deixar escapar uma causa geral, e explicará que análises fazem sentido. E sobretudo, pelo seu relato, separará a secura corrente dos sinais que obrigam a observar o olho nesse mesmo dia.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.




