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Medicamentos frequentemente prescritos para Vermes intestinais
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de tomar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: COMPRIMIDO, 100 mgSubstância ativa: mebendazoleFabricante: Esteve Pharmaceuticals S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: SOLUÇÃO/SUSPENSÃO ORAL, 100 mg mebendazol/ 5 mlSubstância ativa: mebendazoleFabricante: Esteve Pharmaceuticals S.A.Requer receita médica
É um tema desconfortável, e é justamente por isso que se acumulou tanta tolice à sua volta: sementes de abóbora, alho, «limpezas» e um ciclo de comprimidos para toda a família uma vez por ano, por precaução. A conversa verdadeira, no entanto, é simples. Os vermes intestinais são parasitas que vivem no intestino ou, com menos frequência, noutros órgãos. Uns são comuns em qualquer lugar, incluindo cidades com saneamento em bom estado; outros trazem-se das viagens. A maioria trata-se em poucos dias, mas trata-se de maneiras diferentes, e do verme em causa dependem o medicamento e a necessidade de estudar o resto da família.
Oxiúros: é por aqui que começa quase tudo
Se se trata de uma criança que se coça de noite, na grande maioria dos casos são oxiúros, a infeção por vermes mais frequente nas nossas latitudes, e nada tem a ver com falta de limpeza: apanham-nos também as famílias mais cuidadosas.
Passa-se assim. De noite a fêmea sai e põe os ovos nas pregas da pele em volta do ânus, e daí vem uma comichão que aumenta ao aproximar-se a noite e não deixa dormir. A criança revira-se, demora a adormecer e de dia está irritável. Às vezes vêem-se os próprios vermes nas fezes ou na roupa interior: brancos, com alguns milímetros, parecidos com pedaços de linha. O diagnóstico não se confirma com uma análise às fezes, mas com a impressão de uma fita adesiva na pele em volta do ânus pela manhã, antes da higiene.
Trata-se toda a família no mesmo dia, todos os que vivem juntos, com ou sem queixas. O sentido está precisamente em ser ao mesmo tempo: se se tratar só a criança, os conviventes sem sintomas voltam a passar-lhe os vermes numa semana. A toma seguinte, no prazo devido, é indicada pelo médico: serve para apanhar os que nasceram dos ovos depois da primeira.
E os comprimidos não bastam. No mesmo dia e nas duas semanas seguintes: mudar e lavar a roupa interior, os pijamas e a roupa de cama sem os sacudir, porque os ovos espalham-se pelo quarto; manter as unhas curtas; lavar as mãos depois da casa de banho e antes de comer; lavar a criança de manhã; vestir-lhe roupa interior justa à noite; e passar mais vezes um pano húmido nas superfícies e nos brinquedos. Sobre a comichão em si, e sobre o que significa quando não são oxiúros, há a página vizinha «Comichão anal».
Como os vermes entram no organismo
O caminho é quase sempre o mesmo: os ovos ou as larvas chegam à boca. Os detalhes são estes.
- Mãos sem lavar. A via principal. Os ovos dos oxiúros ficam debaixo das unhas da criança que se coçou, depois passam para as maçanetas, os brinquedos e a loiça, e daí para a boca do próximo. Os ovos são resistentes e sobrevivem semanas no pó de casa.
- Legumes, ervas e frutos mal lavados da horta e, em viagem, também a água e a comida de rua. É assim que se transmitem as lombrigas e outros vermes que vivem no solo.
- Carne e peixe crus ou mal cozinhados. Com menos frequência, mas é assim que chegam as ténias: a do porco e a da vaca a partir da carne, e outros vermes a partir do peixe de água doce salgado em casa ou mal passado. O congelador e uma cozedura completa fecham este caminho.
- Pés descalços e terra. As larvas de alguns vermes atravessam diretamente a pele do pé. Diz respeito a regiões de clima quente e sem saneamento adequado, não à horta ao lado de casa.
Um esclarecimento que retira muito medo: de pessoa para pessoa os vermes não se transmitem pelo ar, por um beijo ou pela loiça lavada em água quente. Transmitem-se os ovos, e quase sempre pelas mãos.
Viagens e trópicos: primeiro os exames, não o comprimido
Se as queixas apareceram depois de uma viagem a países quentes, a história é outra, e vale a pena esclarecê-la em vez de engolir às cegas «alguma coisa para os vermes».
De lá trazem-se ascaridíase, ancilostomíase, estrongiloidíase, esquistossomíase — que se apanha a tomar banho em água doce — e também a forma cutânea, na qual aparece no pé ou na nádega uma linha vermelha sinuosa que avança lentamente dia após dia: é uma larva a deslocar-se na pele. Algumas destas infeções não se manifestam logo, mas meses e até anos depois, por isso é obrigatório dizer ao médico onde e quando esteve, mesmo que a viagem tenha sido há dois anos.
Porque não convém tratar-se às cegas: vermes diferentes exigem medicamentos diferentes, nenhum cobre tudo, e um comprimido tomado por precaução embaça o quadro e dificulta encontrar a causa verdadeira. Os exames não são complicados: fezes à procura de ovos, habitualmente várias amostras em dias diferentes, um hemograma onde se vê muitas vezes um aumento dos eosinófilos e, se for preciso, análises de sangue para anticorpos e uma ecografia. São uma ou duas semanas, e depois o tratamento será o certo.
Gatos, cães e a caixa de areia
Apanhar vermes dos animais de casa é raro, mas há duas situações que merecem atenção, sobretudo com crianças pequenas em casa.
- Toxocara, o verme dos cães e dos gatos. Os seus ovos chegam à caixa de areia e ao solo com as fezes dos animais, e daí à boca da criança. Nas pessoas o verme não chega a adulto, mas as larvas viajam pelos órgãos e podem provocar febre prolongada, tosse, aumento do fígado e, raramente, uma lesão no olho. Daí uma regra simples: tapar a caixa de areia, recolher logo as fezes do animal e lavar as mãos depois de brincar na rua e de mexer no animal.
- Equinococo, uma infeção rara mas séria transmitida por cães, mais frequente onde se criam ovelhas. No fígado ou no pulmão cresce devagar um quisto que durante anos não dá sinal. É tratada pelo cirurgião juntamente com o infeciologista, e aqui não há lugar a tratamentos por conta própria.
- Desparasitar cães e gatos com regularidade, segundo o esquema do veterinário, protege o animal e as pessoas da casa.
Os oxiúros, pelo contrário, são um parasita exclusivamente humano: o gato não os traz nem os apanha, e desparasitá-lo quando a criança tem oxiúros não serve de nada.
O que não se pode deixar passar
A maioria das infeções por vermes não é perigosa, mas os sinais seguintes indicam que não são vermes, ou que se trata de algo mais sério do que oxiúros. Com eles é preciso médico e não farmácia:
- perda de peso sem motivo, fraqueza, falta de apetite;
- sangue nas fezes ou fezes negras como alcatrão;
- diarreia com mais de duas semanas, sobretudo se começou depois de uma viagem;
- dor abdominal constante ou intensa, distensão, vómitos;
- anemia numa criança: pele pálida, apatia, hemoglobina baixa sem causa clara;
- erupção na pele e tosse depois de uma viagem, febre prolongada, suores noturnos;
- cor amarela da pele e do branco dos olhos, urina escura;
- saiu um verme grande ou um segmento branco e achatado do tamanho de um grão de arroz;
- a comichão da criança continua um mês depois de toda a família ter sido tratada corretamente.
Tratamento: o medicamento escolhe-se pelo parasita
Os antiparasitários não atuam da mesma forma em todos os vermes: o que mata os vermes redondos nada faz às ténias, e o tratamento da esquistossomíase ou da equinococose é um assunto à parte, com os seus prazos e a sua vigilância. Daí a ordem certa: primeiro saber qual é, depois tratar. Com oxiúros típicos o médico ou o farmacêutico indicam logo o produto; em todos os outros casos começa-se pelas análises.
Digamo-lo com clareza: os «ciclos preventivos contra vermes para toda a família uma vez por ano», sem queixas e sem análises, não são prática médica. E não é um ritual inofensivo: estes medicamentos têm efeitos indesejáveis e contraindicações, são tolerados de forma diferente por crianças, por grávidas e por quem tem doenças do fígado, e o hábito da «limpeza» anual faz com que as causas verdadeiras da dor abdominal, da diarreia e da perda de peso sejam procuradas com anos de atraso. O que justifica o tratamento é um parasita encontrado ou um quadro clínico claro, não o calendário.
E um parágrafo para os remédios caseiros. As sementes de abóbora, o alho, a artemísia, os clisteres e os aparelhos que «expulsam parasitas» não curam nenhuma destas infeções. Alguns destes métodos não são inócuos em si mesmos e, sobretudo, o tempo gasto neles é tempo em que o verme continua no lugar e o diagnóstico fica para depois.
O que reduz realmente o risco
- Lavar as mãos com sabão depois da casa de banho, ao chegar da rua, depois de mexer em terra e em animais e antes de comer: funciona melhor do que qualquer comprimido.
- Lavar legumes, fruta e ervas, sobretudo os da própria horta e os do mercado.
- Cozinhar bem a carne e o peixe; salgar ou secar o peixe em casa não retira o risco, congelá-lo retira.
- Em viagens a locais sem saneamento adequado: água engarrafada ou fervida, sem gelo nas bebidas, sem saladas cruas nem fruta descascada por mãos alheias, sem andar descalço na terra e sem tomar banho em água doce.
- Recolher logo as fezes do cão e do gato, desparasitá-los segundo o esquema do veterinário e tapar a caixa de areia das crianças.
- Manter curtas as unhas das crianças e tirar-lhes o hábito de as roer: parece pouco, mas com os oxiúros é metade do trabalho.
Consulta em linha
Disto custa falar num consultório, e uma conversa à distância ajuda: contar como é a comichão e como são as fezes é mais fácil do que aparecer em pessoa, e quase tudo se resolve a falar. Pelo relato, o médico da Oladoctor distinguirá oxiúros típicos de uma situação que exige análises, explicará como se recolhe bem a amostra e porque é que a análise habitual às fezes muitas vezes não mostra nada nos oxiúros. Descreverá o plano para toda a família, incluindo a lavagem da roupa e o prazo da segunda toma, verá as viagens e dirá que exames fazem sentido depois dos trópicos. E avisará com honestidade quando não se pode tratar sozinho: com perda de peso, sangue nas fezes, diarreia prolongada e anemia numa criança, primeiro é preciso um exame.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
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