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Medicamentos habitualmente prescritos para Hérnia discal
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: COMPRIMIDO, 650 mg paracetamolSubstância ativa: paracetamolFabricante: Aurovitas Spain, S.A.U.Não requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 1000 mgSubstância ativa: paracetamolFabricante: Tecnimede España Industria Farmaceutica S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: SOLUÇÃO/SUSPENSÃO ORAL, 600 mgSubstância ativa: ibuprofenFabricante: Zambon S.A.U.Requer receita médica
Entre as vértebras existem os discos, almofadas elásticas que amortecem a carga a cada passo. Quando o anel externo de um disco fissura, o núcleo mole do interior projeta-se para fora e pode encostar a uma raiz nervosa. É a isto que se chama hérnia discal. A palavra soa a sentença, mas o retrato real é bastante mais animador: na maioria das pessoas a hérnia diminui sozinha ao longo de semanas e meses, a dor passa sem cirurgia, e aquilo que se faz nessas semanas pesa nos prazos mais do que qualquer procedimento. Nesta página tratam-se à parte os sinais perante os quais não se pode esperar e uma conversa honesta sobre a ressonância.
O que acontece de facto ao disco
Expressões correntes como «saltou-me um disco» ou «desalinhou-se uma vértebra» dão uma imagem falsa, como se algo se tivesse soltado lá dentro e bastasse alguém pô-lo no sítio. O disco não sai de lado nenhum: está firmemente unido aos corpos vertebrais. Por uma fissura do anel externo escapa parte do material interior, como o creme por um corte numa bola de Berlim, e fica de fora a formar uma pequena saliência.
A seguir sucede algo de que raramente se fala: é o próprio corpo que desfaz essa saliência. Fora da sua sede, o material do disco é estranho aos tecidos: chegam vasos e células de limpeza, a hérnia perde água e vai encolhendo. Em algumas pessoas, a ressonância repetida ao fim de um ano já não a encontra. E quanto maior era a hérnia no início, mais vezes diminui de forma marcada.
Daqui sai uma conclusão que vale a pena guardar: a dor passa não porque o disco «voltou ao lugar», mas porque a saliência diminuiu e a inflamação à volta da raiz acalmou. As manobras manuais com estalido não repõem nada, ainda que a muita gente aliviem durante algum tempo.
Como se manifesta
A hérnia dá sinal de si de maneira diferente conforme o nível da coluna em que surge e conforme toque ou não num nervo.
- Na zona lombar. É a localização mais frequente. Pode doer apenas a parte baixa das costas, ou a dor pode descer pela perna abaixo do joelho, com formigueiro e dormência. À dor que percorre o trajeto do nervo ciático chama-se ciática, e tem página própria neste sítio.
- No pescoço. Dor cervical que irradia para a omoplata, o ombro, o braço e os dedos, por vezes com dormência ou falta de força na mão. Costuma agravar ao rodar e inclinar a cabeça e aliviar quando se pousa a mão sobre o cimo da cabeça.
- Sinais comuns. A dor aumenta ao tossir, espirrar e fazer força; custa estar sentado muito tempo e inclinar-se para a frente; custa endireitar-se depois de estar sentado.
Uma correção importante ao alarme geral: a hérnia que aparece no exame nem sempre é a culpada da dor. Imensa gente vive com saliências discais sem alguma vez o saber, porque nenhum nervo é tocado e nada dói. O assunto é retomado na secção sobre a ressonância.
A hérnia não costuma resultar de um único movimento infeliz: com a idade os discos perdem água e elasticidade, e depois atua o que calhar — levantar peso inclinado e em torção, horas sentado, um esticão no ginásio, o excesso de peso, o tabaco.
Porque é que o repouso não cura
A lógica popular é simples: doem as costas, fica-se na cama até sarar. Na hérnia discal esse é um dos erros mais caros.
O repouso na cama não acelera a recuperação, trava-a. Ao fim de poucos dias deitado, os músculos que suportam a coluna enfraquecem, as articulações ficam rígidas, mover-se custa mais, o medo da dor cresce e a pessoa mexe-se ainda menos. O círculo fecha-se. Mover-se com uma hérnia dói, mas não faz mal: a andar não se «acaba de partir» o disco.
Os prazos de referência são estes. A dor aguda costuma acalmar em dias ou numa ou duas semanas, a melhoria clara chega para a maioria às seis ou oito semanas, e a recuperação completa leva de algumas semanas a alguns meses. A cirurgia é precisa a uma minoria.
O que fazer nas primeiras semanas
- Mantenha a vida habitual na medida do possível. Se a dor for muito intensa, o primeiro dia ou dois podem passar-se com calma, mas depois volta-se ao movimento sem esperar que a dor desapareça por completo.
- Ande. Vários passeios curtos por dia toleram-se melhor do que uma única saída longa. Se trabalha sentado, levante-se a cada vinte ou trinta minutos.
- Doseie o esforço pela regra «incómodo mas suportável, e amanhã não pior». Servem caminhar, nadar e exercícios simples para os músculos das costas e do abdómen; na fase aguda não servem os levantamentos pesados, os saltos nem as torções bruscas.
- O analgésico serve para se mexer, não para aguentar a imobilidade. Costuma começar-se pelos anti-inflamatórios, porque o paracetamol rende menos neste tipo de dor. Os anti-inflamatórios não servem a toda a gente: com doenças do estômago, dos rins ou do coração, com tensão alta e na gravidez tomam-se apenas com acordo do médico. Melhor um ciclo curto do que «até passar».
- O calor local — saco de água quente, duche morno — alivia muita gente; a outros faz mais bem o frio. A opção certa é a que lhe dá alívio.
- Para dormir é mais cómodo de lado com uma almofada entre os joelhos, ou de costas com uma almofada por baixo dos joelhos; não é preciso comprar colchão especial. Uma cinta safa um dia mau, mas não se usa durante semanas: os músculos desabituam-se de trabalhar.
Vale a pena deixar de fumar e reduzir o excesso de peso: ambos influem no estado dos discos e na probabilidade de o episódio voltar.
Quando se contam as horas
Há uma complicação que justifica ler esta página até ao fim. Na parte mais baixa do canal vertebral as raízes nervosas seguem num feixe chamado cauda equina. Se uma hérnia volumosa o comprime por inteiro, ficam afetados ao mesmo tempo a bexiga, o intestino e as duas pernas. É uma urgência: se a compressão não for aliviada nas horas seguintes, as alterações da micção, da sensibilidade e da função sexual ficam para sempre.
Chame de imediato uma ambulância ou dirija-se ao serviço de urgência se surgir sequer um destes sinais:
- dormência no períneo, à volta do ânus e dos genitais, e na face interna das coxas — a zona que assenta no selim de uma bicicleta;
- impossibilidade de urinar ou sensação de bexiga cheia sem vontade; ou, pelo contrário, perdas de urina que não dá por elas;
- perda do controlo das fezes ou desaparecimento da vontade de evacuar;
- fraqueza ou dormência crescentes nas duas pernas ao mesmo tempo, desequilíbrio ao andar;
- uma dor que estava numa perna e passou às duas.
Não espere pela manhã nem verifique se passa ao fim do dia. Não conduza nesse estado: peça que o levem ou chame uma ambulância, nos países europeus pelo número único 112. Leve a lista dos medicamentos que toma. E diga-o por estas palavras: dormência no períneo e dificuldade em urinar. É desta frase que depende a rapidez com que será observado.
Outros motivos para não esperar
Além da cauda equina há sinais que exigem médico no próprio dia ou no seguinte, e não ao fim de um mês de observação.
- Fraqueza crescente no pé ou na mão. A ponta do pé prende no chão, o pé bate ao andar, é preciso levantar mais o joelho; da mão caem os objetos, não segura uma chávena. É uma perda de função da raiz, e quanto mais cedo se libertar, maior a hipótese de a força voltar por completo.
- Febre juntamente com dor nas costas, sobretudo com arrepios e suores noturnos, em quem tem as defesas baixas, foi operado à coluna há pouco tempo ou recebeu injeções. É assim que se manifestam a infeção de uma vértebra ou um abcesso junto à medula.
- A dor começou depois de uma queda, de uma pancada ou de um acidente, ou depois de um traumatismo ligeiro em pessoa com osteoporose ou em tratamento prolongado com corticoides.
- Dor noturna que não deixa dormir e não depende da posição, acompanhada de perda de peso, falta de apetite ou um cancro no passado.
- Dor cervical com perda de equilíbrio e marcha alterada, falta de jeito nas duas mãos, dificuldade em apertar botões: é sinal de compressão da própria medula ao nível do pescoço.
E o motivo corrente, sem pressa, para consultar: a dor não começou a ceder em seis a oito semanas, atrapalha o trabalho e o sono, ou volta uma vez e outra.
Sobre a ressonância: porque um exame precoce quase nunca muda nada
O pedido «passe-me uma ressonância» surge em quase todas as consultas, e recusar parece poupança. O motivo é outro e vale a pena conhecê-lo.
Encontram-se alterações dos discos em imensas pessoas a quem nada dói. Fazendo uma ressonância lombar a quem não tem uma única queixa, aparecem saliências discais em cerca de um terço dos que têm trinta anos e na maioria dos que passaram dos sessenta. É um achado próprio da idade, como os cabelos brancos. Por isso uma hérnia encontrada não prova por si que seja a origem da dor: para ligar a imagem ao sintoma, o médico precisa que aquilo que se vê coincida com o ponto exato onde dói e adormece.
Segundo: nas primeiras semanas o exame não muda o plano. Com hérnia ou sem ela o tratamento é o mesmo — movimento, analgesia quando é preciso, tempo. O exame ganha sentido quando dele depende uma decisão: há sinais de alarme das secções anteriores, há défice neurológico ou está em cima da mesa a cirurgia.
Terceiro, menos evidente: o exame precoce por vezes prejudica. Quem lê no relatório «protrusão, alterações degenerativas, espondilose deformante» começa a poupar as costas, mexe-se menos e demora mais a recuperar. A linguagem dos relatórios soa muito pior do que aquilo que descreve.
A radiografia simples não mostra discos nem nervos: responde apenas à pergunta sobre fratura.
Se a dor não passa durante meses
Quando várias semanas de medidas caseiras não deram resultado, o médico costuma propor o seguinte.
- Trabalho com um fisioterapeuta. Não procedimentos passivos, mas um programa de exercícios à medida e uma análise de como se move, se senta e levanta pesos. É a parte do tratamento com mais provas a favor.
- Revisão da analgesia. Por vezes acrescenta-se um ciclo curto de outros fármacos. Os analgésicos fortes não se prescrevem de forma prolongada para casa, e os relaxantes musculares dão-se por poucos dias.
- Infiltração com corticoide junto à raiz. Não ajuda toda a gente e o efeito dura um tempo limitado, mas pode dar uma tréguas e quebrar o círculo dor-imobilidade-dor. É um passo sensato antes de falar de cirurgia.
- Cirurgia. Retira-se a porção de disco que comprime a raiz. Discute-se perante dor intensa e persistente que durante meses não cede a nada, perante fraqueza em progressão e, com urgência, na síndrome de cauda equina. Alivia mais depressa a dor da perna ou do braço, mas ao fim de um ou dois anos os resultados de quem foi operado e de quem se tratou sem cirurgia aproximam-se bastante: na evolução habitual não há razão para pressas, com défice neurológico é o contrário.
Consulta em linha
À distância resolvem-se bem as dúvidas principais dos primeiros dias: se isto se parece com uma hérnia discal, se entre os seus sintomas há sinais de alarme e o que fazer já hoje. O médico vai rever para onde irradia exatamente a dor e perguntar pela força no pé e na mão, pela micção e pela dormência no períneo, ou seja, verificará precisamente aquilo que separa um episódio comum de uma urgência. Em linha é também prático ajustar a analgesia tendo em conta as suas outras doenças, receber um plano de movimento claro para as próximas semanas e perceber se um exame de imagem é necessário ou se não vai mudar nada. Outro pedido frequente é que lhe expliquem uma ressonância já feita: o relatório soa quase sempre pior do que a situação é. Os sinais da secção sobre a cauda equina não se avaliam à distância: com esses, vai-se diretamente à urgência.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Médicos online para Hérnia discal
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